“Você não é morena, é negra”: Lucy Ramos ajudou uma atriz mirim a se descobrir e selecionamos lições desse episódio

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Mãe fictícia da atriz  Duda de 7 anos, Lucy Ramos aproveitou um momento dos bastidores do filme “O segundo homem”, onde as duas atuam,  para conversar com a pequena sobre negritude.

Apesar do lindo tom de pele e cabelo cacheados, Duda não gosta da sua etnia. “Que história é essa que você não gosta da sua pele?”, pergunta Lucy que postou a conversa em uma postagem no Instagram.

“Metade das meninas da minha sala são bem branquinhas, cabelo liso com franja. Eu queria ser assim. Eu sou morena”, detalha Duda que foi interrompida por Lucy que disse “Você é negra”.

A atriz Juliana Alves foi uma das milhares de pessoas que comentaram a publicação:  “Lucy, tive essa conversa com minha sobrinha há alguns anos. Como foi importante. Como é importante a gente entender essa missão! Parabéns, lindeza!!”.

O vídeo tem quase 3 minutos, mas trás muitas reflexões importantes:

  • Não precisa ser pai ou mãe para se importar com crianças e suas questões de identidade

Ninguém nasce sabendo o que seu corpo representa em uma sociedade racista e machista e nem sempre os pais das crianças têm ferramentas para lidar com questionamentos. No quesito racial, tem muita gente negra madura que vive na premissa do “todos somos humanos”. E a culpa não é deles. Vivemos em um mundo onde as referências estéticas ainda incentivam a alienação racial e o auto-ódio.

  • É preciso saber escutar a criança que nunca merece ser julgada 

Duda conta que se acha morena, que queria ter cabelos lisos. Se ela fosse uma negra adulta, essa fala seria alvo de muitas críticas, mas ela ainda não aprendeu a reconhecer a sua identidade e própria beleza. Essa constatação só é possível ouvindo a narrativa na boca da própria criança.

  • Não é certo, mas é comum que a criança negra ache o liso melhor que o crespo 

Se a maior parte dos personagens dos desenhos, das bonecas, dos amigos são brancos, como amar sua cor? É preciso um esforço grande dos pais  para que a criança negra saiba da sua beleza, valor e não se sinta uma alienígena ou pior ainda, alguém menos digno de afeto e admiração, só por ser diferente.

  • A representatividade é fundamentalLucy sabe que Duda a acha bonita e tanta fazer com que a pequena se veja nela. Apesar dos grandes avanços, as referências estéticas ainda são em maioria branca, lisa e magra. A representatividade nesse sentido salva vidas. Avançamos, mas vendo o caso da Duda vemos que ainda há muito trabalho pela  frente.

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