Em Medo e Raiva, filósofo investiga o que afetos considerados “sombrios” podem revelar a partir de mitos e filosofias; lançamento acontece nesta quarta (13), no Museu do Amanhã.
“O problema não é senti-los, mas desconhecê-los.” A reflexão de Renato Noguera resume uma das provocações centrais de seu novo livro, Medo e Raiva: o que os mitos e as filosofias revelam sobre nossos afetos sombrios, que será lançado nesta quarta-feira (13), no Rio de Janeiro.
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Em publicação compartilhada em seu perfil no Instagram, o filósofo questionou a forma como a sociedade costuma estabelecer uma hierarquia entre os afetos, valorizando sentimentos considerados positivos enquanto medo e raiva são frequentemente associados ao fracasso ou à falta de controle.
“Vivemos em uma cultura que nos ensina a celebrar apenas os afetos considerados ‘positivos’, como se a felicidade permanente fosse uma meta possível — e como se sentir medo ou raiva fosse um fracasso.”
É a partir dessa questão que Noguera desenvolve a proposta do livro, publicado pela HarperCollins Brasil. Em vez de tratar esses afetos como sentimentos que precisam ser eliminados, a obra propõe investigar o que eles podem comunicar.
O que medo e raiva podem revelar?
Segundo a apresentação feita pelo autor, medo e raiva também fazem parte da experiência humana e podem desempenhar diferentes funções.
“Os mitos e as filosofias nos mostram que medo e raiva não são vilões. Eles podem nos proteger, revelar nossos limites, denunciar injustiças e abrir caminhos para o autoconhecimento”, escreveu Noguera.
A obra percorre diferentes tradições mitológicas e filosóficas, entre elas as tradições iorubá, tupi-guarani, hindu, greco-romana, judaico-cristã, japonesa, inuíte, kemita e romena.
A proposta não é colocar essas tradições em uma comparação superficial, mas observar como diferentes sistemas de pensamento elaboraram experiências relacionadas ao medo, à raiva e a outros afetos considerados difíceis.
A partir de figuras como Ogum, Anhangá, Curupira, Kali, Durga e Medusa, Noguera constrói reflexões sobre limites, conflitos, justiça, transformação e autoconhecimento.
Uma crítica à ideia de felicidade permanente
O livro também questiona a expectativa de que as pessoas deveriam buscar continuamente estados emocionais considerados positivos.
Para Noguera, essa perspectiva pode transformar sentimentos como medo e raiva em problemas a serem eliminados, em vez de experiências que podem ser compreendidas.
A reflexão dialoga com psicologia, neurociência e psicanálise e com pensadores como Freud, Nietzsche, Espinosa e Derrida. O autor também aproxima a discussão de intelectuais indígenas e negros contemporâneos, como Ailton Krenak, Nêgo Bispo e Davi Kopenawa.
A partir desse diálogo, Medo e Raiva apresenta a ideia de uma “descolonização dos afetos”, questionando a maneira como diferentes emoções são hierarquizadas e interpretadas.
A proposta não é defender que medo ou raiva devam conduzir as decisões, mas compreender esses sentimentos antes de tentar silenciá-los.
Como escreveu Noguera:
“Talvez a pergunta não seja como eliminar os afetos sombrios, e sim como aprender a conviver com eles sem que eles conduzam a nossa vida.”
Lançamento no Museu do Amanhã
O lançamento de Medo e Raiva: o que os mitos e as filosofias revelam sobre nossos afetos sombrios acontece nesta quarta-feira (13), às 18h30, na Livraria Janela, no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. O encontro contará com a participação de Aza Njeri, ao lado do autor.
Serviço
Lançamento de Medo e Raiva
- Livraria Janela — Museu do Amanhã, Rio de Janeiro (RJ)
- 13 de agosto
- 18h30
- Renato Noguera e Aza Njeri
Mais informações sobre o lançamento podem ser acompanhadas nos perfis @noguera_oficial e @harpercollinsbrasil.
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