A novela das 21h que estreou no final do ano passado contava com propostas de diversidade e a fuga dos estigmas que caíam sobre os personagens negros durante muito tempo.

E seguiu assim pelos 2 meses seguintes, porém, na atual “fase” da trama reviravoltas negativas se tornaram frequentes na vida desses personagens.

Vitória, a personagem de Tais Araújo,  que iniciou a novela como a melhor e mais bem sucedida advogada do brasil, foi à falência ao encerrar um contrato milionário, saiu de sua mansão e agora cenas dramatizadas dela esfregando chão de sua casa em um bairro humilde passam a ser recorrentes.

Ao mesmo tempo, temos a personagem forte Marina, vivida por Erika Januzza que o seu maior sonho é conquistar um campeonato importante de tênis, e quando teve a oportunidade de dar um salto na carreira ela desiste, por amor. E passa a ser completamente ofuscada com o sucesso do namorado branco.

Os produtores não satisfeitos mudaram também todo o rumo da personagem da Jessica Ellen. Víamos antes uma professora, ativista, inconformada, que lutava por seus direitos e dos alunos. Já agora com tantas reviravoltas não se passa 2 episódios sem que à personagem esteja oprimida. Enquanto seu namorado cresce profissionalmente.

Sabemos que a ficção reflete a realidade, que também tem altos e baixos. Mas, no caso de algumas personagens a mudança é tão drástica que até o sentido fica em falta.

Toda essa dificuldade de manter essas atrizes negras longe dos estigmas reforçados pela maioria das novelas da globo, nos faz pensar que a ausência de também mulheres e pretas na direção/produção atinge diretamente no desenvolvimento do personagem.

É necessário nos bastidores, uma pessoa que entenda da importância de ter mulheres negras bem sucedidas, e no poder, em uma novela das 21h. Por anos fomos representadas somente por personagens de escravas, empregadas domésticas e amantes. E tudo isso apenas como coadjuvante.

Estamos cansados de racismo disfarçado de representatividade.

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