O 20 de novembro já passou, mas as reflexões precisam continuar durante todo o ano. A falta de conscientização racial pode gerar problemas graves nos ambientes sociais que as crianças frequentam, por isso, queremos chamar atenção de todos que convivem com crianças negras para este texto.

Vocês precisam contar para seus filhos que eles são negros, que isso é motivo de orgulho e potência e que existe racismo no Brasil, caso contrário ele pode ser o próximo aluno racista da turma, ou pode estar vivendo agressões racistas e nem se dar conta disso. Veja o caso.

Racismo na escola

Recentemente fomos chamadas para dialogar em uma escola particular, do interior paulista, onde ocorreu um grave caso de racismo, em que uma menina negra de pele retinta vinha sendo frequentemente agredida por um grupo de meninos.

Uma das questões mais espantosas do caso é que o principal agressor é um menino negro de pele clara, caraterizado pela escola como pardo. Esse garoto é adotado e sabe que sua mãe biológica é negra.

A cidade em que essas duas crianças estão inseridas, o agressor e a vítima, é marcadamente racista. Há uma espécie de inconsciente coletivo que afirma a todo momento que ali ser negro é ruim, fazendo com que dificilmente as crianças assumam uma identidade negra e tenham consciência racial.

A omissão que causa dor

O que agrava a situação nesse contexto é que provavelmente nunca disseram para esse menino que ele é negro, porém, ele tem consciência que a cor da sua pele está mais para negro do que para branco. Nesse caso, para negar totalmente a sua negritude e se distanciar o máximo possível da possibilidade de o enxergarem como um garoto negro, ele agride uma criança negra, para deixar bem explícita a diferença entre eles, se colocando em posição oposta e se transformando assim num cruel agressor racista.

A menina agredida tem um núcleo familiar consciente sobre as questões raciais e que valoriza sua negritude. Ela aprendeu, desde muito cedo, a se orgulhar de suas origens, e o mais importante, compreender e denunciar o racismo.

Os desdobramentos desse caso são sempre dolorosos tanto para a vítima quanto para o agressor. Ao longo dos anos, estamos batalhando para a construção de uma sociedade com instituições antirracistas, em que pessoas com comportamentos e práticas racistas não caberão mais. E não desejamos que a criança que convive com você seja apartado dessa sociedade.

 

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(@paulacarolb) é jornalista e desde a graduação pesquisa questões raciais. Como trabalho de conclusão de curso na graduação, escreveu o livro reportagem Brotas – O Primeiro Quilombo Urbano do Brasil, onde conta a história da comunidade quilombola da cidade de Itatiba, interior de São Paulo. Como especialista em mídia, informação e cultura, tem realizados trabalhos com foco no combate ao racismo e na promoção da igualdade racial. Empreende realizando cursos online e presenciais que incentiva o afroempreendedorismo e ensina como novos empreendedores podem divulgar produtos e serviços utilizando canais digitais. Frequentemente é convidada para palestrar sobre assuntos como: afroempreendedorismo, questões raciais e marketing digital. Recentemente concluiu o Mestrado em Divulgação Científica na Unicamp e como tema de dissertação estudou como dois espaços na cidade de São Paulo, autodenominados Quilombos Urbanos, comunicam cultura, memória, ancestralidade e identidade negra em seus espaços. Como idealizadora do Projeto Criando Crianças Pretas (@criandocriancaspretas) – que tem como objetivo compartilhar informações e propor ideias para uma educação livre de preconceitos – vem reunindo os conhecimentos adquiridos ao longo de seus estudo e tem os transformado em conteúdo que conduz, pais e influenciadores de crianças, numa educação onde o diálogo sobre racismo esteja presente.