O brincar na favela: estudo mostra que com violência e COVID, eletrônicos são o passatempo principal na primeira infância

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Foto: UNESCO

As favelas apresentam vários cenários de crise política, sanitária, de combate as drogas só para citar alguns. Nesse mesmo ambiente abandonado pelo Estado, nascem muitos brasileirinhos.  Como é a primeira infância dessas crianças? “O Brincar nas Favelas Brasileiras” é um estudo realizada pelo movimento Unidos pelo Brincar em parceria com o instituto de Pesquisa Locomotiva e o Data Favela com a proposta de entender o cenário onde essas crianças crescem, incluindo, aí a alteração da rotina por conta da COVID. O recorte de idade do estudo foi crianças até os 6 anos de idade.

Os dados foram obtidos ao longo de 14 dias com interações diárias e observações sobre o brincar com 12 mulheres entre 18 e 43 anos de São Paulo (SP), Recife (PE) e Porto Alegre (RS), que também participaram de grupos de discussões nesta fase qualitativa da pesquisa. Em seguida, na fase quantitativa, foram realizadas entrevistas com mais de 800 progenitoras a partir de 16 anos em todas as regiões do Brasil.

Nos lares das famílias pesquisadas, a grande maioria tem mulheres, as mães como chefe de família. Desse grupo, 30% estão desempregadas e garantem o sustento com ajuda de terceiros. Entre quem tem renda, a média de remuneração é de R$ 827,25 por mês – menos de um salário-mínimo (R$ 1.045,00) no país. Em sua maioria, elas são negras, solteiras e concluíram os estudos até o Ensino Médio.

Essas mulheres estão esgotadas e isso afeta a disposição e falta de tempo, na hora de brincar com seus pequenos. Não tem como pedir coisas pelo aplicativo, nem escola para levar essas crianças.  88% das mães recorrem a telas, especialmente a da televisão, para conciliar as atividades rotineiras e, por diversas vezes, não conseguem ter controle sobre o conteúdo acessado. Uma das consequências desse impasse é que a publicidade acaba conquistando o público infantil ao desenvolver um maior desejo de consumo nos pequenos, segundo 50% das participantes.

92% das mães reconhecem que os eletrônicos não são o melhor meio de estudar seus filhos. Elas têm ciência da importância da brincadeira para o desenvolvimento intelectual, social, educacional e físico.

A carência de projetos culturais e espaços públicos disponíveis nas comunidades, como parquinhos, praças e quadras, chama a atenção: 85% das mulheres apontaram que as crianças têm brincado, sobretudo, no quintal ou dentro de casa; 72% das mães têm receio de deixá-las se divertir na rua por conta da presença de usuários de drogas; e 64% temem a violência nas regiões em que moram.

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