Lançado em 2025, o Código de Defesa e Inclusão do Consumidor Negro, do Grupo L’Oréal e o Mover (Movimento pela Equidade Racial), com a redação da Black Sisters in Law, foi um marco para a empresa, que vem colhendo anualmente os resultados do seu investimento em representatividade. Nesta sexta-feira, durante a Feira Preta, na mesa Sebrae apresenta: Consumo, Poder e Invisibilidade, ao lado do escritor Michel Alcoforado e da jornalista Luanda Vieira, com mediação de Cris Guterres, na Feira Preta, o Diretor de Diversidade, Equidade e Inclusão da L’Oréal, Eduardo Paiva, apresentou dados do impacto da política voltada a ampliar a diversidade entre os funcionários.
“O código só foi possível em um time que se torna cada vez mais negro, que tem uma liderança que se torna cada vez mais negra. O resultado é mais coragem para discutir, mais transparência para a gente colocar o problema na mesa. Pela primeira vez, a principal fonte de incremento de novos líderes negros são as promoções, e não os recrutamentos. Então, o que isso quer dizer? Tem uma geração emergindo dentro da L’Oréal, fruto de todas essas políticas. A L’Oréal vem evoluindo. Hoje 46% dos colaboradores se declararam pessoas negras. A gente dobra o número de pessoas negras em cargos de liderança. Então, salta de 13% para 25%. É um longo caminho, mas é uma cultura que se transforma. As iniciativas de negócio surgem. Uma delas é o Programa Afroluxo, a divisão de luxo, com marcas icônicas, como Lancôme e Yves Saint Laurent, que é um programa de enfrentamento ao racismo no varejo de beleza de luxo, que é a L’Oréal se colocando como parte da solução. Então, se o racismo é sistêmico, a solução tem que ser sistêmica”, defendeu ele, durante o evento, que após 10 anos, voltou a acontecer no Rio de Janeiro.
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Instrumento de autorregulação, o código ainda não possui valor legal, mas segue trazendo resultados palpáveis. “Em abril deste ano, lançamos junto ao Mover, uma grande coalizão, que todos os meses impactam mais de 100 milhões de pessoas em mais de 3 mil lojas em todo o Brasil, muito focada em sair do discurso para a prática. A gente revisa todos os protocolos de atendimento dentro das lojas e, no caso da L’Oreal, isso acabou resultando na capacitação do time que faz atendimento nas lojas de todo o Brasil. A gente vem acompanhando através de um novo processo que se chama Black Mystery Shopper para entender o quanto os dispositivos racistas estão diminuindo. Então, a gente fez uma onda antes da implementação do código, e outra após, e já vê que eles foram reduzidos 35% em menos de um ano. Então, essa correlação entre o ambiente onde a gente avança e combate a discriminação, melhora a experiência e aumenta esse mercado, e faz com que mais pessoas negras ocupem espaço de luxo”, apontou Eduardo.
A pesquisa feita para mapear como era a experiência de pessoas negras com o mercado de revelou que 91% das pessoas negras de classe A/B já sofreram algum tipo de discriminação racial nesses estabelecimentos. “Fiquei chocado com só 91% das pessoas se sentirem discriminadas. Os outros 9% não devem ter percebido… Nada, nada apaga o racismo na nossa sociedade. Mas a nossa presença nesses espaços, é pedagógica. Luanda, quando entra no shopping chique, na loja mais cara que ela quiser e ela compra, sai todo mundo mais racializado. Porque esse ato, por si só, ele é pedagógico. Mesmo com toda a dificuldade, o próximo preto que entrar nessa loja não será lido do mesmo jeito. E isso vai transformando essa sociedade. O consumo também transforma”, acredita Michel Alcoforado.
Antes de passar a palavra para Luanda Vieira, Cris Guterres confessou sua estratégia também “pedagógica” para devolver o constrangimento sofrido nesses espaços: “Eu sou aquela pessoa que, em lojas chiques, pergunto para pessoas brancas: ‘você trabalha aqui?”
Nascida em família estruturada financeiramente e acostumada a frequentar espaços de luxo, Luanda tem pensado em sua responsabilidade como espelho para sua comunidade no lugar do consumo. “Tem mulheres negras com quem falo que, de fato, frequentam os lugares que eu frequento, viajam de classe executiva como eu viajo, e tem aquelas que me escrevem dizendo que estão juntando dinheiro para se dar o produto que eu estou indicando. Aí, percebo a importância de ter seriedade com o que estou divulgando, e, de hoje ser contratada do maior shopping de luxo de São Paulo. Estou nesse lugar de abrir espaços, mas não digo que eu caminhe à vontade por esses ambientes. Alguém vai ter que sentir essa dor. Mas acho muito bonito quando as pessoas se sentem possíveis nesses lugares”, atestou Luanda.
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