A quantidade de jornalistas negras na televisão brasileira tem aumentado consideravelmente nos últimos anos. Se quem cresceu nos anos 80 e 90 podia contar nos dedos a quantidade de repórteres e apresentadoras negras nas quais podia se inspirar, hoje o cenário já apresenta mais diversidade.

O cabelo das apresentadoras e jornalistas negras é um marcador forte da presença delas na televisão e um dos primeiros sinais percebidos pela audiência, sendo frequentemente associados, de maneira racista, a desleixo ou falta de profissionalismo. Na segunda entrevista da série sobre jornalistas negras de televisão e seus cabelos, o MUNDO NEGRO conversou com Maju Coutinho, atualmente apresentadora do Fantátisco, da Rede Globo, sobre como foi sua trajetória capilar na televisão.

De escolhas estéticas do dia-a-dia passando por danos causados aos fios por conta do uso de babyliss para trazer mais definição aos crespo, Maju divide um pouco de sua rotina capilar e dos cuidados que desenvolveu e aprendeu com profissionais para o cuidado diário com os fios.

Confira:

1) Como era o seu cabelo quando você começou a aparecer na TV? Era um estilo que você se sentia confortável para aparecer em frente às câmeras?  

Comecei a carreira usando trancinhas, depois passei a usar meu cabelo solto. Ora usava totalmente natural, outras vezes definia os cachos com o babyliss. Por causa da temperatura alta do babyliss, a parte da frente do meu cabelo ficou danificada e passei a usar “aplique” para que ele crescesse naturalmente de novo. Hoje está totalmente natural e só uso babyliss em situações muito especiais.

2) Ainda no início, quais as jornalistas negras você tinha como referência não só pelo conteúdo, mas também pela estética e o que te chamava atenção nessa pessoa em termos de visual? 

Glória Maria e Zileide Silva.

4) Nos EUA, onde as questões dos direitos civis são bem avançadas, as jornalistas negras, em maioria, ainda usam o cabelo liso e até mesmo perucas e apliques. Por que no Brasil somos diferentes? E usar o cabelo liso seria um problema, na sua opinião? 

Creio que há relação com o fato de negras com cabelo crespo terem menos chance no mercado de trabalho. Li uma pesquisa sobre isso há alguns anos. Mesmo com avanços, o padrão de beleza que ainda vigora, em muitas sociedades, é o da mulher branca, magra e de cabelos lisos. Romper com esse padrão não é tarefa fácil.

5) O seu cabelo já foi alvo de algum comentário racista? Caso sim, o que foi feito a respeito?  

Meu cabelo já foi alvo de todo tipo de comentário. As pessoas sentem-se muito à vontade em opinar sobre o cabelo crespo, mesmo quando  suas opiniões não são requisitadas. Atualmente, dou cada vez menos abertura para falarem sobre o meu cabelo. 

6) Sobre quem cuidou e cuida do seu cabelo. Você sente que os profissionais sabem cuidar do cabelo natural? 

Hoje em dia, vários profissionais de beleza estão tendo que correr atrás da informação e de treinamento para lidar com cabelos crespos. Dicas não faltam. Já conheci cabeleireiros que tinham medo de pegar no meu cabelo, por pura falta de experiência. Hoje em dia, procuro, eu mesma, descobrir o melhor jeito de cuidar do meu cabelo e da minha maquiagem para não ficar totalmente dependente dos profissionais.

7) O cabelo de quem trabalha na TV sofre com o efeito de secador, gel e outros produtos. Qual sua rotina de cuidado capilar? 

Evito colocar creme de pentear no couro cabeludo. Uso apenas no comprimento e nas pontas. Uso máscara de hidratação potente uma vez por semana.

8) Tem algum truque que você aprendeu no trabalho, sobre cuidados com seu cabelo, que você poderia compartilhar com a gente?

Aprendi no trabalho a alternar a temperatura do secador entre quente e fria para danificar menos os fios.

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