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	<title>(MN) Redação, Autor em Mundo Negro</title>
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	<description>Uma mídia negra diferente!</description>
	<lastBuildDate>Mon, 21 Sep 2026 18:02:57 +0000</lastBuildDate>
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	<title>(MN) Redação, Autor em Mundo Negro</title>
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		<title>Permanecer viva também é um projeto de  futuro </title>
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		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 19 Sep 2026 14:00:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[OPINIÃO]]></category>
		<category><![CDATA[instagram]]></category>
		<category><![CDATA[racismo]]></category>
		<category><![CDATA[saúde mental]]></category>
		<category><![CDATA[setembro amarelo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por: Junia Mamedir Ocupar e permanecer por uma vida poss&#237;vel para lideran&#231;as negras&#160; Durante o Setembro Amarelo, somos convocadas a falar sobre valoriza&#231;&#227;o da vida, preven&#231;&#227;o do&#160; suic&#237;dio e cuidado com a sa&#250;de mental. Nesse contexto, valorizar a vida precisa significar mais do&#160; que impedir que ela termine. Significa tamb&#233;m reconhecer as condi&#231;&#245;es em que [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Por: Junia Mamedir </em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Ocupar e permanecer por uma vida possível para lideranças negras&nbsp;</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante o Setembro Amarelo, somos convocadas a falar sobre valorização da vida, prevenção do&nbsp; suicídio e cuidado com a saúde mental. Nesse contexto, valorizar a vida precisa significar mais do&nbsp; que impedir que ela termine. Significa também reconhecer as condições em que uma pessoa&nbsp; continua vivendo e perguntar se, nessa continuidade, ainda há espaço para dignidade,&nbsp; pertencimento, liberdade, descanso e sentido.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para as lideranças negras, essa pergunta é especialmente necessária. Muitas chegam aos espaços&nbsp; de decisão carregando histórias que não começaram nelas: o esforço de gerações, o compromisso&nbsp; com seus territórios, as expectativas da comunidade e a consciência de que sua presença assume&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">uma dimensão coletiva. Ocupar um lugar historicamente negado é uma conquista profissional,&nbsp; mas também pode significar enfrentar estruturas que questionam sua legitimidade, ampliam a&nbsp; vigilância sobre seus movimentos e exigem uma disponibilidade que ultrapassa os limites do&nbsp; corpo e da vida.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ocupar importa. Estar nos espaços em que decisões são tomadas, recursos são distribuídos e&nbsp; narrativas são definidas continua sendo necessário. Mas chegar não pode ser o único objetivo. É&nbsp; preciso construir condições para permanecer, sem que isso signifique suportar tudo, funcionar&nbsp; apesar de tudo ou sobreviver às custas de si.&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Permanecer não é somente continuar no lugar. É poder continuar existindo dentro dele.&nbsp;</strong></p>
</blockquote>



<h2 id="h-quando-a-forca-deixa-de-ser-escolha-nbsp" class="wp-block-heading"><strong>Quando a força deixa de ser escolha&nbsp;</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Muitas lideranças negras aprenderam a seguir mesmo quando estavam cansadas. Aprenderam a&nbsp; resolver, proteger, organizar, orientar e responder às necessidades de outras pessoas. São&nbsp; reconhecidas pela força, pela capacidade de trabalho e pela habilidade de sustentar situações&nbsp; difíceis.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa força é real, mas não deve ser romantizada. Quando deixa de ser uma possibilidade e se&nbsp; transforma em obrigação, a potência também pode aprisionar. A pessoa passa a ser percebida&nbsp; pelo que entrega, pelo que suporta e pelo que representa. Seus medos, dúvidas, limites e&nbsp; necessidades ficam escondidos atrás da função que desempenha.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A neurociência ajuda a compreender parte desse processo. Sob pressões e ameaças contínuas, o&nbsp; organismo pode permanecer em estado de alerta. Respostas que inicialmente protegem passam a&nbsp; produzir sobrecarga quando não encontram pausa, segurança ou possibilidade de elaboração. O&nbsp; corpo permanece presente, a mente continua produzindo e a liderança segue entregando&nbsp; resultados, enquanto a experiência de viver se reduz, pouco a pouco, ao funcionamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por isso, a saúde emocional não é um complemento da liderança. É uma das condições para que a&nbsp; pessoa permaneça inteira no lugar que ocupa. O cuidado não deve começar somente quando o&nbsp; sofrimento se torna insuportável; precisa integrar a forma como essa vida é sustentada.&nbsp;</p>



<h2 id="h-ocupar-sem-desaparecer-de-si-nbsp" class="wp-block-heading"><strong>Ocupar sem desaparecer de si&nbsp;</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A psicologia humanista-existencial contribui para essa reflexão porque não reduz a pessoa ao&nbsp; papel social, ao diagnóstico ou ao desempenho. Carl Rogers compreendeu a saúde psíquica como&nbsp; um processo de tornar-se pessoa, marcado por maior abertura à experiência, autenticidade e&nbsp; congruência. Em termos simples, trata-se de diminuir a distância entre o que sentimos, o que&nbsp; reconhecemos em nós e a maneira como conseguimos estar no mundo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para muitas lideranças negras, viver essa congruência pode ser difícil. Há ambientes nos quais&nbsp; precisam parecer disponíveis quando estão exaustas, seguras quando sentem medo e inabaláveis&nbsp; quando necessitam de cuidado. Essa adaptação pode funcionar como estratégia de proteção.&nbsp; Quando se torna permanente, porém, produz fragmentação: a pessoa está presente para todos e&nbsp; ausente de si.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Rollo May, na tradição existencial, relaciona a coragem à afirmação do próprio ser diante da&nbsp; ansiedade e das incertezas da existência. Coragem, nesse sentido, não é ausência de medo nem&nbsp; capacidade de suportar indefinidamente. É reconhecer o que se vive, assumir escolhas possíveis e&nbsp; preservar a relação consigo, mesmo quando o contexto pressiona pela anulação.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Irvin Yalom também mostra que a existência humana é atravessada por questões como liberdade, responsabilidade, isolamento e busca de sentido. Elas não se resolvem com produtividade ou&nbsp; reconhecimento externo. Uma pessoa pode ocupar um lugar de destaque e ainda se sentir distante da própria vida. Pode estar cercada de pessoas e permanecer emocionalmente sozinha. Pode&nbsp; cumprir responsabilidades coletivas e perder o contato com aquilo que deseja para si.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A perspectiva existencial não oferece uma fórmula pronta para viver. Ela devolve perguntas&nbsp; fundamentais: como estou existindo no lugar que ocupo? O que tenho precisado esconder para&nbsp; continuar? Minhas escolhas ainda se aproximam de quem sou? Consigo reconhecer meus limites&nbsp; sem interpretá-los como fracasso? O que, em minha vida, não pode continuar sendo adiado?&nbsp;</p>



<h2 id="h-permanecer-e-mais-do-que-resistir-nbsp" class="wp-block-heading"><strong>Permanecer é mais do que resistir&nbsp;</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A resistência faz parte da história das pessoas negras e foi indispensável para que muitas de nós&nbsp; chegássemos até aqui. Entretanto, ela não pode ser o único modo de existir. Quando a vida se&nbsp; organiza em torno da reação à violência, da resposta às urgências e da necessidade de provar&nbsp; capacidade, sobreviver ocupa o espaço que também deveria pertencer ao viver.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Existe uma diferença entre estar viva e sentir-se participante da própria existência. Uma pessoa&nbsp; pode continuar trabalhando, liderando, cuidando e comparecendo enquanto perde o vínculo com&nbsp; o prazer, o descanso, os afetos e os projetos que não precisam servir a nenhuma causa. Pode ser&nbsp; reconhecida publicamente e, ainda assim, não se reconhecer na vida que construiu.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Permanecer, portanto, não é conservar um cargo a qualquer preço. É preservar condições&nbsp; emocionais para pensar, sentir, escolher, criar vínculos, rever caminhos e perceber quando algo&nbsp; já não pode ser sustentado da mesma forma. Em alguns momentos, isso significará seguir. Em outros, estabelecer limites, pedir ajuda, redistribuir responsabilidades ou deixar um ambiente&nbsp; que exige o desaparecimento de si.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p><strong>Nem toda permanência protege a vida. Permanecer de verdade exige que o eu também permaneça.&nbsp;</strong></p></blockquote></figure>



<h2 id="h-o-cuidado-como-encontro-consigo-nbsp" class="wp-block-heading"><strong>O cuidado como encontro consigo&nbsp;</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O cuidado possui uma dimensão coletiva. Instituições, equipes, comunidades e movimentos&nbsp; precisam reconhecer desigualdades, distribuir responsabilidades de maneira justa e construir&nbsp; redes de proteção. Representatividade sem pertencimento pode produzir solidão. Visibilidade sem proteção pode ampliar a exposição. Reconhecimento sem sustentação pode se transformar em&nbsp; sobrecarga.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há também uma dimensão que não pode ser transferida inteiramente ao coletivo: a relação que&nbsp; cada pessoa estabelece consigo. Cuidar de si é perceber o próprio corpo antes que ele precise&nbsp; interromper tudo. É reconhecer emoções sem vergonha, escutar necessidades, permitir-se receber apoio e compreender que o valor da vida não depende do quanto se produz para os outros.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse cuidado não é individualismo nem abandono do compromisso coletivo. É a recusa de uma&nbsp; lógica que transforma a pessoa negra em recurso inesgotável. O coletivo pode oferecer&nbsp; sustentação, pertencimento e proteção, mas ninguém deveria desaparecer dentro daquilo que&nbsp; ajuda a construir. Há um eu que precisa respirar, desejar, descansar, criar intimidade, mudar de&nbsp; ideia e viver experiências que não sejam convertidas em trabalho, luta ou legado.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na abordagem centrada na pessoa, o encontro consigo não é um estado perfeito alcançado de uma vez. É um movimento contínuo de reconhecimento e integração. Quanto mais uma pessoa&nbsp; consegue escutar honestamente a própria experiência, mais liberdade encontra para fazer&nbsp; escolhas coerentes com seus valores e limites. Essa liberdade não elimina a dor nem as estruturas&nbsp; sociais que a atravessam, mas impede que elas definam sozinhas toda a sua existência.&nbsp;</p>



<h2 id="h-uma-vida-possivel-no-setembro-amarelo-nbsp" class="wp-block-heading"><strong>Uma vida possível no Setembro Amarelo&nbsp;</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Falar sobre a vida das lideranças negras durante o Setembro Amarelo exige ir além da&nbsp; convocação para que continuem fortes. Precisamos reconhecer o cansaço que não aparece, a&nbsp; solidão escondida pela visibilidade e o custo emocional de ocupar espaços nos quais a&nbsp; competência ainda é questionada.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Também precisamos ampliar a ideia de cuidado. Psicoterapia, supervisão, redes de pares, vínculos afetivos e mudanças institucionais são recursos importantes. Ainda assim, cuidar da vida envolve&nbsp; algo profundamente pessoal: recuperar o direito de habitar a própria existência. Perguntar não só o que ainda precisa ser feito, mas como eu estou; não só quem depende de mim, mas do que eu&nbsp;preciso; não só como continuar, mas em que condições desejo fazê-lo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ocupar é necessário. Permanecer também. Mas permanecer viva não pode significar somente&nbsp; resistir até o próximo dia. Precisa incluir o direito de existir sem armadura o tempo inteiro, de&nbsp; cuidar do corpo que sustenta tantas responsabilidades e de reconhecer que a própria vida tem&nbsp; valor mesmo quando não está servindo, produzindo ou representando.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O coletivo importa e pode sustentar essa travessia. No centro do cuidado, porém, existe uma&nbsp; pessoa que não pode ser esquecida. Uma pessoa que merece estar inteira em sua própria vida.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p><strong>Permanecer viva também é poder dizer: eu existo por inteiro, e a minha vida também precisa de mim.&nbsp;</strong></p></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Referências&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">MAY, Rollo. A coragem de criar. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1975.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">ROGERS, Carl R. Tornar-se pessoa. São Paulo: Martins Fontes, 2009. Obra original publicada em 1961. YALOM, Irvin D. Psicoterapia existencial. Porto Alegre: Artmed, 2006. Obra original publicada em 1980.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sobre a autora&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Júnia Mamedir é psicóloga e psicoterapeuta (CRP 05/48655), neurocientista em aprendizagem e criadora do&nbsp; Método CEA® — Consciência, Escuta e Ação. É fundadora da Mamedir Humanize, empresa que atua junto a&nbsp; organizações na gestão de treinamento e desenvolvimento, com foco em performance humanizada, e do&nbsp; Instituto Maternize Brasil, ONG dedicada ao acolhimento e ao cuidado em saúde mental de mães e mulheres&nbsp; negras em dez favelas do Rio de Janeiro. Há 22 anos, trabalha na promoção da saúde mental, no&nbsp; desenvolvimento de lideranças e na construção de políticas de cuidado. Mulher negra e afroindígena,&nbsp; também desenvolve ações de formação de lideranças comunitárias femininas negras. Foi reconhecida pelo&nbsp; site Mundo Negro como uma das 25 mulheres negras do corporativo, em publicação sobre liderança e a&nbsp; necessidade de ressignificar a liberdade de quem somos.</p>
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		<title>A cultura dos paredões: quando o território constrói sua própria mídia</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/a-cultura-dos-paredoes-quando-oterritorio-constroi-sua-propria-midia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 18 Sep 2026 09:03:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[OPINIÃO]]></category>
		<category><![CDATA[cultura baiana]]></category>
		<category><![CDATA[instagram]]></category>
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		<category><![CDATA[Paredão]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Let&#237;cia Sotero No Brasil, ir para o pared&#227;o pode significar coisas muito diferentes. Para quem acompanha reality shows, estar no pared&#227;o significa correr o risco de ser eliminado. Na Bahia, dependendo do contexto, ir para o pared&#227;o pode significar exatamente o contr&#225;rio: estar dentro, participar, encontrar gente, ouvir m&#250;sica e fazer parte de uma [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://www.instagram.com/letinhasotero/">Por Letícia Sotero</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">No Brasil, ir para o paredão pode significar coisas muito diferentes. Para quem acompanha reality shows, estar no paredão significa correr o risco de ser eliminado. Na Bahia, dependendo do contexto, ir para o paredão pode significar exatamente o contrário: estar dentro, participar, encontrar gente, ouvir música e fazer parte de uma experiência cultural que já possui seus próprios códigos. É desse lugar que gosto de observar a cultura, entendendo o que as pessoas já estão fazendo antes que o mercado transforme aquilo em tendência, e o paredão é um bom exemplo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais do que um equipamento de som, ele funciona como uma infraestrutura cultural criada a partir do próprio território. Em diferentes regiões do Brasil, sistemas de som se tornaram parte da forma como comunidades produzem entretenimento, circulação musical e encontro. No Norte, a tradição das aparelhagens e movimentos como o Rock Doido ajudaram a consolidar uma cultura de grandes sistemas de som. Na Bahia, os paredões ganharam força em periferias, vaquejadas, festas, eventos populares e encontros que foram criando seus próprios circuitos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em Salvador, durante os anos 2000, era comum que a festa continuasse depois da festa. Carros com porta-malas abertos e sistemas de som potentes ocupavam as saídas de eventos e festivais, prolongando a experiência para além do espaço oficial. A partir daí, o paredão deixou de ser apenas som e passou a disputar potência, qualidade, iluminação, cenografia, estética e, principalmente, reputação. Alguns sistemas construíram marcas próprias, comunidades nas redes sociais, eventos e negócios de locação, e o equipamento virou ativo cultural.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E é justamente aqui que surge uma pergunta importante para o mercado: se existe uma comunidade, existe atenção. Se existe atenção, existe mídia. O paredão tem público, frequência, linguagem, repertório, circulação e capacidade de mobilização. Só que essa mídia não está necessariamente em uma plataforma tradicional, ela está no território. Enquanto o planejamento de mídia procura ambientes considerados seguros, mensuráveis e reconhecidos pelo mercado, uma série de estruturas culturais continua acontecendo fora desse mapa. Parte dessa invisibilidade também passa pelo modo como determinados territórios e estéticas são percebidos. Paredões são frequentemente associados a barulho, desordem, marginalidade ou entretenimento de baixa qualidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Existem, claro, conflitos reais envolvendo ocupação do espaço público, segurança e poluição sonora que precisam ser regulados, mas quando a única lente utilizada é a fiscalização, todo o ecossistema cultural e econômico que existe em torno daquela manifestação desaparece. E esse ecossistema é grande: há artistas, DJs, operadores de som, produtores, técnicos, iluminadores, montadores, fotógrafos, videomakers, designers e criadores de conteúdo trabalhando a partir desse circuito. Existem também artistas cuja produção encontra no paredão um espaço importante de circulação. Nomes como Malafaia na Voz e Rei dos Faixas mostram como existem repertórios e carreiras construídos para dialogar diretamente com esse público.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O paredão, portanto, não é apenas onde uma música toca. Em muitos casos, é parte do lugar onde essa música encontra público, ganha circulação e gera renda. Para as marcas, isso muda a pergunta: não é apenas &#8220;onde podemos colocar nossa logo?&#8221;. É como podemos participar de uma cultura que já tem público, linguagem e relevância?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma marca pode apoiar um artista, financiar uma produção, criar uma experiência ou entrar em um circuito cultural de forma coerente. Não precisa criar o território para participar dele, precisa primeiro aprender a reconhecê-lo. É esse o ponto do mapeamento cultural: mapear não é criar relevância para uma manifestação, é reconhecer a relevância que já existe. O mercado ainda procura muito por aquilo que está prestes a virar tendência, e talvez uma parte da oportunidade esteja justamente em olhar para aquilo que já movimenta pessoas, dinheiro, identidade e cultura, mas ainda não foi reconhecido pelos mapas tradicionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na Bahia, estar no paredão não significa necessariamente ser eliminado. Pode significar estar exatamente onde a cultura está acontecendo.</p>
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		<title>A velha política encontra um novo palanque nas redes sociais, e negros seguem fora de cena</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/a-velha-politica-encontra-um-novo-palanque-nas-redes-sociais-e-negros-seguem-fora-de-cena/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Sep 2026 09:55:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[OPINIÃO]]></category>
		<category><![CDATA[desigualdade racial]]></category>
		<category><![CDATA[eleições]]></category>
		<category><![CDATA[instagram]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[Redes Sociais]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Liliane Rocha Desde as &#250;ltimas elei&#231;&#245;es municipais, temos observado um movimento crescente que se consolida tamb&#233;m nas elei&#231;&#245;es gerais. Pol&#237;ticos de diferentes espectros, inclusive os mais tradicionais e com longas carreiras constru&#237;das fora do ambiente digital, parecem priorizar cada vez mais o posicionamento e a comunica&#231;&#227;o por meio das redes sociais. Essa mudan&#231;a, no [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Por <a href="https://www.instagram.com/lilianerochaoficial/">Liliane Rocha</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Desde as últimas eleições municipais, temos observado um movimento crescente que se consolida também nas eleições gerais. Políticos de diferentes espectros, inclusive os mais tradicionais e com longas carreiras construídas fora do ambiente digital, parecem priorizar cada vez mais o posicionamento e a comunicação por meio das redes sociais. Essa mudança, no entanto, não ocorre em um ambiente neutro. Para pessoas negras, historicamente sub-representadas nos espaços de poder, a transferência crescente do debate político para plataformas digitais acrescenta outra camada de desigualdade. O racismo algorítmico, capaz de reproduzir e amplificar vieses presentes na sociedade. Se negros já encontram barreiras para acessar e disputar o poder político, o que acontece quando parte cada vez maior dessa disputa passa a ser mediada por algoritmos?</p>



<p class="wp-block-paragraph">As redes sociais se tornaram especialmente atraentes para a política porque funcionam sob regras e mecanismos de controle distintos daqueles presentes nos espaços tradicionais de comunicação. O primeiro motivo é que as redes sociais ainda funcionam como um ambiente mais informal, com regras e mecanismos de controle distintos daqueles presentes nos espaços tradicionais de comunicação. Em uma entrevista ou debate, o político é confrontado por jornalistas, adversários e perguntas que não controla. Nas redes, ele consegue definir com total autonomia o tema, o momento, o formato e a narrativa que deseja apresentar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O segundo fator talvez seja ainda mais relevante. Nas redes sociais, o político não precisa necessariamente falar com toda a sociedade. Pode falar prioritariamente com o seu próprio público.Os algoritmos favorecem a formação de comunidades de interesse e ambientes nos quais determinadas visões de mundo circulam e são constantemente reforçadas. Esse funcionamento também exige uma perspectiva racial. Se a visibilidade nas redes é mediada por algoritmos e pesquisas já apontam desigualdades no alcance de conteúdos produzidos por pessoas negras, não podemos pressupor que todos partam das mesmas condições para transformar presença digital em influência e, posteriormente, influência em capital político.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E por fim, a desregulamentação desse espaço, que torna possível, ainda que com sanções posteriores, a divulgação de inverdades, as agressões mais contundentes e até mesmo, falas, que seriam imediatamente proibidas e execradas em debates ou entrevistas, tais como “sim, eu sou machista”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O grande risco é de que em um cenário no qual, o campo político migra cada vez mais para informalidade, e a fuga do rito democrático, na mesma intensidade e sentido contrário, cada vez personalidades notórias nas redes sociais, em sua maioria pessoas brancas, sem experiência política, se tornem possíveis candidatos (as), aos mais variados pleitos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Historicamente, vemos este fenômeno ocorrer no Brasil, sobretudo em cargos de vereadores, deputados estaduais e federais. Vimos, casos como o do comediante, Francisco Everardo Oliveira Silva, mais conhecido como Tiririca eleito deputado federal. A lista de influenciadores(as) e comediantes eleitos democraticamente para liderar nas esferas municipais e estaduais ao longo dos últimos anos não tem fim.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há dois anos vimos o mesmo fenômeno, ocorrer nas eleições municipais. Alguns dos candidatos mais bem cotados a posição de prefeitos, não tinham nenhuma experiência prévia no campo político, porém fizeram uma campanha expressiva, que gerou crescimento estrondoso nas redes sociais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Profetizo aqui neste artigo do site Mundo Negro que se seguirmos no rumo atual em alguns anos veremos um influenciador comediante, possivelmente homem e branco,  sem nenhuma experiência prévia na política se tornar presidente da república apenas com base em uma forte campanha nas redes sociais. Se você acha que é impossível, lembro que em 2019, a Ucrânia ofereceu um dos exemplos mais emblemáticos dessa transformação. Volodymyr Zelensky, um comediante sem experiência política anterior, chegou à Presidência com 73,22% dos votos no segundo turno. Sua campanha rompeu com parte da lógica tradicional da disputa eleitoral e apostou fortemente na comunicação direta com o eleitor pelas redes sociais.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Roda de homens negros debate masculinidades com filósofo Sergio Barbosa em São Paulo</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/roda-de-homens-negros-debate-masculinidades-com-filosofo-sergio-barbosa-em-sao-paulo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 Sep 2026 19:48:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[NOSSA COMUNIDADE]]></category>
		<category><![CDATA[Entre Vinhos e Afetos]]></category>
		<category><![CDATA[homens negros]]></category>
		<category><![CDATA[instagram]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://mundonegro.inf.br/?p=98789</guid>

					<description><![CDATA[<p>Encontro do coletivo Entre Vinhos &#38; Afetos acontece no dia 26 de setembro, a partir das 14h, e discute como racismo, machismo e heteronormatividade se articulam na forma&#231;&#227;o das masculinidades O coletivo Entre Vinhos &#38; Afetos, que re&#250;ne homens negros em rodas de escuta e conviv&#234;ncia, promove no pr&#243;ximo dia 26 de setembro, a partir [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph" id="h-"><strong>Encontro do coletivo Entre Vinhos &amp; Afetos acontece no dia 26 de setembro, a partir das 14h, e discute como racismo, machismo e heteronormatividade se articulam na formação das masculinidades</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O coletivo Entre Vinhos &amp; Afetos, que reúne homens negros em rodas de escuta e convivência, promove no próximo dia 26 de setembro, a partir das 14h, um encontro com o filósofo e professor universitário Sergio Barbosa. O tema da edição é &#8220;Masculinidades Insurgentes: racialidade, heteronormatividade e misoginia&#8221;. As inscrições são feitas pelo direct do perfil do coletivo no Instagram, e o local é informado aos participantes após a confirmação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Barbosa é cofundador da Campanha do Laço Branco, mobilização que articula homens pelo fim da violência contra as mulheres, e atua na gestão de grupos reflexivos com homens autores de violência, aqueles encaminhados pela Justiça no âmbito da Lei Maria da Penha. Sua trajetória acadêmica é dedicada aos estudos das masculinidades e ao enfrentamento das violências de gênero.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O debate ocorre em um cenário de alta nos indicadores de violência letal contra mulheres. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública divulgado em julho pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o país registrou 1.571 feminicídios em 2025. Mulheres negras corresponderam a 65,1% das vítimas, e mulheres brancas, a 34%. Em 79,8% dos casos, o autor foi um companheiro ou ex-companheiro. O levantamento aponta ainda que 13,1% dos registros não informam a raça da vítima.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com o material de divulgação do encontro, a conversa parte de uma pergunta: será que existe apenas um jeito de ser homem? A proposta é examinar como machismo, racismo, heteronormatividade e misoginia se articulam na formação das masculinidades e influenciam a maneira como esses homens sentem, amam, cuidam, lidam com conflitos e constroem relações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os organizadores afirmam que o objetivo não é reforçar estereótipos sobre homens negros. O ponto de partida, segundo eles, é o reconhecimento das diferentes violências que atravessam essas histórias, para então formular outras perguntas: o que se faz com aquilo que foi aprendido e o que pode ser transformado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O conceito que dá nome ao encontro aponta nessa direção. Masculinidades insurgentes, na formulação usada pelo coletivo, seriam aquelas capazes de questionar o que foi ensinado como única possibilidade de ser homem e de experimentar outros caminhos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O campo em que Barbosa atua tem produzido resultados que alimentam o debate sobre políticas de enfrentamento à violência doméstica. Levantamento apresentado pelo pesquisador Daniel Fauth Washington Martins, parceiro do Judiciário de Santa Catarina em ações com homens autores de violência, indica que a reincidência entre homens processados pela Lei Maria da Penha é de cerca de 50%, índice que cai para aproximadamente 10% entre os que participam de grupos reflexivos. O mapeamento nacional desses grupos subsidiou recomendações elaboradas pelo Conselho Nacional de Justiça em 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Criado como espaço de escuta, diálogo e construção coletiva entre homens negros, o Entre Vinhos &amp; Afetos mantém em suas edições um momento de convivência à mesa. Nesta roda, o almoço é assinado pela chef Dani Pimenta e a curadoria de vinhos fica a cargo da sommelière Andreia. Também haverá opções sem álcool, como cafés, chás e sucos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os organizadores pedem que cada participante leve outro homem negro ao encontro, como forma de ampliar a rede do coletivo.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<h2 id="h-servico" class="wp-block-heading">Serviço</h2>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Entre Vinhos &amp; Afetos recebe Sergio Barbosa</strong> <strong>Tema:</strong> Masculinidades Insurgentes: racialidade, heteronormatividade e misoginia <br><strong>Data:</strong> sábado, 26 de setembro de 2026 <br><strong>Horário:</strong> a partir das 14h <br><strong>Inscrições:</strong> via direct no Instagram @entre_vinhoseafetos <a href="https://www.instagram.com/entre_vinhoseafetos/" data-type="link" data-id="https://www.instagram.com/entre_vinhoseafetos/">(instagram.com/entre_vinhoseafetos) </a><br><strong>Local:</strong> divulgado aos participantes após a confirmação da inscrição <br><strong>Convidado:</strong> Sergio Barbosa (@prof.sergio.barbosa)</p>
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		<title>Apartheid de gênero e raça: onde estão negros e mulheres na disputa pelo poder?</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/apartheid-de-genero-e-raca-onde-estao-negros-e-mulheres-na-disputa-pelo-poder/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 Sep 2026 16:08:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[OPINIÃO]]></category>
		<category><![CDATA[apartheid]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>
		<category><![CDATA[Gênero]]></category>
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		<category><![CDATA[política]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Liliane Rocha Ao assistir ao primeiro debate presidencial da Band TV e da TV Cultura, uma constata&#231;&#227;o se imp&#244;s de forma incontorn&#225;vel: a democracia brasileira continua sendo disputada, majoritariamente, por homens brancos. Distante da diversidade racial e de g&#234;nero que caracteriza a popula&#231;&#227;o brasileira. Podemos chamar de apartheid de g&#234;nero e ra&#231;a, ou seja, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Por Liliane Rocha </em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao assistir ao primeiro debate presidencial da Band TV e da TV Cultura, uma constatação se impôs de forma incontornável: a democracia brasileira continua sendo disputada, majoritariamente, por homens brancos. Distante da diversidade racial e de gênero que caracteriza a população brasileira. Podemos chamar de apartheid de gênero e raça, ou seja, uma estrutura política que, eleição após eleição, naturaliza a presença masculina e branca no centro da disputa pelo poder, enquanto mantém mulheres, especialmente mulheres negras, distantes dos espaços de maior decisão. Em um país de maioria negra e no qual as mulheres representam mais da metade da população, quem disputa o poder máximo da República continua longe de refletir quem é o Brasil. Essa tônica inclusiva se repete ao longo de toda a Campanha.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A palavra <em>apartheid</em>, de origem africâner, significa literalmente “separação” ou “estado de estar separado” e ficou historicamente associada ao regime institucional de segregação racial imposto pela minoria branca na África do Sul entre 1948 e o início da década de 1990. Evidentemente, não se trata aqui de equiparar a sub-representação política dos negros e das mulheres brasileiras à violência e às características específicas daquele regime. O termo é utilizado como uma analogia deliberadamente provocativa para evidenciar uma separação persistente entre quem compõe a sociedade e quem efetivamente ocupa os espaços de poder. E essa lente se torna ainda mais pertinente quando gênero e raça se cruzam: se as mulheres já enfrentam barreiras para chegar ao centro das decisões políticas, para as mulheres negras essa distância é ainda maior. O poder brasileiro continua tendo gênero e raça.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre os candidatos presentes no primeiro debate estavam Renan Santos, Ronaldo Caiado e Augusto Cury. Entre os ausentes, Luiz Inácio Lula da Silva, Flávio Bolsonaro e Romeu Zema. Diferentes partidos, trajetórias e posições políticas, mas algo salta aos olhos antes mesmo de qualquer proposta ser apresentada. São todos homens brancos. E talvez seja justamente essa imagem, tão familiar que quase já não nos causa estranhamento, que deveria nos incomodar. A única candidata negra a presidência, Samara Martins, não chega a 1% das intenções de voto e, portanto, não podem compor os debates eleitorais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A filósofa política Carole Pateman nos ajuda a compreender que essa ausência não é apenas uma fotografia circunstancial das eleições de 2026. Em <em>O Contrato Sexual</em>, ela expõe uma contradição fundadora das democracias modernas: a promessa de liberdade e igualdade conviveu historicamente com estruturas que subordinavam as mulheres e restringiam sua cidadania. Mais de três décadas depois, sua reflexão permanece desconfortavelmente atual. Se as mulheres, e ressalto, as mulheres negras que são 29% da população brasileira, podem votar, mas quase não aparecem entre aquelas consideradas aptas a governar, precisamos perguntar até que ponto realizamos, de fato, a promessa democrática de igualdade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas o problema é ainda maior do que a ausência das negros, mulheres, mulheres negras, entre os homens presentes a falta de profundidade nas questões referentes a raça e gênero é notável. &nbsp;Não há profundidade alguma no debate de raça e gênero em nenhumas das conversas, desde a debates a entrevistas individuais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É justamente diante desse cenário que iniciativas de educação política ganham ainda mais relevância. Em 2026, a Gestão Kairós lançou a terceira edição da Cartilha Voto Inclusivo, uma ferramenta criada para estimular uma escolha eleitoral mais consciente e ampliar o olhar sobre representatividade, diversidade e inclusão na política</p>



<p class="wp-block-paragraph">Democracia não se resume ao direito de votar, mas também à possibilidade real de diferentes pessoas participarem da construção do poder e influenciarem as decisões que moldam o país. Quando negros, mulheres, e na intersecção mulheres negras, são maioria do eleitorado, mas seguem sub-representados nos principais espaços de decisão política, não estamos diante apenas de um problema de representatividade, mas de um déficit democrático. Uma democracia em que negros e mulheres votam, mas raramente são vistos como opção para ocupar os postos mais altos de poder, ainda precisa percorrer um longo caminho para que igualdade política deixe de ser princípio e se torne prática.</p>
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		<title>Quando o palco brasileiro se parece mais com o Brasil: Musical 7 Mulheres e Um Mistério</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/7-mulheres-e-um-misterio-atrizes-negras-palco-brasileiro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Aug 2026 17:32:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[OPINIÃO]]></category>
		<category><![CDATA[7 mulheres e um mistério]]></category>
		<category><![CDATA[atrizes negras]]></category>
		<category><![CDATA[cultura negra]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Rodrigo Fran&#231;a Laura Castro, Let&#237;cia Soares e Larissa Noel est&#227;o em 7 Mulheres e Um Mist&#233;rio, O Musical, e a presen&#231;a das tr&#234;s atrizes negras diz algo importante sobre a adapta&#231;&#227;o de uma obra estrangeira para o Brasil. Laura e Let&#237;cia integram o elenco principal, enquanto Larissa atua como swing. A montagem poderia simplesmente [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph"><em>Por Rodrigo França</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Laura Castro, Letícia Soares e Larissa Noel estão em 7 Mulheres e Um Mistério, O Musical, e a presença das três atrizes negras diz algo importante sobre a adaptação de uma obra estrangeira para o Brasil. Laura e Letícia integram o elenco principal, enquanto Larissa atua como swing. A montagem poderia simplesmente reproduzir uma determinada imagem da França dos anos 1950. Escolheu outro caminho: uma história pode nascer em outro país, em outra década, e ainda assim encontrar no palco brasileiro os rostos do Brasil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Parece uma decisão simples. Historicamente, não foi.Durante décadas, atrizes negras estiveram à mercê de personagens previamente definidas pela raça e, muitas vezes, pelos estereótipos construídos em torno dela. A empregada, a mulher hipersexualizada, a subalternizada, a personagem cuja existência dramática precisava estar associada à pobreza, à violência ou ao racismo. Quando surgia uma família rica, uma história de amor, uma comédia de costumes ou uma personagem cuja raça não estava indicada no texto, a suposta universalidade frequentemente ganhava uma aparência bastante específica: branca.</p>



<p class="wp-block-paragraph">7 Mulheres e Um Mistério ajuda a desmontar essa lógica sem transformar a escolha do elenco numa tese pronunciada em cena. Inspirado em <em>HuitFemmes</em>, de Robert Thomas, o espetáculo acompanha mulheres confinadas numa mansão depois de um assassinato ocorrido durante uma reunião familiar de Natal. A adaptação, músicas e letras são de Anna Toledo, com direção artística de Ricardo Grasson e Heitor Garcia. A própria adaptação amplia as motivações das personagens femininas, procurando libertá-las de uma narrativa organizada exclusivamente em torno da validação masculina.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Bruna Guerin, Laura Castro, Letícia Soares, Malu Rodrigues, Paula Capovilla, Stella Miranda e Verónica Valenttino formam o elenco principal. Entre elas, Laura e Letícia podem simplesmente fazer aquilo para que foram formadas: interpretar. Podem ser sofisticadas, engraçadas, suspeitas, contraditórias, amorosas, cruéis. Podem pertencer àquela família e àquela mansão. Larissa Noel, na função exigente de swing, precisa estar preparada para assumir a cena quando convocada. Nenhuma das três precisa apresentar uma justificativa racial para estar dentro daquela ficção.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E aqui aparece uma contradição antiga do nosso ofício. O teatro gosta de repetir que o ator pode ser qualquer coisa. Pode atravessar séculos, nacionalidades, classes sociais, profissões e universos que jamais experimentou pessoalmente. Essa liberdade é considerada parte da natureza da interpretação. Mas, quando artistas negros reivindicam o mesmo princípio, surgem perguntas sobre fidelidade histórica, aparência da personagem ou intenção do autor. Se atuar é justamente a arte de habitar outra existência, por que essa liberdade encontra fronteiras quando chega a nossa vez?</p>



<p class="wp-block-paragraph">A discussão ganha outra dimensão num país em que 55,5% da população se declarou preta ou parda no Censo de 2022, segundo o IBGE. O palco brasileiro não precisa obedecer matematicamente à demografia nacional, porque arte não se produz por planilha. Mas a ausência recorrente de pessoas negras também não pode continuar sendo tratada como acaso estético num país de maioria negra. Quando elas desaparecem sistematicamente das famílias, dos romances, das comédias, dos musicais e das narrativas consideradas universais, existe uma escolha sendo feita, mesmo quando ninguém assume sua autoria.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por isso Laura Castro, Letícia Soares e Larissa Noel importam aqui. Não porque devam carregar nas costas a responsabilidade de representar milhões de brasileiras negras. Exatamente o contrário. Importam porque ajudam a afirmar o direito de uma atriz negra não precisar representar outra coisa além de sua personagem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O talento não tem cor, repetimos há anos. O acesso aos papéis, historicamente, teve. A mudança começa quando a primeira frase finalmente produz consequência sobre a segunda.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se você quer se entreter com um espetáculo bem cantado, bem tocado, muito bem interpretado e com um visual deslumbrante, vá ao teatro assistir a 7 Mulheres e Um Mistério, O Musical. Minha indicação tem ainda um motivo especial: ver Laura Castro, Letícia Soares e Larissa Noel, três atrizes deslumbrantes, ocupando o teatro musical brasileiro em estado de excelência, com talento, técnica e presença.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A temporada segue até 4 de outubro de 2026, no 033 Rooftop, no Teatro Santander, em São Paulo, com sessões às sextas, às 20h; sábados, às 16h e 20h; e domingos, às 15h e 19h.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>El Niño e população negra: prevenir para combater desigualdades</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/el-nino-e-populacao-negra-prevenir-para-combater-desigualdades/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Aug 2026 19:44:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[OPINIÃO]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Rachel Maia O Brasil entra em um novo per&#237;odo de aten&#231;&#227;o clim&#225;tica. O El Ni&#241;o, confirmado em junho de 2026, tem previs&#227;o de perman&#234;ncia at&#233; mar&#231;o de 2027, com maior impacto no Norte, Nordeste e no Sul. Como apontam as atualiza&#231;&#245;es de agosto do portal do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), com base nas [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Por Rachel Maia</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Brasil entra em um novo período de atenção climática. O El Niño, confirmado em junho de 2026, tem previsão de permanência até março de 2027, com maior impacto no Norte, Nordeste e no Sul. Como apontam as atualizações de agosto do portal do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), com base nas projeções do NOAA, há probabilidade igual ou superior a 90% de ocorrência de um El Niño extremo no próximo trimestre e 69% de chance de que seja um dos mais intensos desde o início dos registros, em 1950.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial e pela alteração dos padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do mundo, o El Niño nos preocupa, principalmente por tornar ainda mais difícil a vida da população negra, periférica, ribeirinha, quilombola e indígena, historicamente submetida a diferentes formas de vulnerabilidade territorial e social.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com o Censo 2022 do IBGE, 56,8% da população residente em favelas e comunidades urbanas era parda e 16,1%, preta. Pessoas negras, portanto, representavam 72,9% dos moradores desses territórios. Quando essa realidade se combina a déficits de infraestrutura, saneamento e habitação, além da maior exposição a áreas de risco, a capacidade de resposta aos eventos extremos também se torna desigual.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Racismo ambiental: da previsão à prevenção</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Formulado a partir de estudos realizados nos Estados Unidos e posteriormente incorporado ao debate global sobre justiça climática, o conceito de racismo ambiental surgiu na década de 1980 para analisar como critérios sociais e raciais influenciam a distribuição desigual dos impactos ambientais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Brasil, esse fenômeno se manifesta em um cenário resultante de décadas de ocupação desigual do território, ausência de políticas públicas e racismo estrutural, que condicionam grande parte da população negra à vida em regiões sem planejamento urbano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os estudos sobre justiça climática já nos sinalizam que essas regiões são negligenciadas, o que torna seus moradores mais suscetíveis ao agravamento do colapso socioambiental. Isso aponta para a necessidade de que, nas cidades, as periferias brasileiras recebam maior atenção por concentrarem menor cobertura vegetal, maior impermeabilização do solo e infraestrutura de drenagem insuficiente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As projeções científicas indicam que eventos extremos deverão se tornar mais frequentes e intensos em decorrência das mudanças climáticas e do aquecimento global. Se a tecnologia já permite melhorar a previsão de onde e quando determinados eventos podem acontecer, o próximo passo é utilizar esses dados para identificar quem estará mais vulnerável e direcionar investimentos preventivos para quem mais precisa.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Pesquisadores brasileiros unem IA e ciência para prever eventos hidrológicos&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), coordenado pelo físico e pesquisador Leonardo Santos, por meio do projeto IFAST, faz uso da inteligência artificial (IA), para aprimorar a previsão de enxurradas e inundações. Assim como, a doutoranda em Ciências da Computação Gislaine Freitas está à frente de uma pesquisa voltada à mobilidade segura, com o desenvolvimento de uma ferramenta de alerta capaz de ajudar a evitar trechos alagados durante períodos de chuva intensa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com mais de 50 pesquisadores nacionais e internacionais e 15 instituições envolvidas, a plataforma FloodcastingXAI, em operação desde 2025, está transformando grandes volumes de dados em alertas mais precisos e localizados, possibilitando a antecipação de riscos e a mitigação de impactos em tempo recorde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Temos um desafio coletivo pela frente: construir políticas de prevenção que culminem na inclusão da população diretamente afetada, tanto na formulação das políticas públicas de prevenção quanto na construção de soluções que combinem ciência, inteligência artificial, planejamento urbano, saneamento e habitação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No enfrentamento do racismo ambiental, antecipar riscos, ampliar o acesso à informação e direcionar investimentos para os territórios mais afetados não são apenas estratégias de gestão: são escolhas de justiça e responsabilidade social. Pois todo o ecossistema perde quando um de nós não volta para casa ou perde seu lar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A tecnologia pode ser uma aliada importante na prevenção de eventos climáticos. Quanto antes percebermos que a mitigação dos impactos ambientais deve priorizar quem mais precisa, mais próximos estaremos da civilidade.</p>
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		<title>Como o abandono cria ranhuras na lente que enxergamos o mundo</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/abandono-marcas-afetam-forma-enxergar-mundo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Aug 2026 11:55:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[OPINIÃO]]></category>
		<category><![CDATA[abandono]]></category>
		<category><![CDATA[ancestralidade africana]]></category>
		<category><![CDATA[Frantz Fanon]]></category>
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		<category><![CDATA[psicologia negra]]></category>
		<category><![CDATA[saúde mental]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por La&#237;se Brito&#160; Psic&#243;loga 03/19361&#160; O abandono promove um dos sentimentos mais amea&#231;adores da exist&#234;ncia humana, a solid&#227;o. Princ&#237;pios b&#225;sicos na condi&#231;&#227;o de sermos bichos humanos nos insere no arranjo social, enquanto mam&#237;feros precisamos de um bando, outros algu&#233;ns que nos cuide e nos ampare no desenvolvimento de uma vida inteira, n&#227;o haver&#225; fase existencial [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Por Laíse Brito </p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Psicóloga 03/19361&nbsp;</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">O abandono promove um dos sentimentos mais ameaçadores da existência humana, a solidão. Princípios básicos na condição de sermos bichos humanos nos insere no arranjo social, enquanto mamíferos precisamos de um bando, outros alguéns que nos cuide e nos ampare no desenvolvimento de uma vida inteira, não haverá fase existencial que seremos inteiramente autônomos, a ponto de dispensarmos o contato com outro Ser da mesma espécie, se assim acontecer, a sentença de aniquilação está posta, nem que seja da consciência de si.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na tradição Iorubá narra-se a história de Omolu ou Obaluaê, que ao nascer com o corpo coberto de chagas, foi abandonado junto ao mar por sua mãe Nanã, Orixá mais velha que rege os manguezais, encontrado por Iemanjá, que ao vê-lo desprotegido e bastante machucado pelos caranguejos, o lavou com suas águas salgadas e folhas. O menino foi crescendo e escondia-se por ter o corpo cheio de marcas e cicatrizes, até que uma festividade estava para acontecer e então Ogun teve a brilhante ideia de cobrir o corpo de Omolu com palhas, pois isso o ajudaria com a vergonha que sentia de se expor e garantiria a sua ida a festa, chegando lá, um tão constrangido com tantas pessoas ficou reservado, vendo aquela cena, Iansã soprou seu vento sobre ele, e ao dançar, pipocas foram saindo das palhas e todos celebraram, pois muitos alcançaram curas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;A cosmo visão africana nos convida a entender diversos aspectos da importância da comunidade a sobrevivência, pois mesmo que o abandono nos atravesse, e nesse caso, podemos pontuar que a mãe Nanã possivelmente não tinha condições emocionais de cuidar do filho com aquela aparência, se atualizarmos para contemporaneidade, seria sugestivo dizer que ela pode ter vivido o que chamamos de depressão pós parto, assim como temos margem para falarmos do desamparo que bebês com má formação costumam viver, assim como se constrói a masculinidade hegemônica, que aos homens não é dado o cuidado e a permissão de viver plenamente suas emoções e desenvolver uma relação saudável com seus corpos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Enfim, temos múltiplos caminhos e neles também nos encontramos com a organização coletiva que as tecnologias ancestrais indígenas traz sobre ser necessário uma Aldeia para cuidar de uma criança, Iemanjá que é conhecida por ser mãe de todas as cabeças, Orí, na tradição africana, ela assume o papel que uma outra mãe não pôde desempenhar e aqui podemos simbolizar a função do maternar, que pode ser exercida por qualquer adulto disponível ao cuidado e garantias de sobrevivência de uma criança.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">É sensato dizer que arranjos sociais desarticulados do cumprimento genuíno desse cuidado, deixam marcas profundas na personalidade de uma pessoa, e o Itan é honesto em trazer como é a postura de Obaluaê na vida, mais retraído, fechado, sem interações espalhafatosas, o que me faz lembrar da descrição que aparece em Pele Negra, Máscaras Brancas, de Frantz Fanon, que descreve assim:</p>



<p class="wp-block-paragraph">”Ah! Essas lágrimas de criança que não tem ninguém para a consolar&#8230; Ele não esquecerá jamais que o colocaram desde cedo no aprendizado da solidão&#8230; Existência enclausurada, existência voltada para si mesmo e reclusa, em que aprendi cedo demais a meditar e a refletir. Vida solitária que, ao longo do tempo, se emociona demais por qualquer coisinha&#8230;Sensível interiormente por causa de vocês, incapaz de exteriorizar minha alegria ou minha dor, rejeito tudo que amo e me desvio, apesar de mim, de o tudo que me atrai.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fanon cunha a Neurose de Abandono como uma condição existência que gera sofrimento psíquico e produz um impacto relacional importante, pois o abandônico, como ele chama, é aquele que precisa de provas reinteradas de afeto e sempre desconfia que será deixado novamente. Apesar disso, o autor nos faz esperançar ao dizer que há outras formas possíveis e nelas implicam uma recriação de mundo e penso que nele precisaremos de coragem para quebrar o cárcere de uma vida solitária, a qual a solidão nos enjaulou na tentativa de roubar a nossa humanidade, se tornou a vivência que a nossa neurofisiologia ficou acostumada a reconhecer como forma de estar na vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pensando nisso, desenvolvi um trabalho para falar sobre Abandono fundamentado no Itan africano e na Neurose de Abandono de Frantz Fanon, com base no cuidado clínico que desenvolvo nesses 7 anos como psicóloga, acredito que o bom cumprir do cuidado, independente de quem tenha sido a figura social a desempenhar, restabelece a pele que faltou no desamparo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Laíse Brito é psicóloga (CRP 03/19361) e publica em @psilaisebrito. O trabalho descrito neste texto é conduzido por ela em encontro online no dia 29 de agosto, das 9h às 12h. As inscrições são feitas pelo telefone (71) 98866-7887, e a participação custa R$ 113.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>23 de agosto: o vodu e a independência do Haiti</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/vodu-independencia-haiti-revolucao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 23 Aug 2026 14:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[OPINIÃO]]></category>
		<category><![CDATA[Antirracismo]]></category>
		<category><![CDATA[haiti]]></category>
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		<category><![CDATA[revolucao haitiana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Conheça como o vodu reuniu revoltosos em 1791 e impulsionou a Revolução Haitiana, marco histórico da luta contra a escravidão.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Por Hédio Silva &#8211; Advogado e presidente do Idafro e JusRacial</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">O <strong>vodu</strong>, religião de matriz africana, foi o estopim da revolta de escravizados que, a partir de 23 de agosto de 1791, enfrentou o domínio colonial francês em São Domingos e deu início ao processo revolucionário que culminaria na fundação da <strong><a href="https://mundonegro.inf.br/o-haiti-esta-aqui/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">República do Haiti</a></strong>, primeiro país independente da América Latina e do Caribe a abolir definitivamente a escravidão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O vodu foi essencial para cimentar uma identidade comum e agregar diferentes grupos étnicos, lideranças e revoltosos. Foi durante uma cerimônia conhecida como Bwa Kayiman (ou Bois Caïman), liderada pelo sacerdote <strong>Dutty Boukman</strong>, que milhares de revoltosos se mobilizaram para iniciar ataques, incendiar plantações, libertar escravizados e enfrentar os senhores de engenho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Morto em combate, Dutty Boukman, o <strong>Feiticeiro Negro</strong>, tornou-se um dos primeiros grandes líderes da Revolução Haitiana. Depois dele, ganharam protagonismo nomes como <strong>Toussaint Louverture</strong>, um dos maiores revolucionários das Américas, e, posteriormente, o lendário <strong>Jean-Jacques Dessalines</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Juntos, os chamados <strong>jacobinos negros </strong>enfrentaram e derrotaram o poderio militar francês. Em 1º de janeiro de 1804, consolidava-se a independência do Haiti, resultado da primeira revolução vitoriosa da história moderna conduzida por pessoas escravizadas contra o sistema colonial e escravista.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A independência haitiana, que completa 222 anos em 2026, não pode ser compreendida sem reconhecer o poder agregador, a resistência e a capacidade transformadora das religiões de matriz africana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na década de 1990, o dia 23 de agosto foi instituído pela Unesco como <strong>Dia Internacional em Memória do Tráfico de Escravos e sua Abolição</strong>, em referência ao início da insurreição de 1791 e em memória das milhões de pessoas vitimadas pelo tráfico transatlântico de africanos escravizados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A história da <strong>Revolução Haitiana</strong> ajuda a compreender por que racistas e genocidas temem tanto nossas religiões: elas carregam autonomia de pensamento, altivez, insubmissão, resistência e libertação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E, parafraseando <strong>Gilberto Gil </strong>e Caetano Veloso: “E todos sabem como se tratam os pretos (…) “O Haiti é aqui. O Haiti não é aqui.”</p>



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		<title>A histórica Geni de Valéria Barcellos; como a escalação da atriz trans e negra amplia a História do maior musical brasileiro</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/historica-geni-valeria-barcellos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Aug 2026 09:25:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[OPINIÃO]]></category>
		<category><![CDATA[chico buarque]]></category>
		<category><![CDATA[cultura negra]]></category>
		<category><![CDATA[instagram]]></category>
		<category><![CDATA[jorge farjalla]]></category>
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		<category><![CDATA[representatividade trans]]></category>
		<category><![CDATA[teatro musical]]></category>
		<category><![CDATA[valeria barcellos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Valéria Barcellos brilha como Geni na nova montagem de Ópera do Malandro. Veja como a escalação da atriz trans amplia a história do clássico musical.</p>
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<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Por: Luh Maza</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta coluna tem como eixo principal a curadoria. Escolha a recomendação cuidadosa de obras e artistas a conhecer e seguir. Então, aqui vai uma indicação imperdível para todos que estiverem no Rio de Janeiro: a remontagem do maior musical brasileiro: <strong>Ópera do Malandro</strong>, em uma encenação autoral do diretor Jorge Farjalla (Clara Nunes &#8211; A Tal Guerreira; Brilho Eterno) com Valéria Barcellos (Titaníque; A Palavra Que Resta) brilhando no elenco como Geni. </p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="768" src="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/08/02Geni_Divulgacao_Priscila_Prade_2-1024x768.png" alt="" class="wp-image-98215" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/08/02Geni_Divulgacao_Priscila_Prade_2-1024x768.png 1024w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/08/02Geni_Divulgacao_Priscila_Prade_2-300x225.png 300w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/08/02Geni_Divulgacao_Priscila_Prade_2-150x113.png 150w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/08/02Geni_Divulgacao_Priscila_Prade_2-768x576.png 768w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/08/02Geni_Divulgacao_Priscila_Prade_2-560x420.png 560w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/08/02Geni_Divulgacao_Priscila_Prade_2-80x60.png 80w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/08/02Geni_Divulgacao_Priscila_Prade_2-696x522.png 696w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/08/02Geni_Divulgacao_Priscila_Prade_2-265x198.png 265w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/08/02Geni_Divulgacao_Priscila_Prade_2.png 1040w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Divulgação/Priscila Prade</figcaption></figure>



<h2 id="h-sobre-a-opera" class="wp-block-heading"><strong>Sobre a Ópera</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Chico Buarque escreveu o musical em 1978, encerrando um ciclo precedido por outras joias como Gota d’Água, Roda Viva e Calabar. Ele se inspirou na Ópera dos Mendigos de John Gay, mas, principalmente, em A Ópera dos Três Vinténs de Bertold Brecht, misturando a sátira política alemã dos anos 1920 ao Brasil corrupto e melodramático, com o Rio de 1940 de pano de fundo, com malandros-heróis e prostitutas como mocinhas. </p>



<p class="wp-block-paragraph">A montagem original, dirigida por Luís Antônio Martinez Corrêa, trazia a então companheira de Chico, Marieta Severo, como Teresinha, e uma exuberante Elba Ramalho, como Lúcia, as duas responsáveis pela primeira versão de uma das canções que transcenderam da dramaturgia à música popular brasileira: “O Meu Amor”. Uma, herdeira de um bordel, outra, profissional do sexo. O amor? O contraventor Max Overseas (Otávio Augusto) &#8211; herói dessa tragicomédia. </p>



<h2 id="h-geni-a-pioneira" class="wp-block-heading"><strong>Geni, a pioneira</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Entre tantas audácias para o Brasil sob a Ditadura Militar, Chico guardava uma surpresa que só seria revelada na estreia: a travesti Geni &#8211; personagem com nome feminino para uma voz tida como “masculina”. Mais: memórias de Madame Satã (1900–1976) também inspiraram Chico, o que nos ajuda a compreender a personagem como travesti, à luz da iconografia da época.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Geni não é uma personagem pequena; ela é amiga do “mocinho” e convive com o “vilão”, tendo função dramática fundamental para a resolução da trama principal. Mais: Geni tem um momento só seu, um à parte de toda estrutura da história de amor protagonista, para narrar seu passado: “Geni e o Zepelim”, outra música que atravessou o teatro para gravações da MPB.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O refrão, “joga pedra na Geni”, sintetiza a voz da sociedade moralista e hipócrita que hostiliza a personagem até ser ameaçada pelo comandante de um zepelim que escolhe justamente Geni. Ela se torna a salvação de todos, mas depois da partida do veículo prateado, volta a ser violentada, apedrejada. Uma analogia sobre como boa parte do mundo ainda trata pessoas à margem de uma dita “normatividade”. Uma das primeiras representações trans na dramaturgia brasileira, Geni ainda hoje é poderosa e muito necessária.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O anúncio de uma nova montagem do clássico, dessa vez pelas mãos de Jorge Farjalla, despertou frisson com a pergunta “Quem será Geni?”. Sabendo do bom senso dos envolvidos, pela primeira vez, não veríamos um “transfake” (quando um ator cisgnênero interpreta uma personagem trans). E de fato, é impressionante e emocionante a generosa quantidade de excelentes atrizes e cantoras trans no Brasil hoje, aumentando a dúvida.</p>



<h2 id="h-o-encontro-de-valeria" class="wp-block-heading"><strong>O encontro de Valéria</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo a atriz e cantora gaúcha Valéria Barcellos, ela própria procurou o diretor se apresentando como alguém que se preparou durante toda vida para viver a personagem. O movimento assertivo é digno de uma Geni! Mas acho que esse encontro já estava predestinado: na internet, há uma emocionante gravação ao vivo, de 2022, mostra Valéria, acompanhada pelo violão de Rafael Erê, construindo toda história de Geni só com sua voz teatral e suas emoções mais sinceras. <br><br>Anos depois, no palco, Valéria é senhora como Geni. Confortável, flui com graça pelo texto e joga de igual para igual com os parceiros de cena como Totia Meireles e José Loreto (Vitória Régia e Max). Valéria tem frescor próprio em uma encenação de tons circenses. É aquela que deixa entrever a melancolia do palhaço. Uma atuação e voz maduras que a posicionam como uma das grandes atrizes dos musicais brasileiros. Na bem sucedida encenação de Farjalla &#8211; que mescla elementos da farsa e da religiosidade afro -, Valéria Barcellos é o maior destaque. </p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="853" height="1024" src="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/08/03Geni_Divulgacao_GattuFilmes-1-853x1024.png" alt="" class="wp-image-98218" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/08/03Geni_Divulgacao_GattuFilmes-1-853x1024.png 853w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/08/03Geni_Divulgacao_GattuFilmes-1-250x300.png 250w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/08/03Geni_Divulgacao_GattuFilmes-1-125x150.png 125w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/08/03Geni_Divulgacao_GattuFilmes-1-768x922.png 768w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/08/03Geni_Divulgacao_GattuFilmes-1-350x420.png 350w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/08/03Geni_Divulgacao_GattuFilmes-1-150x180.png 150w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/08/03Geni_Divulgacao_GattuFilmes-1-300x360.png 300w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/08/03Geni_Divulgacao_GattuFilmes-1-696x836.png 696w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/08/03Geni_Divulgacao_GattuFilmes-1.png 1000w" sizes="(max-width: 853px) 100vw, 853px" /><figcaption class="wp-element-caption">Fotos: Divulgação/Gattu Filmes</figcaption></figure>



<h2 id="h-uma-geni-historica" class="wp-block-heading"><strong>Uma Geni histórica</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">E o diretor demonstra consciência política de seu tempo, dando uma dimensão ainda maior a presença de Geni, tornando seu número o ponto mais alto da jornada do espetáculo. Se, em diferentes momentos, Farjalla baseia sua estrutura num número de canção em paralelo à representação cênica do que é cantado, em “Geni e o Zepelim” essa linguagem alcança a apoteose.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Valéria surge altiva e vulnerável com uma qualidade vocal irrepreensível. O excelente arranjo de Gui Leal segue o original, mas o adapta com precisão à voz de Valéria, mantendo a clareza na comunicação de cada palavra &#8211; algo fundamental para o teatro musical. Também é belo o trabalho com a percussão mais ao final e o coro a capella. “Geni e o Zepelim”, com uma rasgante Valéria Barcellos, merece uma gravação &#8211; na verdade toda esta Ópera do Malandro.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Chegando mesmo a tremular a bandeira trans em cena como ao fim de uma guerra, a cena causa tamanha catarse que, no dia que assisti, algumas pessoas &#8211; eu me incluo &#8211; aplaudiram de pé o número protagonizado por Valéria e seu duplo, a Geni jovem que representa a canção com a trupe, Marina Mathey. Aqui também é preciso destacá-la: sua máscara facial e partitura física expressam toda ingenuidade, medo, dor e resignação. Marina também é a eventual substituta de Valéria como Geni e tem um humor cheio de picardia em sua cena como Dorinha Tubão.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1024" height="684" src="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/08/04Geni_Divulgacao_GattuFilmes-1024x684.jpg" alt="" class="wp-image-98217" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/08/04Geni_Divulgacao_GattuFilmes-1024x684.jpg 1024w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/08/04Geni_Divulgacao_GattuFilmes-300x200.jpg 300w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/08/04Geni_Divulgacao_GattuFilmes-150x100.jpg 150w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/08/04Geni_Divulgacao_GattuFilmes-768x513.jpg 768w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/08/04Geni_Divulgacao_GattuFilmes-629x420.jpg 629w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/08/04Geni_Divulgacao_GattuFilmes-696x465.jpg 696w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/08/04Geni_Divulgacao_GattuFilmes-1068x713.jpg 1068w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/08/04Geni_Divulgacao_GattuFilmes.jpg 1536w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Fotos: Divulgação/Gattu Filmes</figcaption></figure>



<h2 id="h-mais-por-ai" class="wp-block-heading"><strong>Mais por aí</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Outra presença recentes da personagem foi na Mini Ball da Geni (dirigida por esta autora) onde, interpretada Olívia Lopes, Geni se tornou Mestre de Cerimônias de um concurso da cultura Ballroom na Biblioteca Mário de Andrade e no CPT &#8211; Centro de Pesquisa Teatral do Sesc, em São Paulo. E vem mais por aí: o aguardado filme Geni e o Zepelim (dirigido por Anna Muylaert), após polêmicas, traz a atriz trans e negra Ayla Gabriela como Geni, ao lado do Comandante, vivido por Seu Jorge. </p>



<h2 id="h-servico-nbsp" class="wp-block-heading"><strong>Serviço&nbsp;</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Ópera do Malandro</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quinta, Sexta e Sábado às 20h00, Sábado às 16h00, Domingo às 15h30 e 19h30<br>Teatro Multiplan &#8211; VillageMall &#8211; Av. das Américas, 3900 &#8211; Barra da Tijuca &#8211; Rio de Janeiro/RJ<br>Ingressos entre R$ 25 e R$ 350<br>Sympla:<a href="https://bileto.sympla.com.br/event/122813/d/394821"> https://bileto.sympla.com.br/event/122813/d/394821</a><br>Até 30/08<br><br><em>* Luh Maza é dramaturga e cineasta. Escreveu críticas de arte entre 2009 e 2012 para veículos como o Caderno Teatral e o portal Yahoo! Brasil. Integra a dissertação de mestrado da UFRGS: “Aspectos da crítica teatral brasileira na era digital”, de Helena Maria Mello. Também foi jurada do Prêmio Shell de Teatro no biênio 2022-2023, como primeira pessoa trans no Brasil e primeira pessoa negra em São Paulo. Foi curadora nas secretarias de cultura de São Paulo e Curitiba, no SESI, na MIT-SP, entre outras instituições, mostras e festivais de teatro e audiovisual. <strong><br></strong></em></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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