Com ataques crescentes a terreiros de candomblé, Dia do Combate à Intolerância Religiosa completa 12 anos

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Devido a um dos casos mais famosos e também trágicos de desrespeito religioso no Brasil, realizado pela Igreja Universal do Reino de Deus e direcionado a Mãe Gilda de Ogum, yalorixá fundadora do Terreiro Abassá de Ogum, em Itapuã, bairro Soteropolitano, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, sancionou a Lei n° 11.635, de 27 de dezembro de 2007, criando o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa (21 de janeiro).

A lei foi sancionada como forma de homenagear mãe Gilda, falecida em 2000, em decorrência dos diversos ataques que sofreu. No mesmo ano, ela havia sido atacada por membros da igreja Assembléia de Deus e em seguida, teve sua imagem estampada no jornal “Folha Universal“, da IURD, acusada de ser charlatã e roubar dinheiro de clientes. Segundo membros da casa, após ver a manchete, a yalorixá sofreu um ataque fulminante e morreu.

No dia 28 de novembro de 2014, durante as comemorações do mês da Consciência Negra, foi inaugurado um busto de bronze que homenageia à memória de mãe Gilda. A estátua fica no parque do Abaeté, em Itapuã. Em maio de 2016, a obra foi alvo de vandalismo, mas restaurada e reinaugurada em novembro de 2016.

Desde 2011 o Disque 100, número do governo que funciona 24 horas por dia e recebe denúncias de violações de direitos humanos, passou a contabilizar os casos de intolerância religiosa. Ao longo dos anos, a taxa de crescimento aos casos de intolerância é altíssima. No primeiro ano foram 15 casos, em 2012 foram 109, 201 em 2013 e em 2014 chegou a 149. Entre 2015 e o primeiro semestre de 2018, foram 1.729 casos registrados.

Recentemente, em Salvador, o Terreiro Ilê Axé Ojisé Olodumare (Casa do Mensageiro), de Barra do Pojuca, na cidade de Camaçari, Região Metropolitana de Salvador, do babalorixá Rychelmy Imbiriba, foi alvo de invasão por assaltantes, que além de afrontar as vítimas com palavras de cunho desrespeitoso, levaram diversos itens. O terreiro emitiu uma nota de pesar relatando o ocorrido e afirmando ter sido um ato de intolerância religiosa.

A Polícia Civil, apesar das testemunhas, descarta o indicativo de intolerância religiosa cometida pelos bandidos. A invasão ocorreu no sábado (12). O babalorixá e o fotógrafo que registrava a festa foram levados para a emergência e tiveram que levar pontos no rosto por causa das coronhadas que levaram. O nome do fotógrafo não foi divulgado.

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