Consumo, potência e a miopia da falta de diversidade

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Consumo, potência e a miopia da falta de diversidade
Foto: Freepik/ASphotofamily

Texto: Alexon Fernandes

Na semana que termina, vimos uma marca de calçados ser duramente criticada por utilizar uma modelo branca para o lançamento de uma coleção que trazia elementos da cultura africana como conceito. A ação foi considerada por muitos como equivocada, e por outras pessoas ela foi considerada uma jogada de marketing – afinal, o que importava era o hype.

O Brasil tem a maior população negra fora da África e, em números absolutos, é o segundo maior país com população negra, só perdendo para a Nigéria. Então, é impossível não ligar o episódio à relação entre consumo e racismo. A insistência das marcas em não dialogar com o mercado consumidor negro é escancarada. Consumidores negros são a maioria no país, em especial as mulheres. Em 2019, por exemplo, segundo uma pesquisa do Instituto Locomotiva, elas foram responsáveis pela movimentação de mais de R$ 700 bilhões. Além disso, as mulheres negras são responsáveis pela decisão de compra das suas famílias e, em muitos casos, das famílias das residências em que elas trabalham. Elas têm interesse em produtos de valor agregado, viagens, veículos automotivos e serviços de lazer. Ou seja, são uma potência de consumo e foram excluídas do resultado da campanha publicitária da marca de calçados.

O que aconteceu também serve de reflexão sobre a importância da diversidade em todas as áreas da empresa e na sua cadeia de fornecedores. Quanto mais diversas são as equipes, mais preparadas elas estão para dialogar com a sociedade. Por exemplo, uma equipe de comunicação diversa – principalmente em posições-chaves – evitaria situações como a ocorrida.  Investimento em diversidade não é somente uma questão de percentual e metas, é também entender que a diversidade é um valor essencial na relação da empresa com o mercado em que ela atua.

Por último, ficam duas perguntas: Quanto vale o “hype”? E, quanto vale investir em diversidade de forma integral? Já vimos marcas chamarem a atenção para si de forma chocante, sem preterir um determinado grupo da sociedade e serem muito bem sucedidas. 

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