Justiça torna réus mãe e filho que mantinham idosa em condição análoga a escravidão por 72 anos

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Justiça torna réus mãe e filho que mantinham idosa em condição análoga a escravidão por 72 anos

A justiça do Rio de Janeiro aceitou a denúncia feira pelo Ministério Público e tornou réus Yonne Mattos Maia e André Luiz Mattos Maia Neumann, mãe e filho, que são acusados de manter a idosa Maria de Moura em condição análoga a escravidão. Ela trabalhava para a família há 72 anos, sem salário, e foi resgatada em maio de 2022.

A reportagem que foi ao ar na noite de domingo, 10, no Fantástico, na TV Globo, mostrou que os ex-patrões controlavam as visitas de Maria de Moura à própria família, além disso, o celular da idosa de 87 anos ficava sob domínio do patrão.

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Além da acusação de trabalho análogo à escravidão, a reportagem mostrou que André Luiz Mattos Maia Neumann tambem está sendo acusado de coação e de um crime mais recente, por se apropriar de cartões magnéticos, em especial de idosos e pessoas que não tem condições de responder por si mesmas. Ele também estava de posse do cartão do INSS da idosa no dia em que foi resgatada e admitiu ter a senha.

A denuncia do MPT também revela que no dia do resgate, André segurou Maria pelo braço e disse: “você não diga que trabalhou para a minha mãe, senão você vai…”, soltando um palavrão.

Maria de Moura foi resgatada da família de Yonne e André pelo Ministério Público em 2022, quando tinha 85 anos, após uma denúncia anônima. O caso da idosa é o mais longevo já registrado no país.

O fato de a idosa dormir em um sofá sem lençol que ficava ao lado de Yonne, sem lençol, coberta ou travesseiro, chamou a atenção da promotora do MPT, Juliane Mombelli. A defesa alega que Maria era ‘considerada da família ‘.

Maria de Moura estava com a saúde debilitada. Ela vivia com a família desde os 12 anos, época em que seu pai trabalhava para o pai de Yonne Matos Maia na fazenda dele.

O que dizem os familiares de Maria de Moura

De acordo com a matéria do Fantástico, a família de Maria de Moura contou que só viam a idosa no máximo dias vezes por ano e por pouco tempo. Ela também não tinha plano de saúde e só passou a receber uma aposentadoria como autônoma depois de receber apoio da irmã.

A idosa está praticamente cega e não sai de casa. Ela recebe a aposentadoria e um salário mínimo pago pela família de Yonne Mattos Maia depois de uma liminar da justiça.

A defesa da família quer que Maria seja ouvida pela justiça, mas o pedido não foi atendido porque a idosa apresenta sinais de demência. Corre atualmente na justiça um processo de interdição da idosa.

Nas palavras de Marcos Vecchi, advogado da família Mattos Maia, a idosa “frequentava samba e desfiles”: “Ela conviveu nessa família a vida toda. Ela frequentava samba, desfiles, viajava com a família. Estão tratando a Maria de Moura como se ela fosse um objeto. Estão subtraindo dela a humanidade dela. De ouvi-la. Você quer ficar com quem? “, afirmou.

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