“Me considero de todas as cores”, diz atriz alvo de protestos por interpretar a advogada negra Esperança Garcia

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“Me considero de todas as cores”, diz atriz alvo de protestos por interpretar a advogada negra Esperança Garcia

Membros do Movimento Negro do Piauí realizaram um protesto na noite desta terça-feira (12), em frente ao Theatro 4 de Setembro, no Centro de Teresina, contra a atuação da ex-BBB Gyselle Soares no papel de Esperança Garcia, a primeira advogada negra do país, na peça “Uma escrava chamada Esperança”.

Para Sônia Terra, a ativista da Rede de Mulheres Negras do Piauí, a escolha de Gyselle para interpretar Esperança representa um embranquecimento da personagem histórica. “As crianças que vão assistir o espetáculo vão ficar na cabeça que a Esperança Garcia é uma pessoa branca”, afirmou a ativista.

A ex-BBB declarou que se considera “de todas as cores” e que, como atriz, pode viver qualquer papel. “As pessoas têm que comentar o que acham, a gente tem que respeitar o direito de resposta delas, e é importante pra mim como atriz poder ser qualquer coisa, posso viver o que quiser, se eu quiser ser uma leoa, vou ser uma leoa, se quiser ser uma escrava, vou ser uma escrava e viver de uma forma bonita”, disse.

“Eu me considero todas as cores, sem cor, um ser humano com coração que pode sentir tudo, de todo mundo. Estamos no mundo, somos todos iguais, nossa pele não tem cor, nosso coração não tem cor, não podemos nos definir assim”, completou.

Em entrevista à TV Clube, o diretor da peça, Valdson Braga, disse que a atriz não pode ser discriminada por conta de um papel. Valdson disse que chegou a procurar os movimentos negros antes da escolha da atriz que iria interpretar Esperança, mas não obteve retorno. Os manifestantes informaram que o movimento negro não foi procurado.

ESPERANÇA GARCIA — Esperança Garcia foi uma mulher negra escravizada na fazenda de Algodões, que escreveu uma carta em 6 de setembro, endereçada ao governador da capitania do Piauí. Em ato de insurgência às estruturas que a desumanizavam, ela denunciava as situações de violência que ela, as companheiras e seus filhos sofriam na fazenda de Algodões, região próxima a Oeiras, a 300 quilômetros da futura capital, Teresina.

A carta foi encontrada em 1979 no arquivo público do Piauí, pelo pesquisador e historiador Luiz Mott. Em reconhecimento da importância histórica do documento escrito por Esperança, atendendo às reivindicações do movimento negro no Piauí, a data de 6 de setembro foi oficializada como o Dia Estadual da Consciência Negra, em 1999. Em setembro de 2017, duzentos e quarenta e sete anos depois da escritura da carta, através de solicitação da Comissão da Verdade sobre a Escravidão Negra do Piauí, Esperança Garcia foi reconhecida pela OAB/PI como a primeira advogada piauiense.

Com informações do G1.

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