Conselho de administração. Parece um termo muito distante para muita gente, mas em um mundo cada vez mais liberal, quem aconselha as empresas também está pautando a sociedade em vários aspectos. 

Em setembro, recebi o convite para participar de um curso voltado aos Conselheiros em Administração no renomado IBGC, Instituto Brasileiro de Governanças Corporativas, uma instituição que regula as melhores práticas de governança no Brasil dentro do meio corporativo , incluindo o terceiro setor. 

Nesse programa específico, o curso era voltado para pessoas negras de destaque no mundo corporativo e, como foi no meu caso, empresários com negócios focados na comunidade negra. 

O 1º Programa de Equidade Racial em Conselhos foi uma iniciativa pioneira no Brasil fruto da parceria entre B3, o IBGC e a Iniciativa Empresarial pela Igualdade, além dos patrocinadores Ambev, PwC, Corteva Agriscience, BASF e KPMG Brasil.

A oportunidade de estudar em uma instituição de excelência, usufruindo de uma estrutura que poucos acessam, é um exemplo de diversidade na prática, quando a iniciativa privada, vai para além do discurso e financia, literalmente, uma classe inteira (aulas, material didático e alimentação). 

Foto: Reprodução.

Conquistas como essa, são fruto do resultado do esforço de grupos de afinidade dentro das empresas, nesse caso do BL4CK, núcleo de Raça e Etnia da B3, que se juntam a entidades que lutam pela equidade racial. 

O programa que fiz parte, foi composto por 30 alunos negros de várias regiões do país, com 13 aulas ( presenciais e on-line) e uma carga horária total de 72 horas.  As aulas tiveram como alguns dos temas, Missão do Conselho de Administração e Papel do Conselheiro, Ética e Sustentabilidade, Riscos e Compliance e Responsabilidades dos Administradores.

Dreads, cachos, crespos, tranças. Estudar em um ambiente privado, olhar para o lado e ver pessoas que se parecem com você, causa sim impacto na maneira como desfrutamos do conhecimento nesses locais, além de normalizar nossos corpos em espaços elitizados, como é o caso do IBCG. 

A troca com professores brancos que nunca lecionaram para uma classe negra também foi uma oportunidade histórica de ter de um lado, os produtores do conhecimento que norteiam as boas práticas de governança das empresas brasileiras e, do outro lado, nós, os alunos negros, trazendo novas vivências, reflexões e considerações. Quem ganha com essa troca não são somente nós, os beneficiados pelo programa. Muitos professores encerravam as aulas agradecendo a troca e o que aprenderam com a nossa turma, que foi avaliada como uma das mais participativas do programa de Conselheiros em Administração do IBGC.

Entre os colegas, as dinâmicas e interações exaltavam que apesar de todos nós sermos negros, o prisma ao analisar questões proprostas em exercícios é diverso, o que é riquíssimo. 

Quando Viola Davis diz que o que falta para pessoas negras é oportunidade, é sobre isso. Ter acesso à bagagem de conhecimento, como o que adquirimos no Programa de Equidade nos Conselho, nos incentiva a sermos ainda melhores e nos motiva a lutar para que iniciativas como essa continuem. 

O 21 de Novembro de 2022, dia da formatura da nossa turma, dentro da B3, em São Paulo, entra para história pelo enegrecimento de espaços estratégicos e fundamentais para equidade racial no mundo corporativo e por consequência, negócios mais saudáveis, seja na perspectiva de pessoas, mas também de receita.

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