Carla Lemos é vítima de agressão em samba no Rio: “Não dirigi uma palavra a ele; eu era a menor, a mais fraca”

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Carla Lemos é vítima de agressão em samba no Rio: “Não dirigi uma palavra a ele; eu era a menor, a mais fraca”
Foto: Reprodução

A influenciadora e escritora Carla Lemos denunciou ter sido brutalmente agredida durante um samba no Centro do Rio de Janeiro. Nas redes sociais, Carlinha contou que, na última sexta-feira (7), foi atacada no evento Samba Independente dos Bons Costumes, na Fundição Progresso, por um homem que aparentava estar bêbado e que não a conhecia.

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“Levei socos insistentes, tive minhas tranças puxadas e meu supercílio aberto por um homem que nem me conhecia”, relatou. Segundo Carla, tudo começou depois que ela voltou do banheiro e percebeu dois homens caindo em cima de amigos e incomodando o público ao redor.

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O amigo do suposto agressor chegou a esbarrar nela diversas vezes, até que ela tentou se defender com um pedido para que ele parasse de cair em cima dela. O homem se afastou, mas, logo depois, a violência escalou.

“A partir daí, eu só lembro de violência. O bêbado me dá um empurrão de um lado, depois um soco na maçã do rosto, que doeu bastante, e, na sequência, um soco na testa, que ardeu”, disse.

Em meio à confusão, foi a cantora que se apresentava no palco quem primeiro interrompeu o show para pedir ajuda pelo microfone. “Ouço a cantora no palco falando: ‘Estão agredindo uma mulher, ela tá sangrando’. Quando olho pra minha mão toda ensanguentada, percebo que essa mulher sou eu”, relatou Carla em seu perfil no Instagram.

Segundo a advogada da vítima, Thaiz Sardinha, a artista precisou fazer o apelo duas vezes para que a agressão fosse interrompida. “Ao todo, foram aproximadamente cinco homens tentando retirá-lo de cima dela, até que finalmente conseguiram afastá-lo”, afirmou.

Em entrevista à GloboNews, Carla reforçou a vulnerabilidade que a tornou um alvo fácil: “Não dirigi uma palavra àquele cidadão. (…) Eu era a menor, a mais fraca ali”.

Além dos hematomas e ferimentos, Carla relatou que se sente dolorida “não só fisicamente, mas por todos os processos violentos” que começaram ainda na madrugada de sexta-feira e seguem até hoje. Ela diz ter recebido diversos relatos de outras mulheres que passaram por situações parecidas e tiveram suas histórias negligenciadas. “Saber que eu não fui a primeira, não serei a última”, desabafou.

Casa de show se pronuncia

A Fundição Progresso, onde o samba aconteceu, divulgou nota lamentando o caso e afirmando que levou a ocorrência à delegacia mais próxima. Leia na íntegra:

“Infelizmente algo terrível aconteceu no nosso ambiente de trabalho na última quinta-feira. Logo depois de pararmos a roda para dar o recado que damos toda quinta-feira, de que não toleramos misoginia e qualquer tipo de preconceito, uma mulher foi brutalmente agredida.

Nós, a equipe da casa, o público em volta, os amigos; todos agiram o mais rápido possível para socorrer. Depois do ocorrido, fizemos o que sempre pregamos. Fomos até o fim e ficamos na delegacia até o final do trâmite legal. Mas não foi suficiente. O agressor saiu de lá andando e rindo.

A proteção de uma mulher contra a violência de gênero não pode depender dela conhecer ou ter mantido uma relação afetiva com seu agressor. Se a violência acontece porque ela é mulher, o Estado precisa protegê-la como vítima de violência de gênero em todos os lugares, em casa, no trabalho, na rua, numa festa ou em qualquer outro espaço. Esse é nosso compromisso”.

ATUALIZAÇÃO: Dia 13/08 às 8h40:

Em nota de esclarecimento, a defesa de Lucas afirma que o episódio ocorreu em meio a uma confusão generalizada, iniciada após uma suposta ofensa racial contra o amigo dele, George. As advogadas Gabrielly Caldeira Lima Cruz e Flavynia Mozzara Ventura Silva negam que Lucas tenha agredido Carla de forma consciente, deliberada ou motivada por gênero ou raça, e afirmam que ele também sofreu lesões e perdeu a consciência durante o tumulto.

A defesa acrescenta que, conforme os relatos e elementos reunidos até o momento, há indicação de que a agressão atribuída a Lucas possa ter sido praticada por outro integrante do grupo, descrito por testemunhas como um homem alto, branco e magro. A identificação desse indivíduo e a confirmação da dinâmica dos acontecimentos dependem, contudo, da análise das imagens de segurança, dos depoimentos e das demais provas submetidas às autoridades.

Leia a nota de esclarecimento da Defesa:

“Na madrugada de 07 de agosto de 2026, o Sr. Lucas encontrava-se na Fundição Progresso, localizada na Lapa, Rio de Janeiro/RJ, acompanhado de seu amigo George, quando este, pessoa negra, foi alvo de grave ofensa racial praticada por um terceiro integrante de determinado grupo, que o chamou de “MACACO”.

Ao questionar o autor da ofensa acerca da conduta discriminatória, o Sr. Lucas foi recebido de maneira agressiva. A discussão rapidamente evoluiu para um confronto físico generalizado, envolvendo mais de 5 (Cinco) pessoas simultaneamente, em ambiente de intensa aglomeração, tumulto e absoluta dificuldade de individualização das condutas.

A defesa esclarece, de maneira firme, que o Sr. Lucas não se dirigiu à mulher que se apresenta publicamente como vítima com a intenção de agredi-la, tampouco praticou contra ela qualquer conduta motivada por sua condição de mulher ou de pessoa negra. O Sr. Lucas aproximou-se inicialmente para defender seu amigo da ofensa racial e, após o início do tumulto, limitou-se a tentar proteger a si próprio e o Sr. George das agressões praticadas por diversas pessoas.

Conforme os relatos e elementos reunidos até o presente momento, há indicação de que a agressão atribuída ao Sr. Lucas possa ter sido praticada por outro integrante do próprio grupo presente no local, descrito por testemunhas como um homem alto, branco e de
compleição magra. A identificação desse indivíduo e a confirmação da dinâmica dos acontecimentos dependem, contudo, da análise das imagens de segurança e das demais provas que estão sendo reunidas e submetidas às autoridades competentes.

Em razão do tumulto coletivo, é possível que a mulher estivesse entre as pessoas que se aproximaram ou se envolveram na confusão. O Sr. Lucas, recebeu sucessivos golpes, sobretudo na região da cabeça, e perdeu a consciência, retomando-a apenas quando já se
encontrava na delegacia. Por responsabilidade, a defesa esclarece que a dinâmica exata de eventuais contatos físicos deverá ser apurada por meio das imagens, dos depoimentos e dos demais elementos probatórios.

O que o Sr. Lucas nega categoricamente é ter se dirigido à referida mulher ou desferido, de maneira consciente, deliberada e individualizada, qualquer agressão contra ela.

O Sr. Lucas e seu amigo George também foram gravemente agredidos durante o episódio. Lucas sofreu ferimento no olho direito, com necessidade de sutura, além de lesões no nariz, no braço e na região da cabeça, tendo sido submetido a atendimentos médicos e exames complementares. George igualmente sofreu traumas na cabeça, lesões ao redor do olho e hematomas pelo corpo.

Os registros fotográficos, prontuários e documentos médicos comprobatórios das lesões já foram encaminhados aos veículos de imprensa que vêm acompanhando o caso. Outros resultados médicos ainda pendentes serão apresentados oportunamente, tão logo
disponibilizados.

Os fatos foram levados ao conhecimento da autoridade policial e permanecem sob investigação, inexistindo, até o presente momento, conclusão definitiva acerca da dinâmica das agressões ou da autoria individualizada de cada conduta. Também estão sendo adotadas providências para apurar a ofensa racial dirigida ao Sr. George, identificar seu autor e responsabilizar todas as pessoas envolvidas nas agressões.

O Sr. Lucas não possui antecedentes criminais nem registro de envolvimento anterior em conduta semelhante, sendo profissional e pessoa idônea, que se viu envolvida no tumulto ao reagir à grave ofensa racial dirigida ao amigo e que, posteriormente, tornou-se vítima de múltiplas agressões”

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