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Peça teatral de Torto Arado estreia em São Paulo no Dia da Consciência Negra

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Foto: Caio Lírio/Divulgação
Foto: Caio Lírio/Divulgação

Após o sucesso retumbante em Salvador, com sessões lotadas e mais de 14 mil espectadores, Torto Arado – O Musical chega à capital paulista no dia 20 de novembro. A adaptação do best-seller de Itamar Vieira Júnior ganha vida no palco do Teatro Raul Cortez do Sesc 14 Bis, trazendo consigo uma narrativa profunda e lírica sobre as relações humanas e sociais no sertão baiano.

Com direção de Elísio Lopes Júnior, o espetáculo conta com um elenco de 22 profissionais, incluindo seis músicos e 16 atores, entre eles Larissa Luz, Bárbara Sut e Lilian Valeska, que interpretam as marcantes Bibiana, Belonísia e Donana. A trilha sonora inédita, assinada por Jarbas Bittencourt, reverbera a musicalidade nordestina em composições que dialogam com a cultura e a espiritualidade do Jarê, religiosidade presente na trama.

O diretor Elísio Lopes Júnior destacou o impacto emocional que o espetáculo teve no público baiano e espera trazer o mesmo impacto para os paulistas. “A sensação de ter estreado Torto Arado em Salvador, na Bahia, perto do lugar onde essa história foi concebida e perto das pessoas que entendem esse universo, nos deu uma sensação de pertencimento. A entrada do público foi mais um elemento dentro dessa contação de história e a gente percebeu que Torto Arado tem humor, tem dor, tem poesia, e isso tudo extraído do livro a partir do convívio desses personagens em cena. Os personagens de Torto Arado nos ensinam e agora partimos para novos palcos, novas plateias, mantendo a nossa musicalidade, nosso sotaque e a nossa identidade, esperando que o olhar de quem é de fora também consiga captar a poesia dessa aridez, esse humor e essa dor que a narrativa de Itamar Vieira Júnior nos oferece e que conseguimos transpor para o palco com o desejo de mostrar um pouquinho mais para o Brasil quem é o Brasil”, destaca.

Além de sua potência dramática, Torto Arado – O Musical busca incluir a diversidade cultural e promover acessibilidade. Sessões com tradução em Libras e audiodescrição estão programadas para os dias 5 a 8 de dezembro. Segundo o diretor de movimento Zebrinha, a coreografia explora a essência dos rituais do Jarê, apresentando uma estética contemporânea e profundamente conectada às raízes do espetáculo. A peça é realizada pelo Ministério da Cultura, Sesc São Paulo e Nubank, com patrocínio via Lei Federal de Incentivo à Cultura. Os ingressos estão disponíveis online e nas bilheterias do Sesc, com apresentações de quinta a domingo.

Filmes, séries e reality show com protagonismo negro para maratonar no feriado prolongado

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Foto: Gilles Mingasson/ABC via Getty Images

O feriado prolongado da Proclamação da República pode ser uma boa oportunidade para colocar em dia as séries, filmes, ou reality shows que acabaram de chegar no streaming ou que você ainda não conseguiu assistir. 

De comédia à dramas, estas produções garantem muitas risadas ou muitas reflexões sobre a comunidade negra. Prepare a pipoca e aproveite! 

Veja as dicas abaixo:

Harlem

Estrelada por Meagan Good, Jerrie Johnson, Grace Byers e Shoniqua Shandai, a comédia acompanha a vida de quatro melhores amigas do Harlem, um bairro de Nova Iorque. Elas batalham pela carreira, vida amorosa e outros grandes sonhos, mesmo que às vezes de forma bem atrapalhada. A série tem duas temporadas disponíveis no Prime Video e a terceira com previsão de estreia em janeiro de 2025.

Infiltrado na Klan 

Dirigido por Spike Lee, o filme acompanha Ron Stallworth (John David Washington), um policial negro do Colorado, que em 1978,  consegue se infiltrar na Ku Klux Klan local. Se comunicando com telefonemas e cartas, quando precisa estar fisicamente presente, ele envia um outro policial branco em seu lugar. Depois de meses de investigação, Ron fica próximo do líder da seita, sendo responsável por sabotar uma série de linchamentos e outros crimes de ódio orquestrados pelos racistas. Disponível na Telecine. 

Nova Cena 

Os quatro primeiros episódios da ‘NOVA CENA’, primeiro reality musical brasileiro de rap da Netflix, estreou em 12 de novembro. Djonga, Filipe Ret e Tasha & Tracie são os jurados da atração, que busca o novo nome do rap no Brasil. A segunda parte do programa chega ao catálogo no dia 19 de novembro. 

Toda Família Tem 

A série de comédia protagonizada por Pedro Ottoni, acompanha o Pê, um jovem de 19 anos, que vê sua vida mudar quando retorna com a família para a casa da avó Geni no Rio de Janeiro, deixando para trás seu estilo de vida confortável. Também estão no elenco, Solange Couto, Érico Brás, Maíra Azevedo, Gabriela Dias, Duda Pimenta, entre outros. A produção estreou a primeira temporada neste ano e contém sete episódios, disponíveis no Prime Video. 

Os Últimos Dias de Ptolemy Grey

Uma minissérie dramática baseada no romance homônimo de Mosley de 2010, é estrelada por Samuel L. Jackson, Dominique Fishback, entre outros. Ptolemy Grey é um senhor de 93 anos que aos poucos está perdendo a memória e confundindo fantasia e realidade. Um dia, ele é levado pela neta a um médico, que promete restaurar sua memória de forma temporária. Mas o tratamento é breve e a longo prazo irá acelerar o processo da doença de Alzheimer. Disponível na Apple TV+.

Cidade de Deus: A Luta Não Para

No spin-off do clássico nacional “Cidade de Deus”, o Buscapé, interpretado por Alexandre Rodrigues, volta a contar histórias a partir do seu ponto de vista, que se passa em 2004, 20 anos depois dos acontecimentos do filme. O elenco contém novos e antigos personagens, como o retorno de Edson Oliveira como Barbantinho, Roberta Rodrigues como Berenice e Sabrina Rosa como Cinthia. A série contém uma temporada com seis episódios, disponíveis na Max. 

Além da Realidade 

Numa trama com muito suspense, John (Morris Chestnut) e Laura (Regina Hall) desejam ter um bebê mais que qualquer coisa e, depois de várias tentativas em vão, eles contratam Anna (Jaz Sinclair) como barriga de aluguel. Conforme a gravidez avança, Anna vai ficando cada vez mais obcecada por John e coloca o rapaz e Laura em perigo. Disponível na Netflix.

Abbott Elementary 

A série retrata a realidade de uma escola pública da Filadélfia com apenas alunos negros, que sobrevive com poucos recursos financeiros e professores com baixos salários, porém empenhados em dar o seu melhor para educar as crianças. Com três temporadas disponíveis na Disney+, o elenco conta com Quinta Brunson, Tyler James Williams, Sheryl Lee Ralph,  Janelle James e Zack Fox. 

Arcanjo Renegado 

A terceira temporada da série ‘Arcanjo Renegado’, estrelada por Marcello Melo Jr., acaba de estrear no Globoplay com 10 episódios inéditos. Se a vida de Mikhael já tinha se transformado da primeira para a segunda temporada, depois de uma missão no continente africano e muitas reviravoltas surpreendentes em sua trajetória, desta vez ele se redescobre ainda mais durante uma imersão no norte do Brasil, na região amazônica. 

Mulher que cometeu racismo contra filhos de Giovanna Ewbank e Bruno Gagliasso é condenada a prisão em Portugal

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Acusada de racismo contra Titi e Bless, filhos mais velhos da atriz Giovanna Ewbank e do Bruno Gagliasso, Adélia Barros, de 59 anos, foi condenada pelo Tribunal de Almada, em Portugal, a oito meses de prisão e ao pagamento de uma indenização de 14 mil euros (cerca de R$ 85 mil) por danos morais.

De acordo com informações do jornal português, Público, a criminosa cumprirá a pena em liberdade condicional, desde que não cometa o mesmo crime durante quatro anos. Além da indenização aos ofendidos, Adélia foi sentenciada a pagar 2,5 mil euros (aproximadamente R$ 15 mil) à associação SOS Racismo e a se submeter a tratamento para alcoolismo.

Nas redes sociais, os pais de Titi e Bless comemoraram a decisão da justiça portuguesa. “Há quase três meses a gente celebrava uma vitória contra o racismo no Brasil. E, hoje, direto de Salvador, neste mês que nos pede consciência para que lembremos da herança escravocrata que herdamos, a gente volta para propagar mais uma vitória contra o racismo, desta vez em Portugal”, afirmava a publicação.

Relembre o caso

O crime ocorreu em julho de 2022, em um restaurante na região de Costa da Caparica, em Portugal. Na ocasião, Adélia proferiu ofensas racistas às crianças, que são negras e foram adotadas pelo casal brasileiro. Entre os insultos, ela teria dito: “Voltem para a África! Saiam daqui! Viva Portugal!”.

Na época, um vídeo mostrou Giovanna Ewbank confrontando a mulher. Segundo testemunhas, a atriz chegou a cuspir no rosto de Adélia. Bruno Gagliasso, presente no local, permaneceu ao lado da esposa durante a discussão, sem intervir. A sentença, que inclui medidas reparatórias e punitivas, foi interpretada como um avanço no enfrentamento ao racismo em Portugal, país que tem enfrentado críticas por episódios recorrentes de xenofobia e discriminação racial.

15 restaurantes e chefs para celebrar o Dia da Consciência Negra no Brasil

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Chef Sam do Mama Africa Labonne Bouffe (Foto: Reprodução/Instagram)

No Dia da Consciência Negra, celebramos a riqueza e a diversidade da cultura afro-brasileira em suas múltiplas expressões. A gastronomia é uma das formas mais poderosas de resgatar histórias, honrar tradições e saborear o legado cultural deixado pelos povos africanos no Brasil. Com isso em mente, o Mundo Negro apresenta uma seleção especial como parte do Guia Black Chefs, destacando 15 restaurantes e chefs que são referência na valorização da culinária afro-brasileira.

Essa curadoria ressalta o talento de empreendedores e chefs negros que utilizam a gastronomia como forma de resistência e afirmação cultural. De pratos tradicionais como o acarajé, abará e moquecas, até criações inovadoras que dialogam com a ancestralidade, esses estabelecimentos representam um convite para descobrir e apoiar iniciativas que celebram a negritude na culinária.

Conheça os destaques:

Restaurante Maria Mata Mouro (@mariamatamouro): Menu diversificado com influências mediterrânea, asiática, italiana e brasileira em Salvador

Sal Marinho Restaurant Bar Vilas (@salmarinhorestaurant): Frutos do mar e culinária brasileira em Lauro de Freitas

Griot Burger (@griotburger): Hamburgueria afro-brasileira em Salvador

Mama Africa Labonne Bouffe (@mamaafrica_labonnebouffe): Os sabores dos mais variados pratos típicos africanos na zona leste de São Paulo.

Nossas Raízes Bistrô (@nossasraizesbistro): Culinária afro-brasileira e pratos populares no Rio de Janeiro. 

Cozinheiro Gil (@cozinheirogil): Pratos veganos e vegetarianos em Salvador

Casa de Ieda (@casadeieda): Comida da Chapada Diamantina, em São Paulo.

Tapioca das Pretas (@tapiocadaspretas): Tapiocas e cuscuz com sabores autênticos em Goiânia

Confraria da Gula (@confrariadagula): Confeitaria criativa em Belo Horizonte, oferecendo doces especiais e receitas inovadoras. 

Acarajé da Juci D’Oyá (@acarajedajucidoya): Culinária afrodiaspórica com sabores autênticos em Belém

Café Quintal de Casa (@cafequintaldecasa): Uma experiência de aconchego e alimentação afetiva na periferia de São Paulo

Ki Mukeka (@kimukeka.sp): Restaurante com moqueca e outras especialidades da culinária baiana em São Paulo.

Daren Ferreira (@daren_ferreira_): Fundadora da primeira fábrica de bolachas inspirada na afrocentricidade, jogos de bolachas e bolacha com temas afros, que fica em Curitiba

Porto Carioca Bar (@portocariocabar): Especializado em petiscos, panquecas e drinks na Cidade Baixa (RS).

Kush Culinária Afro-Brasileira (@kushculinariaafrobrasileira): Culinária afro-brasileira e africana no Rio de Janeiro.

Léo Santana domina o Afropunk com show histórico e energia avassaladora

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Foto: Alef Fera

Texto: Rodrigo França

Léo Santana entregou um espetáculo inigualável em sua estreia no palco do Afropunk Salvador, provando mais uma vez porque é considerado um dos maiores cantores do Brasil. Com uma apresentação que uniu excelência vocal, energia contagiante e coreografias arrebatadoras, o cantor fez história no festival, exaltando as raízes do pagode baiano e a potência da cultura negra.

O público foi conquistado logo no início, com a escolha de “Negro Lindo”, um clássico da época do Parangolé, que reafirma o orgulho e a beleza da negritude. A energia cresceu ainda mais com “Zé do Caroço” – música da magistral Leci Brandão, uma homenagem à resistência cultural e social, emocionando a plateia ao trazer uma camada de consciência ao show. A força dessas canções, aliada à entrega de Léo no palco, elevou o espetáculo a um nível de excelência que poucos artistas conseguem alcançar.

Além da voz inconfundível, Léo Santana mostrou-se um mestre em performance. Suas coreografias, dirigidas pela brilhante Edilene Alves, foram um dos pontos altos da noite. Cada movimento dos bailarinos foi pensado para amplificar a energia do show, criando um espetáculo visual que complementou a sonoridade vibrante do pagodão. Edilene não apenas trouxe técnica e criatividade, mas também construiu um espetáculo com narrativa e emoção, transformando a dança em uma linguagem que conectou o público ao artista.

Os bailarinos – Edilene Alves, Gabriel Mascarenhas, Estevam Costa, Vitória Brisa, Michele Moura, Jessica Santana, Nicole Bastos e Suelen de Paula – brilharam em cada número. Com movimentos precisos e uma sintonia impecável, eles foram muito mais do que suporte: foram protagonistas ao lado de Léo, trazendo vida e energia às músicas. É revolucionário um homem negro rebolando. Movimentar a cintura é um gesto ancestral, profundamente africano, que carrega potência e resistência. É a expressão viva de um processo simultâneo de descolonização e decolonização e resgate das raízes culturais, desafiando os estigmas impostos pela colonização. E quando esse gesto vem de um homem da periferia de Boa Vista do Lobato, em Salvador, ele se torna ainda mais simbólico: é a afirmação de identidade e poder, quebrando paradigmas e inspirando uma nova narrativa.

A equipe de produção, liderada por Jean Guimarães, demonstrou um cuidado excepcional em cada detalhe. A direção musical de David Mattos equilibrou nostalgia e inovação, enquanto a produção técnica de Tony Oliveira garantiu um show impecável do início ao fim. O gigante não só entregou o prometido, mas superou todas as expectativas, consolidando-se como um dos maiores artistas do país.

Léo Santana não foi apenas um cantor ou dançarino no Afropunk. Ele foi um contador de histórias, um representante da cultura negra e um embaixador da alegria. Um show que ficará marcado na memória de todos e que reafirma a potência do pagodão baiano como símbolo de identidade e celebração.

O gigante mostrou que é mais que um artista: é um ícone. Um verdadeiro showman.

Feriado de 15 de novembro: dicas de programação cultural negra

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Foto: Agencia Brasil/ Divulgação
Foto: Agencia Brasil/ Divulgação

Em meio ao feriado de 15 de novembro, quando o Brasil relembra a Proclamação da República, surge a oportunidade de redescobrir e celebrar as raízes da cultura negra nas principais cidades do país. Com uma agenda que transborda música, dança e encontros afetuosos, São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte, Recife e Brasília abrem suas ruas, praças e palcos para um mergulho profundo na riqueza da tradição afro-brasileira. É um feriado que vai além do descanso – uma chance de viver, ouvir e exaltar as histórias e vozes que constroem a resistência e renovam o orgulho negro.

Além do feriado, os dias 16 e 17 trazem programações especiais, com shows, peças, festas e eventos que destacam a diversidade e a vitalidade da cultura afro-brasileira. Esses encontros, mais que entretenimento, são espaços para celebrar a identidade e a contribuição do povo negro para o Brasil. Nos palcos, nas rodas de conversa e nas feiras, o público poderá se conectar com manifestações artísticas que refletem a força e a relevância da cultura negra.

Se você deseja aproveitar o feriado prolongado para explorar essa rica agenda cultural, reunimos algumas dicas de eventos imperdíveis que acontecem nos dias 15, 16 e 17 de novembro.

São Paulo

Ocupação Preta CCBB – Honrando o Passado e Fazendo o Futuro

Rio de Janeiro

  • Moda Afro
    • Data: 15 de novembro
    • Local: Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira (Muhcab)
    • Descrição: Desfile de moda que valoriza estéticas e identidades afro-brasileiras, acompanhado de apresentações musicais e experiências gastronômicas autênticas.

    • Salsa Day
    • Data: 16 de novembro
    • Local: Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira (Muhcab)
    • Descrição: Aulas de dança gratuitas de salsa, seguidas de encontro de dança e gastronomia típica.

Salvador

Foto: divulgação
Foto: divulgação

Lançamento das obras da bailarina negra de fama internacional, Ingrid Silva.
Data:
15 de novembro
Local: Arcadas do Museu de Arte Moderna da Bahia

“Nossos Ancestrais – a maldade em crise”
Data: 16 de novembro
Local: Museu de Arte da Bahia

Porto Alegre:

34ª Semana Municipal da Consciência Negra

  • Data: De 16 a 23 de novembro de 2024
  • Local: Diversos locais em Porto Alegre
  • Descrição: Programação gratuita com feiras de artesanato e gastronomia, além de eventos culturais em comemoração ao Dia da Consciência Negra.

Recife:

2ª Edição do Curso: Intelectuais Negras Ancestrais

  • Data: 14, 21 e 25 de novembro, e 5 de dezembro de 2024
  • Local: Recife
  • Descrição: Curso que aborda a contribuição de intelectuais negras ancestrais para a cultura e sociedade.




Exposição gratuita no Museu da História e Cultura Afro-Brasileira do RJ celebra Tereza de Benguela

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Imagem: Reprodução

Para marcar o Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, o Museu da História e Cultura Afro-Brasileira (MUHCAB), localizado na Região Portuária do Rio de Janeiro, inaugurou uma exposição dedicada a Tereza de Benguela, histórica líder quilombola conhecida por sua resistência contra a opressão colonial. As obras, que ficarão em exibição até o dia 8 de dezembro, reforçam o legado de Tereza como símbolo de coragem e força das mulheres negras no Brasil. A entrada é gratuita.

A mostra reúne criações de jovens vinculados ao Centro de Referência da Juventude (CRJ), em Novo Horizonte, Espírito Santo, que, em parceria com o Centro Integrado de Estudos e Programas de Desenvolvimento Sustentável (CIEDS), elaboraram peças que expressam a história de luta e resiliência. Cada obra revela uma perspectiva sobre a importância da resistência e da visibilidade das mulheres negras na sociedade, temas que ganham ainda mais força com a referência a Tereza de Benguela.

Além de promover a reflexão sobre a história e o papel de Tereza, a exposição também oferece uma oportunidade prática para os jovens envolvidos: as peças estarão à venda, e a renda arrecadada será revertida aos próprios artistas, incentivando a continuidade de projetos culturais e sociais.

Serviço
Exposição: Tereza de Benguela
Data: até 08/12/2024
Horário: 10h às 17h
Local: Museu da História e Cultura Afro-Brasileira (MUHCAB) – Rua Pedro Ernesto, 80. Gamboa, Rio de Janeiro/RJ
Entrada: gratuita e aberta ao público

Grammy Latino 2024: homens negros brasileiros brilham na premiação

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Fotos: Getty Images

Um dia cheio de emoções! A cerimônia do 25º Grammy Latino ocorreu nesta quinta-feira (14), em Miami, nos Estados Unidos, e até o momento, seis premiações foram conquistadas por homens negros brasileiros.

Com três indicações, Jota.pê ganhou os três prêmios e se tornou um dos grandes destaques do evento. Com o projeto “Se Meu Peito Fosse Mundo”, ele venceu as categorias Melhor Álbum de Música Popular Brasileira/Música Afro-Brasileira; Melhor Álbum de Engenharia de Gravação, assinada por Thiago Bajjo, Will Bone, Leonardo Emocija, Rodrigo Lemos, Felipe Vassão e João Milliet, Felipe Tichauer. Além de também vencer a Melhor Canção em Língua Portuguesa com a faixa “Ouro Marrom”.

Xande de Pilares também marcou presença na premiação e levou a estatueta de Melhor Álbum de Samba/Pagode com o projeto “Xande Canta Caetano”. Os Garotin ganharam o primeiro Grammy da carreira com “Os Garotin de São Gonçalo” como Melhor Álbum de Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa.

Xamã, Gabriel O Pensador e Lulu Santos, levaram o prêmio pela música “Cachimbo da Paz 2” na categoria Melhor Interpretação Urbana em Língua Portuguesa. Enquanto Mestrinho e Mariana Aydar levaram como Melhor Álbum de Música de Raízes em Língua Portuguesa por “Mariana e Mestrinho”.

Já o cantor gospel Thalles Roberto venceu como Melhor Álbum de Música Cristã de Língua Portuguesa por “Deixa Vir – Vol II (Ao Vivo)”.

Zonas de sacrifício racial: quando o racismo ambiental torna-se uma condenação

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À medida que as discussões sobre a crise climática avançam na COP29, realizada este ano no Azerbaijão, é fundamental que se reconheça que os impactos das mudanças climáticas não afetam todas as comunidades de maneira igual. No Brasil e em diversos países, populações negras e indígenas, especialmente as localizadas em regiões periféricas, enfrentam uma ameaça dupla: além da exclusão social histórica, sofrem com a degradação ambiental em suas comunidades, áreas frequentemente transformadas em “zonas de sacrifício racial”.

De acordo com a cartilha do Geledés – Instituto da Mulher Negra, zonas de sacrifício racial são áreas onde o peso dos impactos ambientais torna o ambiente perigoso, até mesmo inabitável, devido à proximidade com grandes empreendimentos industriais e energéticos, como mineradoras e petroquímicas. “Essas zonas abrangem terras ancestrais dos povos indígenas, territórios periféricos e comunidades negras, onde os efeitos das mudanças climáticas e das atividades industriais são sentidos com intensidade alarmante”, afirma o Geledés. Em outras palavras, essas zonas são as regiões onde o racismo ambiental se manifesta de forma mais severa, expondo essas comunidades a uma degradação que poderia ser evitada.

Para Priscila Nunes, Executiva de RH e Fundadora da Black HR Brasil, zonas de sacrifício racial e racismo ambiental são conceitos diretamente interligados. “As zonas de sacrifício são regiões que absorvem os principais impactos socioambientais devido à proximidade com empreendimentos industriais e energéticos, como mineradoras e petroquímicas. São áreas que não são levadas em consideração por esses empreendimentos, inclusive na hora do licenciamento ambiental”, explica Priscila. Essas comunidades já carecem de serviços essenciais, como saneamento básico e coleta de lixo, o que potencializa ainda mais o impacto das atividades industriais. “Normalmente, essas zonas estão localizadas em regiões marginalizadas, que já são acometidas pelo racismo ambiental. Ou seja, áreas que já carecem de saneamento básico, coleta de lixo, rede de esgoto e acesso à água potável”, destaca.

A exemplo de Cubatão, em São Paulo – conhecido como o “Vale da Morte” devido à alta poluição industrial nas décadas passadas –, várias regiões brasileiras são constantemente sacrificadas em nome do desenvolvimento econômico, enquanto suas populações enfrentam efeitos devastadores para a saúde e o meio ambiente. Esses locais ilustram como o racismo ambiental torna-se uma ameaça à vida de comunidades racializadas, que têm seus direitos e sua dignidade negligenciados.

O Geledés e outros ativistas defendem uma adaptação climática antirracista que reconheça e enfrente essas desigualdades. Para o instituto, “adaptação climática antirracista é o enfrentamento das desigualdades raciais, de gênero, sociais e territoriais por meio de políticas públicas estruturantes e emergenciais.” Isso inclui assegurar a proteção das vidas vulnerabilizadas e a conservação dos biomas por meio de ações que contemplem os saberes das comunidades impactadas e que protejam esses territórios da exploração sem limites.

Na COP29, espera-se que os líderes globais ampliem a discussão sobre justiça climática e racial, reconhecendo que a proteção do meio ambiente deve considerar os impactos desproporcionais para as comunidades negras e indígenas. Dar nome a essas “zonas de sacrifício racial” é uma forma de expor uma realidade dolorosa: algumas comunidades são sacrificadas para sustentar um modelo de desenvolvimento que beneficia poucos e marginaliza muitos. Como destaca Priscila Nunes, “o impacto socioambiental é potencializado nas regiões já afetadas pelo racismo ambiental. Esses impactos não são apenas no solo ou nos rios, mas afetam diretamente a saúde e o cotidiano das populações que vivem nessas áreas.”

A participação de vozes negras e indígenas nos espaços de decisão, como a COP29, é essencial para garantir que o conceito de justiça climática seja efetivo e não apenas uma promessa distante. O reconhecimento das zonas de sacrifício racial é um passo importante para que o mundo entenda que combater a crise climática é, antes de tudo, um compromisso com a justiça social e racial.

“A população negra paga o preço dessa injustiça ambiental”, diz especialista no primeiro dia do G20 Social

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Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O G20 Social começou nesta quinta-feira (14), na região portuária do Rio de Janeiro, trazendo à tona discussões urgentes sobre dois tipos de racismo: o algorítmico, presente nas novas tecnologias, e o ambiental, que se reflete na falta de políticas para as comunidades mais vulneráveis. Em um cenário de galpões e armazéns, o evento, que se estende até o próximo dia 16, reúne movimentos sociais e ONGs para debater temas de justiça social, antecedendo a cúpula do G20.

Com mais de 270 atividades autogestionadas, um dos debates mais impactantes do dia girou em torno do racismo algorítmico. Na mesa organizada pelo Instituto Internacional sobre Raça, Igualdade e Direitos Humanos, Alexandra Montgomery, da Anistia Internacional Brasil, questionou o uso de algoritmos que afetam desproporcionalmente pessoas negras e de comunidades marginalizadas. “Esses sistemas de reconhecimento facial acabam tornando as pessoas negras alvos ainda mais vulneráveis, com erros frequentes de identificação que reforçam o racismo estrutural”, detalhou.

Pablo Nunes, do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), foi direto ao apontar que o reconhecimento facial falha mais ao identificar pessoas negras, o que gera consequências graves, principalmente no Brasil, onde a segurança pública já discrimina essa população. “A tecnologia que já é falha para identificar negros se junta a uma estrutura de segurança que os vê como principais suspeitos, e isso precisa ser questionado”, completou.

Outro debate essencial abordou o racismo ambiental, especialmente no contexto das mudanças climáticas. Representando o coletivo Confluência das Favelas, Luzia Camila trouxe relatos de comunidades em Macapá, Manaus, Rio de Janeiro, São Paulo e Recife, destacando como as periferias são as mais afetadas por eventos extremos como enchentes e ondas de calor. “Essas áreas não recebem políticas de urbanização ou adaptação climática adequadas. O resultado é que a população negra acaba pagando o preço dessa injustiça ambiental”, destacou Luzia.

O G20 Social segue até o dia 16, oferecendo um espaço de voz para que a sociedade civil possa discutir e propor soluções para os desafios globais, com um olhar voltado às questões raciais e sociais.

*Com informações da Agência Brasil

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