Turista argentino fez gesto de macaco durante jogo da Copa em Morro de São Paulo, na Bahia
Um jovem negro denunciou ter sido vítima de injúria racial na noite de terça-feira (15), em Morro de São Paulo, distrito do município de Cairu, no litoral da Bahia, durante a transmissão de uma partida de futebol da Copa do Mundo em um bar da região. Segundo o portal Alô Juca, que teve acesso a vídeos do momento, o estabelecimento estava lotado de turistas, entre eles um grupo de argentinos que comemorava o segundo gol da seleção do país.
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Em imagens enviadas ao portal, um dos torcedores aparece se virando em direção ao jovem e fazendo gestos imitando um macaco, em atitude interpretada como racista pelas pessoas presentes no local. Testemunhas relataram ao Alô Juca que o rapaz ficou abalado, chegou a chorar e precisou ser amparado por outras pessoas que estavam no bar. A Polícia Militar teria sido acionada, mas, segundo o mesmo portal, nenhuma guarnição compareceu ao estabelecimento durante a confusão.
Depois do episódio, o jovem gravou um vídeo relatando o ocorrido e cobrando providências das autoridades. “Eu sofri racismo e não quero deixar assim”, disse ele, em vídeo publicado nas redes sociais e reproduzido pelo Alô Juca. O rapaz pede que o responsável pelo gesto seja identificado e responsabilizado pelas autoridades competentes.
O episódio em Morro de São Paulo se soma a uma sequência de casos recentes envolvendo torcedores argentinos e acusações de racismo contra brasileiros. Durante a Copa do Mundo de 2026, o influenciador norte-americano IShowSpeed foi hostilizado com insultos e gestos racistas por torcedores argentinos em dois jogos diferentes do torneio. Em fevereiro deste ano, a turista argentina Agostina Páez foi presa no Rio de Janeiro após ser acusada de chamar um funcionário de bar em Ipanema de negro de forma pejorativa, em um caso que teve repercussão também na Argentina, onde chegou a ser explorado por figuras da base política do governo Javier Milei.
A questão também aparece no futebol profissional. No início deste ano, o jogador argentino Gianluca Prestianni, do Benfica, foi acusado de chamar o brasileiro Vinícius Júnior de macaco durante uma partida em Lisboa, episódio que gerou controvérsia internacional. Especialistas ouvidos pela imprensa apontam ainda precedentes históricos, como uma capa de jornal argentino de 1920 que retratava brasileiros como macacos e uma manchete do Diário Olé, em 1996, que convocava publicamente os macacos antes de um confronto entre as seleções nos Jogos Olímpicos.
A injúria racial é crime previsto na legislação brasileira e, desde a sanção da Lei 14.532, em 2023, passou a ser equiparada ao crime de racismo, com pena de três a cinco anos de prisão, sendo inafiançável e imprescritível. Até a publicação desta reportagem, não havia informações sobre a identificação do autor das ofensas em Morro de São Paulo nem sobre prisões relacionadas ao episódio. A Prefeitura de Cairu ainda não havia se manifestado oficialmente sobre o caso específico até o fechamento desta matéria.
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