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	<title>(MN) Redação, Autor em Mundo Negro</title>
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	<description>Uma mídia negra diferente!</description>
	<lastBuildDate>Mon, 29 Jun 2026 19:55:39 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
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		<title>Dia do Orgulho: sem negros e trans, a diversidade vira privilégio branco</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/dia-orgulho-negros-trans-diversidade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Jun 2026 11:55:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[NEGRX E LGTB]]></category>
		<category><![CDATA[branquitude]]></category>
		<category><![CDATA[dia do orgulho]]></category>
		<category><![CDATA[diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[movimento lgbt]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres trans]]></category>
		<category><![CDATA[racismo estrutural]]></category>
		<category><![CDATA[travestis negras]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O movimento LGBTQIAPN+ pode existir sem a população negra? Reflita sobre o racismo estrutural, apagamento e a busca por uma verdadeira libertação coletiva.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong><em>Por: Rodrigo França </em></strong></p>



<p>Eu estava em cima de um trio elétrico na <strong><a href="https://mundonegro.inf.br/parada-lgbt-sp-2026-confira-as-atracoes-negras-que-sao-destaque-nos-trios-eletricos/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Parada LGBTQIAPN+</a></strong> de São Paulo, deste ano, quando uma imagem me atravessou mais do que qualquer música, qualquer discurso ou qualquer celebração. No meio de uma multidão que cantava, reivindicava, dançava e comemorava direitos conquistados, havia um jovem negro parado. Sozinho. Com um cartaz simples de papelão nas mãos. Nada elaborado. Nenhum slogan de marketing. Nenhuma produção sofisticada. Apenas uma frase: <strong>“Nenhum direito a menos”</strong>.</p>



<p>Durante muito tempo, enquanto o trio permaneceu praticamente imóvel, ele continuou ali. E eu não conseguia parar de olhar. Porque, de repente, aquela imagem parecia fazer uma pergunta que atravessa toda a história do movimento LGBTQIAPN+. Onde estão as pessoas negras? Onde estão as travestis negras? Onde estão os homens negros, mulheres negras? Onde estão aqueles que carregam as maiores estatísticas de violência, exclusão e morte? E, principalmente, quem pode estar aqui celebrando?</p>



<p>Quando olhei para a multidão, vi majoritariamente pessoas brancas. Muitos homens brancos. E não se trata de negar a legitimidade de suas existências, de suas dores ou de suas lutas. A questão é outra. Quem ocupa o centro da narrativa? Quem tem visibilidade? Quem aparece nas campanhas? Quem recebe os convites? Quem é lembrado quando chega o mês do orgulho?</p>



<p>É impossível celebrar o orgulho LGBTQIAPN+ sem olhar para a questão racial. E é impossível falar da história desse movimento sem lembrar de <strong>Marsha P. Johnson</strong>. Durante décadas, a história hegemônica tenta embranquecer até mesmo as origens da revolta que se transformaria no maior símbolo da luta LGBTQIAPN+ mundial. Mas os levantes que ocorreram no entorno do <strong>Stonewall Inn </strong>não podem ser compreendidos sem reconhecer a presença decisiva de pessoas negras, latinas, travestis, transexuais e drag queens que viviam na margem da margem.</p>



<p>Pessoas que não estavam lutando apenas pelo direito de amar. Estavam lutando para sobreviver. A diferença é profunda. Enquanto parte da população LGBT reivindicava reconhecimento social, outras pessoas reivindicavam o direito de continuar vivas.</p>



<p>Não é coincidência que até hoje as travestis e mulheres trans negras estejam entre as maiores vítimas da violência. Não é coincidência que a pobreza tenha cor. Não é coincidência que a exclusão tenha endereço. Não é coincidência que a morte seja distribuída de forma tão desigual. Por isso, quando observo grandes eventos LGBTQIAPN+, às vezes me pergunto se estamos diante de uma celebração da diversidade ou da vitória de um segmento específico dentro dessa diversidade.</p>



<p>Porque a branquitude possui uma capacidade histórica de ocupar espaços, inclusive aqueles construídos por outras mãos. Aconteceu no samba. Aconteceu na cultura popular. Aconteceu em inúmeros movimentos sociais. E acontece também dentro da comunidade LGBTQIAPN+.</p>



<p>A luta nasceu profundamente marcada por pessoas negras, latinas, pobres e trans. Mas o protagonismo público, os microfones, os contratos publicitários, os espaços institucionais e a representação midiática acabaram sendo concentrados, muitas vezes, nas mãos de pessoas brancas. Mesmo quando pertencem a grupos historicamente discriminados.</p>



<p>Esse é um debate que costuma gerar desconforto porque desafia uma ideia muito difundida: a de que sofrer uma opressão elimina automaticamente a possibilidade de reproduzir outras. Mas não elimina. Um homem branco gay continua sendo branco. Uma mulher branca lésbica continua sendo branca. E a branquitude não desaparece quando alguém sofre discriminação por orientação sexual. Privilégios não são anulados. Eles coexistem. É justamente por isso que tantas vezes vemos pessoas utilizando sua condição de grupo minorizado como uma espécie de certificado automático de consciência social.</p>



<p>Como se sofrer preconceito em uma dimensão impedisse alguém de praticar silenciamentos em outra. A realidade mostra o contrário. Também existem hierarquias dentro da própria diversidade. Também existem exclusões dentro dos grupos excluídos. Também existe racismo dentro da comunidade LGBTQIAPN+. E a pergunta mais dura seja justamente aquela que me acompanhou enquanto observava aquele jovem negro segurando seu cartaz.</p>



<p>Quem está faltando nesta festa? Quem não conseguiu chegar? Quem está trabalhando enquanto outros celebram? Quem está na escala seis por um? Quem está limpando o chão da festa? Quem está servindo? Quem está cuidando das crianças? Quem está cuidando dos idosos? Quem está garantindo que a cidade continue funcionando enquanto a Avenida Paulista se transforma em palco?</p>



<p>Essas perguntas não são novas. Elas atravessam também uma crítica histórica ao feminismo liberal branco. Durante décadas, muitas conquistas femininas foram possíveis porque outras mulheres, quase sempre negras e pobres, permaneceram ocupando os espaços do cuidado. Enquanto algumas conquistavam o direito de ocupar escritórios, universidades e cargos de poder, outras continuavam responsáveis pela cozinha, pela limpeza e pela criação dos filhos que não eram seus.</p>



<p>A liberdade de umas frequentemente repousava sobre o trabalho invisível de outras. Já passou da hora de perguntar se algo semelhante acontece em parte dos espaços LGBTQIAPN+. Porque representatividade sem redistribuição de poder é apenas uma nova forma de desigualdade. E orgulho sem memória corre o risco de virar espetáculo.&nbsp;</p>



<p>A imagem daquele jovem negro continua comigo. No meio de uma multidão celebrando, ele parecia lembrar algo que não deveria ser esquecido.</p>



<p>Nenhum direito a menos. Mas para quem?</p>



<p>Se a resposta não incluir as pessoas negras, especialmente as travestis e mulheres trans negras, então não estamos falando de libertação coletiva. Estamos falando apenas da ampliação dos privilégios de quem já estava mais próximo deles.</p>
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		<title>Badó Pães: A padaria que se tornou o novo hype gastronômico do Rio</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/bado-paes-padaria-hype-gastronomia-lapa-rio/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Jun 2026 19:15:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Guia Black Chefs]]></category>
		<category><![CDATA[bado paes]]></category>
		<category><![CDATA[empreendedorismo negro]]></category>
		<category><![CDATA[gastronomia rio]]></category>
		<category><![CDATA[igor de oliveira]]></category>
		<category><![CDATA[instagram]]></category>
		<category><![CDATA[lapa rj]]></category>
		<category><![CDATA[padaria artesanal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Conheça a Badó Pães na Lapa! Liderada por Igor de Oliveira, a padaria traz a excelência paulistana ao Rio com pães artesanais, doces e preço justo. Saiba mais!</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong><em>Por: Breno Cruz (Preto Gourmet)</em></strong></p>



<p>Se São Paulo é reconhecida pelas suas experiências em padarias e sempre o Rio de Janeiro talvez tenha sido reverenciado pelos botecos e pela sua boemia, a <strong>Badó Pães</strong>, liderada pelo sócio gestor <strong>Igor de Oliveira</strong>, promete entregar a excelência das padocas de São Paulo no bairro mais boêmio do Rio de Janeiro &#8211; a Lapa. Igor, um jovem paulistano de 32 anos, é reconhecido pela sua trajetória em abrir empreendimentos de sucesso na Gastronomia. É ele quem lidera a operação do mais novo point carioca gastronômico.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="768" height="1024" src="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/SaveClip.App_694075960_18582188623007932_1044898346168568000_n-768x1024.jpg" alt="" class="wp-image-96363" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/SaveClip.App_694075960_18582188623007932_1044898346168568000_n-768x1024.jpg 768w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/SaveClip.App_694075960_18582188623007932_1044898346168568000_n-225x300.jpg 225w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/SaveClip.App_694075960_18582188623007932_1044898346168568000_n-113x150.jpg 113w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/SaveClip.App_694075960_18582188623007932_1044898346168568000_n-315x420.jpg 315w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/SaveClip.App_694075960_18582188623007932_1044898346168568000_n-150x200.jpg 150w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/SaveClip.App_694075960_18582188623007932_1044898346168568000_n-300x400.jpg 300w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/SaveClip.App_694075960_18582188623007932_1044898346168568000_n-696x928.jpg 696w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/SaveClip.App_694075960_18582188623007932_1044898346168568000_n-1068x1424.jpg 1068w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/SaveClip.App_694075960_18582188623007932_1044898346168568000_n.jpg 1080w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" /><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Reprodução/Instagram</figcaption></figure>



<p>Badó é abreviação de Borogodó e tem como proposta entregar excelência na panificação com preços justos. Com um espaço amplo de 260m2,&nbsp; a Badó já se destaca pela produção de excelência de pães clássicos como baguetes, sourdoughs, focaccias e brioches, além de folhados (as chamadas viennoiseries), a exemplo de croissants, pain au chocolat, mil-folhas e palmiers. Uma das apostas da ala mais doce do cardápio é o rolinho de canela, que já é um sucesso de vendas com seu sabor equilibrado. Há também pastéis de nata, tortinhas com base de biscoito sablé, bolos, cookies, sonhos recheados e bombas de chocolate.</p>



<p>Há sete anos empreendendo e com formação em Gastronomia e Marketing em Gestão Empresarial, o empresário Igor de Oliveira tem a Badó Pães como seu terceiro empreendimento &#8211; sendo a Absurda Confeitaria também parte de sua trajetória empreendedora de sucesso. Igor destaca que “nos outros negócios quem dava a canetada final eram pessoas brancas” &#8211; e agora é diferente. Claro que isso acaba por repercutir na relação com seus colaboradores &#8211; o letramento racial faz toda diferença e isso possivelmente contribui para que ele possa se afirmar como liderança profissional de excelência no setor de alimentos e bebidas. Inclusive, tenho uma ex-aluna (Ana Flávia) contratada e um aluno (Caioá) como estagiário atuando na Badó Pães &#8211; eles são só elogios à proposta do ambiente de trabalho e do negócio).</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="1024" height="682" src="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/SaveClip.App_655274251_17860043661616921_6023623259158788797_n.jpg" alt="" class="wp-image-96364" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/SaveClip.App_655274251_17860043661616921_6023623259158788797_n.jpg 1024w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/SaveClip.App_655274251_17860043661616921_6023623259158788797_n-300x200.jpg 300w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/SaveClip.App_655274251_17860043661616921_6023623259158788797_n-150x100.jpg 150w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/SaveClip.App_655274251_17860043661616921_6023623259158788797_n-768x512.jpg 768w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/SaveClip.App_655274251_17860043661616921_6023623259158788797_n-631x420.jpg 631w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/SaveClip.App_655274251_17860043661616921_6023623259158788797_n-696x464.jpg 696w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Reprodução/Instagram</figcaption></figure>



<p>E como o espaço queridinho dos cariocas já nos primeiros meses de funcionamento, a Badó Pães abre às 08 horas da manhã e fecha às 19 horas &#8211; sendo folga coletiva às terças-feiras &#8211; decisão estratégica do sócio gestor por compreender que se fosse na onda de fechar às segundas como os empreendimentos gastronômicos vizinhos, a segunda seria “morta de possibilidades” para quem mora ou visita o bairro. No dia que visitei a padaria&nbsp; tinha uma pequena fila. Eu achei o máximo ter fila pois geralmente existe muita reclamação de empresários nos primeiros meses de um negócio. Na média, segundo Igor, visitam o local 250 pessoas diariamente. Pensei: “Uau, tem fila para entrar no empreendimento liderado por um homem preto! Que sucesso!”</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="772" height="1024" src="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/SaveClip.App_708304941_17870693568616921_7521982708231321675_n-772x1024.jpg" alt="" class="wp-image-96365" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/SaveClip.App_708304941_17870693568616921_7521982708231321675_n-772x1024.jpg 772w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/SaveClip.App_708304941_17870693568616921_7521982708231321675_n-226x300.jpg 226w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/SaveClip.App_708304941_17870693568616921_7521982708231321675_n-113x150.jpg 113w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/SaveClip.App_708304941_17870693568616921_7521982708231321675_n-768x1018.jpg 768w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/SaveClip.App_708304941_17870693568616921_7521982708231321675_n-317x420.jpg 317w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/SaveClip.App_708304941_17870693568616921_7521982708231321675_n-150x199.jpg 150w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/SaveClip.App_708304941_17870693568616921_7521982708231321675_n-300x398.jpg 300w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/SaveClip.App_708304941_17870693568616921_7521982708231321675_n-696x923.jpg 696w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/SaveClip.App_708304941_17870693568616921_7521982708231321675_n-1068x1416.jpg 1068w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/SaveClip.App_708304941_17870693568616921_7521982708231321675_n.jpg 1080w" sizes="(max-width: 772px) 100vw, 772px" /><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Reprodução/Instagram</figcaption></figure>



<p>Se você estiver passeando pela Lapa ou se morar no Rio de Janeiro, vale muito a pena conhecer a Badó Pães. Preço justo, espaço confortável e excelência nos produtos vendidos. Fiquei com vontade de quero mais.</p>



<p>Empreendimento: <a href="https://www.instagram.com/bado.paes/"><strong>@bado.paes</strong></a> Empresário: <a href="https://www.instagram.com/deoliveira.iigor/"><strong>@deoliveira.iigor</strong></a></p>



<p><a href="https://mundonegro.inf.br/a-confeiteira-de-bangu-que-entrou-na-ufrj-aos-51-anos-e-conquistou-podio-nacional-com-um-bolo-de-literatura-de-cordel/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Preto Gourmet</strong>:</a> Breno Cruz é o criador do Prêmio Gastronomia Preta, do Pretonomia e do Festival Gastronomia Preta. Pós-doutor, professor de Gestão na Gastronomia, Empreendedor Social e autor de 15 livros nas áreas de Administração e Gastronomia</p>



<p></p>
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		<item>
		<title>Saúde também tem cor: o acesso da população negra como médicos e pacientes</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/saude-tem-cor-acesso-populacao-negra-medicina/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Jun 2026 14:28:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[desigualdade racial]]></category>
		<category><![CDATA[desigualdade social]]></category>
		<category><![CDATA[instagram]]></category>
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		<category><![CDATA[saúde]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Descubra os desafios e a importância da representatividade negra na medicina através da trajetória pioneira do Dr. Lucas Diniz. Leia mais sobre equidade!</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong><em>Por: Rachel Maia</em></strong></p>



<p>O Brasil é um país majoritariamente negro (56%), mas essa maioria ainda é minoria nos espaços de poder, prestígio e decisão — e isso inclui hospitais, cursos de medicina e consultórios. A população negra enfrenta os piores indicadores de acesso à saúde e segue sub-representada entre os profissionais que ocupam a linha de frente do cuidado: os médicos.</p>



<p>Pessoas negras e indígenas vivem em maior vulnerabilidade social, enfrentam dificuldade de acesso a tratamentos, diagnósticos tardios e índices alarmantes de mortalidade materna e de doenças crônicas. E isso se deve ao fato de que a medicina ainda é um espaço historicamente elitizado, branco e distante da realidade da maioria da população brasileira, principalmente quando o assunto é prevenção e estética.</p>



<p>Estar nesses espaços e discutir o tema é um passo importante para compreender que a presença de médicos negros possui um significado que vai além da ocupação profissional. Ela ajuda a construir vínculos mais humanizados dentro do sistema de saúde, pois, para muitos pacientes, enxergar-se representado no atendimento gera acolhimento, confiança e pertencimento — algo fundamental em qualquer processo de cuidado.</p>



<p>Doutor <strong><a href="https://mundonegro.inf.br/reitor-jose-vicente-e-dr-lucas-diniz-anunciam-inauguracao-do-centro-de-referencia-de-saude-da-populacao-negra/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Lucas Diniz</a></strong> é cirurgião plástico facial e doutorando em Ciências Cirúrgicas pela USP, com experiência internacional em Stanford, na Weill Cornell University (EUA) e na Mannheim Universität (Alemanha). Atualmente atende em consultório particular e realiza cirurgias em hospitais de renome em São Paulo. É cirurgião voluntário em projeto social do Barco Papa Francisco, na Amazônia, e compreende as dores da limitação de acesso na pele. Ao comemorar sua aprovação em primeiro lugar para Membro Titular da Academia Brasileira de Cirurgia Plástica da Face, ele nos oportuniza, mais uma vez, sonhar e agir.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="682" height="1024" src="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/WhatsApp-Image-2026-06-22-at-14.41.59-1-682x1024.jpeg" alt="" class="wp-image-96343" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/WhatsApp-Image-2026-06-22-at-14.41.59-1-682x1024.jpeg 682w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/WhatsApp-Image-2026-06-22-at-14.41.59-1-200x300.jpeg 200w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/WhatsApp-Image-2026-06-22-at-14.41.59-1-100x150.jpeg 100w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/WhatsApp-Image-2026-06-22-at-14.41.59-1-768x1152.jpeg 768w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/WhatsApp-Image-2026-06-22-at-14.41.59-1-280x420.jpeg 280w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/WhatsApp-Image-2026-06-22-at-14.41.59-1-150x225.jpeg 150w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/WhatsApp-Image-2026-06-22-at-14.41.59-1-300x450.jpeg 300w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/WhatsApp-Image-2026-06-22-at-14.41.59-1-696x1044.jpeg 696w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/WhatsApp-Image-2026-06-22-at-14.41.59-1.jpeg 853w" sizes="(max-width: 682px) 100vw, 682px" /><figcaption class="wp-element-caption">Dr. Lucas Diniz (Foto: Alex Santana)</figcaption></figure>



<p>“Minha trajetória foi lapidada em casa. Filho de um eletricista e de uma agente de saúde, aprendi cedo que a educação é a maior ferramenta de transformação. Foi com essa perseverança que cheguei em primeiro lugar no ingresso em Medicina, na residência e no fellowship de Cirurgia Plástica da Face da USP. Neste mês, recebi a notícia de que fui aprovado em primeiro lugar na prova para Membro Titular da Academia Brasileira de Cirurgia Plástica da Face. Sou o primeiro homem negro a conquistar esse título. Porém, a pergunta que faço é: por que demorou tanto e o que faremos para que não demore de novo?”, questiona o Dr. Diniz.</p>



<p>O ingresso nas faculdades de Medicina continua sendo uma das maiores expressões da desigualdade racial no Brasil. Cursos caros e obstáculos educacionais históricos afastaram gerações de jovens negros desse espaço. O avanço das políticas de cotas é notório e nos levará a novos índices, mas os desafios para estudantes negros são muitos, e é preciso olhar para esse ponto para que a equidade seja aplicada. Combater o racismo acadêmico, a pressão psicológica e as dificuldades financeiras — fatores que ampliam essa desigualdade — é fundamental para que os alunos permaneçam nos cursos e tenham a oportunidade de competir em igualdade de condições.</p>



<p>“Estudo é tão essencial quanto oportunidade; afinal, ninguém se lapida sozinho. O Dr. Carlos Caropreso, chefe do serviço da USP, me viu e me estimulou. No exterior, abriram-se portas: Stanford, pelas mãos dos Drs. Thomaz Fleury e Robson Capasso; a Weill Cornell, com o Dr. Michael Stewart. Vale registrar: todos que me formaram no Brasil, inclusive meu orientador de doutorado na USP, Dr. Nivaldo Alonso, são aliados não-negros. Sou profundamente grato a cada um deles”, enfatiza o médico.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="576" height="1024" src="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-57-576x1024.png" alt="" class="wp-image-96348" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-57-576x1024.png 576w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-57-169x300.png 169w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-57-84x150.png 84w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-57-768x1365.png 768w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-57-864x1536.png 864w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-57-236x420.png 236w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-57-150x267.png 150w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-57-300x533.png 300w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-57-696x1237.png 696w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-57.png 900w" sizes="(max-width: 576px) 100vw, 576px" /><figcaption class="wp-element-caption">Dr. Lucas Diniz (Foto: Divulgação)</figcaption></figure>



<p>Intencionalidade e políticas públicas são a soma do investimento inicial no combate à desigualdade social e racial na saúde. Contribuir para mudar culturas institucionais, ampliar perspectivas e humanizar o cuidado é uma responsabilidade que precisa fazer parte das decisões e das pautas institucionais. Sabemos que ampliar o número de médicos negros não resolve sozinho o problema do racismo estrutural na saúde, mas é mais uma ação de transformação fundamental para essa mudança que segue atrasada, mas em curso.</p>



<p>“Em toda a trajetória escolar, tive um único professor negro, Estéfani Martins, que me deixou um ensinamento que carrego até hoje: ‘O que te define é como você se apresenta para o desafio no seu pior dia.’ Na faculdade, ouvia histórias do professor Odo Adão, primeiro cirurgião plástico negro do Brasil. Mas, em toda a minha formação médica, não tive um único professor negro. Precisei sair do país para ver cirurgiões negros em posição de destaque”, informa o doutor.</p>



<p>A presença de médicos negros tem contribuído para transformar a forma como pacientes negros se relacionam com o autocuidado, com os serviços de saúde e com a própria confiança nas instituições médicas. Essa representatividade amplia perspectivas, fortalece vínculos e traz para o centro do debate questões fundamentais para o aprimoramento das políticas públicas de saúde. A tecnologia e a produção de conhecimento baseada em dados são ferramentas indispensáveis para compreender desigualdades, desenvolver soluções e ampliar o acesso a cuidados mais equitativos.</p>



<p>Para o Dr. Lucas, a experiência de mentoria com o Dr. Kofi Boahene, cirurgião plástico da Johns Hopkins, o fez refletir sobre outra perspectiva, mesmo quando as estatísticas diziam o contrário. Todo profissional precisa ter acesso ao conhecimento pleno para atender às demandas tecnológicas que estão em curso. Precisamos de mais mentores médicos negros e nos preparar para plantar as tamareiras para as próximas gerações colherem os frutos.</p>



<p>“Dominar a inteligência artificial é a tecnologia do agora. Um estudo da IDC com a Microsoft, apresentado pela presidente da Microsoft Brasil, Priscyla Laham, mostra que 90% dos executivos C-level brasileiros veem a IA como diferencial-chave de competitividade em seus setores, e 88% a consideram o principal motor de competitividade até 2030. Se as portas do passado foram abertas por pessoas, as do futuro serão abertas por quem dominar as ferramentas”, ressalta o médico.</p>



<p>O Dr. Lucas faz uso de IA desde 2022&nbsp; e aprendeu diretamente na fonte, no Vale do Silício, a testar diversas ferramentas para aprimorar suas técnicas e conhecimentos. Ele afirma que existe um mundo além do ChatGPT e que as habilidades do futuro, como a IA agêntica, precisam ter a nossa cor. Ao propor que nossas instituições, ABCPF e ABORL-CCF, realizem o censo — quem somos, por raça e cor —, ele reafirma a urgência dos dados para que possamos corrigir as estruturas históricas que, consequentemente, atrasam nossa evolução social e econômica.</p>



<p>“Quem chega primeiro deixa a porta aberta. Como nos mostrou a genial Rachel Maia em seu livro <em>Meu Caminho até a Cadeira Número 1</em>, levar a próxima geração mais longe é o meu, o seu, o nosso dever”, acrescenta o especialista.</p>



<p>A busca por uma sociedade mais inclusiva dialoga com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, especialmente o ODS 3, voltado à saúde e ao bem-estar, e com as metas brasileiras de promoção da igualdade étnico-racial, ODS 18. Construir uma medicina mais diversa significa oportunizar esperança aos jovens estudantes negros que desejam seguir a carreira e aos pacientes negros que têm direito ao cuidado e a se verem representados.</p>
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		<title>Espetáculo “Ultimatum”: Valéria Monã e Orlando Caldeira atores sublimes que transformam presença em linguagem</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/ultimatum-valeria-mona-orlando-caldeira/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Jun 2026 16:38:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Domingos Oliveira]]></category>
		<category><![CDATA[instagram]]></category>
		<category><![CDATA[Marcio Meirelles]]></category>
		<category><![CDATA[Orlando Caldeira]]></category>
		<category><![CDATA[resenha]]></category>
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		<category><![CDATA[Teatro Negro]]></category>
		<category><![CDATA[Ultimatum]]></category>
		<category><![CDATA[Valéria Monã]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Descubra por que a atuação de Valéria Monã e Orlando Caldeira em 'Ultimatum' redefine o teatro negro contemporâneo. Últimos dias no Sesc Copacabana!</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong><em>Por: Rodrigo França </em></strong></p>



<p>Se você gosta de teatro, de interpretação e do tipo de atuação que continua ecoando depois que a luz acende, existe um motivo para assistir <strong>“Ultimatum”</strong>:<strong> Valéria Monã </strong>e <strong>Orlando Caldeira</strong>. </p>



<p>Há espetáculos que se sustentam pela encenação. Outros pela dramaturgia. Em “Ultimatum”, o encontro desses dois atores cria um terceiro elemento: presença. Daquelas que reorganizam a atenção do público.</p>



<p>Montado a partir do último texto inédito de<strong> Domingos Oliveira</strong> e dirigido por <strong>Marcio Meirelles</strong>, o espetáculo trabalha num território exigente, onde ensaio, ficção, memória e realidade se cruzam continuamente. Não é uma peça que entrega respostas ou conduz o espectador pela mão. Exige escuta, disponibilidade e precisão dos intérpretes. E é justamente nesse terreno que Valéria Monã e Orlando Caldeira revelam a dimensão dos seus trabalhos.</p>



<p>Valéria Monã aparece como uma atriz que domina algo raro: maturidade de linguagem. Sua interpretação não busca impacto imediato nem excesso emocional. O que impressiona é o controle. A forma como administra ritmo, silêncio, escuta e deslocamentos internos da cena. Existe uma segurança construída por trajetória, mas sem acomodação. Ela não atua para confirmar experiência, atua para continuar investigando. E isso produz um efeito potente: o público não assiste apenas a uma personagem, acompanha uma atriz pensando e construindo em tempo real.</p>



<p>Em cena, Valéria lembra algo que o teatro brasileiro nem sempre reconheceu como deveria: atrizes negras não são apenas presença simbólica ou força narrativa. São também elaboração técnica, sofisticação interpretativa e pensamento cênico.</p>



<p>Orlando Caldeira entra por outro caminho e talvez aí esteja uma das grandes forças do espetáculo. Há nele uma qualidade muito difícil de encontrar: intensidade sem ansiedade. Orlando não disputa atenção nem força protagonismo. Trabalha a cena com inteligência, escuta e disponibilidade. Existe rigor no modo como ocupa o espaço e constrói relação com os parceiros. Sua atuação tem densidade sem rigidez e presença sem excesso.</p>



<p>Interpretando Breno e Manuel, Orlando demonstra domínio de mudança de registro, composição e condução dramática. Não existe caricatura nem marcação evidente. Existe um ator que entende que atuar não é exibir recurso, mas produzir sentido.</p>



<p>Ao lado de Valéria, o que surge não é um contraste geracional. É continuidade. Uma atriz que representa permanência, pesquisa e repertório encontra um ator que aponta caminhos de renovação sem romper com a tradição do ofício.</p>



<p>Também há mérito importante na direção de Marcio Meirelles, que evita transformar o último texto de Domingos Oliveira em homenagem estática. A montagem mantém a inquietação, a fragmentação e o caráter vivo que atravessam a escrita do autor.</p>



<p>Esta observação não ignora a qualidade do elenco de “Ultimatum”, que sustenta uma montagem complexa e exigente com alto nível de entrega. Mas, considerando o recorte editorial do Mundo Negro e seu compromisso histórico com a crítica e a visibilidade da produção artística negra, o foco em Valéria Monã e Orlando Caldeira é uma escolha consciente. Não para isolá-los do conjunto, e sim para reconhecer, com a atenção crítica que merecem, dois intérpretes que transformam presença em linguagem e reafirmam o lugar central de artistas negros na elaboração estética do teatro brasileiro contemporâneo.</p>



<p>A peça estará disponível até o dia 21 de junho, no teatro Sesc Arena de Copacabana. Sábado e domingo, às 18h.</p>
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		<title>Amores negros e o não lugar do amor</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/amores-negros-nao-lugar-amor/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Jun 2026 19:41:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[amor negro]]></category>
		<category><![CDATA[Amores Negros]]></category>
		<category><![CDATA[comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[dia dos namorados]]></category>
		<category><![CDATA[instagram]]></category>
		<category><![CDATA[racismo]]></category>
		<category><![CDATA[relacionamento]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Como o racismo moldou nossos afetos e nos afastou do cuidado? Reflita sobre o amor negro, o letramento racial e a reconstrução do afeto na sociedade.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong><em>Por: Suzana Coelho </em></strong></p>



<p>Para diversas pessoas negras, a luta pelo reconhecimento da própria humanidade antecedeu a possibilidade de ocupar plenamente o lugar do afeto.&nbsp;</p>



<p>Quando falamos sobre racismo, normalmente pensamos em violência, exclusão, desigualdade, discriminação e acesso a direitos. Mas, raramente falamos sobre amor. Pouco se discute como o racismo também moldou nossos afetos, nossos desejos, nossas escolhas amorosas e até mesmo a capacidade de nos reconhecermos como dignos(as) de amar e ser amados(as). </p>



<p>Porque o racismo não organizou apenas a economia, a política e as oportunidades sociais. Ele também organizou a afetividade. Organizou a forma como aprendemos a enxergar a nós mesmos, os outros e o nosso lugar no mundo. Organizou quem seria associado à beleza, ao desejo, à delicadeza, ao cuidado e ao amor.&nbsp;</p>



<p>O racismo produziu hierarquias de humanidade, mas também de afeto. A branquitude foi frequentemente associada à beleza, à pureza, à delicadeza e à idealização romântica. Já a negritude foi associada à força, à resistência, ao trabalho e, muitas vezes, à hipersexualização de seus corpos. </p>



<p>Nesse contexto, pessoas negras foram historicamente afastadas dos lugares simbólicos de cuidado, proteção e idealização afetiva que ajudaram a construir os modelos socialmente reconhecidos de amor.&nbsp;</p>



<p>Então, o que aprendemos sobre o amor e sobre as relações amorosas? Crescemos cercados(as) por histórias de amor. Nos livros, nas novelas, nos filmes e nos contos de fadas. Mas quem eram as pessoas escolhidas para viver essas histórias?&nbsp;</p>



<p>O amor também é uma narrativa social. E as narrativas importam. Não foi apenas a humanidade das pessoas negras que foi negada ao longo da história. Foi também sua possibilidade de ocupar plenamente o lugar do afeto.&nbsp;</p>



<p>O racismo não ensinou apenas quem deveria ser amado. Também ensinou quem deveria aprender a viver sem amor.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/Suzana-Coelho-Foto_RobertoAbreu_@betofoto-1024x683.jpeg" alt="" class="wp-image-96086" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/Suzana-Coelho-Foto_RobertoAbreu_@betofoto-1024x683.jpeg 1024w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/Suzana-Coelho-Foto_RobertoAbreu_@betofoto-300x200.jpeg 300w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/Suzana-Coelho-Foto_RobertoAbreu_@betofoto-150x100.jpeg 150w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/Suzana-Coelho-Foto_RobertoAbreu_@betofoto-768x512.jpeg 768w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/Suzana-Coelho-Foto_RobertoAbreu_@betofoto-1536x1024.jpeg 1536w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/Suzana-Coelho-Foto_RobertoAbreu_@betofoto-630x420.jpeg 630w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/Suzana-Coelho-Foto_RobertoAbreu_@betofoto-696x464.jpeg 696w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/Suzana-Coelho-Foto_RobertoAbreu_@betofoto-1068x712.jpeg 1068w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/Suzana-Coelho-Foto_RobertoAbreu_@betofoto-1920x1280.jpeg 1920w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/Suzana-Coelho-Foto_RobertoAbreu_@betofoto.jpeg 2048w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Suzana Coelho (Foto: RobertoAbreu_@betofoto)</figcaption></figure>



<p>É nesse ponto que o letramento racial se torna fundamental. Ele nos permite perceber que muitas das nossas escolhas afetivas não nasceram apenas das preferências individuais. Elas também foram construídas dentro de uma sociedade racializada, marcada por hierarquias, padrões estéticos, relações de poder e modelos específicos de pertencimento.&nbsp;</p>



<p>E então os relacionamentos interraciais aparecem. Não os vejo como um problema. Relações interraciais podem, sim, reproduzir desigualdades.&nbsp;</p>



<p>Mas também podem se tornar espaços de escuta, aprendizado, transformação e reconhecimento das diferenças que atravessam a experiência de cada pessoa no mundo, uma possibilidade de revisitar referências, questionar padrões e construir novas formas de relação. Isso reforça a importância do letramento racial e do desenvolvimento de uma consciência racial que nos permita reconhecer como o racismo também atravessa nossos afetos, escolhas e formas de nos relacionar.</p>



<p>Isso exige compreender que o amor, sozinho, não elimina os efeitos do racismo. É preciso disposição para reconhecer privilégios e compreender que o racismo continua produzindo impactos concretos na forma como as pessoas vivem, sentem e se relacionam. Porque, no final das contas, não é sobre pessoas. É sobre estrutura.&nbsp;</p>



<p>Para muitas pessoas negras, o amor-próprio não foi um ponto de partida.&nbsp; Foi e está sendo um processo de (re)construção.&nbsp;</p>



<p>Falar de afeto também é falar de humanidade.&nbsp;</p>



<p>E talvez uma das maiores contribuições do letramento racial seja nos ajudar a compreender que o enfrentamento ao racismo não acontece apenas nas leis, nas instituições ou nas políticas públicas. Ele também acontece quando revemos aquilo que aprendemos sobre o amor. Quando ampliamos nossa capacidade de reconhecer humanidade, dignidade e afeto em nós e nos outros.&nbsp;</p>



<p>Afinal, ninguém deveria precisar provar que merece amor. Mas, talvez uma das marcas mais profundas do racismo tenha sido justamente essa: ensinar quem deveria ser amado e quem deveria aprender a viver sem amor.</p>



<p><strong>Suzana Coelho</strong> é assistente social, consultora em direitos humanos, diversidade, equidade e inclusão, além de fundadora e CEO do Instituto Afetto. Com mais de uma década de atuação, desenvolve estratégias de impacto social, fortalecimento institucional e desenvolvimento humano para empresas, governos e organizações da sociedade civil. Sua trajetória é marcada pela promoção da justiça social, da equidade e da construção de ambientes mais inclusivos e sustentáveis.&nbsp;</p>



<p></p>
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		<title>15 ações práticas para ficar mais próximo do emprego dos seus sonhos</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/15-acoes-praticas-para-ficar-mais-proximo-do-emprego-dos-seus-sonhos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Jun 2026 17:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Carreira e Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Empregabilidade]]></category>
		<category><![CDATA[instagram]]></category>
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		<category><![CDATA[mercado de trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[recolocação profissional]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Denis Tassitano, executivo e cofundador do Best in Black O ano j&#225; est&#225; se aproximando da metade e eu tenho uma pergunta: voc&#234; est&#225; mais pr&#243;ximo ou mais distante do emprego que gostaria de ter no in&#237;cio do ano? Se voc&#234; ainda n&#227;o est&#225; no emprego dos sonhos, est&#225; buscando uma recoloca&#231;&#227;o (mesmo que [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>Por Denis Tassitano, executivo e cofundador do Best in Black</em><br></p>



<p>O ano já está se aproximando da metade e eu tenho uma pergunta: você está mais próximo ou mais distante do emprego que gostaria de ter no início do ano?</p>



<p>Se você ainda não está no emprego dos sonhos, está buscando uma recolocação (mesmo que seja dentro da própria empresa) ou procura sua primeira oportunidade profissional, talvez esteja na hora de trocar a esperança por um plano de ação.</p>



<p>Lembre-se de que a oportunidade raramente aparece para quem está parado. Ela aparece para quem se organiza, se expõe e constrói pontes todos os dias.</p>



<p>Caderno e caneta na mão. Planilha aberta. LinkedIn logado. Uma inteligência artificial qualquer conectada. E vamos pra cima!</p>



<p><strong>1. </strong>Liste os segmentos em que você já tem experiência.</p>



<p><strong>2. </strong>Liste os segmentos em que gostaria de atuar.</p>



<p><strong>3. </strong>Liste os segmentos mais promissores para os próximos anos.</p>



<p><strong>4. </strong>Para cada segmento, mapeie as 50 maiores empresas.</p>



<p><strong>5. </strong>Antes de procurar qualquer vaga, revise completamente seu LinkedIn: foto, cabeçalho, resumo, experiências, competências, recomendações, publicações e rede de conexões. Lembre-se: não faz sentido atrair pessoas para um perfil desatualizado. Seu LinkedIn é sua vitrine profissional.</p>



<p><strong>6. </strong>Busque pelos sites e pelas páginas de LinkedIn das empresas que você listou.</p>



<p><strong>7. </strong>Faça uma lista de eventos relevantes dos segmentos que você mapeou. Não importa se acontecem na sua cidade ou não. Muitas vezes, uma viagem de férias pode se transformar em uma oportunidade de networking, aprendizado ou até mesmo de carreira.</p>



<p><strong>8. </strong>Faça uma lista de pessoas que você conhece dentro dessas empresas.</p>



<p><strong>9. </strong>Faça outra lista com pessoas que você conhece e que podem conhecer alguém nessas empresas.</p>



<p><strong>10. </strong>Liste também pessoas com quem você ainda não tem conexão direta, mas que fariam sentido para a sua rede.</p>



<p><strong>11. </strong>Liste três pontos que poderiam aumentar a sua empregabilidade e a sua confiança profissional. Se for um idioma, comece hoje um curso gratuito. Se for uma certificação, pesquise por opções acessíveis. Se for comunicação, pratique apresentações. O importante é começar imediatamente. Existe muito conteúdo de qualidade disponível gratuitamente.</p>



<p><strong>12. </strong>Entre nos sites das empresas, busque vagas para as quais você realmente se qualifica e faça a aplicação.</p>



<p><strong>13. </strong>Depois, fale com quem você conhece nessas empresas (as pessoas que você listou no item 8). Não peça indicação logo de cara. Diga que se aplicou para determinada posição e que gostaria de entender melhor o perfil da vaga, da área ou do gestor. Se a pessoa for próxima e houver confiança suficiente, aí sim você pode pedir uma indicação.</p>



<p><strong>14. </strong>Para contatos indiretos (listados no item 9), pergunte se eles conhecem alguém que possa te dar mais contexto sobre a empresa ou sobre a oportunidade.</p>



<p><strong>15. </strong>Para pessoas que você ainda não conhece (item 10), conecte-se pelo LinkedIn com uma abordagem respeitosa. Algo como:&nbsp;</p>



<p><em>“Vi uma oportunidade na empresa e gostaria de entender melhor se você seria a pessoa ideal para me orientar ou indicar quem poderia compartilhar um pouco mais de contexto sobre a posição.”</em></p>



<p>E, antes de dizer que não tem tempo para fazer este exercício, vale uma reflexão: você dedica mais tempo planejando suas próximas férias ou planejando sua próxima oportunidade profissional?</p>



<p>A maioria das pessoas passa anos reclamando da carreira que tem, mas não investe sequer algumas horas por mês construindo a carreira que gostaria de ter.</p>



<p>Daqui a seis meses, você pode estar exatamente no mesmo lugar, reclamando das mesmas coisas, ou pode estar conversando com novas empresas, participando de novos eventos, desenvolvendo novas habilidades e acessando oportunidades que hoje nem imagina.</p>



<p>A diferença entre esses dois cenários não está no mercado. Está no que você decidir fazer depois de terminar a leitura deste texto.</p>
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		<title>Dia dos Namorados: O que Oxum nos ensina quando amar não pode ser se abandonar</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/dia-namorados-oxum-ensina-amar-nao-abandonar/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Jun 2026 19:32:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[áfrica]]></category>
		<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[amor negro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Descubra com as lições de Oxum por que escolher a solidão consciente no Dia dos Namorados pode ser um ato de amor-próprio e dignidade. Leia mais.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong><em>Por: Rodrigo França</em></strong></p>



<p>Ficar só pode ser a escolha mais lúcida da sua vida.</p>



<p>Isso incomoda porque confronta uma engrenagem inteira que nos ensinou a medir valor afetivo pela presença de alguém ao lado. Às vésperas do<strong> Dia dos Namorados</strong>, essa pressão ganha forma, cor, roteiro. Não basta viver, é preciso mostrar. Não basta sentir, é preciso provar. E, nesse teatro, muita gente sustenta relações que já terminaram por dentro, mas continuam em cartaz para não encarar o vazio.</p>



<p>Existe uma pergunta que precisa ser feita com honestidade: quanto custa não estar só? Não em dinheiro, mas em desgaste, em silenciamento, em pequenas concessões que, somadas, viram apagamento. Tem gente chamando isso de amor. Mas, quando a permanência exige que você diminua quem é, não há afeto, há adaptação.</p>



<p>A ideia de que qualquer companhia é melhor do que nenhuma ainda organiza muitas escolhas. Isso explica por que relações claramente frágeis seguem sendo mantidas. O medo do silêncio pesa mais do que o incômodo da inadequação. E, nesse ponto, é preciso responsabilidade emocional: reconhecer a própria carência não é fraqueza. Fraqueza é transformar essa carência em critério de escolha.</p>



<p>Ficar só, quando é escolha, não é isolamento. É posicionamento. É recusa de negociar dignidade em troca de pertencimento. Só que essa decisão não nasce do nada. Ela exige estrutura. Exige, muitas vezes, terapia, redes de apoio, amizades consistentes, espaços onde você não precise performar para ser aceito. Exige também tempo. Tempo para rever padrões, para entender por que certos vínculos se repetem, para aprender a não confundir intensidade com verdade.</p>



<p>Há um ponto pouco discutido nesse debate: o modelo de relacionamento que ainda se vende como ideal não nasceu do amor. No Ocidente, o casamento foi, por séculos, uma instituição voltada à organização de patrimônio, alianças familiares e controle de herança. O afeto, quando existia, era consequência, não premissa. Essa base histórica não desapareceu, ela se atualizou.</p>



<p>Quando se olha com mais precisão para diferentes regiões do continente africano, o desenho das relações muda e fica mais complexo do que a ideia de casal isolado. Entre os <strong>Yorùbá</strong>, na atual Nigéria e Benim, a noção de família se organiza em torno de redes extensas, onde cuidado e responsabilidade são compartilhados para além do vínculo romântico. Entre os <strong>Akan</strong>, em Gana, sistemas matrilineares estruturam pertencimento, herança e alianças, deslocando o centro da autoridade doméstica. No sul do continente, entre os <strong>Zulu</strong>, na África do Sul, a ideia de família também ultrapassa o casal e se ancora na comunidade ampliada. E, em diversas regiões da África Subsaariana, práticas como a poliginia existiram, não como desvio, mas como forma socialmente reconhecida de organização, ainda que hoje tensionada por mudanças urbanas, religiosas e econômicas. O ponto não é romantizar essas estruturas, mas reconhecer que o afeto, o cuidado e o pertencimento podem ser distribuídos de maneiras menos individualizadas, onde o amor não fica refém de uma única relação para existir.</p>



<p>Dentro das tradições de matriz africana, há uma compreensão que desafia diretamente a lógica do sacrifício afetivo. <strong>Oxum</strong>, muitas vezes lida de forma superficial, carrega um princípio radical: antes de cuidar dos filhos, é preciso cuidar do próprio ouro. No olhar ocidental, isso foi traduzido como egoísmo. Mas essa tradução revela mais sobre quem interpreta do que sobre o ensinamento em si.</p>



<p>Porque a questão é simples, embora desconfortável: como oferecer algo que você não tem? Como sustentar cuidado se você está esvaziado? O que se chama de entrega, em muitos casos, é só abandono de si legitimado culturalmente.</p>



<p>Para pessoas negras, esse debate ganha outra camada. A história atravessou os vínculos com rupturas, ausências forçadas, desestruturações familiares. Há um desejo legítimo de construir estabilidade, continuidade, segurança afetiva. Mas esse desejo não pode ser capturado por relações que reproduzem, no íntimo, a mesma lógica de desvalorização imposta socialmente.</p>



<p>Escolher ficar só, nesse contexto, pode ser um gesto de ruptura. Uma recusa em perpetuar ciclos. Uma decisão de não aceitar menos do que aquilo que se reconhece como digno.</p>



<p>Isso não significa negar o amor. Significa levar o amor a sério.</p>



<p>O tempo, nesse processo, deixa de ser inimigo e passa a ser critério. Ele revela o que é consistência e o que é improviso emocional. Ele mostra quem fica quando não há espetáculo. E, principalmente, ele ensina que esperar não é passividade. É preparação.</p>



<p>Se for para estar com alguém, que seja sem precisar se reduzir. Se não houver esse encontro, a ausência pode ser mais honesta do que qualquer presença forçada.</p>



<p>No fim, a pergunta não é se vale a pena amar. A pergunta é se vale a pena se abandonar para isso.</p>
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		<title>banquete na encruzilhada ou quem tem medo da curadoria negra?</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/banquete-na-encruzilhada-ou-quem-tem-medo-da-curadoria-negra/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Jun 2026 17:26:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Abdias do Nascimento]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[arte negra]]></category>
		<category><![CDATA[arte periférica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por: osmar paulino &#8211; curador negro e, junto a Jo&#227;o Teodoro (na foto), fundou o Projeto GRO&#160; minha fia uma curadoria de arte &#233; sobretudo uma comunica&#231;&#227;o de mundo, pautada na experi&#234;ncia subjetiva e objetiva do sujeito que a exercita. com isso, temos a materializa&#231;&#227;o de ideologia ou vis&#245;es de mundo expressos em forma de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><em><strong>Por: osmar paulino &#8211; curador negro e, junto a João Teodoro (na foto), fundou o Projeto GRO </strong></em></p>



<p>minha fia uma curadoria de arte é sobretudo uma comunicação de mundo, pautada na experiência subjetiva e objetiva do sujeito que a exercita. com isso, temos a materialização de ideologia ou visões de mundo expressos em forma de discurso nas exposição. portanto, toda vez que alguém entra em uma exposição de arte, ela esta sendo exposta a uma visão de mundo a qual o artista e o curador pertence. ou seja, ela esta tendo sua imaginação, sua subjetividade alimentada por ideias.&nbsp;</p>



<p>dito isto, é importante ressaltar que os museu e galeria de arte sempre foi negados a população negra no geral, por que eles foram espaço criados para sustentar a ideia de mundo da elite social e sua lógica liberal. e quem sempre trabalhou, de maneira escrava e precarizada, para criar este mundo liberal foi a população negra no brasil. vide que o <strong>dr. abdias do nascimento</strong> já apontou no livro <strong>“o genocídio do povo negro” </strong>que o papel do negro escravo foi decisivo para o começo da história econômica de um país fundado, como era o caso do brasil, sob o signo do parasitismo imperialista. </p>



<p>passado, mais de um século da conhecida abolição da escravidão o que vemo no brasil é um número nunca antes de artista visuais e curadores negro, mas eles não estão institucionalizado como aponta o mapeamento feito pela<strong> professora e curadora luciara ribeiro</strong> presente no site do projeto afro. ou seja, a elite brasileira que controla os museu do pais, continua contando a historia, a visão, e a perspectiva do herói branco, com isso alimentando a construção  tacanha do imaginário social brasileiro.        </p>



<p>mas o que uma exposição de arte com curadoria negra pode oferecer? um banquete na encruzilhada.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="683" height="1024" src="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/Joao-Teodoro-Autoretrato-683x1024.jpg" alt="" class="wp-image-95990" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/Joao-Teodoro-Autoretrato-683x1024.jpg 683w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/Joao-Teodoro-Autoretrato-200x300.jpg 200w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/Joao-Teodoro-Autoretrato-100x150.jpg 100w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/Joao-Teodoro-Autoretrato-768x1151.jpg 768w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/Joao-Teodoro-Autoretrato-280x420.jpg 280w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/Joao-Teodoro-Autoretrato-150x225.jpg 150w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/Joao-Teodoro-Autoretrato-300x450.jpg 300w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/Joao-Teodoro-Autoretrato-696x1043.jpg 696w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/Joao-Teodoro-Autoretrato.jpg 854w" sizes="(max-width: 683px) 100vw, 683px" /></figure>



<p>encruzilhada é um lugar de encontro de múltiplo caminhos, onde a coexistência e o co-habitar é a chave para o desenvolvimento do bem viver. não há apenas uma história a ser contada, mas a possibilidade de todas elas se cruzarem apontando para uma horizontalidade que permita a humanização dos seres sociais e por que não ambientais&nbsp; e animais que compõem um país. o nome disso é biointeração como apontou nosso mestre nego bispo.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p>no final do mês de maio e no início de junho a exposição <strong>“mãe preta erveira” </strong>que acontecia na <strong>câmara municipal de vereadores do rio de janeiro</strong>, com curadoria de <strong>marina alves</strong> e a exposição <strong>“funk: um grito de ousadia e liberdade”</strong> que acontecia no <strong>museu da língua portuguesa em são paulo </strong>com curadoria de <strong>renata prado</strong>, foram censurada. duas censura, interdição não só das exposição mas da possibilidades de existência, através da alimentação do imaginário positivo, de outros atores sociais, negros e indígenas, que não compõe em sua maioria a camada mais enriquecida no brasil que é ocupada por pessoas branca.   </p>



<p>ça moço, diante disso tudo, quem tem medo da curadoria negra? aqueles que quer manter tudo como está. que quer contar a história excluindo nós, os preto os indigena. por que o que nós está fazendo é alimentando a fome de um país inteiro que não se conhece direito. estamo por tradição fazendo dos museu e galeria um quintal-terreiro-encruzilhada e servindo um banquete. <br></p>
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		<title>A publicidade procura estrategistas, mas continua ignorando a maior escola de estratégia do país: a periferia </title>
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		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Jun 2026 16:03:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por: Let&#237;cia Sotero Recentemente, passei um fim de semana na casa da minha m&#227;e, em uma periferia de Salvador. Em um daqueles dias comuns, sem grandes acontecimentos, sa&#237;mos para comprar os ingredientes do almo&#231;o. A primeira pergunta parecia simples:&#160;&#8220;O que vamos comer hoje?&#8221;&#160; A partir dali, come&#231;ou uma sequ&#234;ncia de decis&#245;es que me fez pensar [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong><em>Por: Letícia Sotero</em></strong></p>



<p>Recentemente, passei um fim de semana na casa da minha mãe, em uma periferia de <strong>Salvador</strong>. Em um daqueles dias comuns, sem grandes acontecimentos, saímos para comprar os ingredientes do almoço. A primeira pergunta parecia simples:&nbsp;&#8220;O que vamos comer hoje?&#8221;&nbsp;</p>



<p>A partir dali, começou uma sequência de decisões que me fez pensar sobre algo que o mercado da comunicação ainda não conseguiu compreender. Seguíamos para a primeira compra quando minha mãe interrompeu o caminho.&nbsp;&#8220;Não vamos por esse lado não. Está cheio de polícia.&#8221;&nbsp;</p>



<p>Mudamos a rota. Fizemos um caminho mais longo, recalculamos o percurso sem sequer discutir a decisão. Foi automático. Quem vive em determinados territórios aprende desde cedo que chegar ao mesmo lugar nem sempre significa seguir pelo mesmo caminho. Pouco depois, percebemos que faltava um ingrediente importante para a receita.&nbsp;&#8220;Não precisa. Vou inventar uma coisa aqui e vai dar certo.&#8221;&nbsp;E deu!&nbsp;Não porque fosse sorte, ou improviso, deu certo porque aquela solução já existia no repertório de quem passou anos aprendendo a fazer muito com pouco.&nbsp;</p>



<p>Mais tarde, minha irmã chegou do trabalho por uma rua diferente da habitual.&nbsp;&#8220;Vim por cima hoje. O ônibus demorou demais e eu precisava chegar antes das cinco. Ainda tenho aula de inglês.&#8221;&nbsp;</p>



<p>Mais uma escolha, uma adaptação, uma decisão tomada a partir da leitura do contexto. Naquele momento, comecei a perceber que havia passado o dia inteiro observando pessoas fazendo aquilo que o mercado costuma chamar de pensamento estratégico. Sem reuniões, sem apresentações de PowerPoint, sem metodologias sofisticadas, sem usar uma única vez a palavra estratégia.&nbsp;</p>



<p>Há alguns anos participei de uma formação voltada para estratégia de marcas, produtos e negócios, e aprendi que toda estratégia nasce de um problema, real ou percebido. No fundo, tudo se resume a uma pergunta: como resolvemos isso? Foi quando uma constatação me atravessou; Grande parte das pessoas com quem cresci já praticava pensamento estratégico muito antes de entrar em uma universidade, em uma agência ou em uma sala de treinamento corporativo.&nbsp;</p>



<p>Dependendo de onde você vem, aprende a desenvolver competências que muitas vezes nem percebe que possui.&nbsp;Quem cresce na abundância aprende determinadas habilidades, quem cresce na escassez aprende outras.&nbsp;</p>



<p>Na periferia, frequentemente somos treinados para antecipar problemas antes mesmo que eles aconteçam, se começa a chover, é preciso proteger o sapato que talvez seja o único disponível para trabalhar, estudar e circular pela cidade, se há uma operação policial no bairro, é preciso encontrar caminhos alternativos que garantam segurança, se falta um ingrediente, a receita muda, se o ônibus atrasa, a rota muda. Se o dinheiro não chega até o fim do mês, as prioridades mudam, a vida muda e nós mudamos junto com ela.&nbsp;</p>



<p>O que muita gente chama de sobrevivência talvez seja, na verdade, uma das formas mais sofisticadas de estratégia que existem, porque tudo isso exige leitura de contexto, adaptação rápida, capacidade de prever cenários, gerenciamento de recursos escassos e tomada de decisão sob pressão. Em qualquer agência de publicidade, consultoria de negócios ou laboratório de inovação, essas características seriam vistas como competências altamente desejáveis, mas quando elas vêm da periferia costumam receber outro nome: necessidade.&nbsp;</p>



<p>Talvez esse seja um dos pontos cegos mais persistentes da comunicação brasileira. O mercado procura estrategistas o tempo inteiro, procura pessoas capazes de resolver problemas complexos, identificar oportunidades e compreender comportamentos humanos, ao mesmo tempo, continua ignorando uma das maiores escolas de estratégia do país: a periferia.&nbsp;</p>



<p>Porque a estratégia não nasce apenas em salas de reunião, cursos de especialização ou frameworks importados, ela nasce no ponto de ônibus, nas feiras livres, nas cozinhas, nas vielas, nas casas onde a criatividade precisa ocupar o espaço que o dinheiro não consegue preencher. Existe uma inteligência construída pela experiência, uma sofisticação cognitiva produzida pela escassez, um conhecimento que dificilmente aparece nos currículos, mas que se manifesta diariamente na forma como milhões de pessoas organizam suas vidas.&nbsp;</p>



<p>O geógrafo <strong><a href="https://hubmundonegro.substack.com/p/100-anos-de-milton-santos-o-homem" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Milton Santos</a></strong> defendia que os territórios populares produzem suas próprias formas de conhecimento e inovação. Faz sentido. Poucas pessoas precisam interpretar contextos com tanta rapidez quanto aquelas que vivem em ambientes marcados pela instabilidade. Por isso, talvez seja hora de revisarmos uma narrativa que acompanha a pobreza há décadas. O pobre não é apenas um sobrevivente, e antes de sobreviver, ele precisa pensar possibilidades, precisa observar, antecipar, negociar, adaptar, reorganizar, criar alternativas e tomar decisões com informações incompletas e recursos limitados.Todos os dias. Viver na pobreza ou na escassez é, em muitos aspectos, uma experiência antropológica profunda, desenvolvendo uma percepção aguçada sobre pessoas, territórios, riscos e oportunidades. É aprender a mudar a rota sem abandonar o destino, é por muitas vezes criar caminhos onde aparentemente não existem caminhos.</p>



<p>E talvez esteja justamente aí uma das competências mais valiosas para a comunicação contemporânea, porque marcas, produtos e serviços precisam entender pessoas antes de vender para elas e quem passou a vida encontrando soluções em cenários complexos carrega uma bagagem que nenhuma metodologia, sozinha, é capaz de ensinar.&nbsp;</p>



<p>A periferia não é apenas um lugar onde se consome comunicação, é um lugar onde se produz estratégia todos os dias.&nbsp;</p>



<p>Talvez a publicidade esteja procurando estrategistas nos lugares errados.</p>
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		<title>Mês do Orgulho: o Pajubá nasceu no terreiro. Um território de acolhimento num país que ainda insiste em excluir</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/mes-do-orgulho-o-pajuba-nasceu-no-terreiro-um-territorio-de-acolhimento-num-pais-que-ainda-insiste-em-excluir/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 06 Jun 2026 17:29:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[NEGRX E LGTB]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por: Rodrigo Fran&#231;a Antes que a cr&#237;tica apressada tente reduzir essa afirma&#231;&#227;o a idealiza&#231;&#227;o, &#233; preciso situar de onde ela parte. N&#227;o se trata de negar que existam terreiros atravessados por exclus&#245;es, muitas vezes reproduzindo uma l&#243;gica colonial, cristianizada e normativa que n&#227;o nasce nesses espa&#231;os, mas os contamina. Ainda assim, historicamente, o que se [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong><em>Por: Rodrigo França </em></strong></p>



<p>Antes que a crítica apressada tente reduzir essa afirmação a idealização, é preciso situar de onde ela parte. Não se trata de negar que existam terreiros atravessados por exclusões, muitas vezes reproduzindo uma lógica colonial, cristianizada e normativa que não nasce nesses espaços, mas os contamina. Ainda assim, historicamente, o que se observa é outra coisa: para grande parte da população LGBTQIAPN+, sobretudo travestis e pessoas trans, os terreiros foram e seguem sendo território de possibilidade, onde nome, expressão e existência não precisavam de autorização externa para haver respeito. É dessa maioria silenciosa, dessa prática cotidiana de acolhimento, que esse texto fala.</p>



<p>Tem uma história sendo mal contada no Brasil, silenciada, e não é por falta de informação. É por escolha mesmo. O Pajubá virou meme, virou trilha sonora de vídeo curto, virou estética. Só que ele nunca foi só isso. Antes de qualquer coisa, foi um acordo silencioso entre pessoas que precisavam sobreviver.</p>



<p>Quando travestis negras começaram a circular esse vocabulário nas ruas, principalmente entre as décadas de 60 e 80, não era para criar identidade cool. Era para escapar. Para avisar que a polícia estava chegando. Para nomear perigo sem chamar atenção. Para existir em grupo sem se expor completamente. Isso muda tudo. Isso tira o Pajubá do lugar de curiosidade e coloca no lugar de estratégia. E esse ponto é incômodo, porque ele desmonta uma fantasia muito conveniente: a de que a cultura LGBT nasce na mídia ou nos centros urbanos brancos. Não nasce. Ela é forjada na margem, muitas vezes por pessoas negras, pobres, expulsas de casa, e que encontraram nos terreiros algo que o resto da sociedade negava.</p>



<p>Os terreiros nunca foram esse espaço homogêneo e conservador que hoje tentam pintar em alguns debates apressados. Muito antes de existir discussão acadêmica sobre identidade de gênero, já existia prática. Já existia convivência. Já existia respeito. Nome social não era pauta, era uso cotidiano. Roupa não era problema, era expressão. E isso não vinha de uma lógica militante moderna, vinha de outra compreensão de mundo, onde a existência de cada um não precisava ser validada por norma externa para ser legítima. Dizer isso hoje parece quase provocação, porque o debate público resolveu redescobrir as pessoas trans como se fossem uma novidade recente, e pior, como se fossem um problema a ser resolvido dentro de espaços religiosos. Só que, dentro de muitos terreiros, isso simplesmente nunca foi uma questão nesses termos.</p>



<p>Isso não significa romantizar tudo. Terreiro também é atravessado por contradições, por disputas, por influência de uma sociedade que é estruturalmente transfóbica e racista. Ignorar isso seria ingênuo. Mas é desonesto fingir que não existiu, e ainda existe, uma tradição de acolhimento que antecede esse debate raso que vemos hoje.</p>



<p>Quando você olha para a história com um pouco mais de rigor, percebe outra coisa: os terreiros funcionaram e ainda funcionam como espaços de reorganização social. Não à toa, muita gente os compara a quilombos. Não no sentido romantizado, mas no sentido político mesmo. Lugares onde pessoas expulsas de outros sistemas encontram possibilidade de reconstrução de vida. E aí lembrar de Palmares não é só fazer referência histórica bonita. Quilombo dos Palmares não era um espaço homogêneo, nem puro. Era um território de convergência. Gente diferente, com trajetórias distintas, unida por um princípio básico: sobreviver e construir outra forma de existir. Quem chegava com esse propósito, ficava.</p>



<p>Talvez seja isso que mais incomode quando a gente fala de Pajubá, de terreiro e de população trans na mesma frase. Porque essa história mostra que o Brasil já teve, e ainda tem em alguns cantos, formas de convivência mais complexas e mais avançadas do que o discurso dominante gosta de admitir.</p>



<p>O que a gente fez com esse legado? Transformou em conteúdo. Em bordão. Em estética despolitizada. Enquanto isso, as mesmas pessoas que sustentaram essa linguagem seguem sendo as mais expostas à violência, inclusive institucional. Se for para falar de Pajubá no mês da Consciência LGBTQIAPN+, talvez o mínimo de honestidade seja esse: parar de tratar como curiosidade cultural e começar a tratar como arquivo de resistência. E mais do que isso, reconhecer de onde veio. Porque quando você usa a palavra e despreza a origem, você não está celebrando cultura. Você está consumindo sem compromisso.</p>
<p>O post <a href="https://mundonegro.inf.br/mes-do-orgulho-o-pajuba-nasceu-no-terreiro-um-territorio-de-acolhimento-num-pais-que-ainda-insiste-em-excluir/">Mês do Orgulho: o Pajubá nasceu no terreiro. Um território de acolhimento num país que ainda insiste em excluir</a> apareceu primeiro em <a href="https://mundonegro.inf.br">Mundo Negro</a>.</p>
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