“O grande desafio é conseguir representar e honrar a população negra da melhor forma possível” diz a apresentadora Valéria Almeida

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“O grande desafio é conseguir representar e honrar a população negra da melhor forma possível” diz a apresentadora Valéria Almeida
Foto: Mariana Pekin.

Apresentando o “Bem Estar” há dois anos e celebrando 16 anos de profissão, ela mantém o brilho nos olhos ao conhecer a história de seus entrevistados.

Se estrear uma nova função não costuma ser algo simples, tampouco se isto acontece em meio à maior pandemia já vivida no século. E foi neste contexto que a apresentadora Valéria Almeida deu seus primeiros closes diante das câmeras do “Bem Estar”, na TV Globo, tendo a importante função de comunicar à população uma gama de assuntos relacionados à saúde e qualidade de vida quando todos aguardavam possíveis soluções para a Covid-19. Celebrando dois anos como uma das apresentadoras à frente do quadro, atualmente integrante do matinal “Encontro”, a profissional nascida em Santos tem se destacado ao humanizar as notícias e a afinar a troca com seus entrevistados.

“Minha estreia na função aconteceu em setembro de 2020, ou seja, no auge da pandemia. Isso deixou a tarefa ainda mais complexa e delicada, porque era o momento de explicar pra população o que estava acontecendo de um jeito que fosse compreensível, sem causar alarde, e que estimulasse as pessoas a se protegerem e protegerem os seus. Então, eu vivi dois desafios: o de estrear como apresentadora, porque toda a minha experiência na TV tinha sido como repórter, e acessar as pessoas que estavam em casa de um jeito claro e empático, para provocar um impacto positivo na saúde coletiva”, relembra a santista de 39 anos.

O primeiro contato profissional com o matinal, contudo, começou em 2016, quando Valéria migrou do “Profissão Repórter” – onde fez sua estreia na TV e passou cinco anos e meio contando histórias focadas, principalmente, em questões sociais e em Direitos Humanos – para o programa cujos temas são relacionados à saúde.  Se de um lado havia o peso da responsabilidade, do outro brilhava o prazer de terem confiado a ela essa missão.

“Acho que a minha forma de falar com as pessoas, com empatia e leveza, contribui para que o público acesse as informações, que muitas vezes são dados científicos e complexos, que traduzo para que qualquer pessoa entenda e se cuide. Sempre tento fazer com que a comunicação seja clara tanto para quem é pós-doutorado, quanto para quem não teve acesso à educação e não foi alfabetizado. Todo mundo precisa saber como se cuidar e de que forma levar uma vida com qualidade!”, ressalta.

E Valéria fala disso com propriedade. Criada por avós que não tiveram acesso à educação, a jornalista sabe o valor de proporcionar acesso a informações de qualidade a todos. “Certa vez, me escreveram dizendo que gostavam de me assistir porque parecia que eu estava interessada nas pessoas. Eu achei essa mensagem muito importante e considero o melhor feedback que eu poderia receber como comunicadora, porque o que a pessoa enxergou e interpretou ali é o que de fato eu faço: olho pras pessoas com interesse, porque considero um privilégio ter a confiança de alguém que está me contando sua história, que está me permitindo compartilhar um pouco da sua vida com as outras pessoas”, salienta Valéria, que tem 16 anos de profissão.

Atuante ainda como palestrante, mestre de cerimônias e mediadora em eventos corporativos, a jornalista se especializou em gestão de produção e negócios audiovisuais e em direitos humanos, responsabilidade social e cidadania global. Produtora de conteúdo do especial “Falas Femininas”, da TV Globo, em 2021 Valéria assinou o roteiro e a produção de “A vida depois do tombo”, série documental sobre Karol Conká no GloboPlay. No mesmo ano, pôs seu nome no roteiro e apresentou o especial “Falas Negras”. Em paralelo, mantém ativa uma produtora de conteúdos audiovisuais, a Kanimambo Filmes, para tocar seus projetos autorais.

E o caminho até aqui foi longo. Mulher negra que nasceu e cresceu na periferia de Santos, Valéria ouviu desde cedo de sua avó que, se quisesse ser livre de verdade, deveria estudar e não abandonar o estudo por nada. “Meus avós não tinham condições de arcar com os custos da minha faculdade. Para acessar e me manter no Ensino Superior, fiz faxina, comi em albergue, aceitei bilhetes de transportes públicos doados por professores. É muito valioso ter conseguido chegar no lugar que cheguei e ter conquistado um espaço como apresentadora, jornalista e repórter numa das maiores empresas de comunicação do mundo. Estar hoje neste lugar de destaque é de um valor imenso!”, orgulha-se a apresentadora, que já trabalhou como assessora de imprensa e fotógrafa da revista Carta Capital.

Consciente da importância da sua representatividade para milhares de pessoas, Valéria segue firme na missão. “O grande desafio é conseguir representar e honrar a população negra da melhor forma possível e aproveitar o espaço para dar visibilidade a temas que muitas vezes não seriam vistos ou priorizados. Então, não importa o tema que eu venha a abordar, faço questão de usar tudo que tenho de bagagem pessoal na minha fala e na minha postura, para que eu tenha uma comunicação coerente com o que sou e com o que acredito, porque isso é um diferencial que não se conquista na universidade”, encerra.

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