Atual editora da Elle Brasil, co-fundadora, diretora criativa e stylist da MOOC, Suyane Ynaya se torna agora, a nova embaixadora da Balenciaga, uma das marcas de luxo mais requisitadas do mundo. Com uma história inspiradora e de grandes conquistas, Suyane conta que para quem vem da periferia, assim como ela, limite não existe. Ao MUNDO NEGRO, em entrevista para Silvia Nascimento, Ynaya revela detalhes sobre a nova fase em sua carreira.

Silvia: De que forma surgiu esse convite para se tornar embaixadora da Balenciaga e qual era sua relação com a marca até então?

Suyane: Esse convite veio direto de Paris, eu simplesmente sigo e sou fã da marca. Recebemos um e-mail dizendo que eles amam o meu trabalho, que eles estão vendo o que está sendo feito aqui no Brasil e gostariam de firmar uma parceria.

Ser influencer é como ser uma embaixadora? Explica melhor para gente qual sua função com esse título.

Acredito que hoje exista uma mescla entre tudo isso, ser influencer seria mais para receber produtos, estar desfiles etc… Embaixador participar de construções de projetos, está a frente da imagem da marca também. Mas acredito que os dois estão se unindo e virando um só, que seria influencer.

Virgil Abloh e Andre Leon Talley era nomes negros representativos no mundo da moda, sobretudo quando falamos de luxo e inovação. Eles são insubstituíveis, mas quem você acredita que, sendo negro como eles, tem potência para manter o legado ou até mesmo criar o seu próprio?


Os dois eram as maiores potências que tínhamos dentro desse mercado, acredito que será difícil ter nomes para concorrer dentro desses espaços, pois não tem como. Cada característica de um criativo é diferente, esses dois eram únicos mas que venham pessoas incríveis para mostrar suas potências. Eu acho que a LV poderia chamar o Heron Preston, Kerby, mas também acredito que pessoas como Nigo “novo designer da Kenzo” que é um homem asiático, também seria um nome muito potente. Virgil mergulhou na cultura asiática, pois dentro dessa mesma cultura do street wear asiático, tem a cultura preta borbulhando e não tinha como ele não criar algo menos do que criou. Nigo estava la com ele, os dois criaram potências fortíssimas para ambas as culturas.
Enfim, seu legado foi gigantesco. Acredito que dentro do jornalismo, como editores eu acho uma das maiores potências e pouco citada por aqui é a Lindsay Peoples Wagner. Uma mulher preta que nada mais é nada menos se tornou a editora chefe da The CUT e NY Mag. Saiu na Forbes 30 e já trabalhou em lugares como Teen Vogue. Como já disse são lugares que não existe quem consiga substituir, mas existem nomes que possam se tornar uma grande potência.

As campanhas e desfiles no Brasil têm incluído cada vez mais rostos negros. Essa representatividade também aumentou nos bastidores?

Acredito que o aumento de estilistas fora do “padrão” da indústria do Brasil tenha mudado muito sim. Podemos ver nessa última SPFW a mudança dentro da indústria. O que não muda são as cabeças pensantes dentro dos maiores espaços, quem criar o espetáculo, quem está com toda a movimentação $ para que tudo esteja em pé. Mas estamos criando espaços e abordagens fortes para que se entenda a importância desses corpos lá. Acredito que tudo está mudando com o tempo, mas também percebo que esse tempo é muito lento.

Conta resumidamente para gente, como é a rotina de uma editora de moda de uma revista como a Elle? Que conselho você daria para aquela pretinha ou pretinho que sonha exercer uma função como a sua?

As funções de um editor é maior do que ele posta na internet, tudo ali fica um pouco raso pois o processo é mais fundo.
Existem duas funções na parte editorial, que faz todo o processo visual acontecer. O diretor criativo, que na Elle temos o Luciano Schmitz, é ele quem faz todo o processo criativo para que possamos entender o que irá ser desenvolvido.
Então eu e Lucas entramos com as nossas referências também, todos juntos entramos em um consenso sobre fotografia, arte, moda, beleza e modelos. Eu e lucas vamos atrás de tudo que pode se encaixar no contexto desenvolvido e aí a magia acontece no dia dos cliques hahahaha. Também tem a função de editor mas na parte de jornalismo, quem busca as notícias mais quentes, faz entrevistas, desenvolve textos para alimentar site e rede social da revista. Entre tantas outras funções que faz uma revista existir.

Através do Instagram, Suyane celebrou seu novo momento ao lado da Balenciaga: “Eu ainda estou tentando acreditar que recebi um Balenciaga da Balenciaga“.

Edição: Arthur Anthunes

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