Contrariando estereótipos, Shirley Cruz interpreta mulher negra bem sucedida, inteligente e segura de si em Bom Sucesso

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Foto: Luíz Brown

Recém-chegada do Festival de Cannes, onde esteve com o filme vencedor “A vida invisível de Eurídice Gusmão”, Shirley Cruz comemora papel de destaque na trama das 19h na Rede Globo, a novela Bom Sucesso. Shirley interpreta Glaúcia e contraria os estereótipos relacionados a mulher negra na TV. Gláucia é uma personagem bem sucedida, lésbica, diretora comercial da editora fictícia Prado Monteiro e dona de si.

Segundo a atriz, a personagem não é de mandar recados e fala o que pensa para quem for. “O que ela tem de mais especial é seu espírito livre! É leve sem perder o pulso e, além de ser uma mulher de energia forte, é extremamente leal à família Prado Monteiro, o tipo de profissional que quer ver o bem da empresa. Gosto da naturalidade com que o tema da homossexualidade é tratado na trama, porque é assim que tem que ser. Ela não esconde o que e quem quer”.

Muitas atrizes negras são vistas em papeis estereotipados. Solange Couto, por exemplo, que fez parte da campanha “Senti na Pele”, criada pelo ator e jornalista, Ernesto Xavier e que denuncia o racismo vivido por atores negros nos papeis os quais eles interpretam, contou que de 37 personagens, 25 foram empregadas ou escravas, sendo que do total, apenas sete não foram personagens carregadas de estereótipos racistas.

A televisão te coloca numa vitrine muito potente. Gláucia, minha personagem na novela Bom Sucesso, é uma mulher direta, segura, inteligente, bem sucedida e com um bom humor acima da média. Ela parece reunir todos os ingredientes para gerar a tal empatia que está escassa entre nós. Tenho consciência do tamanho da responsabilidade. Acho que minha presença traz esperança e orgulho, algo muito parecido com o que eu sentia quando via a Glória Maria, a Zezé Motta, Ruth de Souza e Lea Garcia. Tanto é que aqui estou eu. Para os racistas, a oportunidade de ver que somos tão capazes quanto eles e de uma certa forma, uma chance de conviver e desenvolver respeito”, comenta Shirley  

Enquanto aguarda o lançamento de duas séries e dois filmes já gravados, a atriz, que tem 19 anos de carreiras e mais de 50 trabalhos no audiovisual, comenta a importância de fazer um papel na TV durante horário nobre e que vai contra esses aspectos.

Apesar de ter participações em outras novelas, para ela, a sensação é de estreia. “Desta vez poderei desenvolver uma personagem para contar uma história inteira, do início ao fim”, comemora a carioca residente em São Paulo, que recebeu da diretora Joana Clark a indicação para o papel. Em breve, será vista em “Jungle Pilot”, série com estreia prevista para setembro, no Universal Channel, onde interpreta Dalva, esposa do protagonista vivido por Demick Lopes. E também em “A Revolta dos Malês”, com direção de Jeferson De e Belisário Franca, onde interpreta Guilhermina, sua primeira protagonista.

Com mais de 30 filmes no currículo, em breve a atriz poderá ser vista também no longa-metragem “Pacified”, de Paxton Winters com produção da 20th Century Fox, ainda sem data para estreia. Além disso, é presença constante em séries da Fox, Universal Channel, Netflix, TV Globo, Canal Brasil e TV Record, e foi pré-selecionada à indicação do Emmy Awards (2011) pelo seu papel em “Filhos do Carnaval”, da HBO – onde, em paralelo à carreira de atriz, apresentou um programa sobre a série.

Shirley estreou como jornalista num projeto coordenado por Nizan Guanaes e dirigido por Luiz Gonzaga Mineiro, seu diretor também na equipe de jornalismo do SBT, na função de apresentadora e repórter, sob a coordenação de Ana Paula Padrão. É ainda a idealizadora da Cia. Contemporânea Mulher de Palavra, onde atua, produz e escreve, e que durante as olimpíadas estreou o espetáculo “Mulheres no Pódio“, falando da trajetória da mulher no esporte olímpico e paralímpico. Dentre os orgulhos inesquecíveis está a participação no projeto “Negro olhar”, com Milton Gonçalves e Ruth de Souza.

 

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