Rafaela Lohana encontrou na mentoria para mulheres negras, a possibilidade de planejar seus sonhos

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A estudante de jornalismo e produtora cultura Rafaela Lohana - Foto: Divulgação

“Desde pequena eu sempre tive planejamentos e objetivos muito claros do que eu queria fazer da minha vida”.  A produtora cultural e estudante de jornalismo, de 23 anos, Rafaela Lohana faz parte dessa nova geração de mulheres negras que reconhecem os sacrifícios dos que vieram antes dela para que ela tivesse mais oportunidades na vida.

A jovem da baixada fluminense, descende de uma família onde quase todas as mulheres trabalham como doméstica. “Eu falo por mim, estar viva é resistência. A minha família poder me apoiar a estar em lugares onde não tenha rostos como o meu, é resistência. Todas as minhas conquistas , não são só minhas, são de um avanço do que é ser preto e da minha história”, reflete Rafaela que participou de um programa de mentoria voltado para mulheres negras promovido pela Seda em parceria com os Institutos  ID_Br e Plano de Menina.

“Eu planejei fazer faculdade , era um dos meus objetivos e para chegar até aqui eu tive que passar por muitas etapas pensadas antes da mentoria onde eu aprendi uma forma de organizar melhor esses planejamentos para os meus sonhos futuros” explica a estudante.

 Ainda sobre a experiência de mentoria, feita por meio de um grupo no WhastApp,  Rafaela conta que as conversas e exercícios, a ajudaram a tirar seus projetos do plano abstrato.  “A gente olha para o que a gente quer, de uma forma fora da caixinha e pensa nas melhores estratégias dentro da nossa realidade que podem ser feitas para conseguir esse objetivo.  Pessoas com o meu perfil, mulher , jovem negra, que moram na periferia do Rio de Janeiro que trabalham e estudam ao mesmo tempo, têm irmãos, família, uma casa para sustentar, bom é, importante a gente sonhar fora de uma realidade tão dura como a que a gente tem no dia a dia, mas também é importante para gente, planejar o que a gente quer de verdade, para tentar sair da inércia”.  

Sobre síndrome do impostor, muito comum em mulheres negras que ocupam espaços com pouca diversidade, Rafaela reflete sobre a necessidade de celebrar nossas conquistas. “As pessoas sempre postam a chegada, mas ninguém posta a corrida, o processo, como foi, o que você perdeu e o que tem atrás da vitória. É importante a gente passar e pensar no processo. Eu quero saber como posso aprender até nas decisões erradas que eu tomei. Falando de mim mesma, muitas vezes eu esqueço das pequenas coisas que eu conquistei na vida. Da medalha que consegui como melhor aluna do 9º ano à ter conseguido um diploma de produtora de eventos e conseguido passar no vestibular. Todas as minhas tias são empregadas domésticas. Você planejar a sua vida e se sentir merecedora de onde você está, mesmo que com pouco, é muito importante. Eu sou muito grata e me sinto merecedora de conquistar tudo o que eu conquistei hoje”, finaliza a estudante.

As inscrições para o programa de Mentoria da Seda vão até o próximo domingo, 10 de janeiro .

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