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	<title>(MN) Redação, Autor em Mundo Negro</title>
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	<description>Uma mídia negra diferente!</description>
	<lastBuildDate>Mon, 08 Jun 2026 21:01:10 +0000</lastBuildDate>
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		<title>banquete na encruzilhada ou quem tem medo da curadoria negra?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Jun 2026 17:26:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Abdias do Nascimento]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por: osmar paulino &#8211; curador negro e, junto a Jo&#227;o Teodoro (na foto), fundou o Projeto GRO&#160; minha fia uma curadoria de arte &#233; sobretudo uma comunica&#231;&#227;o de mundo, pautada na experi&#234;ncia subjetiva e objetiva do sujeito que a exercita. com isso, temos a materializa&#231;&#227;o de ideologia ou vis&#245;es de mundo expressos em forma de [&#8230;]</p>
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<p><em><strong>Por: osmar paulino &#8211; curador negro e, junto a João Teodoro (na foto), fundou o Projeto GRO </strong></em></p>



<p>minha fia uma curadoria de arte é sobretudo uma comunicação de mundo, pautada na experiência subjetiva e objetiva do sujeito que a exercita. com isso, temos a materialização de ideologia ou visões de mundo expressos em forma de discurso nas exposição. portanto, toda vez que alguém entra em uma exposição de arte, ela esta sendo exposta a uma visão de mundo a qual o artista e o curador pertence. ou seja, ela esta tendo sua imaginação, sua subjetividade alimentada por ideias.&nbsp;</p>



<p>dito isto, é importante ressaltar que os museu e galeria de arte sempre foi negados a população negra no geral, por que eles foram espaço criados para sustentar a ideia de mundo da elite social e sua lógica liberal. e quem sempre trabalhou, de maneira escrava e precarizada, para criar este mundo liberal foi a população negra no brasil. vide que o <strong>dr. abdias do nascimento</strong> já apontou no livro <strong>“o genocídio do povo negro” </strong>que o papel do negro escravo foi decisivo para o começo da história econômica de um país fundado, como era o caso do brasil, sob o signo do parasitismo imperialista. </p>



<p>passado, mais de um século da conhecida abolição da escravidão o que vemo no brasil é um número nunca antes de artista visuais e curadores negro, mas eles não estão institucionalizado como aponta o mapeamento feito pela<strong> professora e curadora luciara ribeiro</strong> presente no site do projeto afro. ou seja, a elite brasileira que controla os museu do pais, continua contando a historia, a visão, e a perspectiva do herói branco, com isso alimentando a construção  tacanha do imaginário social brasileiro.        </p>



<p>mas o que uma exposição de arte com curadoria negra pode oferecer? um banquete na encruzilhada.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="683" height="1024" src="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/Joao-Teodoro-Autoretrato-683x1024.jpg" alt="" class="wp-image-95990" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/Joao-Teodoro-Autoretrato-683x1024.jpg 683w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/Joao-Teodoro-Autoretrato-200x300.jpg 200w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/Joao-Teodoro-Autoretrato-100x150.jpg 100w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/Joao-Teodoro-Autoretrato-768x1151.jpg 768w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/Joao-Teodoro-Autoretrato-280x420.jpg 280w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/Joao-Teodoro-Autoretrato-150x225.jpg 150w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/Joao-Teodoro-Autoretrato-300x450.jpg 300w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/Joao-Teodoro-Autoretrato-696x1043.jpg 696w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/Joao-Teodoro-Autoretrato.jpg 854w" sizes="(max-width: 683px) 100vw, 683px" /></figure>



<p>encruzilhada é um lugar de encontro de múltiplo caminhos, onde a coexistência e o co-habitar é a chave para o desenvolvimento do bem viver. não há apenas uma história a ser contada, mas a possibilidade de todas elas se cruzarem apontando para uma horizontalidade que permita a humanização dos seres sociais e por que não ambientais&nbsp; e animais que compõem um país. o nome disso é biointeração como apontou nosso mestre nego bispo.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p>no final do mês de maio e no início de junho a exposição <strong>“mãe preta erveira” </strong>que acontecia na <strong>câmara municipal de vereadores do rio de janeiro</strong>, com curadoria de <strong>marina alves</strong> e a exposição <strong>“funk: um grito de ousadia e liberdade”</strong> que acontecia no <strong>museu da língua portuguesa em são paulo </strong>com curadoria de <strong>renata prado</strong>, foram censurada. duas censura, interdição não só das exposição mas da possibilidades de existência, através da alimentação do imaginário positivo, de outros atores sociais, negros e indígenas, que não compõe em sua maioria a camada mais enriquecida no brasil que é ocupada por pessoas branca.   </p>



<p>ça moço, diante disso tudo, quem tem medo da curadoria negra? aqueles que quer manter tudo como está. que quer contar a história excluindo nós, os preto os indigena. por que o que nós está fazendo é alimentando a fome de um país inteiro que não se conhece direito. estamo por tradição fazendo dos museu e galeria um quintal-terreiro-encruzilhada e servindo um banquete. <br></p>
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		<title>A publicidade procura estrategistas, mas continua ignorando a maior escola de estratégia do país: a periferia </title>
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		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Jun 2026 16:03:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[cultura periférica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por: Let&#237;cia Sotero Recentemente, passei um fim de semana na casa da minha m&#227;e, em uma periferia de Salvador. Em um daqueles dias comuns, sem grandes acontecimentos, sa&#237;mos para comprar os ingredientes do almo&#231;o. A primeira pergunta parecia simples:&#160;&#8220;O que vamos comer hoje?&#8221;&#160; A partir dali, come&#231;ou uma sequ&#234;ncia de decis&#245;es que me fez pensar [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong><em>Por: Letícia Sotero</em></strong></p>



<p>Recentemente, passei um fim de semana na casa da minha mãe, em uma periferia de <strong>Salvador</strong>. Em um daqueles dias comuns, sem grandes acontecimentos, saímos para comprar os ingredientes do almoço. A primeira pergunta parecia simples:&nbsp;&#8220;O que vamos comer hoje?&#8221;&nbsp;</p>



<p>A partir dali, começou uma sequência de decisões que me fez pensar sobre algo que o mercado da comunicação ainda não conseguiu compreender. Seguíamos para a primeira compra quando minha mãe interrompeu o caminho.&nbsp;&#8220;Não vamos por esse lado não. Está cheio de polícia.&#8221;&nbsp;</p>



<p>Mudamos a rota. Fizemos um caminho mais longo, recalculamos o percurso sem sequer discutir a decisão. Foi automático. Quem vive em determinados territórios aprende desde cedo que chegar ao mesmo lugar nem sempre significa seguir pelo mesmo caminho. Pouco depois, percebemos que faltava um ingrediente importante para a receita.&nbsp;&#8220;Não precisa. Vou inventar uma coisa aqui e vai dar certo.&#8221;&nbsp;E deu!&nbsp;Não porque fosse sorte, ou improviso, deu certo porque aquela solução já existia no repertório de quem passou anos aprendendo a fazer muito com pouco.&nbsp;</p>



<p>Mais tarde, minha irmã chegou do trabalho por uma rua diferente da habitual.&nbsp;&#8220;Vim por cima hoje. O ônibus demorou demais e eu precisava chegar antes das cinco. Ainda tenho aula de inglês.&#8221;&nbsp;</p>



<p>Mais uma escolha, uma adaptação, uma decisão tomada a partir da leitura do contexto. Naquele momento, comecei a perceber que havia passado o dia inteiro observando pessoas fazendo aquilo que o mercado costuma chamar de pensamento estratégico. Sem reuniões, sem apresentações de PowerPoint, sem metodologias sofisticadas, sem usar uma única vez a palavra estratégia.&nbsp;</p>



<p>Há alguns anos participei de uma formação voltada para estratégia de marcas, produtos e negócios, e aprendi que toda estratégia nasce de um problema, real ou percebido. No fundo, tudo se resume a uma pergunta: como resolvemos isso? Foi quando uma constatação me atravessou; Grande parte das pessoas com quem cresci já praticava pensamento estratégico muito antes de entrar em uma universidade, em uma agência ou em uma sala de treinamento corporativo.&nbsp;</p>



<p>Dependendo de onde você vem, aprende a desenvolver competências que muitas vezes nem percebe que possui.&nbsp;Quem cresce na abundância aprende determinadas habilidades, quem cresce na escassez aprende outras.&nbsp;</p>



<p>Na periferia, frequentemente somos treinados para antecipar problemas antes mesmo que eles aconteçam, se começa a chover, é preciso proteger o sapato que talvez seja o único disponível para trabalhar, estudar e circular pela cidade, se há uma operação policial no bairro, é preciso encontrar caminhos alternativos que garantam segurança, se falta um ingrediente, a receita muda, se o ônibus atrasa, a rota muda. Se o dinheiro não chega até o fim do mês, as prioridades mudam, a vida muda e nós mudamos junto com ela.&nbsp;</p>



<p>O que muita gente chama de sobrevivência talvez seja, na verdade, uma das formas mais sofisticadas de estratégia que existem, porque tudo isso exige leitura de contexto, adaptação rápida, capacidade de prever cenários, gerenciamento de recursos escassos e tomada de decisão sob pressão. Em qualquer agência de publicidade, consultoria de negócios ou laboratório de inovação, essas características seriam vistas como competências altamente desejáveis, mas quando elas vêm da periferia costumam receber outro nome: necessidade.&nbsp;</p>



<p>Talvez esse seja um dos pontos cegos mais persistentes da comunicação brasileira. O mercado procura estrategistas o tempo inteiro, procura pessoas capazes de resolver problemas complexos, identificar oportunidades e compreender comportamentos humanos, ao mesmo tempo, continua ignorando uma das maiores escolas de estratégia do país: a periferia.&nbsp;</p>



<p>Porque a estratégia não nasce apenas em salas de reunião, cursos de especialização ou frameworks importados, ela nasce no ponto de ônibus, nas feiras livres, nas cozinhas, nas vielas, nas casas onde a criatividade precisa ocupar o espaço que o dinheiro não consegue preencher. Existe uma inteligência construída pela experiência, uma sofisticação cognitiva produzida pela escassez, um conhecimento que dificilmente aparece nos currículos, mas que se manifesta diariamente na forma como milhões de pessoas organizam suas vidas.&nbsp;</p>



<p>O geógrafo <strong><a href="https://hubmundonegro.substack.com/p/100-anos-de-milton-santos-o-homem" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Milton Santos</a></strong> defendia que os territórios populares produzem suas próprias formas de conhecimento e inovação. Faz sentido. Poucas pessoas precisam interpretar contextos com tanta rapidez quanto aquelas que vivem em ambientes marcados pela instabilidade. Por isso, talvez seja hora de revisarmos uma narrativa que acompanha a pobreza há décadas. O pobre não é apenas um sobrevivente, e antes de sobreviver, ele precisa pensar possibilidades, precisa observar, antecipar, negociar, adaptar, reorganizar, criar alternativas e tomar decisões com informações incompletas e recursos limitados.Todos os dias. Viver na pobreza ou na escassez é, em muitos aspectos, uma experiência antropológica profunda, desenvolvendo uma percepção aguçada sobre pessoas, territórios, riscos e oportunidades. É aprender a mudar a rota sem abandonar o destino, é por muitas vezes criar caminhos onde aparentemente não existem caminhos.</p>



<p>E talvez esteja justamente aí uma das competências mais valiosas para a comunicação contemporânea, porque marcas, produtos e serviços precisam entender pessoas antes de vender para elas e quem passou a vida encontrando soluções em cenários complexos carrega uma bagagem que nenhuma metodologia, sozinha, é capaz de ensinar.&nbsp;</p>



<p>A periferia não é apenas um lugar onde se consome comunicação, é um lugar onde se produz estratégia todos os dias.&nbsp;</p>



<p>Talvez a publicidade esteja procurando estrategistas nos lugares errados.</p>
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		<title>Mês do Orgulho: o Pajubá nasceu no terreiro. Um território de acolhimento num país que ainda insiste em excluir</title>
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		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 06 Jun 2026 17:29:57 +0000</pubDate>
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<p><strong><em>Por: Rodrigo França </em></strong></p>



<p>Antes que a crítica apressada tente reduzir essa afirmação a idealização, é preciso situar de onde ela parte. Não se trata de negar que existam terreiros atravessados por exclusões, muitas vezes reproduzindo uma lógica colonial, cristianizada e normativa que não nasce nesses espaços, mas os contamina. Ainda assim, historicamente, o que se observa é outra coisa: para grande parte da população LGBTQIAPN+, sobretudo travestis e pessoas trans, os terreiros foram e seguem sendo território de possibilidade, onde nome, expressão e existência não precisavam de autorização externa para haver respeito. É dessa maioria silenciosa, dessa prática cotidiana de acolhimento, que esse texto fala.</p>



<p>Tem uma história sendo mal contada no Brasil, silenciada, e não é por falta de informação. É por escolha mesmo. O Pajubá virou meme, virou trilha sonora de vídeo curto, virou estética. Só que ele nunca foi só isso. Antes de qualquer coisa, foi um acordo silencioso entre pessoas que precisavam sobreviver.</p>



<p>Quando travestis negras começaram a circular esse vocabulário nas ruas, principalmente entre as décadas de 60 e 80, não era para criar identidade cool. Era para escapar. Para avisar que a polícia estava chegando. Para nomear perigo sem chamar atenção. Para existir em grupo sem se expor completamente. Isso muda tudo. Isso tira o Pajubá do lugar de curiosidade e coloca no lugar de estratégia. E esse ponto é incômodo, porque ele desmonta uma fantasia muito conveniente: a de que a cultura LGBT nasce na mídia ou nos centros urbanos brancos. Não nasce. Ela é forjada na margem, muitas vezes por pessoas negras, pobres, expulsas de casa, e que encontraram nos terreiros algo que o resto da sociedade negava.</p>



<p>Os terreiros nunca foram esse espaço homogêneo e conservador que hoje tentam pintar em alguns debates apressados. Muito antes de existir discussão acadêmica sobre identidade de gênero, já existia prática. Já existia convivência. Já existia respeito. Nome social não era pauta, era uso cotidiano. Roupa não era problema, era expressão. E isso não vinha de uma lógica militante moderna, vinha de outra compreensão de mundo, onde a existência de cada um não precisava ser validada por norma externa para ser legítima. Dizer isso hoje parece quase provocação, porque o debate público resolveu redescobrir as pessoas trans como se fossem uma novidade recente, e pior, como se fossem um problema a ser resolvido dentro de espaços religiosos. Só que, dentro de muitos terreiros, isso simplesmente nunca foi uma questão nesses termos.</p>



<p>Isso não significa romantizar tudo. Terreiro também é atravessado por contradições, por disputas, por influência de uma sociedade que é estruturalmente transfóbica e racista. Ignorar isso seria ingênuo. Mas é desonesto fingir que não existiu, e ainda existe, uma tradição de acolhimento que antecede esse debate raso que vemos hoje.</p>



<p>Quando você olha para a história com um pouco mais de rigor, percebe outra coisa: os terreiros funcionaram e ainda funcionam como espaços de reorganização social. Não à toa, muita gente os compara a quilombos. Não no sentido romantizado, mas no sentido político mesmo. Lugares onde pessoas expulsas de outros sistemas encontram possibilidade de reconstrução de vida. E aí lembrar de Palmares não é só fazer referência histórica bonita. Quilombo dos Palmares não era um espaço homogêneo, nem puro. Era um território de convergência. Gente diferente, com trajetórias distintas, unida por um princípio básico: sobreviver e construir outra forma de existir. Quem chegava com esse propósito, ficava.</p>



<p>Talvez seja isso que mais incomode quando a gente fala de Pajubá, de terreiro e de população trans na mesma frase. Porque essa história mostra que o Brasil já teve, e ainda tem em alguns cantos, formas de convivência mais complexas e mais avançadas do que o discurso dominante gosta de admitir.</p>



<p>O que a gente fez com esse legado? Transformou em conteúdo. Em bordão. Em estética despolitizada. Enquanto isso, as mesmas pessoas que sustentaram essa linguagem seguem sendo as mais expostas à violência, inclusive institucional. Se for para falar de Pajubá no mês da Consciência LGBTQIAPN+, talvez o mínimo de honestidade seja esse: parar de tratar como curiosidade cultural e começar a tratar como arquivo de resistência. E mais do que isso, reconhecer de onde veio. Porque quando você usa a palavra e despreza a origem, você não está celebrando cultura. Você está consumindo sem compromisso.</p>
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		<title>Luciano Quirino vive grande fase na carreira: vilão em &#8220;A Nobreza do Amor&#8221;, filme sobre caso Elize Matsunaga e novo espetáculo no teatro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 Jun 2026 12:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[atores negros]]></category>
		<category><![CDATA[instagram]]></category>
		<category><![CDATA[luciano quirino]]></category>
		<category><![CDATA[nobreza do amor]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Entre a televis&#227;o, o cinema e os palcos, Luciano Quirino vive um dos momentos mais produtivos da carreira. Na novela das 18h, &#8220;A Nobreza do Amor&#8221;, o ator d&#225; vida a Pascoal, um perigoso mercen&#225;rio que chega &#224; trama aplicando um golpe no rei de Batanga e logo se torna o bra&#231;o direito de Jendal [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Entre a televisão, o cinema e os palcos,<strong> Luciano Quirino </strong>vive um dos momentos mais produtivos da carreira. Na novela das 18h, &#8220;A Nobreza do Amor&#8221;, o ator dá vida a Pascoal, um perigoso mercenário que chega à trama aplicando um golpe no rei de Batanga e logo se torna o braço direito de Jendal (Lázaro Ramos) nas maldades. Mas a novela é só uma das frentes de um artista que também está no elenco de um filme sobre o caso Elize Matsunaga e prepara o retorno aos palcos no segundo semestre.</p>



<p>Quem acompanha a trama vê em Jendal uma figura ambiciosa, calculista e com sede de poder, vilania compartilhada com a filha, Kênia (Nykolly Fernandes), e agora reforçada por Pascoal. Estratégico, observador e quase silencioso, o personagem chega ao núcleo principal carregando relações tensas, marcadas por manipulações e jogos de interesse.</p>



<p>&#8220;Pascoal é um homem que chega de fora, mas rapidamente entende o jogo de poder daquele reino&#8221;, conta o ator. &#8220;Ele é extremamente perigoso, não é um vilão impulsivo. Pensa, calcula, articula, e isso o torna ainda mais assustador.&#8221; Para compor o personagem, Quirino buscou referências na ficção misturadas a um traço contemporâneo. &#8220;Busquei como referência personagens clássicos que operam na sombra, como Iago, de Otelo, e até figuras mais populares como o Jafar, de &#8216;Aladdin&#8217;, já que Pascoal traz esse ar de mistério e seu figurino remete a alguns do clássico vilão de &#8216;Aladdin&#8217;, mas sempre trazendo para uma construção própria, mais humana e brasileira&#8221;, explica.</p>



<p>Segundo o ator, dar vida ao mercenário tem sido um exercício de mergulhar em territórios novos. &#8220;Tem sido um desafio muito instigante. O Pascoal me provoca a explorar novas camadas como ator, acessar lugares mais sombrios e compreender uma lógica completamente diferente daquilo que eu vinha fazendo até aqui. Fazer um vilão exige que você defenda ideias que, muitas vezes, são moralmente questionáveis, mas o segredo é nunca o julgar. Ele acredita no que faz e a diferença está justamente aí: encontrar a lógica interna daquele comportamento&#8221;, afirma.</p>



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<p>Por estar no núcleo central da novela, Quirino divide muitas cenas com Lázaro Ramos, parceria que ele define como &#8220;muito potente&#8221;. &#8220;O Lázaro é um ator extremamente generoso, inteligente em cena, e isso eleva o jogo. A gente cria uma dinâmica de tensão e cumplicidade que movimenta a trama&#8221;, destaca.</p>



<p>A trama também rendeu um reencontro: o ator volta a contracenar com André Luiz Miranda, com quem trabalhou em &#8220;Dona Beja&#8221;, da HBO Max. Os dois integram o núcleo da cidade fictícia de Batanga, agora em posições opostas. &#8220;Tivemos a oportunidade de contracenar, mas agora em lados opostos, ele como mocinho e eu como vilão. Isso cria uma tensão muito interessante em cena, porque existe uma conexão anterior entre nós, mas dentro da história somos adversários&#8221;, detalha.</p>



<p>Em &#8220;Dona Beja&#8221;, reedição da novela que se popularizou em 1986, Quirino interpreta Mendonça, pai do personagem de André Luiz Miranda. Ele descreve o papel como &#8220;um homem de época, porém atravessado por sentimentos muito profundos&#8221;, que vive conflitos intensos entre amor, honra e desejo. Para o ator, a nova versão se distingue principalmente na abordagem: &#8220;A nova versão traz um olhar mais contemporâneo, mais aprofundado nas relações e nas camadas dos personagens. Há uma escuta mais sensível para temas que hoje são inevitáveis.&#8221;</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="833" height="1024" src="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-833x1024.png" alt="" class="wp-image-95931" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-833x1024.png 833w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-244x300.png 244w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-122x150.png 122w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-768x944.png 768w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-342x420.png 342w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-150x184.png 150w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-300x369.png 300w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-696x855.png 696w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image.png 1017w" sizes="(max-width: 833px) 100vw, 833px" /><figcaption class="wp-element-caption">Elenco de Dona Beja &#8211; Foto: Reprodução Instagram </figcaption></figure>



<p>Embora admire o trabalho de Jonas Mello, que viveu Mendonça na primeira versão, Luciano optou por não se prender à trama de 86. &#8220;Tenho muito respeito pelo trabalho do Jonas Mello, mas optei por não me prender à versão anterior. Preferi construir o meu Mendonça a partir do texto e da direção. Naturalmente, as versões dialogam, mas cada uma tem sua identidade&#8221;, comenta. O elenco ainda proporcionou o reencontro com Thalma de Freitas, com quem dividiu cena em &#8220;Laços de Família&#8221; no início dos anos 2000. &#8220;Foi especial. A Thalma é uma atriz de uma sensibilidade enorme. A gente se reencontra com mais maturidade, mais repertório, e isso aparece em cena. Nessa história vivemos um casal, o Mendonça e a Josefa. Tem história ali, tem verdade.&#8221;</p>



<p>A boa fase também alcança o cinema. Quirino integra o elenco do filme que reconstitui o caso Elize Matsunaga. &#8220;Foi um trabalho delicado. Quando lidamos com histórias reais, existe uma responsabilidade muito grande. Procurei tratar tudo com respeito, sem sensacionalismo, entendendo a complexidade humana envolvida&#8221;, diz. Sobre seu personagem, adianta: &#8220;É alguém que observa muito mais do que fala, e quando fala, muda o rumo das coisas. Ele chega de forma sutil, mas deixa marcas profundas.&#8221;</p>



<p>Nos palcos, presença constante, o ator esteve recentemente no espetáculo sobre os irmãos Timotheo da Costa, experiência que define como &#8220;um encontro com a história, com a arte e com a ancestralidade&#8221;. Para o segundo semestre, prepara o retorno como o maestro Carlos Gomes em &#8220;Maestro Selvagem&#8221;, projeto que descreve com &#8220;expectativa enorme&#8221;. </p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="768" height="1024" src="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-1-768x1024.png" alt="" class="wp-image-95934" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-1-768x1024.png 768w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-1-225x300.png 225w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-1-112x150.png 112w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-1-1152x1536.png 1152w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-1-315x420.png 315w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-1-150x200.png 150w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-1-300x400.png 300w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-1-696x928.png 696w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-1-1068x1425.png 1068w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-1.png 1405w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" /></figure>



<p>&#8220;Esse é um projeto muito especial pra mim. A ideia é retomar com uma circulação mais ampla, passando por capitais e cidades do interior, ampliando o alcance dessa história&#8221;, conclui.</p>
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		<title>Caso na Lapa expõe o medo de envelhecer da classe média alta; lição dos terreiros sobre respeito à velhice e à morte</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/caso-lapa-expoe-medo-envelhecer-classes-sociais-licoes-terreiros/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Jun 2026 15:17:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[ancestralidade]]></category>
		<category><![CDATA[comunidades tradicionais]]></category>
		<category><![CDATA[envelhecimento]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Caso na Lapa revela o medo do envelhecimento e da morte na classe média. Entenda o que os terreiros e comunidades tradicionais nos ensinam sobre acolhimento.</p>
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<p><strong><em>Por: Rodrigo França</em></strong></p>



<p>Há uma cena recente em São Paulo que escancara mais do que parece. <strong>Na Lapa, moradores reagiram à presença de casas de repouso e ao trânsito de carros funerários.</strong> O incômodo virou debate público, com reportagens da Folha de S. Paulo mostrando o desconforto de quem não quer conviver com o envelhecimento e, principalmente, com a morte.</p>



<p>Mas vamos ser honestos. Ninguém está discutindo trânsito. Ninguém está preocupado com fluxo de veículos. O que está em jogo é outra coisa. É o desejo de manter a ilusão de juventude intacta. É a tentativa de empurrar para fora do campo de visão aquilo que desorganiza a fantasia de controle. A velhice virou um erro estético. Um ruído. Algo que precisa ser escondido para que a narrativa da juventude permanente continue funcionando. Só que ela não se sustenta.</p>



<p>Vivemos mais. Essa é a promessa do nosso tempo. A medicina avançou, a expectativa de vida aumentou. Mas, curiosamente, quanto mais vivemos, menos sabemos lidar com o que isso significa. Queremos os anos extras, mas não queremos ver o que eles produzem. Queremos longevidade, mas recusamos a velhice. Isso não é só contradição. É imaturidade social.</p>



<p><strong>Agora olha para as comunidades de terreiro. O mais velho não é descartado. Ele é referência. É quem sustenta a memória, quem organiza o sentido, quem conecta o presente ao passado.</strong> A morte não é um tabu silencioso. É parte do ciclo. A ancestralidade não é discurso bonito. É prática. O mesmo acontece em muitas comunidades ribeirinhas e aldeias indígenas. O tempo não é uma corrida desesperada. É um fluxo. O mais velho carrega mundo, não peso. Existe ali um entendimento mais sofisticado da existência, algo que o modelo urbano decidiu abandonar em nome da produtividade e da aparência.</p>



<p>Quando você rejeita o velho, você está rejeitando o seu próprio futuro. Não existe exceção. Não existe blindagem. Não existe filtro que segure o tempo. Enquanto isso, um outro dado desmonta completamente essa fantasia de controle. Hoje, vemos cada vez mais jovens morrendo. Violência, desigualdade, colapso da saúde mental. A morte não está esperando a velhice chegar. Ela já está atravessando a juventude. Percebe o paradoxo?</p>



<p>A gente esconde quem viveu muito e naturaliza a morte de quem mal começou. Isso não é só incoerente. É brutal. O carro funerário incomoda porque ele quebra a encenação. Ele lembra que existe fim. E, num mundo que se construiu em cima da ideia de performance constante, falar de fim é quase um ato subversivo. Mas ignorar isso tem custo.</p>



<p>Uma sociedade que não sabe olhar para a morte também não sabe viver plenamente. Porque viver sem a consciência do fim é viver anestesiado, superficial, sempre adiando aquilo que importa.</p>



<p>As comunidades tradicionais entenderam algo que a gente insiste em desaprender. O respeito ao mais velho não é caridade. É inteligência coletiva. É reconhecer que o tempo não é inimigo, é estrutura.</p>



<p>Não adianta admirar essas comunidades de longe e continuar reproduzindo a lógica que descarta o envelhecimento no seu cotidiano. Não adianta transformar ancestralidade em estética e continuar tratando o velho como problema. Isso é incoerência fantasiada de sensibilidade.</p>



<p>Quando o tempo marcar você, onde você quer estar? Num mundo que esconde, ou num mundo que acolhe? Porque esse debate não é sobre a Lapa. É sobre o tipo de humanidade que você está ajudando a construir. E, principalmente, sobre o tipo de velhice que você vai merecer.</p>
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		<title>Quando a publicidade brasileira entendeu que o Brasil era a referência</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/publicidade-brasileira-entendeu-brasil-referencia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Jun 2026 14:32:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Cannes Lion]]></category>
		<category><![CDATA[criatividade]]></category>
		<category><![CDATA[cultura brasileira]]></category>
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		<category><![CDATA[tendências]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Descubra como a publicidade brasileira parou de buscar validação externa e transformou nossa potência cultural e identidade em referência criativa global.</p>
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<p><strong><em>Por: Dayane Oliveira</em></strong></p>



<p>Com a proximidade do <strong><a href="https://mundonegro.inf.br/agencia-baiana-asminas-representara-o-brasil-no-cannes-lions-2025-maior-festival-de-publicidade-do-mundo/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Cannes Lions International Festival of Creativity</a></strong>, eu tenho pensado muito sobre uma mudança silenciosa — mas extremamente poderosa — que aconteceu na publicidade brasileira nos últimos anos: o momento em que paramos de olhar para fora em busca de validação criativa e começamos, finalmente, a reconhecer o Brasil como referência.</p>



<p>Por muito tempo, a comunicação brasileira acreditou que sofisticação criativa era sinônimo de aproximação com códigos internacionais. As grandes referências vinham de campanhas estrangeiras, de estéticas globais e de uma ideia quase implícita de que, para parecermos modernos, premium ou inovadores, precisávamos nos afastar da nossa própria identidade.</p>



<p>Mas talvez a grande virada da publicidade brasileira tenha acontecido justamente quando entendemos o contrário: o que nos coloca no centro não é tentar parecer outra coisa. </p>



<p>É assumir, sem pedir licença, o nosso próprio jeito de criar. E isso mudou tudo.</p>



<p>Recentemente, assisti a um vídeo sobre códigos visuais brasileiros e fiquei pensando no quanto elementos que antes eram vistos apenas como “populares”, “informais” ou até “cafonas” passaram a ocupar um lugar estratégico dentro da construção criativa contemporânea.</p>



<p>As tipografias de feira.<br>O cachorro caramelo.<br>Os memes virais.<br>As manifestações culturais.<br>As cores exageradas.<br>O improviso brasileiro.<br>O humor da internet.<br>O funk.<br>O São João.<br>A linguagem periférica.<br>Os regionalismos.</p>



<p>Tudo isso deixou de ser tratado como adjacência cultural para virar ferramenta criativa. E talvez esse seja um dos movimentos mais interessantes da publicidade brasileira recente.</p>



<p>Porque o Brasil percebeu que seu diferencial competitivo não estava na tentativa de reproduzir uma estética global pasteurizada — mas justamente na potência cultural que já existia aqui.</p>



<p>Hoje, vemos marcas buscando cada vez mais territorialidade, autenticidade e repertório local. Não porque virou “trend”, mas porque o comportamento contemporâneo exige verdade cultural. As pessoas reconhecem quando existe construção real de linguagem — e também percebem quando existe apenas apropriação estética. E a internet brasileira teve um papel fundamental nessa virada.</p>



<p>Durante anos, o Brasil foi tratado apenas como consumidor de tendências digitais globais. Mas, aos poucos, a lógica se inverteu. A linguagem da internet brasileira começou a influenciar formatos, narrativas, comportamento e estética em escala internacional.</p>



<p>Os memes brasileiros atravessaram fronteiras.<br>Os creators brasileiros viraram referência de linguagem.<br>A estética periférica deixou de ser nicho.<br>A cultura popular virou centro criativo.</p>



<p>E isso não aconteceu por acaso.</p>



<p>Aconteceu porque existe uma potência cultural muito difícil de reproduzir artificialmente. O Brasil cria linguagem a partir da convivência, do humor, da limitação, da criatividade cotidiana e da mistura constante de referências. Talvez por isso a publicidade brasileira continue sendo uma das mais observadas do mundo.</p>



<p>Mas acredito que existe uma diferença importante agora: <strong>antes, éramos reconhecidos pela execução criativa. Hoje, começamos a ser reconhecidos também pelo repertório cultural.</strong> E isso é uma mudança enorme.</p>



<p>Porque significa entender que a nossa potência não está apenas na capacidade de criar boas campanhas — mas na capacidade de transformar comportamento, estética e identidade em linguagem universal.</p>



<p>O que antes era visto como excesso, informalidade ou “brasilidade demais”, hoje aparece como diferencial competitivo. </p>



<p>E talvez essa seja uma das mudanças mais simbólicas da publicidade contemporânea: o Brasil deixou de ocupar as adjacências da criatividade global quando entendeu que nunca precisou pedir referência emprestada.</p>



<p>Nosso jeito de ser sempre foi, também, nosso jeito de criar. E foi exatamente isso que nos colocou no centro.</p>



<p></p>
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		<title>Michel Alcoforado: “Pessoas pretas, guardem dinheiro. O que brancos não estão preparados para ouvir é não”</title>
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		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 30 May 2026 16:16:42 +0000</pubDate>
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<p><strong><em>Por Sara Paixão do Rio de Janeiro<br></em></strong><br>A feitura do best seller “Coisa de Rico” fez do antropólogo Michel Alcoforado um dos maiores especialistas no mercado de luxo do país. Não à toa, durante a Feira Preta, no Rio, ele foi um dos convidados da mesa Sebraeapresenta: Consumo, Poder e Invisibilidade, mediado por Cris Guterres, com participação da também jornalista Luanda Vieira, e do head de diversidade da L&#8217;Oreal, Eduardo Paiva. Durante o bate-papo, Michel deu conselhos valiosos para pessoas pretas conseguirem mudar de patamar financeiro. </p>



<p>“A sociedade é racista. Nós negros é que precisamos saber muito bem é saber qual o nosso tamanho. Então a dica é: saiba o seu tamanho! Para não achar que será mais do que você é, mas também não deixar ninguém achar que você é menos do que você é. E um caminho importantíssimo é: pessoas pretas, guardem dinheiro. Porque o que os brancos não estão preparados para ouvir é não. Não quero comprar tua marca, não vou aceitar a tua oferta de trabalho, não me interessa fazer negócio com você. Então, guarda dinheiro, se der, para falar não. É dizendo não que a gente cresce e diz para o outro tamanho da gente”, defendeu ele, que completou que a escassez inviabiliza a independência: “Quando você está na precariedade, é obrigado a aceitar qualquer coisa, fica mais difícil”.<br></p>



<p>Michel lembrou ainda dos questionamentos que recebe se “Coisa de rico” deveria ter trazido uma discussão racial mais explícita. “Digo que o debate está dado, porque um branco não teria feito esse livro. Um branco não está treinado para receber tantos nãos, como eu recebi ao longo desse processo, e continuar acreditando que ia dar em algum lugar e ia conseguir entrar no mundo dos ricos”, explicou ele.&nbsp;</p>



<p>Mesmo tendo o livro mais vendido no país em 2025, acumulando uma formação multidisciplinar nas áreas de Ciências Sociais, História e Antropologia, com doutorado (PhD) e especialização internacional em antropologia do consumo, ele revelou não ter sido considerado apto para ministrar uma formação recentemente.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="684" data-id="95857" src="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/05/photo_4958865323687875059_y-1-1024x684.jpg" alt="" class="wp-image-95857" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/05/photo_4958865323687875059_y-1-1024x684.jpg 1024w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/05/photo_4958865323687875059_y-1-300x200.jpg 300w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/05/photo_4958865323687875059_y-1-150x100.jpg 150w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/05/photo_4958865323687875059_y-1-768x513.jpg 768w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/05/photo_4958865323687875059_y-1-629x420.jpg 629w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/05/photo_4958865323687875059_y-1-696x465.jpg 696w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/05/photo_4958865323687875059_y-1-1068x713.jpg 1068w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/05/photo_4958865323687875059_y-1.jpg 1280w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Mesa Sebrae Apresenta: Consumo, Poder e Invisibilidade, mediado por Cris Guterres, com participação da também jornalista Luanda Vieira, e do head de diversidade da L&#8217;Oreal, Eduardo Paiva. Foto: 📷 @ntiuira | @atl4ntica.br</figcaption></figure>
</figure>



<p>“Sugeriram o meu nome por um desses cursos em que convidam grandes personalidades para falar sobre determinado tema e o gestor do curso, um homem branco, virou uma pessoa que tinha sugerido o meu nome, a minha revelia, e disse: ‘Ainda falta um chão para o Michel conseguir dar uma aula nesse curso’. Eu pensei: ‘Falta o que mais? Falta ser branco!’”, refletiu ele.&nbsp;</p>



<p>Ainda sim, o racismo não tira a fé de Michel na chegada de dias melhores. Depois de reforçar a importância das conquistas feitas pelo Movimento Negro no Brasil, ele deu sua receita para cuidar da saúde mental.&nbsp;</p>



<p>“Aqui ninguém deu nada pra gente de graça. Todo dia de manhã, mato um leão. A gente está mudando, só que o desafio é enorme. Esse é o país que tem 380 anos de escravidão, e a gente só tem 120 anos dessa transformação (&#8230;). Minha receita toda vez que me perguntam: ‘E a saúde mental, como é que você aguenta?’ Duas sessões de análise, se você puder pagar por semana, um pouco de macumba e se precisar, vai no psiquiatra tomar duas bolinhas…. Mas vai, não dá passo para trás. Acorda de manhã e mata outro leão”, defendeu ele, que, além de profissionais de saúde e de religião de matriz africana, procura ouvir a voz da experiência: “A dica é escutar os mais velhos, olhando para a realidade, desviando das cascas de banana e sabendo para onde se quer ir. Não sei qual será meu próximo projeto, mas continuo com o objetivo de colocar a antropologia na rua. A ciência é boa demais. É preciso compartilhar conhecimento. E conhecimento guardado só pra gente presta pra nada, né?”.&nbsp;</p>
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		<title>Sustentabilidade cultural como resistência: a gastronomia paraense em diálogo com o território carioca</title>
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		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Jan 2026 20:55:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Por Adriana Veloso Falar de gastronomia amaz&#244;nica &#233;, necessariamente, falar de sustentabilidade cultural. No Par&#225;, a comida &#233; um sistema vivo de transmiss&#227;o de saberes, organiza&#231;&#227;o social e resist&#234;ncia hist&#243;rica dos povos afro-ind&#237;genas que moldaram a regi&#227;o. Ao trazer a cozinha paraense para o Rio de Janeiro, compreendi que esse movimento n&#227;o se tratava apenas [&#8230;]</p>
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<p><em>Por Adriana Veloso</em></p>



<p>Falar de gastronomia amazônica é, necessariamente, falar de sustentabilidade cultural. No Pará, a comida é um sistema vivo de transmissão de saberes, organização social e resistência histórica dos povos afro-indígenas que moldaram a região. Ao trazer a cozinha paraense para o Rio de Janeiro, compreendi que esse movimento não se tratava apenas de deslocamento geográfico, mas de um encontro cultural, no qual a alimentação se torna linguagem, mediação e afirmação identitária.</p>



<p>Quando deixei Belém e cheguei ao Rio, trouxe comigo técnicas, ingredientes e memórias, mas, sobretudo, uma responsabilidade: apresentar a cultura paraense de forma íntegra, respeitando suas origens e dialogando com um novo território. O Pará concentra uma das maiores biodiversidades alimentares do país, com uma cultura culinária fortemente baseada na pesca artesanal, no extrativismo vegetal e em práticas transmitidas oralmente entre gerações. Ingredientes como pirarucu, tambaqui, tucupi, maniva e farinhas artesanais são expressões diretas dessa relação profunda entre alimento, território e cultura.</p>



<p>Ao se instalar em solo carioca, essa gastronomia passa a dialogar com outras referências culturais, ritmos urbanos e hábitos alimentares distintos. Esse encontro não pressupõe adaptação que descaracteriza, mas troca. A sustentabilidade cultural, nesse contexto, manifesta-se justamente na capacidade de manter a essência da cozinha paraense enquanto ela se relaciona com novos públicos, novas escutas e novas formas de circulação.</p>



<p>Os pescados na brasa simbolizam esse diálogo. A técnica ancestral, presente nas culturas afro-indígenas amazônicas, encontra no Rio um novo cenário, sem perder seu sentido original. O uso do fogo, o respeito ao tempo do peixe e a valorização do ingrediente em sua forma mais pura reafirmam que tradição e contemporaneidade podem coexistir. Cozinhar peixe na brasa, em território carioca, é afirmar que os saberes tradicionais seguem vivos e atuais.</p>



<p>Ao longo desse percurso, entendi que a gastronomia é uma das ferramentas mais eficazes de introdução cultural. Muitas vezes, antes de ser chef, precisei ser mediadora. Explicar que o açaí, no Pará, é base alimentar e sustento, consumido com peixe e farinha, ou que o tacacá precisa estar quente para cumprir seu papel sensorial e simbólico, faz parte desse processo de aproximação. Quando o público carioca se abre para esses códigos, a comida deixa de ser exótica e passa a ser compreendida como cultura.</p>



<p>A escolha do subúrbio do Rio de Janeiro, no bairro do Riachuelo, como ponto de partida do Pescados na Brasa, reforça essa ideia de encontro. A cultura paraense é coletiva, de rua, de convivência. No contato cotidiano com a vizinhança, criamos um espaço onde a Amazônia se manifesta de forma viva, afetiva e acessível. A chegada a outros territórios da cidade, como o Leblon, amplia esse diálogo e reafirma que a cozinha de raiz, quando sustentada por rigor cultural, ocupa qualquer espaço.</p>



<p>Ao lado do Júnior, meu parceiro de vida e de trabalho, definimos o Pescados na Brasa como uma Embaixada Afetiva. Nosso compromisso com a sustentabilidade cultural está em garantir que os ingredientes cheguem à mesa com sua história preservada, respeitando os ciclos naturais, a pesca artesanal e os modos tradicionais de preparo. Resistir, nesse caso, é não ceder à simplificação ou à descaracterização de uma cultura complexa.</p>



<p>A cultura alimentar paraense é reconhecida como uma das mais ricas do Brasil não apenas pela diversidade de ingredientes, mas pela forma como articula memória, território e identidade. Quando esse repertório encontra o Rio de Janeiro, cria-se um espaço de aprendizado mútuo, onde a gastronomia cumpre seu papel social e educativo.</p>



<p>Mais do que um restaurante, o Pescados na Brasa é um território de encontro. Um espaço onde a cozinha paraense se afirma como resistência cultural e, ao mesmo tempo, se coloca em diálogo com a cidade, mostrando que alimentar também é criar pontes, fortalecer identidades e preservar saberes.<br><br>Texto: <strong>Adriana Veloso</strong> &#8211; O tempero dos peixes é dele e as receitas da cozinha são dela. Adriana Veloso e José Maria (Júnior) saíram do Pará e vieram para o Rio de Janeiro há 12 anos: ele, restaurador de artes barrocas, veio antes a trabalho, e ela veio acompanhar o marido, trabalhando como balconista em uma drogaria. Os peixes que o Júnior levava para os churrascos de amigos – já que Adriana não come carne vermelha nem frango, apenas frutos do mar – eram os mais cobiçados. O sucesso era tanto, que incentivado por eles, começaram a fazer peixes na brasa, além dos acompanhamentos, para vender num estacionamento da Av. 24 de Maio, no Riachuelo, em agosto de 2019. Era apenas para &#8220;pegar e levar&#8221;, mas em poucos meses os clientes paravam para beber e papear enquanto esperavam a comida, fazendo dali um “point”. Foi assim que eles saíram em busca de uma casa para expandir o negócio, no mesmo bairro. Nasceu o Pescados na Brasa, em novembro de 2019, um bar com peixes do norte assados e comidas típicas.  O que era um complemento de renda acabou virando um restaurante, sonho da Adriana há muitos anos – ter uma &#8220;peixaria&#8221;, que é como se chamam os restaurantes de peixe em Belém –, ainda na sua terra, onde trabalhou por muito tempo como garçonete, caixa e gerente de restaurantes. Negócio em família&#8230; Além do casal, Gabrielly Veloso, a filha, é o braço direito deles na operação da casa. E quem manda os insumos nortistas de lá pra cá? Os sogros!<br><br>*Esse conteúdo é fruto de uma parceria entre Mundo Negro e Feira Preta</p>
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		<title>Culinária Afrodiaspórica: da Gestão ao Prato</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/culinaria-afrodiasporica-da-gestao-ao-prato/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Dec 2025 08:56:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Guia Black Chefs]]></category>
		<category><![CDATA[feira preta]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por: Laila Santos, co-fundadora e gestora do Restaurante Manden Baob&#225; Falar da culin&#225;ria afrodiasp&#243;rica no Brasil, &#233; o reconhecimento de que comer tamb&#233;m &#233; uma forma de manter viva uma hist&#243;ria que atravessa continentes. Compreender o h&#225;bito alimentar como extens&#227;o de uma conjuntura hist&#243;rica que une a nutri&#231;&#227;o, criatividade e principalmente, um coletivo, &#233; fundamental [&#8230;]</p>
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<p><strong><em>Por: Laila Santos, co-fundadora e gestora do Restaurante Manden Baobá</em></strong></p>



<p>Falar da culinária afrodiaspórica no Brasil, é o reconhecimento de que comer também é uma <strong>forma de manter viva uma história que atravessa continentes</strong>. Compreender o hábito alimentar como extensão de uma conjuntura histórica que une a nutrição, criatividade e principalmente, um coletivo, é fundamental para entendermos que a presença africana é estrutura da nossa cultura. Essa compreensão é chave para os debates sobre <strong>culinária afro-brasileira</strong>, <strong>gastronomia africana, afroempreendedorismo gastronômico</strong> e <strong>gastronomia identitária</strong>.</p>



<p>O ato de cozinhar é muito além de preparo de alimentos, mas sim uma forma de manter viva uma herança cheia de afetos que atravessa gerações, sendo peça fundamental para iniciarmos essa conversa tão importante: a junção da <strong>culinária afrodiaspórica</strong> e a <strong>gestão gastronômica</strong>.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>O que é culinária afrodiaspórica?&nbsp;</strong></h3>



<p>Falar de <strong>culinária afrodiaspórica no Brasil</strong>, é o resgate de um conjunto de práticas que une ingredientes e técnicas baseadas nas memórias espalhadas pelo território oriundas do período escravocrata. Ela nasce do encontro entre culturas africanas diversas e as condições impostas pela diáspora. Por isso, é tão criativa e resistente, se adaptando com ingredientes do nosso solo tão fértil, mostrando que o alimentar além de essencial, é afetivo, ancestral e ligado ao território &#8211; pilares importantes da <strong>culinária africana contemporânea</strong>.</p>



<p>Muitas vezes o termo é usado de forma superficial, mas ele reflete uma história complexa: são <strong>alimentos</strong>, modos de <strong>preparo</strong> e formas de <strong>organização</strong> que <strong>sobreviveram</strong> embora a grande tentativa contínua de <strong>apagamento cultural</strong>.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>O interesse do público também mudou&nbsp;</strong></h3>



<p>Dentro desse cenário de resgate e valorização da <strong>gastronomia afro-brasileira</strong>, os dados mostram que o público brasileiro está cada vez mais interessado em experiências culinárias conectadas à identidade, memória e cultura:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>+48%</strong> de aumento nas buscas por gastronomia regional desde 2023</li>



<li><strong>+71%</strong> dos brasileiros dizem que comer é uma forma de expressar identidade cultural</li>



<li><strong>+32%</strong> de<a href="https://abrasel.com.br/noticias/noticias/turismo-internacional-cresce-brasil-anima-setor-bares-restaurantes/"> crescimento no turismo gastronômico</a> nacional</li>
</ul>



<p>Fonte: Google Trens, 2025 | Datafolha, 2024 | Ministério do Turismo, 2025</p>



<p>Esses números reforçam que a culinária afrodiaspórica ocupa um lugar cada vez mais reconhecido, buscado e valorizado no país, impulsionando o <strong>turismo gastronômico</strong>, o <strong>empreendedorismo negro</strong>, a <strong>educação alimentar afrocentrada</strong> e a criação de novos negócios no setor.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Conhecimento transmitido pela prática&nbsp;</strong></h3>



<p>Grande parte da culinária africana foi preservada pela oralidade por circunstâncias óbvias. Não precisamos falar de gerações muito passadas, mas as minhas avós não sabem escrever e o ensinamento de boca-a-boca sempre foi a comunicação primordial. Bem como eu aprendi a cozinhar arroz e feijão olhando minha mãe e minha vó fazerem quando pequena, nossos ancestrais ensinavam pela observação e pelo fazer; não existiam receitas escritas: a memória estava no ensinamento e no gesto.</p>



<p>Esse modo de aprender permanece vivo. Porém, com a necessidade de termos um garantidor de qualidade na gastronomia, as fichas técnicas, fichas de preparo, montagem, controle de estoque e demais ferramentas de gestão são fundamentais para conseguirmos levar exatidão sem perder o tempero e a continuidade.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="768" height="1024" src="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/12/IMG_3502-768x1024.jpeg" alt="" class="wp-image-95119" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/12/IMG_3502-768x1024.jpeg 768w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/12/IMG_3502-225x300.jpeg 225w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/12/IMG_3502-113x150.jpeg 113w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/12/IMG_3502-1152x1536.jpeg 1152w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/12/IMG_3502-315x420.jpeg 315w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/12/IMG_3502-150x200.jpeg 150w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/12/IMG_3502-300x400.jpeg 300w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/12/IMG_3502-696x928.jpeg 696w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/12/IMG_3502-1068x1424.jpeg 1068w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/12/IMG_3502.jpeg 1536w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" /><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Arquivo pessoal</figcaption></figure>



<p>Formações como a <a href="https://paginas.feirapreta.com.br/fpcria-gastronomia-sp"><strong>Feira Preta Cria Gastronomia</strong></a>, que tive a honra de ser facilitadora a convite da <strong>Feira Preta</strong> em São Paulo, traz uma metodologia única e assuntos abordados no dia-a-dia das empreendedoras negras. O objetivo é potencializar negócios gastronômicos, auxiliando na vivência real das empreendedoras, entendendo como veicular de forma potente desde a <strong>criação</strong> ao <strong>consumo</strong>.</p>



<p>Essa formação respeita trajetórias, reconhece os saberes e reforça o valor da <strong>culinária afro diaspórica</strong> como linguagem de resistência, economia criativa e expressão cultural.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Gestão ancestral: Ubuntu como forma de trabalho&nbsp;</strong></h3>



<p>No Restaurante <strong>Manden Baobá</strong>, entendemos que a culinária começa na gestão. Inspirada na filosofia Ubuntu,<em>“eu sou porque nós somos”</em> a organização da equipe parte da ideia do senso de <strong>comunidade</strong>.</p>



<p>Cada pessoa é vista como parte essencial do processo, e não apenas como colaboradora. Essa abordagem está presente desde a criação dos pratos até o pós-atendimento. É a junção entre <strong>gestão coletiva</strong> e <strong>ancestralidade</strong> com <strong>propósito</strong> que sustenta a essencia do negócio.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>O prato como consequência&nbsp;</strong></h3>



<p>Quando olhamos para a culinária afrodiaspórica e africana a partir da gestão, da transmissão e da criatividade, entendemos que o prato é o último &#8211; não menos importante &#8211; passo de um processo maior. A riqueza cultural que se tem a nível de África é gigantesca. Em várias regiões, alimentos como o <strong>fufu</strong> &#8211; massa feita de mandioca, milho amarelo, inhame ou banana-da-terra &#8211; estão mais presentes do que o arroz. A Múcua, fruto da árvore de Baobá ou Embondeiro, como fruto nutritivo ricin em Vitamina C.</p>



<p>Essa diversidade mostra como a culinária é ligada ao território e à criatividade de cada povo. Mostra que o criativo é combinação de fatores, ingredientes e referências.</p>



<p>No <a href="https://www.instagram.com/restaurantemandenbaoba?igsh=engwMG0wZzZydjZo" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Manden Baobá</strong></a>, cada preparação carrega essa base: uma mistura de memória, identidade, tempero e cuidado. Não se trata apenas de comida, mas de um movimento cultural vivo que conecta <strong>história</strong> e <strong>gestão</strong>.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/12/IMG_8467-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-95120" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/12/IMG_8467-1024x683.jpg 1024w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/12/IMG_8467-300x200.jpg 300w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/12/IMG_8467-150x100.jpg 150w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/12/IMG_8467-768x512.jpg 768w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/12/IMG_8467-1536x1024.jpg 1536w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/12/IMG_8467-2048x1365.jpg 2048w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/12/IMG_8467-630x420.jpg 630w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/12/IMG_8467-696x464.jpg 696w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/12/IMG_8467-1068x712.jpg 1068w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/12/IMG_8467-1920x1280.jpg 1920w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Pratos do Manden Baobá (Foto: Willy Roberto)</figcaption></figure>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Culinária afrodiaspórica é patrimônio vivo&nbsp;</strong></h3>



<p>A culinária afrodiaspórica é um patrimônio que se renova diariamente e que segue firme mesmo diante das dificuldades históricas.</p>



<p>Da <strong>gestão</strong> ao <strong>prato</strong>, tudo se conecta à ancestralidade e ao compromisso de valorizar a cultura africana em suas diversas formas. Para quem trabalha com gastronomia africana ou afrodiaspórica, olhar para o prato exige olhar também para gestão, para equipe, economia, território e principalmente, a ancestralidade.</p>



<p>É nessa junção que conseguimos criar um negócio sólido, promovendo experiências profundas e memória preservada &#8211; tanto para quem faz acontecer, quanto para quem quer conhecer.</p>



<p>Unindo história e estratégia, vamos muito mais longe. <strong>Ubuntu!</strong></p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p><em>Texto: <strong>Laila Santos</strong> — Empreendedora, comunicóloga, co-fundadora e gestora do <strong>Restaurante</strong> <strong>Manden Baobá</strong> (Vila Mariana – São Paulo). Criadora de soluções que valorizam a culinária africana por meio da gastronomia, geração de renda e educação cultural. Facilitadora da formação <strong>Feira Preta Cria Gastronomia</strong>, atua na construção de experiências, negócios e narrativas que fortalecem o afroempreendedorismo gastronômico no Brasil.</em></p>



<p>Esse conteúdo é fruto de uma parceria entre Mundo Negro e Feira Preta.</p>
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		<title>Novembro Azul: dados, riscos e como identificar precocemente o câncer de próstata</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/novembro-azul-dados-riscos-e-como-identificar-precocemente-o-cancer-de-prostata/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Nov 2025 08:41:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[câncer de próstata]]></category>
		<category><![CDATA[homens negros]]></category>
		<category><![CDATA[instagram]]></category>
		<category><![CDATA[Novembro Azul]]></category>
		<category><![CDATA[saúde]]></category>
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<p><strong><em>Por: Dr. Sahna Wilbonh de Barros, Médico urologista e titular da Sociedade Brasileira de Urologia (CRM-SP 144.578 / RQE 65.633)</em></strong></p>



<p>A próstata é uma glândula que faz parte do sistema urogenital masculino, cuja secreção compõe parte do esperma, auxiliando na fecundação. Este órgão se localiza na pelve, anteriormente ao reto e abaixo da bexiga, envolvendo a parte inicial da uretra. Estas relações permitem que a próstata seja examinada através do reto (por meio do toque ou por equipamentos) e explicam porquê afecções da próstata têm variadas repercussões nas funções reprodutiva e urinária.</p>



<p>O tumor maligno (câncer) da próstata é uma doença de grande relevância médica e socioeconômica. Trata-se da neoplasia mais prevalente no sexo masculino, quando excluímos os tumores de pele não-melanoma (que baixa repercussão clínica). Dados do INCA (Instituto Nacional de Câncer) estimam que ocorreram cerca de 72.000 novos casos ao ano (cerca de 30% de todos os cânceres em homens no Brasil) e quase 70 novos casos para cada 100.000 homens no período de 2023 a 2025.</p>



<p>Pelo menos 1 em cada 9 homens será afetado em algum momento da vida, mas, além de sua frequência, também preocupa sua mortalidade, pois é o 2º câncer mais letal, com cerca de 16.000 óbitos anuais no país (aproximadamente 1 a cada 40 minutos).</p>



<p>Esses dados trazem a importância da conscientização sobre o tema, visto que não há estratégias bem definidas de prevenção deste tumor, embora estilo de vida saudável possa reduzir o seu aparecimento (ter alimentação saudável, praticar atividade física e evitar obesidade). Focamos então no diagnóstico precoce, com objetivo de detecção da doença nas fases iniciais (quando os índices de cura são muito elevados), porém, nesta fase, a doença não apresenta sintomas, havendo necessidade de rastreamento.</p>



<p>Este é feito por meio da combinação do exame digital da próstata e da dosagem do PSA (antígeno prostático específico). O primeiro é feito através do toque retal, que pode indicar alterações sugestivas de câncer (como a presença de nódulos), sendo um exame rápido, acessível e indolor. O segundo é a quantificação da proteína produzida pela próstata, que pode estar elevada em casos de câncer. Deve ser ressaltado que ambos são importantes e complementares, então um não substitui o outro, visto que o PSA pode estar com dosagens normais em até 20% das vezes em que há câncer.&nbsp;</p>



<p>Caso haja alteração em um desses, é fundamental seguir com a investigação complementar, que normalmente é feita com biópsia de próstata, mas que pode ser precedida de ressonância magnética do órgão (exame não invasivo e que possibilita melhor seleção dos casos suspeitos, com redução do número de biópsias desnecessárias e melhor identificação focos suspeitos da doença). Somente a biópsia pode estabelecer o diagnóstico do câncer de próstata, além de informar características que determinam o potencial de agressividade da doença. Esta estratégia é extremamente eficaz e possibilitou a queda de mortalidade pela doença nas últimas décadas.</p>



<p>A doença avançada pode se manifestar com perda de peso, fraturas ósseas, retenção urinária, disfunção erétil e presença de sangue na urina ou no esperma, por exemplo, e, muitas vezes, a cura não é possível nesses estágios.</p>



<p><strong>A Sociedade Brasileira de Urologia indica a realização de rastreamento a partir de 50 anos de idade na população masculina geral e a partir de 45 anos nos homens com fatores de risco (histórico familiar de câncer de próstata e/ou etnia negra).</strong></p>



<p>Sabe-se que a evolução clínica do câncer de próstata pode ser bastante variável, com casos que variam de indolência (tumores de baixa agressividade e baixo risco progressão, logo com mínima interferência na morbimortalidade) até doenças de agressividade elevada (com altos riscos disseminação e de mortalidade).&nbsp;</p>



<p>Por essa razão, as condutas devem ser sempre avaliadas para cada caso e o paciente deve ser informado das possibilidades dentro do cenário da sua doença. O conjunto de avaliações clínicas, laboratoriais, de imagem e os achados da biópsia são essenciais na definição de conduta. Assim, tentamos direcionar tratamentos mais agressivos para casos de maior risco, que ainda que tenham maior risco de complicações como incontinência urinária e disfunção erétil, favorecem a cura. Em casos de baixo impacto clínico, procuramos evitar o super tratamento, visto que tem maiores índices de complicação, sem necessariamente impactar na redução de mortalidade, que já seria baixa.</p>



<p>Entre as diversas opções de manejo da doença destacamos: vigilância ativa, tratamento cirúrgico (denominado prostatectomia radical e que pode ser por vias aberta, videolaparoscópica ou robótica), radioterapia, hormonioterapia e quimioterapia. Essas modalidades podem ser empregadas de maneira isolada ou combinada na busca do melhor tratamento para cada paciente, sempre visando maiores índices de cura e menores de complicações, com mais sobrevida e melhor qualidade de vida.</p>



<p></p>
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