Por: Ricardo Correa
A resposta é simples. Mas antes de emoldurá-la escreverei um pouco sobre o óbvio. A propósito, tudo é repetitivo neste país. Mudam-se os personagens e os contextos, contudo a essência permanece: disputas pelos privilégios.
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Quem acompanha a política nacional tem sido bombardeado de notícias sobre corrupção. Milhões. Bilhões. As cifras absurdas, noticiadas como fruto de relações promíscuas de agentes públicos com instituições privadas, não cessam.
Os casos são tão volumosos que a nossa percepção sobre valores monetários perdeu o sentido. Não faz tanto tempo assim que trabalhadores, numa conversa descontraída, até falavam: “se eu tivesse um milhão, estava rico”. Hoje nem faz sentido esse comentário.
Dependendo da região da cidade, seria o preço de algum apartamento. Um milhão de reais, no contexto da corrupção, é dinheiro de cafezinho.
O jornalismo empenhado em lançar luz sobre os escândalos inunda os meios de comunicação capturando a atenção do público. O barulho é intenso a cada branco enroscado nessa teia de disputa por poder; o padrão se repete: branco A, branco B, branco C… e brancos.
Na disputa entre esses sujeitos, o status da população negra permanece. As dores e as lutas cotidianas, resultantes de um racismo entranhado no tecido social, não repousam. Distantes das canetas nos espaços de decisão, o negro segue em frente observando criticamente como a disputa de poder sobrepõe o sentido de construção e realização plena do que deveria ser a democracia.
O psiquiatra Frantz Fanon estava correto quando disse que os ricos não são homens respeitáveis, e que o seu único esforço é a organização do roubo para o acúmulo das suas riquezas.
Por fim, o lugar que resta aos negros nesta República dos Brancos é: SOBREVIVER.
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