“A música que você escuta todos os dias”: Minha experiência assistindo AmarElo com meu filho de 10 anos

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Foto: Wendy

Desde ontem, quando AmarElo – É Tudo Pra Ontem chegou na Netflix, meu feed do Instagram foi tomado por publicações e todas, repito, todas em algum momento diziam “estou em lágrimas com AmarElo”.
Enfim eu assisti e estou em lágrimas.

Aguardei até o momento em que eu pudesse ver com o meu filho, Thiago de 10 anos, queria ouvir e ver a perspectiva dele sobre AmarElo e Emicida.
Ele viu tudo, atento e com o celular na mão pesquisando e perguntando por cada referência que ele não entendia. Parou o filme, pesquisou e me mostrou sobre o prêmio Leão de Ouro que Emicida cita em uma passagem sobre Ruth de Souza.

A criança ficou empolgada e feliz porque Emicida tem uma tatuagem do Bimo. Cantou e vibrou com Pantera Negra:
‘Com a garra, razão e frieza, mano
Se a barra é pesada, a certeza é voltar
Tipo Pantera Negra’.

Agora falando um pouco da minha reação com AmarElo, álbum e filme:

Não lembro de um dia de 2019 que eu não tenha ouvido a faixa que dá nome ao álbum. Virou mantra de guerra, a guerra de cada dia na rua.
Acabou que eu morri em 2019. Precisei morrer para mudar. Sair de um relacionamento que não me fazia bem, o mesmo que não me permitiu ir até o Theatro Municipal para o show.

Renasci e a música mais ouvida de 2020 é ‘Pequenas Alegrias da Vida Adulta’, Thiago bem reconheceu ela quando tocou “essa é aquela música que você escuta todos os dias, ne mãe?

Thiago e Thais Prado

‘Então eu vou bater de frente com tudo por ela
Topar qualquer luta
Pelas pequenas alegrias da vida adulta
Eu vou
Eu vou pro fronte como guerreiro
Nem que seja pra enfrentar o planeta inteiro
Correr a maratona, chegar primeiro
E gritar “é por você, amor”
Eu vou bater de frente com tudo por ela
Topar qualquer luta
Pelas pequenas alegrias da vida adulta
Eu vou’….

Entre tantas referências que filme traz, temos Emicida que a muito tempo já é referência e a criança terminou o filme dizendo “já acabou?! Eu queria mais!”.
‘Tudo que nois tem é nois’!

Terminei o filme com vontade de mostrar para os meus avós e tios que vivem no quilombo da Caçandoca. Tanta negritude, tanta referencia, minhas referências precisam ver e meu filho precisa ter essa referência porque “o amor é o segredo de tudo … E eu pinto tudo em amarelo”.

Casa de Izaltina Cesário do Prado, Quilombo da Caçandoca – Ubatuba SP

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