Um dos filmes mais aguardados do ano, ‘Piano de Família‘, estrelado por Samuel L. Jackson (‘Django Livre’) e John David Washington (‘Infiltrado na Klan‘), estreia na plataforma da Netflix no dia 22 de novembro.
Com produção de Denzel Washington e Todd Black, o drama é uma adaptação da peça ‘A Lição de Piano’, de August Wilson, premiada com o Prêmio Pulitzer que explora a experiência afro-americana ao longo do século XX.
Michael Potts, Danielle Deadwyler, Samuel L. Jackson, John David Washington e Ray Fisher as Lymon em ‘Piano de Família’. (Foto: Cortesia da Netflix)
Dirigido pelo estreante de longas-metragens Malcolm Washington, o elenco ainda conta com outros grandes nomes como Ray Fisher, Michael Potts, Erykah Badu, Skylar Aleece Smith, Danielle Deadwyler e Corey Hawkins.
Segundo a sinopse oficial, uma guerra fermenta na casa da família Charles. No centro da discórdia, um valioso piano ameaça cortar os laços entre dois irmãos. De um lado da trincheira, está o irmão (John David Washington) que tenciona vender o instrumento em prol da fortuna da família. Do outro lado, está a irmã (Danielle Deadwyler) que não olha a meios para conservar o último resquício do legado familiar. O tio deles (Samuel L. Jackson) tenta conciliar vontades opostas, mas não consegue manter os fantasmas do passado afastados.
Denzel Washington, vencedor de dois Oscars, disse para a People no mês passado sobre o orgulho que sente de seu filho mais novo estreando como diretor de longa-metragem. “Estou feliz que as pessoas terão a chance de ver o cineasta que Malcolm é. Estou animado com nosso futuro junto com August Wilson”.
Um projeto realizado em família, o ator da trilogia ‘O Protetor’ ainda produziu o filme ao lado da filha Katia Washington e conta o filho mais velho John David Washington como um dos protagonistas da trama.
A equipe de arqueologia que trabalha nas obras da Estação 14 Bis-Saracura, da futura Linha 6-Laranja do Metrô, no centro de São Paulo, encontrou fios de contas, conchas e uma imagem que pode representar uma divindade religiosa da cultura afro Exu. Segundo o movimento Mobiliza Saracura Vai-Vai, os novos itens podem ser do final do século XIX, e estarem relacionados ao Quilombo Saracurano bairro do Bixiga.
“Têm sido encontrados muitos objetos que estão sendo associados, pela própria equipe de arqueologia, a elementos de ritos das religiões de matriz africana. São muitas conchas marinhas, mais de 200, que foram levadas para o local, cachimbos de cerâmica e madeira, três bonecos de arame associados ao orixá Exu, e, mais recentemente, um fio de contas depositado no solo junto com elementos em ferro”, explicou a moradora do Bixiga e integrante do Mobiliza Saracura Vai-Vai Luciana Araújo.
Ela afirmou que esses objetos reforçam as demandas do grupo para a preservação das estruturas construtivas, além dos artefatos associados diretamente à religiosidade, pois todos podem revelar um local de práticas religiosas, como um terreiro, por exemplo. Entretanto, ela reforçou que só será possível ter certeza se houver a devida pesquisa e preservação.
“É possível seguir com a obra da estação e preservar os achados, como na estação Termini (em Roma), na Campo 24 de Agosto (em Portugal), a Monastiraki (em Atenas). Mas no Brasil o empreendedor só quer discutir os impactos da preservação na lucratividade”, disse.
Fotos: Mobiliza Saracura Vai-Vai
Ela lembrou ainda sobre a existência de leis que asseguram o direito à preservação do patrimônio material e imaterial e à contribuição dos grupos formadores da sociedade brasileira, especialmente tendo em vista que há registros documentais históricos de que aquele território abrigou um quilombo.
“Basta adequar o projeto da estação 14 Bis-Saracura para viabilizar a manutenção dessas estruturas, numa linha que já vai receber mais de R$ 100 milhões além do valor original do contrato em função de não terem realizado adequadamente os estudos geológicos no começo da obra. E isso não tem nada a ver com Saracura, mas com problemas em outras estações”, observou.
Para Luciana, se as pesquisas prévias não tivessem sido dispensadas, a população de São Paulo e do Bixiga não estaria vivendo um atraso na construção do metrô nem ameaças à preservação. “Poderíamos estar discutindo o ganho cultural, histórico, econômico, social e antirracista que esses achados trazem, o potencial que têm para aprendermos muito mais sobre a urbanização da cidade e do que foi o projeto de desenvolvimento paulistano”, ressaltou.
Descobertas
O sítio arqueológico foi encontrado em junho de 2022 no local onde ficava a quadra da escola de samba Vai-Vai, que deixou o Bixiga devido às obras do Metrô. Segundo o movimento Mobiliza Saracura Vai-Vai, a descoberta dos objetos arqueológicos indicam a possível existência de um templo afro-religioso antes da urbanização do local.
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) afirmou em nota que todos os artefatos que vêm sendo encontrados têm sido estudados para que sejam corretamente identificados. A datação dos achados não foi confirmada por enquanto.
“O Instituto informa que não tem medido esforços para compatibilizar a implantação das obras do metrô Saracura e as normas de preservação do patrimônio cultural brasileiro, que permitem a conservação e o estudo de relevante material arqueológico referente às memórias de populações que habitaram a região e que contribuíram para a formação histórica do país”.
Uma escola mantida pela Jalles Machado, agroindústria referência no setor sucroenergético em Goianésia, interior de Goiás, vem ganhando destaque por seu impacto social e educacional. Fundada em 1996, a Escola Luiz César de Siqueira Melo oferece ensino gratuito e de qualidade para cerca de 600 crianças, misturando alunos de diversas origens socioeconômicas, incluindo filhos de funcionários da empresa e de pessoas que moram na comunidade local.
A iniciativa educacional foi premiada internacionalmente em 2023 ao receber a Certificação de Escola Farol pelo programa socioemocional “Líder em Mim”, desenvolvido pela organização norte-americana Franklin Covey Education, em parceria com a Somos Educação. Esse reconhecimento coloca a escola entre as 150 instituições de ensino certificadas no mundo, sendo a primeira em Goiás e uma das poucas no Brasil a alcançar tal feito. O programa incentiva o desenvolvimento de habilidades de liderança e competências socioemocionais, preparando os alunos para desafios da vida moderna.
A editora-chefe do Mundo Negro, Silvia Nascimento, esteve visitando algumas cidades em Goiás, a convite da Adial, participando do projeto Agro-Mill Experience II. Durante visita recente à instituição, ela conversou com o CEO do grupo, Otávio Lage Filho, que destacou a importância do prêmio recebido pela escola, que atende 600 crianças entre o maternal e o 9º ano: “Ao recebermos a Certificação Internacional de Escola Farol do Programa Socioemocional ‘Líder em Mim’, concedido pela Franklin Covey Education, tornou-se ainda mais evidente a validação de que o investimento em educação reverbera de forma a impactar a atual geração, para que no futuro estejam preparados para os enfrentamentos em sua vida enquanto profissionais, visto que usamos da autoliderança como ferramenta de empoderamento pessoal e coletivo”.
Mundo Negro –Qual foi o principal objetivo ao criar a escola, e como ela está contribuindo para a formação de profissionais qualificados no setor industrial e agroindustrial em Goiás?
Otávio Lage Filho – Nosso pai e fundador do Grupo Otávio Lage e da Jalles, Otávio Lage, foi um grande incentivador da educação. Ele acreditava que a educação é uma ferramenta que transforma. Ao criar a escola, teve como principal objetivo ofertar uma educação de qualidade aos filhos dos colaboradores para que eles, por meio do conhecimento, pudessem alcançar uma melhor qualidade de vida. Assim, no decorrer dos 28 anos de existência, a Escola Luiz César de Siqueira Melo contribui de forma direta e indireta para a formação de profissionais capacitados não só para atuarem no setor industrial e agroindustrial, mas também nas diversas profissões que os alunos decidem seguir, haja visto que a educação é uma ferramenta que possibilita a concretização dos sonhos, conforme nosso pai acreditava. Hoje, temos pessoas que trabalham nas empresas do Grupo, inclusive em cargos de gestão, que estudaram na escola. Então, é um orgulho para a nossa família esse projeto social que impacta positivamente tantas vidas por meio da educação.
MN –O grupo que visitou a escola saiu bastante emocionado ao ver a diversidade de origens entre os alunos. Gostaria de saber se sempre foi assim e como você enxerga o impacto positivo dessa diversidade no ambiente de aprendizado e no futuro dos profissionais que estão sendo formados aqui?
OLF – Desde o princípio, a Escola Luiz César de Siqueira Melo acolheu e respeitou a diversidade social, por acreditarmos que a educação deve ser ofertada de forma igualitária. Assim, nossa maior riqueza está na pluralidade e subjetividade de cada indivíduo, pois ao adentrarem os nossos portões valorizamos a essência e, por isso, temos como lema “nós honramos a grandeza que há em cada um.” Dessa forma, estimulamos para que desenvolvam habilidades e potencialidades. Nesse cenário, observa-se o grande impacto que é gerado na vida dos nossos alunos, sobretudo, após a implantação do Programa Líder em Mim, que, devido à diversidade e prática constante da liderança, inúmeras experiências são vividas, possibilitando, assim, que desenvolvam, na prática, valores morais como o respeito, inclusão, liberdade, tolerância, cidadania, entre outros.
MN – Como você vê o impacto de ter recebido este prêmio para a escola e para a agroindústria de Goiás? De que forma esse reconhecimento reflete o trabalho que está sendo feito na formação de futuros profissionais?
OLF – Ao recebermos a Certificação Internacional de Escola Farol do Programa Socioemocional Líder em Mim, concedido pela Franklin Covey Education, tornou-se ainda mais evidente a validação de que o investimento em educação reverbera de forma a impactar a atual geração, para que no futuro estejam preparados para os enfrentamentos em sua vida enquanto profissionais, visto que usamos da autoliderança como ferramenta de empoderamento pessoal e coletivo.
As recentes polêmicas envolvendo racismo e assédio moral no Governo Federal têm colocado em evidência a fragilidade das políticas de igualdade racial e de gênero. No centro das controvérsias, o Ministério das Mulheres e o Ministério da Igualdade Racial enfrentam críticas que questionam o comprometimento do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com as pautas do Movimento Negro.
No Ministério das Mulheres, as denúncias de racismo e assédio moral apontam para um ambiente de trabalho insustentável, especialmente para mulheres negras. Segundo reportagem do Alma Preta, uma servidora foi alvo de racismo em uma reunião conduzida pela secretária-executiva Maria Helena Guarezi, que teria solicitado que a funcionária Carmen Foro se sentasse porque seu cabelo crespo estaria “atrapalhando a visão”.
O incidente foi confirmado por testemunhas presentes e escancarou a deslegitimação das pautas raciais no interior da pasta. Além disso, comentários recorrentes, como “de novo isso de racismo?” e “já vem essa de mulher negra”, contribuíram para a criação de um ambiente tóxico, no qual o assédio moral se naturalizou.
O silêncio da ministra Cida Gonçalves em relação ao episódio de racismo foi interpretado como um sinal de conivência com a conduta de sua secretária-executiva. Segundo a mesma reportagem, nenhuma ação foi tomada para repreender Guarezi, apesar de a ministra ter sido informada sobre o caso. O ambiente de trabalho tornou-se ainda mais insuportável após a exoneração de Carmen Foro, que, em agosto, foi dispensada enquanto estava afastada por motivos de saúde.
Em uma gravação obtida pela reportagem do Alma Preta, Gonçalves sugeriu que as servidoras ligadas a Foro também poderiam ser exoneradas, aprofundando o clima de instabilidade e insegurança dentro do ministério. O resultado foi a saída de 59 funcionários desde o início da gestão, segundo levantamento do Diário Oficial da União, o que rendeu à pasta o apelido de “Ministério do Assédio”.
As consequências psicológicas desse ambiente foram profundas. Funcionárias relataram crises de ansiedade, burnout e afastamentos por problemas psiquiátricos, como confirmado pelos relatos ao Alma Preta. Muitas afirmaram que o tratamento dentro do ministério era mais duro do que durante o governo Bolsonaro, quando a pasta estava sob a coordenação de Damares Alves.
Paralelamente, o Ministério da Igualdade Racial também enfrenta pressões, desta vez vindas do próprio Movimento Negro. Um grupo de dez entidades enviou uma carta ao presidente Lula, criticando a gestão da ministra Anielle Franco. As críticas incluem o que consideram um “apagamento da participação social” na formulação de políticas de igualdade racial e a exclusão do Movimento Negro desses debates. A carta também menciona atrasos em temas como a ampliação das cotas raciais e a realização da 5ª Conferência Nacional de Igualdade Racial, além da falta de investimento em políticas para comunidades quilombolas.
O descontentamento foi ampliado pela demissão de Yuri Silva, ex-secretário do Sinapir, que, segundo as entidades, foi uma das lideranças mais representativas do Movimento Negro no governo. Para as organizações que assinam a carta, incluindo a Associação Brasileira de Pesquisadores Negros e a Coordenação Nacional de Entidades Negras, essas demissões são um reflexo do afastamento entre o governo e as demandas históricas do movimento.
Anteriormente, essa insatisfação culminou em outra manifestação significativa: representantes de 87 terreiros de candomblé enviaram uma carta ao presidente Lula, criticando a atuação de Anielle Franco e do MIR em relação às políticas para o segmento. Esta carta, que se destaca por ser a primeira crítica formal recebida pelo governo federal sobre a condução da pasta, evidencia um descontentamento que se acumula entre os grupos que representam as tradições afro-brasileiras.
Os terreiros afirmam que a política do MIR tem sido marcada por descaso e desarticulação em relação à continuidade de programas que foram iniciados durante as gestões de Lula e Dilma Rousseff. “Investidos desta história, os terreiros que subscrevem manifestam-se com preocupação sobre a política do Ministério da Igualdade Racial para esse segmento”, ressaltam, apontando uma má vontade na retomada de políticas relevantes para os povos de terreiro.
Os representantes dos terreiros também criticam a falta de diálogo com o ministério, destacando que os terreiros de candomblé são reconhecidos como Bens Materiais e Bens Imateriais do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o que deveria garantir maior atenção e respeito às suas demandas.
Em resposta, o Ministério da Igualdade Racial afirmou que tem promovido amplas políticas com participação dos movimentos sociais, destacando a titulação de 65 territórios quilombolas, o maior número em menos de dois anos de gestão. No entanto, para as entidades, essas ações são insuficientes frente às demandas urgentes. A carta enviada ao presidente Lula é um pedido claro por correção de rumos, com a solicitação de uma mesa tripartite para garantir que as políticas raciais sigam as diretrizes esperadas pelo Movimento Negro.
Essas polêmicas expõem as contradições do governo Lula, que se comprometeu a promover a inclusão racial e de gênero, mas agora enfrenta críticas de que as ações não têm correspondido às expectativas. As denúncias de racismo e assédio moral no Ministério das Mulheres e as insatisfações com o Ministério da Igualdade Racial revelam um governo que ainda luta para harmonizar as promessas de campanha com a realidade dentro das estruturas de poder.
Os episódios destacados são mais do que simples controvérsias. Eles representam um desafio direto à credibilidade do governo perante um dos seus maiores aliados políticos: o Movimento Negro. Sem respostas concretas e medidas corretivas, o risco de uma ruptura com essa base de apoio aumenta, colocando em xeque o projeto de um governo que se autodeclara comprometido com a igualdade e a justiça social.
Capa da nova edição da revista Harper’s Bazaar, Kendrick Lamar falou sobre sua vida pessoal e criativa em uma conversa com a cantora SZA. A entrevista, realizada em uma suíte de hotel em Santa Monica, nos EUA, abordou temas como saúde mental, espiritualidade e o poder da vulnerabilidade, revelando facetas mais íntimas do artista vencedor do Pulitzer.
Conhecido por ser um dos maiores letristas da atualidade, Lamar explorou seu processo criativo e emocional, comentando sobre a necessidade de manter uma distância entre sua persona de palco e sua verdadeira identidade. “Aprendi que não consigo me identificar com minhas performances no palco. Não consigo manter minha verdadeira identidade inteira para aquela pessoa que está no palco. Porque se eu fizesse isso, isso significaria que eu julgaria cada movimento toda vez que eu estragasse uma letra, toda vez que eu estivesse desafinado. … É muita coisa para lidar. Então eu tenho que ter uma distância entre o artista e a pessoa com quem fecho meus olhos e olho para o teto. Eu tive que desenvolver essa pele dura com uns 16, 17 anos, sem saber que não era apenas para minha carreira, mas para mim mesmo. É uma doença mental, com certeza”, comentou.
Foto: Quentin de Briey
“Para o que eu faço, certamente não há crescimento sem vulnerabilidade. Se eu tivesse entendido o poder da vulnerabilidade antes, eu poderia ter tido mais profundidade e mais alcance para os caras que estavam ao meu redor na vizinhança que estava surgindo. Você sabe, nossos pais, eles nunca tiveram essas saídas para se expressarem da maneira que queriam. Eu sempre olhei para nós como uma espécie de farol de esperança [para eles]”, disse ao lembrar como as gerações anteriores precisavam não podiam demonstrar vulnerabilidade.
Questionado por SZA sobre o que o motiva atualmente, Lamar responde: “Eu me realizo compartilhando minhas experiências com os jovens e permitindo que eles ouçam essas histórias e ouçam essas experiências e as alcancem. Então, para realmente responder à sua pergunta, é comunicação apenas com as pessoas em geral. E eu sinto que meu trabalho na música é apenas o começo. Eu não acho que seja meu objetivo final. Eu sei que não é meu objetivo final. A música é apenas um veículo para me levar até lá”.
A presença de Kendrick Lamar no Super Bowl de 2025 já é aguardada com ansiedade, mas é claro que, além de sua performance musical, o que o mantém relevante é sua capacidade de se reinventar e se aprofundar na complexidade de suas experiências. “A música é apenas um veículo para me levar até lá. Eu sei que não é meu objetivo final”, afirmou o rapper, sugerindo que há muito mais por vir em sua jornada artística.
O rapper 50 Cent voltou a defender suas críticas ao empresário Sean “Diddy” Combs em meio às recentes acusações contra o magnata do hip hop. Em entrevista à revista People no último final de semana, o artista afirmou que suas críticas a Diddy, que atualmente enfrenta acusações de tráfico sexual, extorsão e envolvimento em prostituição, não são novas. Diddy se declarou inocente das acusações, que vieram à tona em 17 de setembro, após sua prisão em um hotel de Manhattan.
50 Cent, que está produzindo um documentário sobre as acusações feitas na justiça contra Sean ‘Diddy’ Combs, argumenta que as provocações que fez ao longo dos anos, tanto em shows quanto nas redes sociais, estavam alinhadas com sua visão de longa data sobre o comportamento de Diddy. “Olha, parece que estou fazendo algumas coisas extremamente ultrajantes, mas não estou. Na verdade, sou eu apenas dizendo o que venho dizendo há 10 anos”, declarou o rapper.
A rixa entre os dois remonta a 2006, quando 50 Cent lançou a faixa diss The Bomb, na qual acusava Combs de envolvimento no assassinato do também rapper Notorious B.I.G. em 1997. Combs sempre negou as acusações. Desde então, os dois mantêm um relacionamento conturbado, exacerbado pela concorrência no mercado de vodcas que ambos representavam em diferentes marcas.
Em sua defesa, 50 Cent destacou que suas críticas sempre foram baseadas em seu desejo de se afastar dos comportamentos que ele via como problemáticos. “Agora, isso está se tornando mais evidente nas notícias com as coisas do Puffy, mas, fora isso, eu fico tipo, ‘Cara, é só a minha perspectiva, porque fiquei longe dessas coisas o tempo todo, porque esse não é meu estilo'”, acrescentou.
Após a prisão de Combs, foi anunciado que 50 Cent produzirá um documentário sobre as acusações contra o fundador da Bad Boy Records. O projeto está sendo desenvolvido pela G-Unit Film & Television, empresa de Jackson, em parceria com a diretora Alexandria Stapleton, da House of Nonfiction. A Netflix deve ser responsável por lançar a produção em sua plataforma.
“Esta é uma história com impacto humano significativo. É uma narrativa complexa que abrange décadas, não apenas as manchetes ou clipes vistos até agora”, disse Jackson em comunicado à People. “Embora as alegações sejam perturbadoras, pedimos a todos que se lembrem de que a história de Sean Combs não é a história completa do hip hop e sua cultura”, concluiu.
Um representante de Combs se recusou a comentar as declarações de 50 Cent.
No último dia 17 de outubro, o Espaço Unimed, em São Paulo, recebeu a gravação do DVD Samba 90 Graus. O projeto reuniu três ícones do pagode dos anos 90: Netinho de Paula (Negritude Jr.), Márcio Art (Art Popular) e Chrigor (Exaltasamba), em uma celebração que emocionou o público e os próprios artistas. A noite foi marcada por um repertório repleto de sucessos que embalaram gerações.
O cantor Netinho de Paula, que liderou o grupo Negritude Jr. nos anos 90, não conteve as lágrimas ao lado dos companheiros de palco e falou sobre sua emoção por estar entre amigos e diante de uma plateia que esgotou os ingressos. “O samba merece isso, vocês merecem isso, nós merecemos estar aqui essa noite, que venham muitas outras”, afirmou o cantor, sob aplausos calorosos.
Foto: Rafael Strabelli
O DVD Samba 90 Graus celebra os 30 anos de carreira dos vocalistas e é uma extensão da turnê iniciada em maio deste ano, que já percorreu diversas cidades do Brasil. Com duração de três horas, o espetáculo foi dividido em cinco blocos, trazendo grandes sucessos como “Cohab City”, “Temporal”, “Beijo Geladinho”, “Me Apaixonei pela Pessoa Errada”, entre outros clássicos.
Produzido por Tiago Silva (TS Music) e com direção geral de Nescau Cristiano, Samba 90 Graus aposta em um formato grandioso para resgatar sucessos do samba e pagode que marcaram uma época e deixaram saudade.
A coleção ‘Grão’, de Luiz Claudio para Apartamento 03, explora o diálogo entre o passado e o presente, com peças que evocam memórias, tendo Zezé Motta desfilando como ícone de força
Texto: Rodrigo França
O desfile “Grão”, da Apartamento 03, na São Paulo Fashion Week, foi muito mais do que uma homenagem ao café – foi uma ode à memória, à cultura e à ligação íntima entre o Brasil negro e suas raízes. Sob a direção precisa e sensível de Luiz Claudio, o evento tornou-se uma experiência poética, onde as tramas dos tecidos se entrelaçavam com as histórias da terra, evocando um passado rico e ressignificado, sem perder a conexão com o presente. A escolha do café como ponto de partida para a coleção foi um gesto emblemático: assim como o grão transforma, amadurece e se espalha, a moda da Apartamento 03 se expande, abraçando novas perspectivas sem deixar de lado a sua essência.
Com uma cartela de cores que passeou pelo forte vermelho, preto, verde, tons terrosos, o branco e os cremes suaves que evocam a espuma de um café. A coleção “Grão” trouxe uma paleta natural e orgânica, que conectava a terra ao corpo. E tinha brilho, porque não dá para imprimir negritude sem. O uso de tecidos como o linho conferiu uma leveza quase etérea às peças, equilibrando o rústico e o sofisticado, o artesanal e o contemporâneo. Esse contraste entre o bruto e o refinado foi uma constante ao longo do desfile, refletindo a própria dualidade do café, que pode ser ao mesmo tempo simples e luxuoso, cotidiano e excepcional.
A construção arquitetônica das peças, com cortes precisos e silhuetas que dialogavam entre o ajustado e o volumoso, trouxe dinamismo à coleção. As formas trabalhadas com dobras e recortes estratégicos evocavam a imagem do grão que se abre, como se as roupas também estivessem em um processo de revelação e transformação. Luiz Claudio conseguiu transmitir a ideia de uma moda em movimento, que não se limita à mera estética, mas que se desdobra, tal como o café, de uma semente a uma bebida que desperta os sentidos.
O ponto alto do desfile foi a capacidade de Luiz Claudio em transformar a moda em uma experiência sensorial e emocional. Cada peça parecia carregada de histórias – do plantio ao café servido nas mesas de casas simples e de requinte. O designer captou a memória afetiva que o café desperta em tantas pessoas, e a traduziu em uma moda que é, ao mesmo tempo, narrativa e poesia visual. Esse diálogo entre o que é lembrado e o que é reinventado trouxe uma profundidade rara, e fez de “Grão” não apenas uma coleção, mas uma obra de arte que toca o íntimo de quem a contempla.
A trilha sonora, minimalista e envolvente, reforçou a atmosfera meditativa do desfile, convidando o público a uma introspecção sutil. O ritmo suave da música parecia sincronizado com o movimento das peças, criando uma fluidez hipnótica na passarela. Os modelos não apenas desfilaram; eles flutuaram em um cenário que parecia saído de uma memória coletiva, quase como se cada passo ecoasse a passagem do tempo, as mudanças de estação, e o amadurecimento do grão até seu estado final. Vale frisar a voz da atriz, cantora e autoridade Zezé Motta evocando um Brasil que também tem a sua riqueza trazida pelos negros.
A presença de Zezé Motta na passarela foi um momento de pura grandeza. A atriz e cantora, um ícone de resistência e cultura, trouxe consigo uma força ancestral que enriqueceu ainda mais o significado da coleção. A dama do teatro, do cinema e da música foi ovacionada. Seu caminhar firme e sua presença imponente deram vida à narrativa do desfile, como se ela mesma fosse a personificação da memória que Luiz Claudio tão habilmente teceu ao longo da coleção. Zezé representou, de forma majestosa, a força da mulher negra brasileira, que carrega em si toda a ancestralidade e resiliência que o tema “Grão” evocava.
Ao final, a coleção “Grão” deixou uma marca indelével na SPFW. Luiz Claudio conseguiu criar uma moda que é ao mesmo tempo íntima e universal, carregada de emoção e história, mas sem perder o foco técnico. A Apartamento 03 reafirmou sua posição como uma das marcas mais inovadoras e sensíveis do cenário nacional, com uma capacidade única de transformar o vestuário em uma expressão de memórias e sentimentos. E para quem esteve presente, ficou o desejo de revisitar essa jornada sensorial – como uma xícara de café que aquece e acolhe, trazendo conforto e inspiração a cada gole.
O desfile “Suco de Axé”, da Meninos Rei, foi uma verdadeira apoteose da brasilidade, onde a ancestralidade e a modernidade se entrelaçaram em um tributo poético à Bahia. Sob o olhar sensível dos irmãos Céu Rocha e Júnior Rocha, a passarela da São Paulo Fashion Week se converteu em um mosaico pulsante de cores e texturas, reverberando a alma afro-brasileira em sua plenitude. Já reconhecidos internacionalmente, os Meninos Rei trouxeram à cena um espetáculo que não apenas vestia modelos, mas despertava espíritos, elevando a moda a um diálogo íntimo com a cultura.
Cada peça apresentada parecia carregar o axé – essa força vital que transita entre o sagrado e o profano. As estampas autorais de Léo Barbosa não eram somente adornos visuais, mas narrativas vestíveis, entrelaçando a baianidade em seu estado mais puro. Foram cores que evocavam o cheiro do acarajé no Rio Vermelho, a feira de São Joaquim, o compasso dos tambores e as pinturas corporais do Olodum, a Deusa do Ébano do Ilê e o brilho etéreo das festas de Yemanjá. A coleção não se contentava em ser contemporânea; ela transcendia o tempo, revelando que o novo e o antigo podem coexistir em perfeita harmonia. Assim é Salvador, a irmandade
As parcerias estabelecidas foram de uma sofisticação técnica que ampliou as possibilidades criativas sem abdicar da essência da marca. A colaboração com Canatiba Têxtil e AN TÊXTIL trouxe tecidos inovadores que respeitaram a autenticidade do DNA da Meninos Rei. O trabalho artesanal desenvolvido em conjunto com o Artesanato da Bahia/SETRE e a associação Raízes do Quilombo, com seus trançados de piaçava e palha da Costa, acrescentou camadas de ancestralidade às peças. As miçangas cuidadosamente dispostas por Vanessa Neves brilhavam a cada look.
A internacionalização da Meninos Rei não se faz por acaso. Céu e Júnior Rocha conseguiram firmar a baianidade como um conceito global, provando que a riqueza cultural da Bahia dialoga com o mundo, sem perder sua essência. O desfile “Suco de Axé” reafirmou a marca como um dos grandes nomes da moda contemporânea, não apenas pela técnica impecável, mas pelo afeto que transparece em cada detalhe. A moda, para os irmãos Rocha, é uma celebração da diversidade e das tradições afro-brasileiras, sempre conduzida com uma sofisticação que não se esquece de suas raízes.
Ao final, quem assistiu ao desfile não saiu apenas com imagens na mente, mas com o coração tocado. A trilha sonora, que embalou cada passo com o pulsar da Bahia, deveria ser democratizada, acessível a todos. Ela seria uma companheira fiel para os momentos de saudade da Bahia, ou para quem ainda não a conhece, uma forma de sentir, mesmo à distância, o que é o axé em sua forma mais pura: uma força que nos conecta ao que é profundo, essencial e intemporal. Desfile de excelência.
Com uma carreira consolidada como atriz na televisão brasileira, Juliana Alves está vivendo um novo desafio em “Volta por Cima”, novela da TV Globo onde interpreta Cida, uma motorista de ônibus do subúrbio carioca. Com quase 21 anos de carreira, a atriz que começou sua trajetória após participar do Big Brother Brasil 2003, conversou com o Mundo Negro sobre os bastidores da novela, sua evolução como atriz, maternidade e o papel do artista na luta antirracista.
Cida (Juliana Alves) *** Local Caption *** Cap5 – Cena 23A – Cida (Juliana Alves).
“Hoje eu posso dizer que conquistei um respeito que eu não tinha antes, um reconhecimento que eu não tinha antes. E eu confesso que o que eu gostaria de conquistar na minha trajetória, principalmente, é a possibilidade de simplesmente fazer o meu trabalho de atriz. Porque uma atriz negra nas produções, uma atriz negra consciente nas produções acaba se envolvendo com outras questões que não são só o trabalho de atriz, como questões de produção, questões de texto, questões de caracterização, porque é impossível estar nos ambientes sem ter um trabalho de cuidado com as questões raciais que nos atravessam há tempos. E hoje eu utilizo o respeito e o reconhecimento que eu tenho, a voz que eu tenho, para transformar cada ambiente e contribuir com cada ambiente que eu tô aprendendo artisticamente também, mas entendendo que isso sempre será um posicionamento político, porque a gente está transformando através do nosso trabalho também, através das nossas relações”, destacou Juliana sobre os aspectos de sua trajetória como atriz.
A atriz estreou nas novelas da Globo em “Chocolate com Pimenta”, um ano depois de ter participado do BBB. Além de uma artista talentosa, Juliana Alves também está comprometida com a luta antirracista e com a representatividade negra no audiovisual: “No audiovisual, vejo avanços, mas ainda temos um longo caminho a percorrer. É fundamental que o espaço para artistas negros seja ocupado de forma qualitativa e que os criadores pretos estejam comprometidos com a reparação histórica”.
Mundo Negro – Como foi a preparação para viver a Cida em “Volta por Cima”? O que mais te surpreendeu ao conhecer as histórias dessas motoristas mulheres?
Juliana Alves: Conhecendo mulheres motoristas e histórias, eu fiquei bastante encantada com o universo extenso que existe de possibilidades, com as histórias que essas mulheres vivem todos os dias dentro do ônibus, histórias positivas, histórias delicadas, histórias difíceis. Fiquei bastante encantada com o posicionamento delas, sabe, com a posição delas diante do que elas percebem que elas já conquistaram enquanto mulheres na sociedade.
MN – Recentemente, você interpretou personagens muito diferentes, como a modista Wanda em “Amor Perfeito” e agora a motorista Cida. Como é transitar entre personagens tão distintos e o que você mais gosta nesse desafio?
Juliana Alves: Com certeza, a oportunidade de viver personagens bem distintas é um dos grandes baratos, um dos grandes prazeres da minha carreira. Em todos os novos ciclos eu estou buscando novos desafios, eu gosto de experimentar de formas diferentes, pesquisar universos completamente diferentes. Então isso tem sido um grande combustível da minha carreira, essa oportunidade de fazer personagens que não só são diferentes entre si, mas são bem desafiadores também”
MN – Somando quase 21 anos de carreira, como você vê sua evolução como atriz desde “Chocolate com Pimenta” até agora? E o que ainda gostaria de conquistar na sua trajetória?
Juliana Alves: Eu fui evoluindo ano após ano, aprendendo. Eu já tinha o início de um estudo de atriz no início da minha carreira, mas fiz uma novela antes do que até mesmo eu esperava. Então, depois dessa primeira novela, eu me dediquei ainda mais, porque eu entendi que teria uma exposição do meu trabalho maior do que eu esperava. Eu me dediquei ainda mais ano após ano, estudei bastante e fui evoluindo trabalho após trabalho. O grande desafio da minha carreira foi a continuidade. Em muitos momentos eu me via sem estar trabalhando como atriz e precisei cuidar desses momentos. O mérito meu nessa história toda é ter cuidado dos momentos que eu não estava trabalhando, cuidado da minha cabeça, cuidado do meu espírito para que eu pudesse dar continuidade a essa carreira. E continuo aprendendo muito, continuo entendendo os ambientes que eu estou com muito cuidado, com muita humildade, com muita dedicação. E hoje eu posso dizer que conquistei um respeito que eu não tinha antes, um reconhecimento que eu não tinha antes.
E eu confesso que o que eu gostaria de conquistar na minha trajetória, principalmente, é a possibilidade de simplesmente fazer o meu trabalho de atriz. Porque uma atriz negra nas produções, uma atriz negra consciente nas produções acaba se envolvendo com outras questões que não são só o trabalho de atriz, como questões de produção, questões de texto, questões de caracterização, porque é impossível estar nos ambientes sem ter um trabalho de cuidado com as questões raciais que nos atravessam há tempos. E hoje eu utilizo o respeito e o reconhecimento que eu tenho, a voz que eu tenho, para transformar cada ambiente e contribuir com cada ambiente que eu tô aprendendo artisticamente também, mas entendendo que isso sempre será um posicionamento político, porque a gente está transformando através do nosso trabalho também, através das nossas relações
MN – Como a maternidade impactou sua carreira e sua visão sobre o trabalho?
Juliana Alves: O maior impacto que a maternidade teve na minha carreira e na minha visão sobre o trabalho foi justamente eu me perceber com essa minha capacidade de organização. Porque muitas vezes a gente subestima a nossa capacidade de ampliar responsabilidades e funções, e com a maternidade eu me tornei uma pessoa mais organizada, mais atenta e com competências em detalhes que antes eu achava que eu poderia não dar conta. Eu me sinto mais autoconfiante. A própria experiência mesmo trouxe uma carga interessante para o meu trabalho. A minha própria experiência tem sido o material que eu utilizo no meu trabalho. Eu não preciso ter todas as vivências de uma personagem para fazer uma personagem, mas certamente fazer pequenas comparações com universos diferentes dos meus a partir de cargas dramáticas, de responsabilidades que a maternidade me traz tem sido bem interessante. Além disso tudo, o meu trabalho não diz mais respeito só a mim, mas sim também aos sonhos que eu tenho cultivado e tenho realizado e quero realizar com a minha filha também.
MN – Você tem uma presença forte em movimentos sociais, especialmente na luta antirracista. Como você enxerga o papel do artista na sociedade e quais mudanças você espera ver na indústria audiovisual em relação à representatividade negra?
Juliana Alves: Eu sempre fui muito conectada com os movimentos sociais e antirracistas, algo que veio dos meus pais e se solidificou na adolescência. O papel do artista é, além de comunicar através da arte, ampliar a visibilidade e fomentar transformações. No audiovisual, vejo avanços, mas ainda temos um longo caminho a percorrer. É fundamental que o espaço para artistas negros seja ocupado de forma qualitativa e que os criadores pretos estejam comprometidos com a reparação histórica. Assim, poderemos transformar o imaginário coletivo e impactar a sociedade de forma profunda.
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