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	<title>Arquivos Racismo - Mundo Negro</title>
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	<description>Uma mídia negra diferente!</description>
	<lastBuildDate>Fri, 14 Aug 2026 12:06:25 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos Racismo - Mundo Negro</title>
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	<item>
		<title>Hugo Souza desabafa após racismo em jogo do Corinthians na Argentina: “Todas as vezes que a gente vem, acontece isso”</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/hugo-souza-desabafo-racismo-corinthians-argentina/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Halitane Rocha]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Aug 2026 08:56:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Racismo]]></category>
		<category><![CDATA[ÚLTIMAS NOTÍCIAS]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Hugo Souza desabafa após caso de racismo em jogo do Corinthians na Argentina: “Todas as vezes acontece isso”. Confira os detalhes e a repercussão.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">O goleiro<strong> Hugo Souza</strong>, do Corinthians, foi alvo de ofensas racistas praticadas por torcedores do<strong> Rosario Central </strong>durante o jogo de ida das oitavas de final da Copa Libertadores, nesta quinta-feira (13), na <strong><a href="https://mundonegro.inf.br/torcedora-argentina-e-presa-por-suspeita-de-racismo-contra-funcionaria-que-presta-servico-no-maracana/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Argentina</a></strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em entrevista logo após a partida, Hugo Souza relatou a recorrência do racismo em jogos no país vizinho. “Infelizmente toda vez que a gente vem aqui é assim, o jogo todo, parece uma coisa comum, que não pode ser. É o jogo todo chamando de macaco, mono, negro de merda. Isso é uma coisa que acontece frequentemente aqui. Minha única atitude que posso fazer é comunicar o juiz, porque infelizmente é algo que acontece com frequência aqui. O que tem de fazer é tentar manter a cabeça no jogo e torcer para que isso um dia mude”, disse o atleta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante todo o primeiro tempo, foi presenciado xingamentos racistas vindos das arquibancadas atrás do gol defendido por Hugo. Na saída de campo no intervalo, um torcedor continuou as ofensas contra o goleiro; Hugo ouviu e reclamou em direção às arquibancadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No segundo tempo, após uma cobrança de tiro de meta em que chutou errado para a lateral, Hugo voltou a reclamar das ofensas e acionou a arbitragem. O capitão do Rosario Central, Ángel Di María, chegou a pedir calma aos torcedores ao ser avisado das ofensas pelo goleiro. O árbitro uruguaio Andrés Matonte fez o sinal de protocolo antirracismo com os braços, comunicando o ocorrido ao delegado da partida, mas não paralisou o jogo naquele momento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Corinthians emitiu nota oficial repudiando o episódio. Confira, na íntegra, o posicionamento do clube:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>&#8220;O Sport Club Corinthians Paulista repudia veementemente e lamenta mais um episódio de racismo no futebol.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Na noite desta quinta-feira (13), no confronto contra o Rosario Central no estádio Gigante de Arroyito, válido pelas oitavas de final da CONMEBOL Libertadores, torcedores da equipe mandante cometeram atos racistas na arquibancada voltados ao goleiro Hugo Souza, do Timão, durante a partida.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>O Clube cobrará uma investigação que resulte na identificação e punições apropriadas aos torcedores que cometeram tais atos.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>É revoltante estarmos, mais uma vez, presenciando cenas como esta que não representam o que é o futebol.&#8221;</em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Idosa resgatada no Ceará após 55 anos de trabalho análogo à escravidão era chamada de “mãe preta” pela família </title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/idosa-resgatada-ceara-55-anos-mae-preta/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Karina Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Jul 2026 14:12:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Racismo]]></category>
		<category><![CDATA[ÚLTIMAS NOTÍCIAS]]></category>
		<category><![CDATA[Ceará]]></category>
		<category><![CDATA[direitos trabalhistas]]></category>
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		<category><![CDATA[racismo]]></category>
		<category><![CDATA[trabalho doméstico]]></category>
		<category><![CDATA[trabalho escravo contemporâneo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Trabalhadora come&#231;ou a realizar servi&#231;os dom&#233;sticos aos 7 anos, sem acesso &#224; escola, sal&#225;rio mensal ou descanso; uma das empregadoras foi exonerada de cargo p&#250;blico. Meses antes de uma trabalhadora dom&#233;stica negra, de 62 anos, ser resgatada de uma situa&#231;&#227;o de trabalho an&#225;logo &#224; escravid&#227;o no Cear&#225;, uma publica&#231;&#227;o nas redes sociais da fam&#237;lia para [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Trabalhadora começou a realizar serviços domésticos aos 7 anos, sem acesso à escola, salário mensal ou descanso; uma das empregadoras foi exonerada de cargo público.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Meses antes de uma trabalhadora doméstica negra, de 62 anos, ser resgatada de uma situação de trabalho análogo à escravidão no Ceará, uma publicação nas redes sociais da família para a qual ela trabalhava a chamava de “nossa mãe preta”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Parabéns para a nossa mãe preta, aquela que Deus enviou como um anjo em nossas vidas”, dizia parte da mensagem. A publicação também apresentava a trabalhadora como exemplo de amor materno incondicional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O discurso público de afeto contrasta com as condições identificadas pela Auditoria-Fiscal do Trabalho. Segundo a fiscalização, a mulher começou a executar serviços domésticos aos 7 anos, não teve acesso à educação formal, trabalhou sem receber salário mensal e permaneceu em situação de dependência econômica durante mais de cinco décadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A expressão “mãe preta” remete a uma construção histórica originada no período escravista, quando mulheres negras eram responsabilizadas pelo cuidado e, em muitos casos, pela amamentação dos filhos de famílias brancas. No caso investigado no Ceará, o termo aparecia associado a uma narrativa de pertencimento familiar que, conforme os auditores, não se transformou em acesso aos mesmos direitos, oportunidades e condições de vida dos demais integrantes da casa.</p>



<h3 id="h-trabalho-domestico-comecou-aos-7-anos" class="wp-block-heading"><strong>Trabalho doméstico começou aos 7 anos</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">A história teve início em 1971, quando a trabalhadora chegou, ao lado da irmã, à residência da primeira geração da família. Enquanto as crianças da casa frequentavam a escola, as duas meninas realizavam atividades domésticas e permaneciam sem acesso à educação formal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 1982, a trabalhadora passou a morar com uma das filhas da primeira empregadora. Na nova residência, ficou responsável pelos serviços domésticos e pela criação dos três filhos do casal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já em 2014, ela foi levada para a casa da geração seguinte da mesma família, no município de Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza. A partir daquele período, passou a acumular a limpeza e a organização da residência com o cuidado diário de duas crianças.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No momento da fiscalização, a jornada começava por volta das 4h30. A trabalhadora preparava refeições, limpava a casa e organizava a rotina das crianças, de 7 e 11 anos. As atividades continuavam mesmo ela sendo hipertensa e apresentando episódios recorrentes de mal-estar em momentos de estresse.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Benefício social era administrado pela empregadora</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante as cinco décadas de trabalho, a mulher não recebeu salário mensal nem conquistou autonomia financeira. Ela também permaneceu sem oportunidades educacionais e sem a possibilidade de constituir patrimônio próprio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A trabalhadora estava inscrita no Cadastro Único e recebia R$ 600 mensais do Bolsa Família. Segundo a fiscalização, os procedimentos para retirada do benefício eram intermediados pela empregadora.</p>



<h3 id="h-empregadora-foi-exonerada-de-cargo-publico" class="wp-block-heading"><strong>Empregadora foi exonerada de cargo público</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Zaamarah Alencar Brasil Andrade, integrante da terceira geração da família e uma das empregadoras mais recentes da trabalhadora, foi exonerada do cargo comissionado de assessora técnica da Secretaria Municipal da Conservação e Serviços Públicos de Fortaleza.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A exoneração foi assinada pelo prefeito Evandro Leitão e publicada no Diário Oficial do Município na quarta-feira, 8 de julho. Zaamarah ocupava o cargo desde março de 2017. Ela e outros cinco familiares assinaram um Termo de Ajustamento de Conduta com o MPT.<a href="https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/ceara/investigada-por-manter-idosa-trabalhando-sem-salario-e-exonerada-de-cargo-publico-no-ceara-1.3776169">&nbsp;</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">A Auditoria-Fiscal concluiu que a ausência de remuneração, a dependência econômica e a permanência no mesmo núcleo familiar desde a infância caracterizavam uma grave violação da dignidade da trabalhadora e uma situação de trabalho análogo à escravidão. A operação foi concluída em 2 de julho, com participação do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), do Ministério Público do Trabalho (MPT), da Polícia Federal e da equipe psicossocial do Centro de Referência em Direitos Humanos do Ceará.</p>



<h3 id="h-direitos-trabalhistas-ultrapassam-r-1-5-milhao" class="wp-block-heading"><strong>Direitos trabalhistas ultrapassam R$ 1,5 milhão</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Os empregadores reconheceram o vínculo profissional apenas a partir de 21 de julho de 2014, período correspondente à residência da terceira geração da família.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Auditoria-Fiscal concluiu que a ausência de remuneração, a dependência econômica e a permanência no mesmo núcleo familiar desde a infância caracterizavam uma grave violação da dignidade da trabalhadora e uma situação de trabalho análogo à escravidão, e calculou que os direitos relativos aos 55 anos de trabalho da idosa, somados aos salários não pagos, férias, 13º salários, FGTS, verbas rescisórias e horas extras decorrentes da ausência de descanso semanal, ultrapassam R$ 1,5 milhão em créditos trabalhistas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O TAC determina o pagamento de R$ 50 mil em verbas rescisórias e indenizatórias, além da aquisição de um imóvel mobiliado para a trabalhadora, no valor mínimo de R$ 150 mil. A família também deverá custear as contribuições previdenciárias até que ela consiga se aposentar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O acordo não representa a quitação integral dos direitos estimados pela fiscalização. A trabalhadora ainda poderá recorrer à Justiça para cobrar outros valores e indenizações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em nota, a defesa da família negou as acusações e afirmou que havia uma relação de “convivência, cuidado e afeto”. Também declarou que a trabalhadora teria recebido remuneração, férias, plano de saúde e contribuições previdenciárias. As alegações deverão ser analisadas pelas autoridades responsáveis.</p>
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		<item>
		<title>Fifa investiga caso de racismo de torcedores argentinos contra IShowSpeed</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/fifa-investiga-caso-de-racismo-de-torcedores-argentinos-contra-ishowspeed/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carolina Viana]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Jul 2026 08:57:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Racismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Fifa apura ofensas racistas contra IShowSpeed em partidas da Argentina na Copa. Streamer foi alvo de torcedores argentinos em dois jogos diferentes do Mundial. A Fifa confirmou nesta ter&#231;a-feira (7) a abertura de uma investiga&#231;&#227;o sobre um epis&#243;dio de racismo contra o streamer americano IShowSpeed, ocorrido durante a partida entre Argentina e Cabo Verde, disputada [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Fifa apura ofensas racistas contra IShowSpeed em partidas da Argentina na Copa. Streamer foi alvo de torcedores argentinos em dois jogos diferentes do Mundial.<br></p>



<p class="wp-block-paragraph">A Fifa confirmou nesta terça-feira (7) a abertura de uma investigação sobre um episódio de racismo contra o streamer americano IShowSpeed, ocorrido durante a partida entre Argentina e Cabo Verde, disputada no dia 3 de julho no Hard Rock Stadium, em Miami, pelos oitavos de final da Copa do Mundo de 2026.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Darren Watkins Jr, nome real do influenciador conhecido como IShowSpeed, acompanhava o jogo nas arquibancadas vestido com a camisa da seleção cabo-verdiana enquanto transmitia o confronto ao vivo para milhões de seguidores em suas redes sociais. Durante a transmissão, um torcedor identificado com a camisa da Argentina dirigiu ofensas de caráter racial ao criador de conteúdo, incluindo uma expressão discriminatória. Segundo reportagens, o torcedor teria dito ainda, em espanhol, para o streamer &#8220;ir chorar no zoológico&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vídeos do episódio circularam rapidamente pelas redes sociais e chegaram ao conhecimento da entidade máxima do futebol mundial, que se pronunciou por meio de comunicado oficial. A Fifa afirmou ter sido informada do incidente envolvendo um torcedor e IShowSpeed no estádio de Miami e ter iniciado a apuração imediatamente após tomar conhecimento do caso.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/07/card-2026-07-08T091526.545-1024x576.png" alt="" class="wp-image-96822" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/07/card-2026-07-08T091526.545-1024x576.png 1024w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/07/card-2026-07-08T091526.545-300x169.png 300w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/07/card-2026-07-08T091526.545-150x84.png 150w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/07/card-2026-07-08T091526.545-768x432.png 768w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/07/card-2026-07-08T091526.545-747x420.png 747w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/07/card-2026-07-08T091526.545-696x391.png 696w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/07/card-2026-07-08T091526.545-1068x600.png 1068w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/07/card-2026-07-08T091526.545.png 1366w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Foto: reprodução/Youtube Ishowpeed</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;A Fifa condena veementemente o racismo, o ódio e a discriminação em todas as suas formas. Essas ações não têm lugar no futebol, na Copa do Mundo da Fifa ou em qualquer espaço da sociedade&#8221;, declarou a entidade, acrescentando que o torneio deve representar valores de união, diversidade e respeito entre povos e culturas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O episódio é o primeiro caso de suposto racismo em arquibancadas investigado oficialmente pela Fifa nesta edição do Mundial. A partida em que a ofensa ocorreu terminou com vitória argentina por 3 a 2 após a prorrogação, resultado que eliminou a seleção cabo-verdiana em sua estreia histórica em fases eliminatórias de uma Copa do Mundo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O caso de IShowSpeed se soma a outro episódio de racismo registrado durante o torneio nesta semana. O atacante francês Kylian Mbappé foi alvo de ofensas raciais publicadas pela senadora paraguaia Celeste Amarilla em sua conta oficial em uma rede social, após a eliminação do Paraguai diante da França pelas oitavas de final. Mbappé respondeu publicamente às declarações da senadora, classificando o comportamento dela como incompatível com a representação do país.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Fifa não informou se os responsáveis pelas ofensas contra IShowSpeed já foram identificados nem qual etapa a investigação atravessa. A entidade deve analisar as gravações da transmissão e possíveis registros de câmeras do estádio para concluir a apuração.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Processo inédito pode tirar cargo de juiz por racismo religioso contra chef Solange Borges</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/processo-inedito-cargo-juiz-racismo-religioso-chef-solange-borges/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Halitane Rocha]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Jun 2026 20:17:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Racismo]]></category>
		<category><![CDATA[ÚLTIMAS NOTÍCIAS]]></category>
		<category><![CDATA[candomble]]></category>
		<category><![CDATA[chef Solange Borges]]></category>
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		<category><![CDATA[Racismo Religioso]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Tribunal de Justiça da Bahia instaura processo contra juiz por racismo religioso. Pela primeira vez na história, magistrado pode perder o cargo. Entenda.</p>
<p>O post <a href="https://mundonegro.inf.br/processo-inedito-cargo-juiz-racismo-religioso-chef-solange-borges/">Processo inédito pode tirar cargo de juiz por racismo religioso contra chef Solange Borges</a> apareceu primeiro em <a href="https://mundonegro.inf.br">Mundo Negro</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Em uma decisão que pode criar um precedente histórico no Judiciário brasileiro, o<strong> Tribunal de Justiça da Bahia </strong>(TJBA) instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra o<strong> juiz Cesar Augusto Borges de Andrade</strong>. O magistrado é acusado de racismo religioso, e esta é a primeira vez no país que um membro da magistratura corre o risco real de perder o cargo devido a práticas racistas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A denúncia que originou o processo foi apresentada pelo <strong>Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afro-Brasileiras (IDAFRO) </strong>e pela<a href="https://hubmundonegro.substack.com/p/racismo-religioso-chef-solange-borges" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> <strong>chef Solange Borges</strong></a>. O caso aconteceu em fevereiro deste ano, no Fórum de Camaçari (BA), quando o juiz ordenou a retirada da fotografia da sacerdotisa do Candomblé que fazia parte de uma exposição. Para justificar o ato violento contra a memória e a fé de matriz africana, o magistrado alegou a &#8220;preservação da laicidade do Estado&#8221;. No entanto, uma imagem de um santo católico foi mantida no mesmo espaço, evidenciando o caráter seletivo e discriminatório da decisão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao abrir o PAD, o próprio tribunal baiano reconheceu que há indícios suficientes de que o princípio da laicidade foi instrumentalizado para atingir e invisibilizar as religiões de matriz africana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o Dr. Hédio Silva, advogado de Solange Borges e presidente do IDAFRO, a abertura do processo é um divisor de águas, mas também escancara a urgência de uma reforma estrutural na formação dos juízes brasileiros. “Pela primeira vez na história um juiz poderá perder o cargo por prática de racismo. Enquanto o Judiciário não investir nas provas dos concursos públicos, nos processos seletivos de juízes e no aprimoramento da formação dos magistrados, vamos continuar recorrendo às sanções. Ninguém comemora ver um juiz perder o cargo por qualquer razão que seja. Mas, enquanto não houver um trabalho preventivo, sobretudo de qualificação e formação dos magistrados, continuaremos utilizando o PAD, as representações criminais e o direito penal para combater as práticas racistas.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">O advogado destaca, ainda, que a relevância do processo ultrapassa a responsabilização individual do magistrado e alcança a própria atuação institucional do Poder Judiciário. “Este processo afirma que o princípio da laicidade não pode ser manipulado para invisibilizar religiões de matriz africana enquanto símbolos de outras tradições permanecem naturalizados nos espaços públicos. Quando a seletividade recai justamente sobre expressões religiosas afro-brasileiras, não estamos diante de um debate abstrato sobre neutralidade do Estado, mas de um caso concreto de racismo. A abertura do PAD demonstra que o Judiciário também precisa responder aos parâmetros constitucionais de igualdade.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Historicamente, magistrados que cometiam faltas graves eram &#8220;punidos&#8221; com a aposentadoria compulsória — mantendo seus vencimentos intactos. Mas com as recentes alterações nas sanções disciplinares da magistratura, a perda definitiva do cargo tornou-se uma realidade palpável para casos de extrema gravidade, como o crime de racismo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Soweto: o levante estudantil que acelerou a queda do apartheid</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/soweto-o-protesto-estudantil-que-acelerou-a-queda-do-apartheid/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carolina Viana]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Jun 2026 10:13:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Racismo]]></category>
		<category><![CDATA[áfrica do sul]]></category>
		<category><![CDATA[apartheid]]></category>
		<category><![CDATA[história negra na Alemanha]]></category>
		<category><![CDATA[instagram]]></category>
		<category><![CDATA[levante de soweto]]></category>
		<category><![CDATA[soweto]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em 16 de junho de 1976, estudantes negros de Soweto enfrentaram o apartheid e mudaram a hist&#243;ria da &#193;frica do Sul. Conhe&#231;a o levante que abalou o mundo. O apartheid transfom lei e a educa&#231;&#227;o em instrumento de controle O regime de segrega&#231;&#227;o racial implementado na &#193;frica do Sul em 1948 pelo Partido Nacional, composto [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Em 16 de junho de 1976, estudantes negros de Soweto enfrentaram o apartheid e mudaram a história da África do Sul. Conheça o levante que abalou o mundo.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O apartheid transfom lei e a educação em instrumento de controle</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O regime de segregação racial implementado na África do Sul em 1948 pelo Partido Nacional, composto por uma minoria branca, foi chamado de apartheid, palavra que em africâner significa separação. O que o nome descrevia com frieza burocrática era, na prática, um sistema que decidia onde cada pessoa podia morar, estudar, trabalhar, circular e se tratar, com base exclusivamente na cor de sua pele. A população sul-africana foi dividida oficialmente em categorias raciais: brancos, negros, mestiços e indianos, e o governo produziu uma legislação extensa para garantir que essa divisão fosse absoluta e permanente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Casamentos inter-raciais eram proibidos, e o ato sexual entre pessoas de raças diferentes era punido com prisão. Negros não votavam, não ocupavam cargos no governo e não tinham acesso às mesmas estruturas públicas que os brancos. O apartheid não inventou o racismo sul-africano, que vinha sendo construído desde a colonização holandesa no século XVII e depois aprofundado pelos britânicos. O que ele fez foi organizar esse racismo, legislá-lo e torná-lo obrigatório. A educação, dentro desse sistema, funcionava como instrumento de rebaixamento deliberado: negros pagavam para frequentar escolas superlotadas com professores desqualificados, enquanto a educação para os brancos era gratuita e de qualidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Soweto existia para servir Joanesburgo e nunca para pertencer a ela</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Construída como cidade-dormitório a 16 quilômetros de Joanesburgo, Soweto foi erguida pelo regime do apartheid para abrigar exclusivamente os negros que trabalhavam nas minas de ouro, nas fábricas e nas residências dos brancos da área metropolitana. O nome é uma contração de South Western Townships, as cidades-satélite criadas para manter a população negra afastada dos centros urbanos habitados por brancos. A lógica era simples e brutal: a força de trabalho negra era indispensável para o funcionamento da economia sul-africana, mas sua presença nas cidades brancas precisava ser controlada, limitada e, ao fim do expediente, devolvida para longe.</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img decoding="async" width="612" height="299" src="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-31.png" alt="" class="wp-image-96171" style="aspect-ratio:2.0468774496995037;width:784px;height:auto" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-31.png 612w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-31-300x147.png 300w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-31-150x73.png 150w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-31-533x261.png 533w" sizes="(max-width: 612px) 100vw, 612px" /><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Getty Images / Goddard_Photography</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Dentro desse arranjo, o sistema educacional funcionava como mais um mecanismo de contenção. As escolas de Soweto eram pagas, superlotadas e contavam com professores sem a qualificação exigida nas escolas brancas, que eram gratuitas e financiadas pelo Estado.  Em 1974, o governo tornou ainda mais difícil ao publicar o chamado Decreto do Meio Africâner, determinando que as escolas secundárias para alunos negros passariam a ensinar matemática, ciências sociais e geografia obrigatoriamente no idioma africâner.  Os estudantes se recusaram a aprender a língua dos colonizadores. </p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Uma geração formada para resistir chegou às ruas com consciência e organização</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os estudantes que marcharam em 16 de junho de 1976 não chegaram àquele ponto por impulso. Stephen Bantu Biko, ativista nascido em 1946, havia transformado a relação da juventude negra sul-africana com sua própria identidade por meio do Movimento da Consciência Negra. Em 1972, Biko fundou a Black Peoples Convention, que reuniu cerca de 70 grupos e associações, entre eles o South African Student&#8217;s Movement, organização estudantil que desempenhou papel central na articulação do levante de Soweto. O movimento adotou o slogan &#8220;Black is Beautiful&#8221; e combatia a noção de inferioridade que o regime tentava instalar na população negra desde a infância.</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img decoding="async" width="612" height="462" src="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-32.png" alt="" class="wp-image-96172" style="aspect-ratio:1.3246863056786282;width:767px;height:auto" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-32.png 612w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-32-300x226.png 300w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-32-150x113.png 150w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-32-556x420.png 556w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-32-80x60.png 80w" sizes="(max-width: 612px) 100vw, 612px" /><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Getty Images / Bettmann</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Biko entendia que o apartheid não operava apenas por leis e violência física. Ele funcionava também ao convencer os próprios oprimidos de que eram menos. Combater essa crença era, para ele, tão urgente quanto combater qualquer decreto do governo. Até aquele momento, o Congresso Nacional Africano, principal movimento de libertação do país, estava enfraquecido pela prisão de Nelson Mandela e de outros líderes. Foi nesse espaço que as ideias de Biko ganharam força entre os jovens. Os estudantes de Soweto chegaram ao 16 de junho com consciência política formada, cartazes escritos à mão e clareza sobre o que estavam fazendo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Entre 10 mil e 20 mil estudantes saíram às ruas cantando. </strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O fotojornalista Sam Nzima, do jornal The World, principal veículo da comunidade negra de Joanesburgo, chegou a Soweto antes do sol nascer. A redação havia sido informada de que haveria uma grande marcha estudantil naquele dia. Nzima encontrou os alunos na Naledi High School às 6h da manhã e os acompanhou enquanto escreviam os cartazes que carregariam durante o protesto. À medida que as horas avançavam, os estudantes começaram a caminhar em direção ao Orlando Stadium, onde planejavam fazer um comício. No Morris Isaacson High School, o líder estudantil Tsietsi Mashinini subiu em uma árvore para ser visto e pediu à multidão, que já somava cerca de 15 mil pessoas, que mantivessem a ordem e a paz. Os cartazes diziam &#8220;Abaixo o Africâner&#8221;. Os jovens cantavam em suas línguas maternas: zulu, xhosa, sotho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A marcha seguia pacífica quando a polícia interveio. Um policial atirou uma bomba de gás lacrimogêneo, outro achou que eram os estudantes que tinham disparado, e todos começaram a atirar contra a multidão. Em segundos, uma passeata de jovens desarmados virou campo de batalha. Hector Pieterson, de 12 anos, foi uma das primeiras vítimas. A perícia realizada após sua morte revelou que ele foi atingido por um tiro disparado diretamente contra ele, não por uma bala ricocheteada no chão, como a polícia afirmou. Sam Nzima fotografou Hector sendo carregado pelo estudante de 18 anos Mbuyisa Makhubo, com a irmã de Hector, Antoinette, correndo ao lado com o uniforme escolar e o rosto desfigurado pelo choque. A imagem foi publicada naquele mesmo dia na edição vespertina do The World. No dia seguinte, a revista Time foi a primeira publicação internacional a circular a foto, seguida pela Reuters, que a distribuiu para redações em todo o mundo. A imagem foi reconhecida pela Time entre as 100 fotografias mais influentes do século. O próprio Nzima refletiu anos depois que havia quem acreditasse que aquela fotografia havia libertado a África do Sul, por causa das expressões nos rostos das pessoas nela retratadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O massacre se espalhou pelo país e o regime nunca mais foi o mesmo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Pelo menos 23 pessoas morreram no primeiro dia do levante, duas delas brancas e favoráveis à integração racial. Por três dias, em várias partes do país, houve confrontos, incêndios e saques, com centenas de mortos e mais de mil feridos. A revolta não ficou contida em Soweto. Espalhou-se por outras cidades e regiões da África do Sul, transformando o que começou como um protesto estudantil em uma insurreição que o regime não esperava e não soube conter. O governo designou o juiz Petrus Malan Cillié para liderar uma comissão encarregada de registrar e analisar o levante. A Comissão Cillié constatou oficialmente 575 mortos, mas há a compreensão geral de que o número real seria maior, e que dados podem ter sido omitidos para evitar prisões. Estatísticas não oficiais apontam até 700 mortos e 4 mil feridos ao longo de todo o período de agitação que se seguiu ao 16 de junho.</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="612" height="447" src="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-33.png" alt="" class="wp-image-96173" style="width:720px;height:auto" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-33.png 612w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-33-300x219.png 300w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-33-150x110.png 150w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-33-575x420.png 575w" sizes="(max-width: 612px) 100vw, 612px" /><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Getty Images/ Keystone</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Mbuyisa Makhubo, o jovem que aparece na fotografia carregando Hector Pieterson, tornou-se alvo da polícia do apartheid após a imagem circular pelo mundo. Ele fugiu da África do Sul e desapareceu na Nigéria em 1979, com 21 anos. Nunca foi encontrado.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Soweto marcou o início do fim do apartheid e o nascimento de uma data que o mundo passou a reconhecer</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Com o Levante de Soweto iniciou-se a contagem regressiva para o fim do apartheid. A data 16 de junho passou a ser chamada de Dia da Juventude na África do Sul, marcando o começo de uma série de manifestações que se prolongariam por 18 anos e culminariam nas primeiras eleições democráticas do país, em 1994, vencidas pelo Congresso Nacional Africano com Nelson Mandela eleito presidente. A exposição internacional da brutalidade do regime intensificou sanções econômicas e o isolamento diplomático da África do Sul, corroendo as bases de sustentação do apartheid por dentro e por fora. Em 1991, a Organização da Unidade Africana instituiu o 16 de junho como Dia Internacional da Criança Africana, em memória das vítimas de Soweto e em defesa dos direitos das crianças e jovens africanos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mesmo após as eleições de 1994, as décadas de educação deliberadamente precarizada deixaram marcas profundas no sistema educacional sul-africano. Em 2015, estudantes voltaram às ruas com o movimento Fees Must Fall, protestando contra as taxas cobradas nas universidades públicas. Um dos cartazes carregados durante aquelas manifestações dizia: &#8220;Pensei que tínhamos tido essa conversa em 1976.&#8221; O Museu Hector Pieterson foi inaugurado em Soweto em 2002, a poucos metros do local onde o menino foi baleado. Antoinette Sithole, a irmã que aparece correndo na fotografia de Sam Nzima, ainda vive em Soweto e segue contando o que aconteceu naquele dia. Algumas histórias não envelhecem. Elas cobram resposta.</p>
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		<title>Thelminha ganha processo de racismo contra Rodrigo Branco; empresário terá que pagar R$ 40 mil</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Karina Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Jun 2026 17:01:03 +0000</pubDate>
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<p class="wp-block-paragraph">A Justiça de São Paulo condenou o empresário Rodrigo Branco, ex-diretor da Band, ao pagamento de R$ 40 mil em indenização por danos morais à médica e campeã do Big Brother Brasil 2020, Thelma Assis. A decisão é resultado de um processo movido após declarações feitas por ele durante uma live realizada em 2020, quando afirmou que o público votava em Thelma por ela ser uma &#8220;negra coitada&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesta tarde, Thelma se manifestou nas redes sociais sobre a condenação e destacou a importância do reconhecimento judicial do caso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Eu precisava que a justiça reconhecesse o fato, e ela foi feita. Foram seis anos lutando praticamente sozinha, somente com o apoio da minha família e dos meus advogados, contra uma injúria racial covarde, já que eu estava confinada na época do ocorrido e não pude me defender&#8221;, escreveu.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A médica também ressaltou o impacto emocional e simbólico da decisão após anos de tramitação do processo. Sua manifestação foi recebida como um marco importante na busca por responsabilização em casos de violência racial.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Entenda o caso</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Durante uma transmissão ao vivo realizada enquanto o BBB 20 ainda estava em exibição, Rodrigo Branco afirmou que Thelma era &#8220;horrível&#8221; e que recebia apoio do público por ser uma &#8220;negra coitada&#8221;. Na mesma ocasião, também fez comentários sobre a jornalista Maju Coutinho, afirmando que ela estaria em sua posição profissional &#8220;por causa da cor&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As declarações geraram ampla repercussão nas redes sociais e foram criticadas por reforçarem estereótipos raciais que desconsideram trajetórias construídas por mérito, competência e talento.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Justiça reconhece caráter discriminatório das declarações</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Na sentença, a juíza Flávia Ribeiro afirmou que o empresário, &#8220;na tentativa de diminuir os evidentes atributos pessoais de Thelma, carisma, talento, competência, entre outros&#8221;, praticou um &#8220;comportamento discriminatório que não se pode admitir&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A magistrada também entendeu que as declarações ultrapassaram a esfera individual e atingiram a coletividade ao reforçarem padrões históricos de exclusão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo a decisão, a fala não apenas atingiu a honra da médica, mas também reproduziu mecanismos de discriminação racial presentes na sociedade brasileira. Por esse motivo, a Justiça reconheceu a gravidade do caso e determinou o pagamento da indenização, que ainda será acrescida de juros e correção monetária.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com informações do processo, Rodrigo Branco não apresentou defesa na ação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após a repercussão das declarações, ele divulgou um vídeo afirmando que já havia falado &#8220;besteiras&#8221; e que mudar de opinião fazia parte do aprendizado. Em entrevista concedida posteriormente à revista Veja, também declarou que não era racista e que suas críticas se referiam ao desempenho de Thelma no programa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mesmo com a condenação, o empresário ainda poderá recorrer da decisão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A decisão judicial ocorre seis anos após o episódio e representa um reconhecimento institucional da violência racial denunciada por Thelma Assis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Thelma, a condenação simboliza o encerramento de uma longa disputa por justiça e o reconhecimento oficial de uma violência que, segundo ela, ocorreu em um momento em que não podia sequer responder publicamente às acusações por estar confinada no reality show.</p>
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		<title>Organização antirracista pede afastamento de árbitro após gesto associado a símbolo supremacista</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carolina Viana]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Jun 2026 09:06:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Racismo]]></category>
		<category><![CDATA[Copa do Mundo 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Fare Network, parceira da Fifa no combate &#224; discrimina&#231;&#227;o, exigiu que o australiano Shaun Evans seja retirado do torneio; Fifa abriu investiga&#231;&#227;o, mas n&#227;o anunciou puni&#231;&#227;o A Fare Network, organiza&#231;&#227;o internacional que atua em parceria com a Fifa no monitoramento de discrimina&#231;&#227;o em competi&#231;&#245;es de futebol, pediu nesta segunda-feira, 15, o afastamento imediato do &#225;rbitro [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Fare Network, parceira da Fifa no combate à discriminação, exigiu que o australiano Shaun Evans seja retirado do torneio; Fifa abriu investigação, mas não anunciou punição</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">A Fare Network, organização internacional que atua em parceria com a Fifa no monitoramento de discriminação em competições de futebol, pediu nesta segunda-feira, 15, o afastamento imediato do árbitro de vídeo australiano Shaun Evans da Copa do Mundo de 2026, depois que imagens captadas durante a transmissão oficial do jogo entre Alemanha e Curaçao mostraram o profissional fazendo um gesto com a mão direita associado por especialistas a grupos supremacistas brancos. O episódio ocorreu no domingo, 14, antes do início da partida disputada em Houston, quando as câmeras do torneio exibiram por alguns segundos a equipe do VAR trabalhando no centro de operações instalado em Dallas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nas imagens que viralizaram nas redes sociais, Evans aparece com as pontas do polegar e do indicador unidas, formando um círculo, enquanto os outros três dedos permanecem estendidos. O gesto, historicamente associado ao sinal de &#8220;ok&#8221;, foi ressignificado em 2017, quando usuários do fórum americano 4chan lançaram uma campanha falsa afirmando que a configuração de mão formava as letras &#8220;w&#8221; e &#8220;p&#8221;, iniciais de &#8220;white power&#8221; em inglês. Com o tempo, grupos de extrema direita passaram a adotar o símbolo como código de reconhecimento mútuo, justamente porque ele pode passar despercebido por quem desconhece o contexto, confundido com um simples gesto de aprovação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Fare Network se pronunciou após submeter as imagens à análise de seus especialistas. &#8220;O sentimento dos nossos especialistas é que o gesto usado é claramente um &#8216;ok&#8217; invertido, usado como o símbolo de poder branco nos círculos de extrema-direita internacional&#8221;, declarou a organização, segundo O Globo. A entidade foi além da denúncia e cobrou providências diretas da Fifa: &#8220;Este árbitro não deve ter mais nenhum papel neste Mundial&#8221;, acrescentou, conforme o Jornal Record.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Fifa abriu uma investigação sobre o episódio, de acordo com informações publicadas nesta segunda-feira pelo jornal espanhol Democrata. Até o momento, porém, a entidade não anunciou a abertura de processo disciplinar formal nem comunicou qualquer decisão sobre a permanência de Evans no torneio. Procurada pela Folha de S.Paulo e por outros veículos, a Fifa não havia respondido até a publicação das primeiras matérias sobre o caso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Liga Antidifamação, organismo americano especializado no monitoramento de crimes de ódio, ponderou que nem toda pessoa que faz esse gesto está necessariamente fazendo referência à supremacia branca, uma vez que o sinal de &#8220;ok&#8221; segue em uso corrente em contextos alheios a qualquer conotação política. A ressalva é relevante para a avaliação do episódio, já que Evans não se manifestou publicamente sobre o caso até o fechamento desta reportagem, e tampouco a federação australiana emitiu qualquer nota a respeito.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Shaun Evans tem 38 anos e mais de duas décadas de carreira na arbitragem. Começou como assistente na A-League, a liga nacional australiana, foi promovido a árbitro principal em 2012 e passou a integrar o quadro internacional da Fifa em 2017. Foi eleito árbitro revelação do ano pela Federação Australiana de Futebol em 2007 e árbitro do ano pela mesma entidade em 2010. Sua primeira participação em Copas do Mundo como árbitro de vídeo ocorreu no Qatar, em 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Fare Network existe desde fevereiro de 1999, quando grupos de torcedores, sindicatos de jogadores e associações de futebol se reuniram em Viena para fundar uma rede dedicada ao combate à discriminação no esporte. Ao longo dos anos, a organização estabeleceu parcerias formais com a Fifa e a Uefa, e mantém equipes de monitoramento ativas durante grandes torneios internacionais. O fato de a Fare ter parceria oficial com a Fifa confere peso institucional ao pedido de afastamento, diferente de uma cobrança vinda apenas de torcedores nas redes sociais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O caso ganhou dimensão adicional pelo contexto esportivo em que ocorreu: a seleção de Curaçao, adversária da Alemanha na partida em questão, é composta majoritariamente por jogadores negros, originários de uma ilha caribenha com população predominantemente afrodescendente. A Alemanha venceu o jogo por 7 a 1, mas o placar ficou em segundo plano nas redes sociais, superado pela repercussão das imagens do árbitro. Os desdobramentos do caso dependem agora do resultado da investigação aberta pela Fifa, que precisará se posicionar publicamente antes da próxima rodada do torneio.</p>
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		<title>Violência contra população em situação de rua soma 150 mil casos em 10 anos; 78% são negras</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/violencia-contra-pessoas-em-situacao-de-rua-fez-150-mil-vitimas-em-10-anos-78-sao-negras/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carolina Viana]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Jun 2026 09:03:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Racismo]]></category>
		<category><![CDATA[direitos humanos]]></category>
		<category><![CDATA[homem negro]]></category>
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		<category><![CDATA[População Negra]]></category>
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		<category><![CDATA[violência urbana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Estudo da UFMG revela 150 mil agress&#245;es contra pessoas em situa&#231;&#227;o de rua em uma d&#233;cada. 78% das v&#237;timas s&#227;o pretas ou pardas. Entenda o que os dados revelam. O Brasil registrou 150 mil epis&#243;dios de viol&#234;ncia contra pessoas em situa&#231;&#227;o de rua entre 2014 e 2023. Os dados s&#227;o do estudo &#8220;A Cartografia Invis&#237;vel: [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Estudo da UFMG revela 150 mil agressões contra pessoas em situação de rua em uma década. 78% das vítimas são pretas ou pardas. Entenda o que os dados revelam.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">O Brasil registrou 150 mil episódios de violência contra pessoas em situação de rua entre 2014 e 2023. Os dados são do estudo &#8220;A Cartografia Invisível: 10 anos de Violência contra a População em Situação de Rua&#8221;, produzido pelo Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua da Universidade Federal de Minas Gerais (OBPopRua/UFMG) e divulgado pela Agência Brasil em junho de 2026. Mesmo com esse volume, os pesquisadores alertam que o número real é muito maior: 70% das vítimas nunca buscam atendimento após uma agressão, em grande parte por desconfiança das instituições e por experiências anteriores de discriminação, conforme explicou à Agência Brasil o professor André Luiz Freitas Dias, coordenador do observatório.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A cada dia, pelo menos 120 casos graves chegam ao sistema de saúde. Em 75% dessas ocorrências, as lesões exigiram intervenção médica aguda, e em 12% o desfecho foi trauma físico grave ou morte, segundo o mesmo levantamento. O ataque físico responde por 65% dos casos notificados, seguido pela violência psicológica, com 42%, pela negligência e abandono, com 18%, pela violência sexual, com 15%, e pela violência autoprovocada, com 10%.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Quem são as vítimas e por que isso não é acidente</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Pretos e pardos respondem por 78% das notificações de violência contra a população em situação de rua, e jovens entre 15 e 49 anos concentram 82% do total de ataques, de acordo com os dados do OBPopRua/UFMG cruzados pelo Sinan e pelo Disque 100. O coordenador do estudo declarou à Agência Brasil que esse perfil não é coincidência: &#8220;A violência atinge de forma desproporcional jovens negros que vivem em espaços públicos, refletindo a combinação entre racismo estrutural, pobreza e exclusão social.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Compreender por que a rua tem cor exige olhar para o que a abolição de 1888 não fez, e os números do OBPopRua/UFMG são a resposta mais direta a essa pergunta. A Lei Áurea tinha dois artigos e não previa indenização, acesso à terra, moradia ou qualquer política de inserção social para a população negra recém-liberta. A pesquisadora Shirley Pimentel, em entrevista publicada pelo Instituto Federal da Bahia, foi direta: &#8220;Não teve indenização, não teve acesso à terra, não teve acesso à escolarização. Foi uma liberdade falsa e sofremos até hoje as consequências dela, pois a cidadania efetiva da população negra ainda não ocorreu.&#8221; O portal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais registrou avaliação semelhante de especialista consultado pela instituição: &#8220;O Brasil foi o último país das Américas a abolir a escravidão e não implementou políticas de integração social após a abolição. Esse vazio institucional consolidou o que chamamos de racismo estrutural.&#8221; Os 78% de pretos e pardos entre as vítimas de violência nas ruas, registrados pelo OBPopRua/UFMG, são a medida concreta desse vazio.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A violência do Estado e a higienização urbana</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Robson César Correia de Mendonça, presidente do Movimento Estadual da População em Situação de Rua de São Paulo, relatou à Agência Brasil que em São Paulo três pessoas em situação de rua são agredidas por dia, e que as agressões partem com frequência das próprias ações do poder público: &#8220;Eles são agredidos diariamente, seja nas ações da zeladoria ou sendo expulsos dos locais que escolhem para ficar.&#8221; O estudo do OBPopRua/UFMG confirma que a violência também ocorre dentro de instituições de acolhimento e abrigos, e que agentes do Estado praticam agressões principalmente durante ações de zeladoria e remoções. Pesquisa publicada pela revista Virtuajus da PUC Minas aponta que essas práticas têm como objetivo afastar corpos negros e empobrecidos das áreas centrais das cidades, reproduzindo o mesmo projeto que orientou as reformas urbanas do início do século XX, quando o chamado embelezamento das cidades significava, na prática, remoção de populações negras dos centros, conforme documentado pelo Jornal da USP.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Maioria homem, maioria negro, maioria invisível</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A predominância masculina entre a população agredida nas ruas costuma ser lida como confirmação de um estigma sobre homens negros e pobres. O Projeto MAN, que pesquisa masculinidade e vulnerabilidade social, apresenta outra leitura: a noção de honra associada à masculinidade leva esses homens a resistirem a pedir ajuda, por acreditarem que admitir necessidade os tornaria menos homens, o que os afasta das redes de assistência antes que o colapso se torne irreversível. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao mesmo tempo, o estudo do OBPopRua/UFMG aponta que, embora a maioria das vítimas seja masculina, mulheres e pessoas trans em situação de rua enfrentam risco significativamente maior de sofrer agressões com consequências graves ou fatais. Fatores como deficiência, transtornos mentais e identidade de gênero ampliam ainda mais essa vulnerabilidade, especialmente nas formas de violência sexual e institucional, segundo os pesquisadores da UFMG à Agência Brasil.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Um ciclo que só cresce</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As denúncias registradas no Disque 100 passaram de 12,5 mil em 2020 para 45,8 mil em 2023, de acordo com o OBPopRua/UFMG. Em estados como São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Ceará e Rio de Janeiro, os indicadores registram aceleração entre 127% e 206%. O pesquisador Freitas Dias concluiu à Agência Brasil que esse ciclo não será interrompido por ações de segurança pública isoladas: &#8220;Somente por meio de políticas públicas integradas e sustentáveis será possível interromper o ciclo de exclusão e violência que afeta milhares de pessoas em situação de rua em todo o país.&#8221; Mendonça, do Movimento de São Paulo, resumiu a raiz do problema em uma frase dita à Agência Brasil: &#8220;Ser pobre, negro e favelado no Brasil é ser visto como criminoso.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Fontes consultadas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Agência Brasil, OBPopRua/UFMG, Instituto Federal da Bahia, Tribunal de Justiça de Minas Gerais, Revista Virtuajus/PUC Minas, Jornal da USP, Projeto MAN</p>



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		<title>Estudante de odontologia que publicou guia antirracista processa universidade após risco de desligamento e denuncia discriminação</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Karina Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 May 2026 18:02:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Racismo]]></category>
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		<category><![CDATA[racismo estrutural]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A estudante do &#250;ltimo semestre de odontologia da Universidade Veiga de Almeida (UVA), Ariane Moura Reis, entrou na Justi&#231;a contra a institui&#231;&#227;o ap&#243;s se tornar alvo de um processo administrativo disciplinar que pode resultar em sua expuls&#227;o do curso. A defesa da estudante acusa a institui&#231;&#227;o de ensino de conduzir o procedimento em sigilo, sem [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">A estudante do último semestre de odontologia da Universidade Veiga de Almeida (UVA), Ariane Moura Reis, entrou na Justiça contra a instituição após se tornar alvo de um processo administrativo disciplinar que pode resultar em sua expulsão do curso. A defesa da estudante acusa a instituição de ensino de conduzir o procedimento em sigilo, sem oferecer a garantia de acesso integral aos autos e sem assegurar plenamente seu direito à ampla defesa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ariane conquistou visibilidade nacional ao lançar um guia sobre antirracismo na odontologia, ao lado de outros profissionais da área, denunciando práticas discriminatórias historicamente naturalizadas e presentes diariamente no atendimento clínico e no ambiente acadêmico, como falhas no acolhimento de pessoas negras nos serviços de saúde e desigualdades estruturais na formação universitária.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Devido a veloz repercussão do material, a aluna começou a participar de diversas palestras e encontros em universidades e espaços acadêmicos ao redor do Brasil. Segundo a defesa, a situação teria se agravado após Ariane ser apresentada equivocadamente como “doutora” em um material de divulgação de um evento da UERJ.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após o ocorrido, a universidade decidiu pela instauração de processo administrativo disciplinar, determinando o afastamento cautelar da estudante.No mandado de segurança protocolado, os advogados defendem que Ariane foi submetida a um processo conduzido “sob manifesta clandestinidade”, sem acesso integral aos documentos e sem a real possibilidade de exercer o contraditório e a ampla defesa. A ação pede a suspensão imediata do PAD, a nulidade dos atos já praticados e a aplicação do Protocolo para Julgamento com Perspectiva Racial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A defesa também destaca que devido ao processo, a estudante, que está prestes a concluir a graduação, corre o risco de perder os últimos cinco anos de formação acadêmica, tendo assim, que enfrentar danos em sua carreira e reputação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O advogado Hédio Silva Jr., descreve o caso como uma prática discriminatória velada dentro do ambiente acadêmico. “Ariane está sendo punida não por um fato concreto de gravidade, mas porque ousou produzir conhecimento antirracista, conquistar reconhecimento público e ocupar espaços historicamente negados à população negra”, afirmou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em nota pública à imprensa, a Universidade Veiga de Almeida apresentou uma versão diferente do caso alegando ter recebido comunicação formal da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro acusando a estudante, estagiária da rede municipal, de estar se apresentando nas redes sociais como dentista formada e cirurgiã-dentista antes da conclusão da graduação e sem registro profissional. Segundo a UVA, a estudante ainda pode recorrer ao Conselho Superior Universitário para revisão da decisão com direito à ampla defesa e ao contraditório durante toda a tramitação.</p>
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		<title>Lupita Nyong´o reage a ataques racistas ao ser escalada para interpretar Helena de Tróia em “ A ODISSEIA”</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Karina Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 May 2026 15:11:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mídia]]></category>
		<category><![CDATA[Racismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A atriz Lupita Nyong&#8217;o reagiu publicamente &#224;s cr&#237;ticas racistas que recebeu ao ser escolhida para interpretar a personagem Helena de Tr&#243;ia, na adapta&#231;&#227;o de Christopher Nolan do cl&#225;ssico poema grego de Homero, The Odyssey, que chega aos cinemas brasileiros em 16 de julho. A produ&#231;&#227;o cinematogr&#225;fica &#233; uma das estreias mais aguardadas do ano e [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">A atriz Lupita Nyong&#8217;o reagiu publicamente às críticas racistas que recebeu ao ser escolhida para interpretar a personagem Helena de Tróia, na adaptação de Christopher Nolan do clássico poema grego de Homero, The Odyssey, que chega aos cinemas brasileiros em 16 de julho. A produção cinematográfica é uma das estreias mais aguardadas do ano e reúne em seu elenco nomes como Matt Damon, Anne Hathaway, Tom Holland, Robert Pattinson e Zendaya.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nyong’o interpreta simultaneamente Helena, a mulher cuja beleza foi o estopim da Guerra de Tróia, e sua irmã, Clitemnestra. Desde o anúncio, a escolha da atriz para viver uma das personagens mais emblemáticas da mitologia grega gerou uma onda de comentários racistas nas redes sociais, entre eles o do comentarista Matt Walsh, que afirmou que “ninguém no planeta realmente acha que Lupita Nyong’o é a mulher mais bonita do mundo” e acusou Nolan de ser “covarde” por não escalar uma atriz branca para o papel.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O bilionário Elon Musk também repercutiu as críticas e chegou a declarar que Nolan “perdeu sua integridade” ao escolher Lupita para integrar o elenco do longa, afirmando ainda que o diretor estaria mais preocupado com premiações do que com a fidelidade estética da personagem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lupita rebateu as críticas e defendeu a proposta artística do filme. “Esta é uma história mitológica. Eu apoio muito a intenção de Chris com isso e com a versão dessa história que ele está contando. Nosso elenco representa o mundo. Não vou gastar meu tempo pensando em uma defesa. As críticas existirão quer eu responda a elas ou não”, declarou à revista americana Elle.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lupita afirmou que trabalhar com o diretor premiado lhe permitiu explorar novas interpretações acerca da personagem e ressaltou a importância da diversidade do elenco na construção da obra cinematográfica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outros nomes do elenco também passaram a ser alvo de ataques nas redes sociais. O rapper Travis Scott e o ator Elliot Page receberam comentários racistas e transfóbicos, embora seus papéis no filme ainda não tenham sido revelados.</p>
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