Cultura contra o racismo. Nos EUA a coisa é séria.

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Cultura contra o racismo. Nos EUA a coisa é séria.

É de chocar, no bom sentido, a forma como negros americanos exaltam sua cultura e conseguem ter sua fala e performance, de conotação assumidamente racial e crítica à sociedade americana, reverberada mundo afora.

Um bom exemplo disso, foi o Black Entertainment Television (BET ) Awards, evento feito por, e, para a comunidade negra americana para homenagear os talentos na área do entretenimento, realizado no último domigo. Bom, o Brasil ainda não conseguiu nem ter canal só para negros, imagine uma premiação de repercussão internacional de um evento 100% negro?

O que parece ser um sonho ainda distante para os negros no Brasil é a realidade dos que moram nos EUA, que tem suas lutas, dificuldades e expectativas sociais e econômicas, ganhando voz por meio de várias celebridades afro-americanas, que não têm papas na língua para falar sobre violência policial, racismo e falta de oportunidades. E não estamos falando de rappers, que parecem ser o único grupo a discutir essas questões aqui no Brasil. Produtores de cinema, apresentadores  de TV, cantores e atores são porta-vozes de uma comunidade muito consciente da sua importância para o desenvolvimento do país.

E foi o ator Jessie Willians, de Grey´s Anatomy, o grande destaque do evento do BET com um discurso que o ator Samuel L. Jackson definiu como digno de um ativista negro dos anos 60. Ele recebeu o troféu humanitário por sua atuação na causa negra, que inclui a produção do documentário Black Lives Matter. Seu discurso foi certeiro em apontar as facetas do racismo moderno americano, incluindo até uma leve crítica à própria comunidade negra.

Jesse Williams accepts the humanitarian award at the BET Awards at the Microsoft Theater in Los Angeles on Sunday.
Jesse Williams recebeu o prêmio humanitário da BET (Getty Images)

“Agora, porém, todos nós aqui estamos ganhando dinheiro, o que por si só não vai parar com isso. Agora, dedicamos nossas vidas a ganhar dinheiro, a botar a marca de alguém em nosso corpo, quando passamos séculos orando com marcas em nossos corpos. Agora, nós rezamos para sermos pagos, para termos marcas em nossos corpos”, comparou o ator, lembrando os escravos que eram marcados a ferro quente.

Somos livres?

Para Jesse Willians, negros foram mortos ao exercerem sua a liberdade. E Freedom foi a canção escolhida por Beyonce, para o evento, escrita em parceria de Kendrick Lamar, que também dividiu os palcos com a musa.

“Sete declarações falsas sobre o meu caráter

Seis holofotes brilhando em minha direção

A polícia me perguntando o que tenho em meus bolsos”.

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Beyonce and Kendrick Lamar durante a performance da canção Freedom (Getty Images)

E no Brasil?

São poucos, mas muito poucos, os artistas brasileiros que usam sua influência para falar de questões raciais de forma explícita como os americanos.

Os grupos de rap e Hip Hop são os que não temem apontar o dedo na cara da sociedade, do Governo e da polícia.

Que mais artistas negros tenha a coragem que Wilson Simonal teve há quase 50 anos ao cantar sobre racismo em plena ditatura militar.

 

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