Sobre Jay-Z, 4:44 e homens negros

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Foto: Reprodução Instagram

JAY-Z lançou um álbum lindo demais, impactante, desses que a gente ouve as músicas se tremendo toda.

A faixa mais linda é a que da nome ao disco “4:44”. Li em algum lugar que, em entrevista, ele diz que acordou exatamente as 4:44 da madruga e escreveu essa letra.
Dá pra sentir a angustia nas palavras, em cada uma.

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Jay fala em como errou, em como quase perdeu o amor da sua vida. Uma das frases que mais me impactou foi: “Não é pra viver sofrendo e chorando dentro dessas mansões/ não é pra ir dormir de costas viradas”.

Ele também fala “Foi preciso nascer minha filha pra eu ver através dos olhos de uma mulher/ foi preciso gêmeos naturais pra que eu acreditasse em milagre”.

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E aí apareceu muita gente dizendo que tudo isso é marketing, que Beyoncé e Jay-Z só pensam em dinheiro e estão fazendo álbuns apelativos. Eu só posso concluir que pessoas que fazem esse tipo de comentário não têm a menor ideia do que seja arte.

Ser artista, nas mais diversas áreas, é expressar suas dores, medos angústias. É dar corpo, cor, ritmo, forma, palavras, e o que mais vier, aos seus sentimentos. Arte é nossa expressão maior, nossa visão de mundo.

Está todo mundo tão acostumado a formulas, a letras genéricas e impessoais, que dar de cara com alguém se entregando a um trabalho como esse não parece certo.

Ouvindo ao álbum senti um monte de coisa. Tristeza, angustia, surpresa… Mas, ao final, fiquei feliz que Jay o tenha feito como o fez. Da mesma maneira que Beyoncé fez o “Lamonade” sabendo que atingiria em cheio muitas mulheres negras, ele sabe que está falando com muitos homens negros, e isso é sensacional!

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Porque ele fala de sentimentos, de amor, de valorizar a família, valorizar a mulher preta que está do seu lado, te dando apoio. Jay pede perdão, assume inclusive que não merece a mulher com quem se casou.

E eu parei pra pensar em quantos homens negros a gente conhece que não valorizam suas famílias, porque foram ensinados a não fazer isso. Socialmente o homem negro é o cara da farra, da festa, da boêmia, das várias mulheres. Ele não é um bom pai, ele não ama, ele não chora, ele não se arrepende.

Jay, em seu álbum, quebra tudo isso.

Temos poucas oportunidades de ver homens negros falando de suas dores, de ver homens negros admitindo seus erros, suas fragilidades.

Realmente espero que este trabalho impacte muitas pessoas negras como o “Lemonade” fez e que mais homens negros, pelo mundo, parem para pensar em como podem ser melhores para suas esposas, seus pais, seus filhos e pra si mesmos.

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