Home Blog Page 246

Floresta dos Guarás: Um mergulho nas raízes afro-brasileiras e no turismo comunitário no Maranhão

0
Foto - Heitor Salatiel

Durante a primeira Afropresstrip, organizada por Guilherme Soares Dias, fundador do Guia Negro, em junho deste ano, jornalistas de regiões diversas do Brasil tiveram a oportunidade de conhecer em primeira mão, o mais novo roteiro turístico do estado, a Floresta dos Guarás. 

O Maranhão, berço de ricas tradições afro-brasileiras, revela-se um destino imperdível.para quem busca experiências autênticas  e um con tato profundo com a história e a cultura do país. A Floresta dos Guarás, um dos mais recentes pólos turísticos do estado, tem se destacado como um verdadeiro santuário da ancestralidade e da natureza, oferecendo aos visitantes a oportunidade de vivenciar o turismo de base comunitária em sua forma mais pura.

A proposta, oficializada pelo termo de cooperação técnica assinado em 2023, pretende impulsionar o afroturismo em cidades do Maranhão, iniciando por São Luís e estabelecendo uma rota turística que conecta os municípios participantes, promovendo a valorização e a divulgação das tradições e identidades afro. 

Sob coordenação da Secretaria Municipal de Turismo de São Luís, Sebrae Maranhão, IGR Lençóis e Delta e IGR Floresta dos Guarás, durante 15 dias foram mais de 11 quilombos percorridos para conhecer em profundidade as iniciativas de turismo de base comunitária em algumas das 15 cidades que compõe o pólo, como Guimarães, Cedral, Cururupu, Mirinzal, Serrano do Maranhão, Bacuri e Apicum-Açu e Alcântara.

O Maranhão concentra a maior parte das localidades quilombolas do Brasil, segundo dados do IBGE de 2022. O estado detém o maior quantitativo de localidades quilombolas, com 2.025 (23,99%). Também é lá que se localiza a segunda maior população quilombola do Brasil, com 269 mil pessoas que se autodeclaram quilombolas. 

Essa rica diversidade cultural se reflete na Floresta dos Guarás, que integra a Floresta Amazônica do Maranhão, e onde as comunidades quilombolas têm preservado suas tradições e costumes há séculos, criado experiencias turísticas únicas, que levam em consideração o legado deixado por seus ancestrais.

Em Guimarães, por exemplo, os quilombos Cumum e Damásio recebem os visitantes com calorosa hospitalidade, oferecendo experiências únicas como a roda de conversa e a degustação da culinária local. 

No primeiro, fomos recebidos com uma roda alegre pelos membros da comunidade que destacaram a importância da iniciativa para fomentar o potencial turístico da comunidade que se encontra nos festejos e culinária. 

Já no Quilombo Damásio, vimos de perto como a união de uma comunidade pode potencializar o afroturismo na região. O Balneário Galera Brasil e a Fonte Grande, hoje são pontos de lazer e interação entre turistas e as comunidades vizinhas com os moradores do quilombo. Ambos passaram por um processo de despoluição realizado pela própria comunidade. Um dos maiores exemplos da aptidão do território para o turismo de base comunitária. 

Em Alcântara, município com maior quantitativo quilombola do Brasil, segundo o IBGE, com 122 localidades, as ruínas contam história da região, mas foi numa caminhada que resgata a história negra da comunidade, que se conhece como o território está conectando as religiões de matriz africana, por exemplo.

O Quilombo Entre Rios, fica no município de Cururupu, que tem no festejo de São Benedito, padroeiro da comunidade, e na manutenção da tradição do tambor de criolula, as principais atrações turísticas, além das histórias que podem ser conhecidas de perto, com figuras ancestrais vivas como Dona Anália Santos. 

Por fim, pudemos conhecer a encantada Ilha dos Lençóis, em Cururupu. O território cercado pelos guarás, ave com plumagem vermelho-carmesim que dão nome ao pólo, e dão um show pelos céus dos lençóis e praias da ilha. 

De lá surgiu a lenda do Touro Encantado, que, segundo a crença da população local, representa o rei de Portugal, Dom Sebastião. Ele desapareceu durante a batalha contra os mouros e agora reside na ilha sob a forma de um touro encantado.

Lá, a experiência do turismo de base comunitária está nas pousadas caseiras, como a Recanto das Árvores, onde é possível dormir em chalés ou em redes, assim como a população local. Vale saborear os pratos a base de peixes e camarão, pescados pelos moradores e feitos na hora.

A Floresta dos Guarás é muito mais do que um destino turístico; é um convite para uma jornada de autoconhecimento e conexão com a natureza e com as raízes afro-brasileiras. 

Ao visitar esse polo, os turistas contribuem para a valorização das comunidades quilombolas e desfrutam de experiências únicas que comprovam o potencial e a força das comunidades quilombolas têm empregado para além de preservar o meio ambiente, preservar também a memória, as tradições e costumes de territórios sagrados no Brasil.

“Se começarmos a discutir cor, vamos estar discriminando também”, diz prefeito que transferiu feriado da Consciência Negra no RS

0
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Nesta terça-feira (19), o prefeito de Dilermando de Aguiar (RS), Claiton Ilha (MDB), anunciou a transferência do feriado do Dia da Consciência Negra, comemorado nacionalmente no dia 20 de novembro, para o mês de dezembro. Segundo o gestor municipal, a mudança busca evitar discriminações, mas a decisão também foi justificada como uma medida para ampliar os dias de folga do funcionalismo público municipal durante o final de ano.

A medida gerou polêmica e dividiu opiniões. Enquanto o prefeito defende que a alteração promove igualdade, críticos apontam que a decisão pode enfraquecer a importância simbólica da data, que marca a luta contra o racismo e a valorização da cultura afro-brasileira.

Em entrevista à RBS TV, Claiton Ilha declarou: “Se nós começarmos a discutir a cor, nós vamos estar discriminando também. Nós temos que dar condições a todos. Eu não vejo racismo em Dilermando Aguiar. Tanto que não temos nenhum crime racial em Dilermando Aguiar, mas nós temos muitos pobres. E é para os pobres que a gente deve trabalhar independente da cor”.

O prefeito ainda teria dito: “Nós precisamos ainda trabalhar muito as condições para que o negro possa, ele também, querer crescer, querer ascender a outros postos, a estudar, porque o conhecimento é que traz a libertação.”

A transferência do feriado ocorre apesar da sanção da Lei nº 14.759 em 2023, que oficializa o Dia da Consciência Negra como feriado nacional. O marco legal reforça a importância da data para promover reflexão e ações contra o racismo em todo o país.

**Com informações da RBS TV

Lewis Hamilton e Tyler, The Creator unem automobilismo e moda urbana em coleção cápsula

0
Foto: Luis "Panch" Perez/Divulgação
Foto: Luis "Panch" Perez/Divulgação

O piloto de Fórmula 1 Lewis Hamilton e o cantor e designer Tyler, The Creator apresentam amanhã (20) uma coleção cápsula (limitada e exclusiva) em parceria. A colaboração, que une as marcas Golf Wang e +44, será lançada globalmente poucos dias antes do Grande Prêmio de Las Vegas, nos Estados Unidos.

Nesta segunda-feira (18), foram divulgadas imagens da coleção, fotografadas por Luis “Panch” Perez, com direção criativa de Tyler. A campanha foi ambientada em uma garagem com um letreiro em néon escrito “Golf Plus 44” e um carro Mercedes, equipe atual de Hamilton na Fórmula 1. As peças incluem jaquetas de motocross com “Golf Wang” no peito e “+44” nos braços, além de jaquetas de rally com golas e estampas de linha de chegada nas costas. Camisas de botão com ícones da Fórmula 1 e referências a Las Vegas também fazem parte da coleção.

As marcas não divulgaram a extensão total da linha, mas confirmaram que as peças estarão disponíveis em locais específicos, como o The Encore Beach Club, em Las Vegas, e as lojas físicas da Golf Wang em Nova York e Londres. As vendas também acontecerão nas plataformas online de ambas as marcas.

A Golf Wang foi criada em 2011 por Tyler, The Creator e é conhecida por misturar streetwear e design artístico, com peças marcadas por cores vibrantes e padrões retrô. Já a +44, lançada por Hamilton em 2022, tem foco em sustentabilidade, utilizando materiais recicláveis e práticas de produção responsáveis.

Netflix revela primeiras imagens do documentário sobre jogador Vinícius Jr.

0
Foto: Douglonezz

A Netflix revelou nesta terça-feira, 19, a as primeiras imagens do tão aguardado documentário sobre Vinícius Jr., estrela da Seleção Brasileira e do Real Madrid. O projeto, que está em desenvolvimento desde setembro de 2022, estreará em 2025, trazendo aos fãs uma visão exclusiva da carreira do atleta e de sua trajetória de sucesso no futebol.

Com roteiro de Emílio Domingos e direção de Andrucha Waddington, a produção mostrará os bastidores da carreira do jogador, incluindo sua ascensão ao estrelato, seu envolvimento em causas sociais e suas conquistas com o Real Madrid, onde já venceu duas edições da Liga dos Campeões da UEFA.

Em uma declaração sobre o projeto, Vinícius Jr. afirmou: “Poder contar minha história e inspirar garotas e garotos de todo o mundo a seguir uma trajetória de sucesso no esporte é o que mais me inspira neste projeto.” O jogador também ressaltou o papel transformador do futebol para os jovens, especialmente no Brasil, e como o documentário pode levar essa mensagem de transformação a uma audiência global.

Confira as imagens:

Debate histórico: audiência pública decide futuro do nome do Hospital Nina Rodrigues, em São Luís (MA)

0
Foto: Domínio Público

No dia 21 de novembro de 2024, às 9h da manhã, haverá uma audiência pública para decidir sobre o futuro do nome do hoje Hospital Nina Rodrigues, em São Luís, no Maranhão. Nesse ato aberto e público, todos os cidadãos poderão participar do julgamento, o “réu” é o médico legista Raimundo Nina Rodrigues, um dos principais nomes responsáveis por difundir teorias eugenistas, que colocam o negro como ser não evoluído, no país. Nasceu em 4 de dezembro de 1862, no mesmo estado do julgamento, na cidade de Vargem Grande. Seria só parcialmente verdade afirmar que o acusado é Nina Rodrigues, pois de fato, o que está em questão é o nome do hospital que atualmente leva o seu nome. 

Homenagear, segundo o dicionário online Dicio, significa “demonstrar publicamente admiração e respeito por alguém”. Diante desta definição surgem algumas questões: será que pessoas com um passado controverso deveriam dar nome a ruas, avenidas, pontes, praças e edifícios? Quais sujeitos históricos merecem tal demonstração pública de admiração? Quem são os homens (maioria massiva) homenageados com estátuas que marcam a paisagem das grandes, médias e pequenas cidades pelo Brasil?

O assunto não é novo e nem pouco debatido. Mas você já parou para pensar qual é o nome da maior ou mais conhecida avenida da cidade que você mora? Você sabe quem foi essa pessoa? Quem estamos honrando ao colocar certo nome num espaço? Este texto tem mais perguntas do que respostas. Porém, juntos e juntas chegaremos a algumas respostas e com sorte produziremos novas indagações. 

Nos últimos anos, o debate sobre monumentos e suas homenagens controversas ganhou destaque na mídia e nos debates acadêmicos, sobretudo entre os historiadores.

O ponto inicial da retomado do assunto, ocorreu em 2020, com a mobilização internacional gerada pelo assassinato de George Floyd, das inúmeras manifestações populares em resposta ao ato racista, uma terminou com a derrubada da estátua de Edward Colston, na cidade de Bristol, na Inglaterra. Edward Colston foi um alto funcionário da empresa Royal African Company, que no século XVII traficou milhares de escravizados africanos para trabalharem nas colônias inglesas, no Caribe e nas Treze Colônias, conforme apresenta o historiador Jorge Amilcar Santana no livro Galeria de Racistas. Em 2021, no Brasil, na zona sul de São Paulo, a estátua do bandeirante Borba Gato foi incendiada. Nos dois casos citados os homenageados participaram da escravização de pessoas. 

No caso de Nina Rodrigues, o autor do processo, o advogado Thiago Cruz, defende a “incompatibilidade da homenagem prestada a uma figura histórica que sustentava ideias racistas e eugenistas” como apresentada na ata da audiência inicial. Para que você, leitor e leitora formule sua acusação ou defesa, apresento alguns dados sobre a trajetória de Nina Rodrigues. Em 1882, ele começou o curso de Medicina na Bahia e fez parte dos seus estudos no Rio de Janeiro. Anos depois retornou para Salvador e em 1889 tornou-se professor na Faculdade de Medicina da Bahia, conforme consta no livro As Ilusões da Liberdade de Mariza Corrêa.

Nina Rodrigues fez parte de um grupo de cientistas que no final do século XIX e início do século XX formulava acerca das teorias raciais, sobretudo o darwinismo social e a eugenia no Brasil. Um dos livros mais famosos de Nina Rodrigues é O animismo fetichista dos negros baianos, de 1896 onde o autor descreveu práticas religiosas de candomblés de Salvador, algumas de suas frases fica explicita a adesão as ideias eugenistas, como, “incapacidade psíquica das raças inferiores para as elevadas abstrações do monoteísmo” (p.27); o dualismo dos negros é, pois, ainda o dualismo rudimentar dos selvagens (p.41); dos espíritos simples, incultos e supersticiosos como os dos  negros (p.72); do fraco desenvolvimento intelectual dos negros africanos (p.90), são alguns exemplos. 

Sabe aqueles estudos de medição de crânios? Nina Rodrigues também os fazia. Uma das teses defendidas por ele, dizia que a partir da análise da simetria dos crânios de brancos e negros era possível constatar que os “não brancos”, para usar as palavras dele, eram mais propícios as degenerações sociais, aos vícios e aos crimes. Por isso, era necessário criar o código penal brasileiro levando em consideração essas diferenças, tudo isso publicado em outro livro, As raças humanas e a responsabilidade penal no Brasil, de 1935.   

Meu dever aqui foi apresentar o “réu” para que você possa tirar suas próprias conclusões. Talvez eu tenha mais um objetivo, questionar: quem realmente merece homenagem com seus nomes estampados em prédios, ruas e estátuas quando se fala da história do Brasil?

Cida Bento é homenageada no projeto Donas da Rua, da Maurício de Souza Produções, no Dia da Consciência Negra

0
Imagem: Divulgação

Em celebração ao Dia da Consciência Negra, celebrado na próxima quarta-feira, 20, a Mauricio de Sousa Produções prestou homenagem à psicóloga e ativista Cida Bento, destacada por seu trabalho em defesa da igualdade racial e no combate ao racismo estrutural no Brasil. Representada pelos traços de Milena, a primeira personagem negra da Turma da Mônica, Cida passa a integrar o projeto Donas da Rua, que valoriza mulheres de destaque em áreas como ciência, arte, esportes e literatura.

Nascida em São Paulo, Cida Bento é referência no debate sobre relações raciais no Brasil. Cofundadora do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT), em 1990, a psicóloga dedica-se à promoção de equidade racial e de gênero no mercado de trabalho e na educação. Seu livro mais recente, O Pacto da Branquitude (2022), é apontado como uma das principais reflexões contemporâneas sobre privilégios raciais e desigualdades estruturais no país.

A atuação de Cida Bento ultrapassa fronteiras: ela foi reconhecida pela The Economist como uma das 50 pessoas mais influentes do mundo no campo da diversidade e faz parte de comissões como o Grupo Assessor da ONU Mulheres.

“A Mauricio de Sousa Produções sempre defendeu a diversidade e a representatividade. Escolher Cida Bento para essa homenagem é reconhecer seu impacto na luta pela igualdade racial e no empoderamento de mulheres negras. Ela é uma inspiração para as gerações atuais e futuras”, afirmou Mônica Sousa, diretora executiva da empresa. Segundo a empresa, a escolha de Cida Bento reforça a necessidade de enfrentar as desigualdades com coragem e conhecimento, valores que a psicóloga representa em sua trajetória.

O projeto Donas da Rua já homenageou cientistas, escritoras e atletas, reafirmando o compromisso da Mauricio de Sousa Produções com uma sociedade mais inclusiva e plural. Em 2020, Jaqueline Goes de Jesus uma das pesquisadoras que liderou a equipe que conseguiu em tempo recorde, 48 horas,  sequenciar o genoma do coronavírus após o registro do primeiro caso da doença no Brasil foi homenageada.

Sueli Carneiro aborda racismo estrutural em curso online gratuito no Sesc

0
Foto: Divulgação

A partir do dia 20 de novembro estará disponível na plataforma Sesc Digital, o curso Dispositivo de Racialidade, ministrado pela filósofa Sueli Carneiro. Gratuito e acessível online, o curso propõe uma análise aprofundada sobre como o racismo se estrutura e perpetua na sociedade brasileira, utilizando o conceito de “dispositivo”, formulado pelo filósofo francês Michel Foucault.

Ao longo de seis aulas, a intelectual apresenta as ideias centrais de sua tese de doutorado, defendida em 2005 na USP e que resultou no livro “Dispositivo de racialidade: a construção do outro como não ser como fundamento do ser“, lançado em 2023 pela editora Zahar. A obra articula conceitos como biopoder, epistemicídio e interdições sociais para explicar os mecanismos que sustentam a supremacia branca no Brasil e limitam o pleno exercício da cidadania para a população negra.

O curso também traz discussões sobre o pensamento do filósofo jamaicano Charles Mills e destaca a relevância da ação coletiva na resistência ao racismo e na promoção de mudanças sociais. Para enriquecer o conteúdo, depoimentos de importantes ativistas do movimento negro – como Edson Cardoso, Sônia Maria Pereira, Fátima Oliveira e Arnaldo Xavier – são interpretados por atores como Thomás Aquino, Grace Passô, Naloana Lima Costa e Jhonas Araújo, criando uma ponte entre teoria e prática.

Disponível na plataforma de educação a distância do Sesc (sescsp.org.br/ead), o curso reflete o compromisso da instituição com a democratização do acesso ao conhecimento e o fortalecimento do debate sobre igualdade racial.

Empoderar mulheres negras: um investimento no futuro

0
Foto: Reprodução/Freepik

O Dia do Empreendedorismo Feminino, comemorado em 19 de novembro, é uma data especial para celebrar as conquistas e a força das mulheres que empreendem. Essa data, instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU), destaca o papel fundamental das empreendedoras na economia global e a importância de promover a igualdade de gênero no mundo dos negócios. Celebrar este dia significa reconhecer a coragem, a criatividade e a resiliência das mulheres que desafiam os padrões e constroem seus próprios caminhos, inspirando outras a fazer o mesmo. É um momento para refletir sobre os avanços alcançados e para reforçar o compromisso com a construção de um futuro mais justo e equitativo para todas as mulheres.

O Brasil alcançou, em 2022, uma marca inédita de mulheres à frente de um empreendimento. Segundo estudo feito pelo Sebrae, a partir de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC) do IBGE, no 3º trimestre do ano passado havia 10,3 milhões de mulheres donas de negócios no país, o maior contingente de empreendedoras da história. Isso significa que as mulheres representavam 34,4% do universo de donos de negócios no país, muito próximo do recorde de 34,8%, verificado no 2º trimestre de 2019.

Mas quando damos um zoom, e classificamos por raça e gênero ser empreendedora, negra e periférica no Brasil é uma experiência mais complexa e desafiadora, marcada por uma interseccionalidade de fatores que moldam as trajetórias e os desafios enfrentados por essas mulheres, que empreendem em sua maioria por:

  • necessidade: muitas empreendem por falta de oportunidades no mercado formal;
  • vocação: são aquelas que identificam uma oportunidade de mercado e decidem empreender por paixão;
  • engajamento: empreendedoras inovadoras que buscam transformar o mercado e criar redes de apoio.

E como eu e você podemos apoiar?

  1. black money: entenda a importância de consumir produtos e serviços de empreendedores negros para fortalecer seus negócios e reduzir as desigualdades.
  2. divulgue negócios negros: utilize suas redes sociais para promover empresas e produtos de empreendedores negros.
  3. priorize compras de empreendedores negros: ao consumir, dê preferência a negócios que valorizam a cultura negra.
  4. rie parcerias: Se você é empreendedor, busque parcerias com negócios de empreendedores negros.
  5. promova diálogos: Converse com seus amigos e familiares sobre a importância de apoiar o empreendedorismo negro.

Ao escolher consumir produtos e serviços de empreendedoras negras, você não apenas fortalece seus negócios, mas também contribui para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

O empreendedorismo negro é um movimento poderoso que impulsiona a transformação social e econômica do nosso país. Ao apoiar as empreendedoras negras, estamos investindo em um futuro mais próspero e inclusivo para todos.

Steve Toussaint e Winnie Harlow são escalados para elenco da série ‘Eyes of Wakanda’, afirma site

0
Fotos: Reprodução/Instagram e Pascal Le Segretain/amfar/Getty Images

O elenco da série animada “Eyes of Wakanda”, spin-off do filme “Pantera Negra”, já foi confirmado, segundo a matéria publicada pelo portal Comic Book, neste domingo (17).

Entre os atores que teriam sido escalados para dar voz aos personagens estão Steve Toussaint (A Casa do Dragão), Winnie Harlow (A Descoberta Perfeita), Cress Williams (Raio Negro), Patricia Belcher (A Família Radical), Lynn Whitfield (Greenleaf), Jacques Colimon (UglyDolls), Anika Noni Rose (A Princesa e o Sapo), entre outros.

A série será focada nos Hatut Zeraze, guerreiros de Wakanda encarregados de proteger o segredo do vibranium ao longo da história. A produção ainda contará com uma animação de estilo pintado à mão, inspirada em artistas contemporâneos afro-americanos.

Recentemente, a Marvel Studios anunciou a estreia em 6 de agosto de 2025, na Disney+, e divulgou a primeira imagem da série. (Veja abaixo.)

Até o momento, a Marvel ainda não confirmou o elenco para o público.

Zumbi, infanticídio e memória da rebeldia negra

0
Foto: Divulgação

No filme “Bem-Amada”, protagonizado por Oprah Winfrey, Danny Glover e Thandiwe Newton, baseado no clássico da sublime escritora afro-americana Toni Morrison sobre a escravização, a negra Sethe é atormentada pela lembrança da filha que ela preferiu sacrificar a ver escravizada. 

A decisão angustiante de Sethe marca a trajetória de milhares de pessoas escravizadas que vislumbraram no infanticídio, no aborto ou no suicídio um destino menos assombroso do que o cativeiro.

A reação possível, o inconformismo, a rebeldia negra manifesta-se sob variadas formas: inquéritos policiais registram que escravizados assassinavam seus senhores por vingança e porque julgavam que o cárcere seria menos indigno do que o cativeiro.

Ações armadas como a Revolta dos Malês, a Balaiada ou batalhas judiciais como as ações de liberdade (vide livro “Liberata”) e a litigância civilizatória de Luiz Gama ilustram a incessante insurreição negra contra os horrores de três séculos e meio de escravização; o holocausto africano, nas palavras de Abdias do Nascimento.

Os quilombos, sabe-se hoje que existem cerca de 8.500 deles espalhados pelo país, representaram a forma mais sofisticada e ousada da insurgência negra à medida em que instituíram territórios livres no interior da própria colônia.

No longínquo 20 de novembro de 1971 o Supremo Tribunal Federal ainda não havia cunhado a expressão direito à memória quando um grupo de jovens negros e negras gaúchas decidiu lançar uma campanha pelo reconhecimento do dia 20 de novembro como Dia Nacional da Consciência Negra.

Meio século depois o Brasil celebra a vida e morte de Zumbi dos Palmares reconhecendo-a como símbolo do legado de dignidade, insubordinação, tenacidade e protagonismo dos cerca de cinco milhões de seres humanos sequestrados pelo tráfico transatlântico e trazidos para estas plagas.

O elo da corrente que liga a força descomunal da escravizada “Sethe” à Dandara dos Palmares, a Zumbi e ao poeta Oliveira Silveira, idealizador do Dia da Consciência Negra, mantém viva a esperança de que a memória da reação negra prossiga superando o apagamento e naturalização da barbárie que insiste em lucrar com o racismo enquanto desdenha das dores lancinantes do povo preto. 

Valeu Zumbi!

Texto: Hédio Silva Jr., Advogado, Doutor em Direito, fundador do Jusracial e Coordenador do curso “Prática Jurídica em casos de Discriminação Racial e Religiosa”

error: Content is protected !!