O rei Oyo Nyimba, de Uganda, morreu aos 34 anos. Ele se tornou o monarca reinante mais jovem do mundo ao assumir o trono aos três anos.
O rei Oyo Nyimba Kabamba Iguru Rukidi IV, de Uganda, morreu na noite de quinta-feira (27), aos 34 anos, após ser tratado por uma doença não revelada nos Estados Unidos. A morte foi anunciada pelo primeiro-ministro do Reino de Tooro, Calvin Armstrong Rwomiire Akiiki, em publicação na rede social X. Oyo Nyimba se tornou o monarca reinante mais jovem do mundo ao assumir o trono aos três anos de idade, em 1995, após a morte do próprio pai, o rei Patrick David Matthew Kaboyo Rwamuhokya Olimi III.
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Segundo Akiiki, o rei deixa um príncipe como herdeiro, cuja identidade só será revelada formalmente em cerimônia própria, conforme os costumes do reino. “A continuidade da Coroa está assegurada”, afirmou o primeiro-ministro em nota. A causa da morte não foi divulgada, mas um ministro do governo ugandense já havia dito, horas antes do anúncio, que o rei recebia tratamento médico crítico fora do país.
O Reino de Tooro é um dos reinos tradicionais de Uganda, localizado na região oeste do país, próximo à fronteira com a República Democrática do Congo. Fundado no início do século XIX, o reino foi extinto pelo governo ugandense em 1967, sob o então presidente Milton Obote, que buscava unificar politicamente o país eliminando as monarquias tradicionais. As instituições reais foram restauradas em 1993 como entidades culturais, sem poder político formal, mas mantendo forte influência simbólica e social sobre o povo batooro.
Coroado uma semana após o enterro do pai, o então príncipe de três anos passou por rituais tribais que o transformaram oficialmente em Omukama, título que significa “rei” no idioma local. Imagens da época mostram a criança brincando com brinquedos durante a cerimônia e chegando a tirar a coroa feita de pele de leão por considerá-la pesada demais. Até completar 18 anos, Oyo governou por meio de regentes nomeados pelo próprio reino, entre eles a mãe, a rainha Best Kemigisa, assumindo plenos poderes cerimoniais apenas em abril de 2010.
Ainda criança, o rei se tornou uma figura conhecida internacionalmente, recebendo atenção de líderes mundiais em eventos oficiais. Um dos vínculos mais marcantes de sua infância foi com o então líder da Líbia, Muammar Gaddafi, que fez diversas viagens a Uganda e apoiou financeiramente a família real de Tooro ao longo de anos, até sua morte, em 2011.
Já adulto, Oyo passou a se dedicar a projetos de desenvolvimento social e ambiental na região. Um dos mais conhecidos foi uma fazenda-modelo no distrito de Kyenjojo, que combinava pecuária leiteira, cultivo de café, banana, manga, tomate, criação de peixes, cabras e aves, aberta à visitação pública para ensinar técnicas agrícolas modernas à população local. Em 2022, ele liderou uma expedição real ao maciço Rwenzori, cadeia de montanhas com quase cinco mil metros de altitude, para chamar atenção aos efeitos do aquecimento global na região e promover o montanhismo como atividade turística em Uganda. A expedição resultou em um documentário produzido pela National Geographic, exibido internacionalmente em 2023.
Reservado em relação à vida pessoal, o rei nunca se casou e era frequentemente descrito na imprensa ugandense como o solteiro mais cobiçado do país. Em setembro do ano passado, o presidente do Parlamento ugandense chegou a prometer publicamente pagar o preço da noiva, tradição local, no dia em que o monarca decidisse se casar.
A morte pegou parte da população ugandense de surpresa, já que muitos não sabiam da gravidade do quadro de saúde do rei antes do anúncio oficial. O vice-presidente do Parlamento de Uganda, Thomas Tayebwa, declarou à agência de notícias AP que a notícia era “muito difícil de compreender”. Nas redes sociais, o músico e líder da oposição ugandense Bobi Wine também prestou homenagem ao monarca, desejando que sua alma descansasse em paz eterna.
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