
A Cia. Os Crespos, coletivo paulistano formado por atores e atrizes negros, estreia no Rio de Janeiro o espetáculo “A Solidão do Feio”, solo sobre a vida e a obra do jornalista e escritor carioca Lima Barreto (1881-1922). A primeira sessão acontece na quinta-feira, 12 de novembro, às 20h30, no Mezanino do Sesc Copacabana, e a temporada segue até 6 de dezembro, no mês da Consciência Negra. As apresentações ocorrem às quintas e sextas, às 20h30, e aos sábados e domingos, às 19h. Os ingressos custam entre R$ 20 (meia) e R$ 40 (inteira), e o público do Programa de Comprometimento e Gratuidade (PCG) do Sesc não paga.
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Sidney Santiago Kuanza assina a concepção, a dramaturgia e a atuação, além da codireção ao lado da atriz e diretora Gabi Costa. Ele estuda a obra de Lima Barreto há quase 20 anos e quis ir além da biografia que reduz o autor de “Triste Fim de Policarpo Quaresma” ao homem negro e literato internado no sanatório por problemas com bebida. “Quando penso em Lima Barreto, penso em recontar a história de um homem insubmisso, que pensou o seu tempo e o seu país em profundidade”, afirma.
Gabi Costa define a montagem como um processo sempre em aberto. “A Solidão do Feio é o nosso diário aberto de possibilidades para a existência de Lima Barreto. É o nosso e-mail salvo em rascunhos, que sempre que é revisitado, abre uma nova porta”, diz a diretora.
Velório na entrada e estúdio de cinema em cena
O espetáculo começa fora da sala, com um prólogo que recria o velório de Lima Barreto e convida o público a acompanhar a cerimônia antes de seguir para o teatro. Lá dentro, a ação se passa em um estúdio de cinema improvisado, onde um ator e sua equipe reconstroem momentos da trajetória do escritor em fragmentos fora da ordem cronológica. O próprio Lima narra a história em primeira pessoa, com suas certezas, contradições e planos de futuro.
O estúdio reproduz a casa de Lima e, por meio de projeções, transforma as paredes em tela para mostrar a rua, a cidade e as mudanças políticas do período, além de colocar o escritor frente a frente com os próprios personagens. Na vida pública, a peça trata do passado escravocrata, das barreiras para se inserir na sociedade do Império e da República e da luta contra o racismo. Na esfera íntima, aborda a solidão, o vício, a loucura e a escrita. Vozes em off dão vida ao pai, à mãe e a pessoas próximas do autor, e a trilha recorre ao maxixe, ao samba-canção e a sonoridades do século 19 e do início do 20.
A pesquisa reuniu a biografia “Lima Barreto: Triste Visionário”, de Lilia Moritz Schwarcz, “A Vida de Lima Barreto”, de Francisco de Assis Barbosa, e “Diário do Hospício & Cemitério dos Vivos”, do próprio escritor. Entre os filmes consultados estão “Lima Barreto ao Terceiro Dia”, de Luiz Antonio Pilar, e o curta “O Moleque”, de Ari Candido.
Trilogia sobre homens negros
“A Solidão do Feio” é o segundo espetáculo da trilogia “Masculinidades e Negritudes”, que leva aos palcos a vida e o pensamento de homens negros com papel central na cultura e na política brasileiras. A primeira montagem foi dedicada a João Francisco dos Santos, o pernambucano que deu vida a Madame Satã (1900-1976) e marcou a boemia da Lapa na primeira metade do século 20. A terceira terá como tema o poeta Cruz e Sousa (1861-1898) e estreia em 2027.
A Cia. Os Crespos foi criada em 2005 por artistas formados na Escola de Arte Dramática da ECA/USP e completa 21 anos com sete espetáculos no repertório, apresentações na Alemanha e na Espanha e a revista “Legítima Defesa”, dedicada ao teatro negro brasileiro. Sidney Santiago Kuanza, que nasceu em Guarujá (SP), é cofundador do grupo e está finalizando “Negror em Paisagens”, seu primeiro longa-metragem como diretor, sobre o genocídio da juventude negra no Brasil.
A temporada carioca também inclui a residência artística “Corpo 21: Ciclo Barretiano”, conduzida por Sidney nos dias 26 e 27 de novembro e 3 e 4 de dezembro, das 14h30 às 17h, e dois encontros críticos do ciclo “Lima Barreto às Crespas”. No dia 28 de novembro, às 15h, Hilton Cobra e Leandro Santana debatem “A Luz de Lima Barreto”, com mediação de Carmen Luz. Em 5 de dezembro, no mesmo horário, Beatriz Resende, Thiago André e Luiz Antonio Pilar discutem “A Política, a Cidade e a Militância de Lima Barreto”, com mediação de Sol Miranda.
SERVIÇO
A Solidão do Feio
Estreia: 12 de novembro (quinta-feira), às 20h30
Temporada: até 6 de dezembro
Horários: quintas e sextas, às 20h30; sábados e domingos, às 19h
Local: Mezanino do Sesc Copacabana
Endereço: Rua Domingos Ferreira, 160, Copacabana, Rio de Janeiro (RJ)
Telefone: (21) 3180-5226
Ingressos: R$ 40 (inteira); R$ 36 (conveniados); R$ 31 (conveniados empresários); R$ 28 (credencial plena Sesc); R$ 20 (meia); gratuito para o público PCG
Vendas: no Ingresso.com ou na bilheteria, de terça a sexta, das 9h às 20h, e aos sábados, domingos e feriados, das 13h às 19h
Capacidade: 60 lugares
Duração: 80 minutos
Gênero: drama
Classificação: 12 anos
Acessibilidade: sim
Residência artística “Corpo 21: Ciclo Barretiano”, com Sidney Santiago Kuanza
26 e 27 de novembro e 3 e 4 de dezembro, das 14h30 às 17h
Encontros críticos “Lima Barreto às Crespas”
28 de novembro (sábado), às 15h: “A Luz de Lima Barreto”, com Hilton Cobra e Leandro Santana; mediação de Carmen Luz
5 de dezembro (sábado), às 15h: “A Política, a Cidade e a Militância de Lima Barreto”, com Beatriz Resende, Thiago André e Luiz Antonio Pilar; mediação de Sol Miranda

