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Lehlogonolo Machaba quer usar sua exposição no concurso para promover uma maior aceitação da comunidade LGBTQIA+. África do Sul é o único país a aceitar casamento entre pessoas do mesmo sexo e a abordar direitos da comunidade LGBT em sua Constituição.
Como a primeira transgênero a competir no Miss África do Sul, a modelo Lehlogonolo Machaba quer usar a plataforma para promover uma maior aceitação da comunidade LGBTQIA+. Machaba, de 24 anos, competiu pelo título depois que o país se juntou a um número pequeno, mas crescente de países, incluindo EUA, Espanha, Canadá, Nepal e Panamá, que aceitam competidoras trans em seus concursos de beleza.
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“Ser a primeira mulher trans na África do Sul a entrar no concurso foi realmente impressionante, mas ao mesmo tempo sou grata por ter tido a oportunidade de tentar defender minha comunidade. Vi nos últimos meses como pessoas queer foram mortas. Você tem tópicos nas redes sociais sobre crimes de ódio contra a comunidade. Portanto, ser a primeira é um pouco opressor e também estou ansiosa com a questão de que as pessoas agora saibam que sou uma mulher trans”, disse Machaba à agência Reuters.
O casamento entre pessoas do mesmo sexo é legal na África do Sul e pessoas trans podem mudar de identidade no registro nacional de nascimento, mas a violência contra lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros e pessoas queer aumentou, com mais de 10 pessoas mortas em ataques este ano, e o estigma social e a discriminação continuam fortes. Na maior parte do continente africano, relações entre pessoas do mesmo sexo são consideradas tabu e até mesmo crime.
A ansiedade de Machaba vem de saber que ela será estigmatizada por colocar um holofote nas questões que as pessoas transgênero enfrentam. Mas ela diz que a morte de um amigo próximo devido a um crime de ódio lhe deu forças para lutar.
“Significaria muito para mim, como mulher trans, ganhar o Miss África do Sul, mas também acredito que significaria muito para a comunidade queer, mais especialmente na África do Sul. Isso mostraria que o país está quebrando fronteiras, que há uma mudança de muitas maneiras, mais especialmente em relação à comunidade LGBTQIA+. Vimos como o mundo realmente trata a comunidade queer, mas na África do Sul isso pode mostrar que pelo menos um dos países africanos está avançando para a comunidade LGBTQIA+”, disse ela.
Machaba ficou entre as TOP30 do concurso, mas não está na lista das TOP10 finalistas anunciadas nesta terça-feira (3) pela organização do concurso.
*Com informações da Reuters.
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