“Negras Cabeças”: exposição retrata a importância ancestral de penteados e adornos

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Foto: Divulgação.

Apresentação virtual e imersiva representa mulheres das etnias Betsimisaraka, Mangbetu, Suri, Mursi, Mwila, Mbalantu, Fulani e Himba

No mês em que se comemora o Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, a exposição Negras Cabeças apresenta digitalmente oito pinturas, da artista visual ILLI, Íldima Lima, que têm como propósito estabelecer uma conexão visual-ancestral, partindo de referências e registros históricos de mulheres de grupos étnicos que utilizavam penteados e adornos de cabeça para expressar aspectos pertinentes à sua cultura.

Na mostra, serão apresentadas pinturas de mulheres das etnias Betsimisaraka, Mangbetu, Suri, Mursi, Mwila, Mbalantu, Fulani e Himba. A exposição inova ao criar um ambiente de visitação imersivo em formato de game interativo, produzido pela empresa Ops Game Studio, com trilha sonora original de Filipe Castro. Os espectadores podem acessar a exposição através do site Negras Cabeças Art, que fica disponível até dezembro de 2021.

“É um olhar para a ancestralidade. Uma reverência às linguagens e tecnologias utilizadas por esses grupos para codificar mensagens através dos penteados, dos adornos, a fim de comunicar status e situações de interesse daqueles grupos, tendo se constituído com traços culturais definidores ao longo do tempo. Há um princípio nesses grupos em se fazer entender pelo que se vê e como se vê. A exposição é uma celebração dessas etnias”, relata Illi.

Em meio aos processos de reafirmação ancestral e temas de debates atuais e que são centrais na vida de mulheres negras, a exposição Negras Cabeças conversa diretamente com o Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, celebrado no dia 25 de julho, data que é um marco internacional de luta e resistência para reafirmar a luta contra o racismo e o sexismo vivido por mulheres negras.

A exposição é mais uma etapa de ações da artista visual Illi, que se propõe a contribuir para a ressignificação da imagem da mulher negra nas artes visuais. O objetivo é que o recurso digital estabeleça uma conexão com debates da sociedade atual, com temáticas de gênero, classe e raça, associadas ao fortalecimento das mulheres negras, sua apropriação estética, resgate ancestral, tendo como matriz simbólica a adoção do cabelo natural. 

A exposição se apresenta de forma inédita ao se utilizar da mecânica da gamificação para criar um elo entre o contemporâneo e o ancestral, a partir da criação de ambientes imersivos, com interação em primeira pessoa, concedendo ao visitante autonomia para explorar cada um dos 3 mundos criados pela artista, onde cada obra apresentada está contida em um cenário que reproduz o bioma onde aquela etnia vive/viveu. O recurso foi utilizado para favorecer a conexão do visitante com a realidade espacial de cada grupo étnico.

“A gente construiu um universo do zero e a proposta é que através do processo de gamificação, a exposição aconteça de uma maneira que o espectador tenha uma experiência de visitação em um processo imersivo. A ideia é que a exposição faça a pessoa se sentir dentro de um jogo com comandos de movimentação, como caminhar e girar, para que assim possa ter uma percepção completa do ambiente e interação com as obras”, conta Illi.

SERVIÇO

Negras Cabeças – Exposição virtual gamificada que retrata a importância ancestral de penteados e adornos de cabeça como linguagem para grupos étnicos

Data: De 29/06 a 30/12 

Acessar em: http://www.negrascabecas.art 

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