Fundador do InfoPerifa diz que recebe mensagens desde 8 de outubro, teve o endereço exposto e deixou a própria casa após vídeos contra a desinformação
O influenciador e jornalista Mateus Fernandes, fundador do portal InfoPerifa, protocolou nesta segunda-feira (12) uma representação no Ministério Público de São Paulo pedindo investigação criminal e medidas urgentes de proteção depois de receber oito ameaças de morte e tortura. Segundo o documento, os ataques começaram em 7 de outubro, após Mateus publicar conteúdos de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno e participar da articulação de uma campanha que reúne mais de 500 influenciadores.
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As mensagens foram publicadas no Facebook por diferentes perfis e trazem ameaças de assassinato, decapitação, mutilação e tortura, acompanhadas de ofensas racistas e ataques a religiões de matriz africana. Em uma delas, um usuário afirma que sonha em matar o influenciador e que não vai desistir até encontrá-lo, enquanto outra estabelece um prazo para a morte dele. Há ainda menções explícitas à Ku Klux Klan, organização supremacista branca dos Estados Unidos, e uma publicação que exalta Rudolf Höss, comandante do campo de extermínio nazista de Auschwitz, e defende a construção de um país racialmente puro.


A situação se agravou quando os autores passaram a citar a localização da casa de Mateus, e o endereço acabou exposto em comentários na plataforma. Diante do risco, ele deixou a residência. “Eu tô com receio de andar sozinho na rua, eu não tô na minha casa, tô gravando vídeos e deixando agendados enquanto eu estou em outro endereço”, contou em vídeo publicado nas redes sociais, no qual exibiu as mensagens por não conseguir lê-las em voz alta.
A representação, assinada pelo advogado Thiago Farias, reúne 13 capturas de tela e aponta indícios de coordenação entre os ataques. De acordo com a denúncia, mensagens semelhantes foram publicadas por perfis diferentes em intervalos próximos, e parte das contas foi desativada ou excluída logo depois. A defesa também analisa as publicações recentes do influenciador para identificar possíveis novas ameaças e preservar os registros.
No vídeo, Mateus atribuiu os ataques ao discurso de ódio que, segundo ele, foi propagado pela família Bolsonaro nos últimos anos. Ele lembrou que é fruto de políticas públicas como o Bolsa Família e o ProUni e que foi criado por famílias negras que lutaram para que ele chegasse até aqui. “Se o intuito dessas ameaças era me paralisar, fazer que eu não continue meu trabalho, vocês estão muito enganados”, afirmou.
O caso tem acompanhamento jurídico e apoio da Coalizão Negra por Direitos. Desde 2023, a injúria racial é equiparada ao crime de racismo pela legislação brasileira, com pena de dois a cinco anos de reclusão, e a ameaça também é crime previsto no Código Penal. O segundo turno da eleição presidencial, entre Lula e Flávio Bolsonaro, acontece no dia 25 de outubro.
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