A cena em que um pretendente se apresenta para outro e, caso não agrade, um balão é estourado, é comum nas redes sociais. Trata-se de um reality show de relacionamento norte-americano, criado por Arlette Amuli e Bolia Matundo, o “Pop the Balloon or Find Love”(em tradução: Estoure o balão ou encontre o amor), em que a intenção é formar casais negros. A série é exibida pela Netflix dos Estados Unidos ou pelo próprio canal do YouTube.
Amuli e Matundo falaram recentemente à CNN African Voices sobre uma pauta importante que permeia a narrativa do reality: o reforço a estereótipos já enraizados e tão presentes na comunidade negra.
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Como se trata de um programa de amor, que busca formar casais e cria uma dinâmica divertida para que eles se conheçam e se gostem, talvez o assunto não fique tão evidente. Porém, segundo os criadores, há também um grande cuidado a ser tomado: expectativas irreais.
“As pessoas vivem com expectativas irrealistas. Elas têm que parar de buscar pelo par perfeito”, diz Matundo na entrevista.
“As pessoas realmente não tentem olhar para as outras internamente, elas só olham para você e dizem assim: ‘ah, não, as calças deles’ ou ‘os sapatos deles’”, relata Amuli. “Eu só queria que as pessoas tentassem olhar um pouco mais para o interior”.
Os criadores do reality relatam que receberam uma mensagem de uma espectadora que acusou o programa de reforçar “os piores estereótipos sobre pessoas negras”. Os episódios exibem participantes com grande diversidade de características físicas e emocionais e promovem o discurso da auto aceitação. Também, são mostradas questões como racismo, maternidade, independências das mulheres, autoestima e entre outros.
Quando perguntado sobre os estereótipos, Matundo foi sucinto: “Somos todos humanos”, disse ele na entrevista. “Mesmo que eu não mostrasse outras nacionalidades ou outras raças, seria a mesma coisa. É assim que funciona o cenário dos relacionamentos, é assim que somos”.
Ao mesmo tempo, Matundo defendeu que o reality nada mais é do que um espelho da sociedade real e que o principal objetivo do programa é resolver esses problemas que permeiam a sociedade, como as manias das pessoas em relacionamentos, exigências irreais e preconceitos.
“Estamos mostrando às pessoas: ‘Este é o problema’. Como você vai resolver um problema se não consegue enxergá-lo? Nós trazemos pessoas de todas as áreas, temos médicos, estudantes, atendentes, advogados, e não podemos determinar que tipo de pessoa ou que tipo de personalidade elas vão apresentar no programa. É isso que, na minha opinião, faz nosso programa se destacar: deixamos as pessoas serem elas mesmas”, concluiu Matundo.
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