“Na hora de cobrar diversidade temos que olhar para além da Globo”, diz Maria Gal durante o Afro Presença

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A atriz e produtora Maria Gal - Foto Reprodução Instagram

A representatividade negra e ausência de talentos negros TV foi tema de uns dos painéis do primeiro dia do Afro Presença, evento promovido pelo Ministério Público do Trabalho e pela Rede Brasil do Pacto Global (ONU) que visa encorajar o diálogo e ações afirmativas para a inclusão de universitários e universitárias negros e negras no mercado de trabalho. A mesa mediada pelo jornalista da UOL Maurício Stycer, teve a participação das atrizes Maria Gal e Lica Oliveira. (João Bispo foi convidado, mas problemas técnicos o impediram de participar).

A reflexão do tema vem em um momento em que, mesmo com avanço do número de pessoas que se autodeclaram negras pelo IBGE, ainda somos sub-representados seja na TV aberta, via cabo ou streaming. E mesmo quando há a presença de pessoas negras, elas está restrita aos mesmos tipos de papéis ligados à pobreza, criminalidade ou escravidão.

“A falta de representatividade vem de uma forma que às vezes é como se a gente não tivesse nome. A gente não sabe os nomes dos atores negros e essa falta de referência começa por aí”, comentou Lica, atriz que também foi atleta olímpica é formada em jornalismo. Ela ainda citou uma reflexão da atriz americana Viola Davis sobre oportunidade. “Se você dá oportunidade você vai ser capaz de analisar e de uma certa quantidade você extrai a qualidade.  Então, se nós temos um pouco mais de dificuldade de frequentarmos grandes cursos, fazer grandes escolas, eu acho que as grandes empresas podem investir no nossos talentos”, reflete a ex-jogadora de vôlei.

Maria Gal, que conquistou o Brasil como a Gleyce das Aventuras de Poliana, compartilhou algumas experiências em que o racismo a impediu de conquistar papéis que seriam importantes para sua carreira. Durante o painel ela trouxe uma reflexão sobre a maior emissora do país.

“A gente fica muito no pé da Globo e a gente esquece todos os outros canais de TV aberta e TV fechada que são obrigados a ter uma porcentagem de produções nacionais. A gente esquece todos esses streamings que estão chegando no Brasil. A gente precisa ver a questão de ver tudo de forma mais ampla, de ver todas essas plataformas”.

O Afropresença continua nessa quinta e encerra na sexta-feira, dia 10. A programação tem cerca de 180 horas de conteúdo, 3 aulas magnas, 3 performances artísticas e mais de 70 mesas de debates. Tudo 100% online e gratuito. Mais informações no afropresenca.com.br.

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