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Atletas celebram o 1º pódio olímpico de ginástica só com mulheres pretas: “a gente pode fazer acontecer”

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Foto: Ricardo Bufolin/CBG

Pela primeira vez na história dos Jogos Olímpicos, só mulheres pretas formaram o pódio da ginástica artística, durante a final de solo em Paris 2024, nesta segunda-feira, 5 de agosto. A Rebeca Andrade levou medalha de ouro, enquanto Simone Biles e Jordan Chiles se destacaram em segundo e terceiro lugar, respectivamente. Um momento histórico, também marcado pela reverência das norte-americanas feita para a brasileira.

Em outubro do ano passado, o Campeonato Mundial da Ginástica também teve o primeiro pódio formado inteiramente com mulheres pretas no individual geral. Neste, Rebeca Andrade ficou com a prata, e as norte-americanas Simone Biles e Shilese Jones, levaram ouro e bronze.

  • “A gente tinha feito isso no Mundial, e poder repetir isso agora em uma Olimpíada, onde o mundo inteiro está vendo a gente é mostrar a potência dos negros, mostrar que, independente das dificuldades, a gente pode, sim, fazer acontecer. Porque ou as pessoas aplaudem, ou elas engolem. E a gente está aqui mostrando que é possível. Eu estou muito orgulhosa. Eu me amo, eu amo a cor da minha pele. Mas também não me fecho só nisso. Eu sei que tem vários outros pontos da Rebeca, tem vários outros pontos da Jordan, da Simone, de várias atletas, não só da ginástica, mas atletas negras. E é poder incentivar e continuar mostrando que talvez seja um pouco mais difícil para você, mas é o teu sonho. Ninguém tem o direito de falar não para você. A gente conseguiu provar isso”, disse Rebeca à imprensa após a cerimônia de medalhas.

Jordan Chiles também comemorou esse momento histórico e elogiou a Rebeca Andrade. “Ela é incrível. Uma lenda. Devemos reconhecer o trabalho dela. Ficamos muito felizes por esse pódio ter sido formado por mulheres pretas. Era muito importante para nós isso. Senti que era necessário (a reverência)”, destacou.

Rebeca Andrade leva ouro e se torna a maior medalhista brasileira de Jogos Olímpicos

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Foto: Alexandre Loureiro

Rebeca Andrade conquista a medalha de ouro na final do solo da ginástica artística, na manhã desta segunda-feira, 5 de agosto, 14.166 pontos. Com essa vitória, ela se torna a maior medalhista Olímpica do Brasil na sequência de Paris 2024. 

Já a norte-americana Simone Biles leva medalha de prata ao pontuar 14.133. 

A ginasta brasileira já havia revelado que esta seria sua despedida nas provas de solo, porque exige muito do físico e ela pretende descansar os joelhos, três vezes operado. 

No último sábado (3), a brasileira já havia se igualado ao recorde dos velejadores Robert Scheidt e Torben Grael, com cinco medalhas cada, ao levar a medalha de prata de salto. Além de repetir o feito de Isaquias Queiroz (canoagem), que foi três vezes ao pódio na Rio-2016.

Em Paris, ela se tornou a brasileira com o maior número de medalhas na história das Olimpíadas, superando os três pódios de Hélia de Souza, a Fofão, do vôlei (um ouro e dois bronzes) e Mayra Aguiar, do judô (três bronzes).

Alison dos Santos e Matheus Lima avançam à semifinal dos 400m com barreiras

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Fotos: Wander Roberto/COB

O Brasil terá dois representantes nas semifinais dos 400 metros com barreiras da Olimpíada de Paris, na França. O paulista Alison dos Santos, o Piu, e o cearense Matheus Lima garantiram as respectivas vagas nas baterias desta segunda-feira (5) pela manhã, realizadas no Stade de France. A disputa por classificação à final será nesta terça-feira (6), a partir das 14h35 (horário de Brasília).

Campeão mundial da prova em 2022 e medalhista de bronze nos Jogos de Tóquio, no Japão, um ano antes, Alison disputou a terceira bateria do dia e acabou na terceira posição, em 48s75. O brasileiro, favorito a medalha em Paris, liderou a maior parte do percurso, mas diminuiu o ritmo na reta final e foi ultrapassado pelo estadunidense CJ Allen e o estoniano Rasmus Magi. Mesmo assim, foi o suficiente para se classificar, já que os três primeiros avançavam às semifinais.

Já Matheus cresceu nos metros finais da quinta bateria e avançou com o segundo melhor tempo, com 48s90, ficando atrás somente do jamaicano Malik James-King. Estrante em Olimpíada, o barreirista foi medalhista de prata nos Jogos Pan-Americanos de Santiago, no Chile, no ano passado.

Principais adversários de Piu na briga pelo ouro, o norueguês Karsten Walholm e o estadunidense Rai Benjamin também avançaram às semifinais sem dificuldades. O primeiro, campeão olímpico em Tóquio e recordista mundial da prova, venceu a segunda bateria com 47s58, enquanto o segundo, prata na última Olimpíada, fez 48s82 e levou a melhor na bateria que abriu as disputas nesta segunda.

A final dos 400 m com barreiras está prevista para sexta-feira (9), às 16h45 (horário de Brasília).

Fonte: Agência Brasil

Mostra de Cinemas Africanos anuncia destaques da edição 2024 com estreias e presença de cineastas

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Foto: Olivier Marceny - Cin_France Studios Archipel 3-Dune Vision

A Mostra de Cinemas Africanos anunciou os destaques da sua próxima edição, que acontece em setembro de 2024, entre os dias 11 e 18 em São Paulo (SP) e 18 a 25 em Salvador (BA). Este é o sétimo ano consecutivo do único festival calendarizado no Brasil dedicado exclusivamente à exibição de filmes africanos contemporâneos.

Abderrahmane Sissako, um dos cineastas mais consagrados do continente africano e premiado internacionalmente, estará presente na programação do evento, estreando no Brasil seu mais novo filme Black Tea (2024). O filme conta a história de uma jovem da Costa do Marfim que se apaixona por um homem chinês mais velho, após imigrar para a Ásia. O longa, que tem ganhado elogios da crítica, foi indicado para concorrer ao prêmio Urso de Ouro no 74º Festival Internacional de Cinema de Berlim.

Nascido na Mauritânia, Sissako é conhecido por filmes que exploram a globalização e o deslocamento. Seu primeiro longa-metragem, Heremakono – Esperando a Felicidade (2002), ganhou o Prêmio FIPRESCI no Festival de Cannes de 2002. Seus longas Bamako (2006) e Timbuktu (2014) foram amplamente aclamados, sendo este último selecionado para concorrer à Palma de Ouro e indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

A jovem franco-senegalesa Ramata-Toulaye Sy também é uma das convidadas especiais desta edição que vem estrear seu filme no Brasil na Mostra de Cinemas Africanos. Banel e Adama (2023) é um conto senegalês que acompanha um jovem casal de uma pequena aldeia confrontado pelas convenções da sua comunidade. Esse é o primeiro longa-metragem da realizadora, que já chegou despertando atenção e concorrendo à Palma de Ouro no Festival de Cannes 2023.

Além de participarem da sessão de estreia de seus filmes, os cineastas participarão de programações que incluem sessões de debate com o público e mesas de discussão sobre o cinema africano e intercâmbio com o Brasil. 

Em uma parceria com a Imovision, distribuidora de Black Tea e Banel & Adana, a curadoria do Mostra também se estende com a recomendação de alguns títulos disponíveis no streaming da distribuidora, a Reserva Imovision, incluindo filmes como Timbuktu, também de Abderrahmane Sissako.

Encontros do Audiovisual Brasil-África

Outro grande destaque da Mostra de Cinemas Africanos 2024 é a realização de um encontro inédito que vai reunir cerca de 40 profissionais do audiovisual africano e brasileiro, que atuam em diversos setores da cadeia de produção, do roteiro à distribuição.

Os “Encontros do Audiovisual Brasil-África” acontecem exclusivamente em Salvador (BA), como parte da programação de atividades paralelas, entre os dias 19 e 22 de setembro. Serão quatro dias de atividades intensas que incluem reuniões de trabalho, debates, palestras e eventos de networking. O público poderá participar gratuitamente, atendendo à quantidade de vagas de cada atividade.

A programação acontece em torno de quatro pilares: Pesquisa, Produção, Difusão e Formação. Especialistas dos dois lados do Atlântico Sul irão compartilhar conhecimentos e fomentar novos projetos de coprodução, visando que o cinema africano e brasileiro ganhem ainda mais força e alcance. Mais informações podem ser acompanhadas no site: www.mostradecinemasafricanos.com

O projeto Encontros do Audiovisual Brasil-África  foi contemplado nos Editais da Paulo Gustavo Bahia e tem apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia através da Secretaria de Cultura via Lei Paulo Gustavo, direcionada pelo Ministério da Cultura, Governo Federal.

“Atotô – Silêncio, o Rei Está na Terra” retorna em agosto com curta temporada em São Paulo

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Foto: Rafael Berezinski

A remontagem do espetáculo “Atotô – Silêncio, o Rei Está na Terra”, encenado pela Cia Odara, está de volta ao Teatro Oficina, em São Paulo. Em curta temporada a peça será apresentada em 5, 12, 19 e 26 de agosto, sempre às 20h30. A peça, que tem direção e produção de Márcio Telles e um elenco de cerca de 40 pessoas, reúne importantes elementos sobre manutenção e resistência de narrativas Yorubás.

Prestando homenagem a Obaluaê, a apresentação conta com mais de 40 artistas pretos em um elenco  formado por atrizes, atores, bailarinos, dançarinos, cantores, músicos, percussionistas, capoeiras, sambistas, técnicos, produtores e promotores da cultura e das tradições de matriz africana. O espetáculo também conta com as participações da cantora Raquel Tobias, Jônatas Petróleo, Renato Passarinho, Dogge, além das atrizes Lena Silva, Vera luz,Viviane Clara, Silvina Elias, Luzia Rosa, Stella Valentina e ainda, parte do elenco preto do Teatro Oficina. 

Em cerca de 90 minutos a peça se baseia nos confrontos da luz e a sombra, do amor e da dor. Inspirado em um dos Itans de Obaluaê, senhor da doença e da cura, ela se propõe a realizar “uma celebração à vida num rito-espetáculo que une diversas linguagens, sempre com um olhar espacial para a capacidade humana de adaptar-se à mudança, num eterno aprendizado que provém das coisas mais simples”, comenta o diretor Márcio Telles.

Foto: Rafael Berezinski

Ele também destaca que, assim como Obaluaê, que desenvolveu poder da transmutação e a magia da cura, o ser humano deve estar aberto a novos elementos e desafios de sua jornada em busca espontânea pelo desenvolvimento espiritual. Voltando ao cartaz após ser encenada na época da pandemia, o espetáculo ocupará datas do mês dedicado a Obaluaê e que também marca o aniversário do Teatro Oficina, que completa 63 anos.

Em “Atotô – Silêncio, O Rei Está na Terra”, Exu, o mensageiro entre os dois mundos com seu gingado, convida o público a silenciar os pensamentos, em uma alusão ao significado da expressão ‘Atotô’, que significa silêncio. Os convidados são conduzidos ao grande portal da floresta sagrada, onde atabaques e xequerês buscam consonância com violinos e violoncelos e onde todos poderão acompanhar o nascimento  do grande rei negro. Ele, coberto de palhas, se faz presente na terra por meio da dança dos corpos pretos, da música e da oralidade, para mostrar, por meio de seu elenco, que a verdadeira cura vem de dentro e que a transmutação é um processo contínuo de aceitação e mudança para todas as pessoas que buscam na celebração da vida a força para resistir e transformar o luto em luta.

Foto: Rafael Berezinski

Serviço

Atotô – Silêncio, o Rei está na Terra

Local: Teatro Oficina

Endereço: Rua Jaceguai, 520- Bixiga 

Datas: 05,12,19 e 26 de Agosto, às 20h30

Duração: 90 minutos

Direção: Márcio Telles

Classificação indicativa: Livre

Ingressos: R$60 (inteira), R$ 30 (estudantes, professores de rede pública, classe artística mediante comprovação, moradores do bairro mediante comprovante de residência), R$5 (estudantes secundaristas de escola pública, imigrantes, refugiados, moradores de movimentos sociais de luta por moradia mediante comprovante)– limitados a 10% da lotação diária. Compre aqui!

Quilombo Fashion: Museu das Favelas anuncia desfile conceitual com quatro marcas pretas e periféricas

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Foto: Divulgação

O Museu das Favelas, na capital paulista, receberá um evento que contará a história de 4 marcas pretas e periféricas com um desfile conceitual e cheio de arte, com entrada gratuita, no dia 10 de agosto, a partir das 14h. O objetivo do evento é mostrar a força de marcas dentro do cenário streetwear com intervenções musicais e representações de matrizes africanas.

A Axô Megê, marca de 3 jovens pretos, Jandir, Thaís e Gustavo, que mistura o pop da cultura negra e o sagrado da diáspora africana, levará para a passarela peças que mostram desde Tupac e Malcolm X, até a visão autoral de Orixás. Já a Unidade Preta, que é uma marca que traduz a diáspora negra em sua essência, criada por Lucas Carvalho e como sócio, seu amigo de infância Kaique Augusto, conta com panos e acessórios que inspiram e comunicam a luta preta em todas as suas vertentes, ela apresentará com muito Hip Hop sua nova coleção.

Assim como a Afronthe, marca idealizada e gerida por Gabriela Bibiano, tem como missão inspirar e empoderar pessoas pretas através de sua estética cheia de referências da cultura afro. E o Ateliê Fashion LN criado por Larissa Nycoli, estará no desfile apresentando 2 collabs criadas em parceria com a Axô e a Unidade. A marca, que tem como foco representatividade negra, sustentabilidade e exclusividade, cria peças a partir da técnica de upcycling, customizações e sob medida.

Além das intervenções fashion, o evento, que terá produção de moda e stylist de Larissa Nycoli, também contará com o som da festa Salseiro que convida o DJ Moyses Pretinho para comandar as pickups. No local, os convidados poderão visitar as dependências do Museu para experienciar exposições como Favela em Fluxo, Rap em Quadrinhos, Funkeiros Cults e uma biblioteca especializada em livros de autores periféricos e de temáticas voltadas às favelas.

O Museu das Favelas está localizado no bairro Campos Elíseos, em São Paulo, ao lado do Terminal de Ônibus Princesa Isabel.

“Conectar-se com a ancestralidade é tão importante quanto conectar-se com a história”, afirma Ibi Zoboi sobre seu livro “Nigeria Jones”

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Foto: Nicole Modestin

Na mais recente obra da escritora haitiana-americana Ibi Zoboi, “Nigeria Jones”, publicada no Brasil pela editora HarperCollins, temas como feminismo, dinâmicas familiares complexas e a importância da ancestralidade são explorados com profundidade.

O livro acompanha a jornada de Nigeria Jones, uma jovem criada em um grupo separatista e antissistema, cujo mundo desmorona quando sua mãe, a matriarca do grupo, decide ir embora. Em uma entrevista exclusiva para o Mundo Negro, Ibi Zoboi revela como suas experiências pessoais influenciaram na criação de sua obra e destaca a relevância das temáticas abordadas.

“Como muitos jovens universitários, eu procurava por espaços que me ensinassem minha verdadeira história, já que não a aprendi na escola. Esses espaços se concentravam no desenvolvimento pessoal, saúde, cultura e história. Eles não eram perfeitos, mas foi aí que entendi que posso ter a liberdade de viver a vida que desejo.”, contou Zoboi.

Mundo Negro: Houve algum evento ou experiência pessoal que influenciou a criação desta história?

Ibi Zoboi: Sim, eu tenho uma experiência pessoal com espaços radicais negros. Como muitos jovens universitários, eu procurava por espaços que me ensinassem minha verdadeira história, já que não a aprendi na escola. Esses espaços se concentravam no desenvolvimento pessoal, saúde, cultura e história. Eles não eram perfeitos, mas foi aí que entendi que posso ter a liberdade de viver a vida que desejo.

MN: “Nigeria Jones” aborda temas profundos como feminismo, dinâmicas familiares e ancestralidade. Qual é a principal mensagem que você deseja transmitir aos seus leitores, especialmente aos jovens leitores negros?

Zoboi: Quero que todos os leitores entendam que é necessário remixar os valores com os quais você foi criado se eles são prejudiciais para você, mesmo que tenham sido úteis para os outros. O pai de Nigeria acredita que tem todas as respostas para ajudar os negros a serem livres, mas Nigeria não se sente livre. Ela teve que desaprender algumas coisas que seu pai lhe ensinou para descobrir o que é verdadeiro para ela. Só você sabe o que é melhor para você, mesmo que tenha uma família amorosa tentando guiá-lo na direção certa.

MN: Como você vê a importância de explorar e se conectar com a ancestralidade na busca pela libertação e identidade pessoal?

Zoboi: Conectar-se com a ancestralidade é tão importante quanto conectar-se com a história. A história não é nada sem as pessoas que a fazem. Essas pessoas também foram nossos avós e bisavós. Honrá-los é honrar a história.

Folha: A protagonista Nigeria Jones passa por uma jornada intensa de autodescoberta e transformação. Como você desenvolveu essa personagem e sua evolução ao longo da história?

MN: A história de Nigeria também é minha própria história de evolução. Eu cresci em um lar de imigrantes rigoroso. Tive que forjar meu próprio caminho para me tornar a pessoa que sou hoje. Minha mãe queria que eu vivesse o sonho americano. Mas na história de Nigeria, seu pai quer que ela evite o sonho americano. Ambas crescemos em comunidades que nos protegeram do mundo exterior. Ambas estávamos indo contra os desejos de nossos pais. Tive que recorrer às minhas próprias experiências e às experiências dos jovens que conheço para contar a história dela. Todos nós passamos por essa jornada.

MN: O livro retrata um aspecto pouco discutido da cultura afro-americana. Como você acredita que essa representação pode impactar os leitores, tanto nos EUA quanto no Brasil?

Zoboi: Existem comunidades negras em todo o mundo que abraçam sua história e cultura. Quero visitar a Bahia, onde existem tradições que conectam o povo do Brasil ao povo da Nigéria, por exemplo. Temos comunidades semelhantes nos EUA. Nem tudo foi perdido durante a escravidão. Nem tudo foi tirado de nós. Algumas pessoas estão trabalhando duro para preservar a cultura e, às vezes, elas erram. Mas vale a pena documentar para que os leitores saibam que os negros são multifacetados.

Jaciana Melquiades conquista sucesso no Spotify ao falar de amor e autoconhecimento

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Fotos: Divulgação.

Jaciana Melquiades, conhecida por sua atuação como podcaster, empreendedora, artista e ativista no Brasil, está colhendo os frutos de seu trabalho mais recente, o podcast Eu Preciso Falar de Amor. Com uma abordagem sincera e reflexiva sobre os desafios dos relacionamentos afetivos, o projeto já acumula mais de 800 mil impressões e 190 mil reproduções no Spotify, consolidando sua relevância no cenário do áudio digital.

Fundadora da “Era Uma Vez o Mundo”, iniciativa que cria bonecas e materiais educativos para promover a representatividade desde a infância, Jaciana já era uma figura importante no debate sobre educação e afeto. Mas a transição para discutir temas mais profundos sobre amor e relacionamentos foi um passo decisivo em sua carreira. “Pensar no universo infantil tem uma relação muito direta com a Jaciana que se tornou mãe. O podcast surgiu de uma necessidade pessoal de falar sobre temas que me endureceram devido a experiências ruins nos relacionamentos”, explica.

Desde seu lançamento, o Eu Preciso Falar de Amor tem se destacado no Spotify, acumulando mais de 800 mil impressões e 190 mil reproduções. Esses números impressionantes são acompanhados por uma média de 4,5 mil plays por episódio e uma retenção de 50% do público até o final. Além disso, o podcast foi incluído na lista do Radar Spotify, uma conquista que Jaciana celebra como a confirmação de que “falar sobre amor é um excelente caminho para a construção de comunidades afetivas que nos fortalecem”.

Os temas que Jaciana aborda no podcast ressoam profundamente com sua audiência. “Os episódios sobre autoamor, autocuidado e a necessidade de descentralizar o amor romântico da nossa vida geram muito interesse”, observa. Questões como ciúme, traição e responsabilidade afetiva são recorrentes nas conversas com seus ouvintes, que muitas vezes procuram no podcast uma forma de lidar com o sofrimento emocional. “É impressionante a quantidade de comentários de pessoas que estão passando por dor e buscam entender como desmontar o amor romântico como esse lugar de dor”, comenta Jaciana.

A relevância de seu trabalho também se estende para além de suas ouvintes mulheres. Jaciana nota um crescente interesse de homens negros, especialmente aqueles em terapia, que procuram entender e melhorar suas formas de se relacionar. “Há um movimento de homens negros terapeutizados que estão percebendo que têm um problema na forma de se relacionar e vêm buscar respostas”, conta. Esses homens, segundo Jaciana, estão cada vez mais cientes das críticas femininas às suas atitudes e buscam entender como podem agir de maneira diferente.

Foto: Leo Orestes.

A recepção positiva e o impacto do Eu Preciso Falar de Amor não apenas consolidam Jaciana Melquiades como uma voz poderosa no debate sobre amor e relacionamentos, mas também provam que é possível transformar experiências pessoais em projetos que conectam e inspiram milhares de pessoas. “Ver a comunidade que se formou em torno do podcast me deixa muito feliz”, reflete Jaciana. “Acredito que falar sobre amor é um caminho importante para a construção de comunidades que nos fortalecem, e os números só reforçam que estamos no caminho certo.”

Jaciana Melquiades, com mais de 18 mil seguidores fiéis, continua a moldar conversas essenciais sobre amor e autocuidado, provando que essas discussões são fundamentais para o bem-estar emocional coletivo.

Somos culpados por sofrer racismo? 

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Foto: Rodolfo Magalhães

Nesta semana, a cantora Negra Li denunciou um episódio de racismo que sofreu na loja Aslan Rigor, de vestimentas e aluguel de trajes para debutantes, localizado em São Paulo. Ela relatou que estava acompanhada da filha e de outra adolescente, quando foi ignorada pelas atendentes.

No entanto, muitos comentários nas redes sociais indagaram mais a insatisfação com uma mulher negra que gostaria apenas de fazer uma compra, do que com a própria loja e Negra Li se sentiu pressionada a explicar suas razões pessoais.

“A minha filha foi convidada a dançar numa festa de 15 anos. A amiga dela alugou a roupa lá e minha filha precisa ir lá buscar. Aproveitei pra ver se tinha as roupas para as amigas de minha filha dançarem na festa dela. É uma roupa específica que se aluga. Peças iguais para apresentação de dança! Não basta passar pelo constrangimento ainda preciso ser questionada o porque estava lá. Triste”, desabafou a cantora nos comentários do Instagram do Mundo Negro.

Entendo que pode haver uma frustração para muitas pessoas, sobre negros e negras continuarem consumindo em lojas com um histórico racista, divulgados na imprensa, como o caso da Zara. Mas as cobranças deveriam ser direcionadas aos estabelecimentos e pessoas racistas. Ou vamos normalizar o sentimento de nos sentirmos culpados por sofrer racismo?

Negra Li não precisava se sentir pressionada a explicar os seus motivos de ir numa loja com a filha, explicar o tipo de festa e o tipo de roupa que gostaria de usar. Os estabelecimentos que devem prestar um bom atendimento para as pessoas negras que desejam consumir ou serem punidos caso isso não seja feito. E não, Aslan Rigor, isso não foi um mal entendido como dito à artista, foi racismo mesmo. 

Particularmente, acho legítimo e importante os movimentos que promovem boicotes aos estabelecimentos com o histórico de racismo. Mas não são todas as pessoas negras que desejam ou podem participar. O que não justifica tal cobrança contra uma vítima.

Infelizmente, como ainda não temos uma justiça efetiva no Brasil contra os racistas, o nosso último recurso, muitas vezes, acaba sendo desabafar nas redes sociais e tudo o que poderíamos fazer é acolher.

David Pina conquista a primeira medalha olímpica de Cabo Verde na história

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Foto: Cristiano Barbosa

David Pina, 27, entra para a história ao conquistar a primeira medalha olímpica de Cabo Verde na história. O pugilista derrotou o zambiano Patrick Chinyemba nas quartas de final do boxe, na categoria masculina até 51kg, nesta sexta-feira, 2, e já assegurou o pódio nas Olimpíadas de Paris 2024.

Nesta modalidade, os dois semifinalistas já conquistam a medalha de bronze, mas o cabo-verdiano ainda almeja a medalha de ouro. Sua próxima luta será no domingo, 4 de agosto, contra o uzbeque Hsanboy Dusmatov. 

Há cinco meses, o atleta cogitou abandonar o boxe, após perder uma das chances de classificação aos Jogos Olímpicos e agora conquista um grande feito na carreira e para o país. 

O Cabo Verde estreou nos Jogos Olímpicos em Atlanta 1996, mas nunca havia subido ao pódio. Além disso, essa é a terceira medalha na história da África lusófona, sendo as duas de Moçambique, conquistados pela Maria Mutola no atletismo, com bronze nos 800m rasos em Atlanta 1996 e ouro na mesma prova em Sydney 2000.

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