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Ministério da Cultura rebate matéria da Folha sobre “crise” na gestão da Margareth Menezes: “Não reflete a realidade”

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Foto: Filipe Araújo/ MinC

O Ministério da Cultura se manifestou no domingo (16) contra uma reportagem publicada pela Folha de S.Paulo. Segundo a nota da pasta, a matéria intitulada Margareth Menezes, nos 40 anos do MinC, enfrenta crise aguda na prestação de contas”, “não reflete a realidade” e ignora avanços na resolução de problemas históricos, herdados de governos anteriores.

A matéria da Folha apontou dificuldades enfrentadas pelo MinC sob a gestão da ministra Margareth Menezes, como questionamentos do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre prestações de contas, reclamações de servidores e os desafios da regulamentação do streaming no Brasil.

“A ‘crise aguda’ mencionada pela Folha de S.Paulo não reflete a realidade. Desde 2023, o MinC tem trabalhado intensamente para resolver a pendência herdada de gestões anteriores, e os resultados já são visíveis”, afirmou a pasta em um comentário na página do jornal no Instagram.

Foto: Reprodução/Instagram

Um dos avanços citados pelo MinC é a redução do passivo da Lei Rouanet. A matéria da Folha aponta que a pasta diz que no ano passado, o TCU revelou que 26 mil projetos culturais tinham prestações de contas pendentes, um problema que se arrasta nas últimas décadas. No entanto, a atual gestão afirma que esses dados foram publicados em 2023 e que já conseguiu acelerar a análise desses processos.

Em 2024, pela primeira vez, o Ministério conseguiu avaliar mais projetos do que o volume de novas propostas enviadas. Mais de 5 mil projetos foram analisados, incluindo aqueles que estavam parados há mais de 20 anos.

Além disso, o Ministério ressaltou que o novo Marco Regulátorio do Fomento à Cultura estabeleceu regras mais claras para o setor e reforçou os mecanismos de transparência e controle social.

“Nos 40 anos do MinC, o que temos — a comemorar — são as soluções para esse problema histórico, não a ‘crise aguda’ mencionada”, reforçou a nota divulgada pela pasta.

O Ministério também criticou a Folha por não ter considerado informações enviadas antes da publicação da matéria, reiterando que a atual gestão segue comprometida com uma administração pública eficiente e transparente.

‘Beleza Fatal’ entra na reta final e Camila Pitanga celebra o sucesso: “Muito feliz com o resultado”

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Foto: Ali Karakas/Max/Divulgação

Para a alegria dos fãs, os últimos quatro capítulos da novela ‘Beleza Fatal’, grande sucesso da Max, foram lançados nesta segunda-feira (17). O capítulo final será lançado no streaming na próxima sexta-feira, às 20h. 

“Sim, amades! Chegamos ao último bloco do nosso novelão #BelezaFatal… Passou voando, né? Tô muito feliz com o resultado desse trabalho feito com tanto amor e entrega. E a prova disso é ver vocês amando (e até defendendo!) uma vilã terrível kkkkk. Muito obrigada por todo o carinho! ”, celebrou Camila Pitanga com uma publicação no Instagram. “Qual será o destino da nossa Lola?”, questiona para os seguidores. 

No post, a atriz que interpreta a vilã Lola Argento ainda compartilhou diversas fotos dos bastidores da novela que ganhou o coração dos brasileiros. 

Durante a entrevista ao Mundo Negro em janeiro deste ano, Camila Pitanga falou sobre a sua personagem que vem cativando o público: “Ela é excêntrica, despudorada e perigosa, mas também tem nuances que mostram sua humanidade […] Ela é tão exagerada e absurda que acaba sendo engraçada. É uma personagem que faz coisas terríveis, mas também consegue despertar empatia e risos”, afirmou. 

Na época, a atriz também destacou a importância de ‘Beleza Fatal’ não apenas como um marco por ser a primeira novela original da plataforma de streaming, mas também como um passo significativo para a expansão do mercado audiovisual brasileiro. Ela estava há mais de dez anos sem gravar novelas. 

“Sentia saudade de estar em novelas, e o público também me cobrava isso. Quando a Mônica Albuquerque me chamou eu sabia que havia uma missão, que esse projeto tinha um sentido maior de uma expansão de mercado, não só no mercado interno, mas de ter o streaming abraçando algo da nossa tradição, que são as novelas brasileiras, para estar em outras janelas no mundo”, contou.

‘Não Solte!’: Filme de terror estrelado por Halle Berry estreia no Prime Video

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Foto: Paris Filmes

O filme de terror psicológico ‘Não Solte!’, estrelado por Halle Berry, estreou no catálogo do Prime Video nesta segunda-feira (17).

Na trama, um mal desconhecido se espalha pelo mundo, e a única forma de proteção para uma mãe – interpretada por Berry, e seus filhos gêmeos é permanecerem juntos – literalmente. Para sobreviver, eles vivem amarrados por cordas dentro de casa, criando um vínculo inquebrável. Mas quando um dos meninos começa a duvidar da ameaça lá fora, a frágil estrutura de segurança da família se rompe, dando início a uma luta desesperada pela sobrevivência.

Apesar da baixa aprovação de 42% no Rotten Tomatoes, a crítica por parte do público teve uma boa recepção, alcançando a média de 79% no site.

O longa-metragem é dirigido por Alexandre Aja (Viagem Maldita) e com roteiro de KC Coughlin e Ryan Grassby. Veja o trailer:


Governo Trump planeja ampliar restrições de viagens para 22 países africanos

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Foto: REUTERS/Carlos Barria

Uma proposta do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para ampliar as restrições de viagens a cidadãos estrangeiros tem como foco principal o continente africano. De um total de 43 países que podem ser afetados pelas novas medidas, 22 são nações africanas, o que representa mais da metade da lista. A informação foi revelada em um memorando interno, reportado pelo The New York Times.

O plano categoriza os países em três listas – vermelha, laranja e amarela –, cada uma com diferentes níveis de restrições à entrada nos EUA. A lista “vermelha”, que impõe uma proibição total de viagens, inclui três países africanos: Líbia, Somália e Sudão. Eles estão agrupados com outras oito nações, como Coreia do Norte, Irã, Síria e Venezuela.

Já a lista “laranja”, que restringe vistos principalmente a viajantes de negócios abastados, abrange três nações africanas: Eritreia, Serra Leoa e Sudão do Sul. A categoria “amarela”, a mais ampla, concede 60 dias para que 16 países africanos resolvam supostas deficiências na verificação de segurança ou enfrentem restrições mais rigorosas. Entre eles estão Angola, Benim, Burkina Faso, Camarões, Cabo Verde, Chade, República do Congo, República Democrática do Congo, Guiné Equatorial, Gâmbia, Libéria, Malawi, Mali, Mauritânia, São Tomé e Príncipe e Zimbábue.

A proposta marca uma expansão das políticas de restrição de viagens implementadas durante o primeiro mandato de Trump, que geraram controvérsia e foram revogadas pelo presidente Joe Biden em 2021. Na época, as medidas foram criticadas como uma “proibição muçulmana”, devido ao foco em países de maioria islâmica. Agora, a nova proposta sugere um retorno a políticas semelhantes, mas com um impacto ainda maior sobre o continente africano.

Especialistas em política externa alertam que a medida pode prejudicar a imagem dos EUA na África, onde a China e outras potências têm ampliado sua influência. Além disso, a proposta pode enfrentar desafios legais semelhantes aos que ocorreram durante o primeiro mandato de Trump.

Até o momento, a Casa Branca não se pronunciou oficialmente sobre o memorando, e não há previsão de quando a proposta será anunciada publicamente.

Will Smith anuncia primeiro álbum em 20 anos com participações de Teyana Taylor, Jaden Smith e DJ Jazzy Jeff

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Foto Jaden Smith: Marc Piasecki | Foto Teyana Taylor: FilmMagic

O aguardado álbum Based on a True Story, primeiro projeto musical de Will Smith em 20 anos, promete reunir uma série de colaborações de peso. O ator e rapper divulgou a lista de faixas em seu perfil no Instagram, revelando parcerias com nomes como Teyana Taylor, seu filho Jaden Smith, o lendário DJ Jazzy Jeff e outros artistas. O lançamento está marcado para o dia 28 de março.

Entre as participações mais destacadas está a de Teyana Taylor, cantora e atriz conhecida por hits como Gonna Love Me e How You Want It?. A colaboração com Taylor sugere uma mistura de R&B e hip-hop, gêneros que marcam a trajetória musical de Smith. Outro nome de destaque é Jaden Smith, filho de Will, que já construiu uma carreira como artista independente, explorando estilos que vão do rap ao pop experimental.

A presença de DJ Jazzy Jeff, parceiro de longa data de Smith, é um resgate às raízes do rapper. A dupla, que ficou famosa nos anos 1980 e 1990 com hits como Parents Just Don’t Understand e Summertime e contracenou na série “Um Maluco no Pedaço”, promete reviver a química que conquistou fãs ao redor do mundo. Além disso, o álbum contará com participações de Big Sean, Joyner Lucas, Russ e OBanga, artistas que trazem diferentes influências para o projeto.

Justiça condena réus por assassinato de congolês Moïse Kabagambe no Rio em 2022

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Foto: Reprodução

O 1º Tribunal do Júri condenou, na última sexta-feira (14), Fábio Pirineus da Silva e Aleson Cristiano de Oliveira Fonseca pelo assassinato do congolês Moïse Kabagambe, ocorrido em janeiro de 2022, no Rio de Janeiro. Os dois foram sentenciados por homicídio triplamente qualificado — por motivo torpe, meio cruel e sem chance de defesa da vítima. Aleson recebeu pena de 23 anos, 7 meses e 10 dias de reclusão, enquanto Fábio foi condenado a 19 anos, 6 meses e 20 dias de prisão. Ambos cumprirão a pena em regime fechado.

O crime aconteceu em um quiosque na Barra da Tijuca, na Zona Oeste da capital carioca, onde Moïse, de 24 anos, trabalhava. Ele foi agredido com cerca de 40 golpes, segundo as investigações, após cobrar o pagamento de diárias atrasadas. As imagens do circuito interno de monitoramento do local mostram que a vítima foi derrubada, imobilizada e espancada com um taco de beisebol, socos, chutes e tapas. O Ministério Público destacou que Moïse não teve chance de se defender, o que caracterizou uma das qualificadoras do crime.

Um terceiro acusado, Brendon Alexander Luz da Silva, não foi julgado na sessão da última sexta-feira. Sua defesa recorreu da sentença de pronúncia, e o caso foi desmembrado do processo principal. Brendon aguarda a análise de um recurso pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Durante o julgamento, foi exibido um vídeo em que ele aparece imobilizando Moïse no chão, enquanto Fábio Pirineus tirava uma foto da cena. O flash da câmera capturou Brendon fazendo um gesto de “hang loose”, o que chamou a atenção da promotoria.

A mãe e os irmãos de Moïse, refugiados políticos da República Democrática do Congo, acompanharam o julgamento. Eles estão no Brasil há quase 11 anos, após fugirem da guerra em seu país. Durante o processo, a família ficou abalada com a exibição das imagens da agressão. Ao ler a sentença, o juiz Thiago Portes ressaltou o fato de Moïse ter sido morto no país onde ele e sua família buscavam uma vida digna. “Fugiram da guerra, mas encontraram, em um país que se diz acolhedor, a crueldade humana que ceifou a vida de seu filho e irmão”, afirmou.

A família de Moïse comemorou a decisão judicial. Yvone, mãe da vítima, declarou em entrevista ao g1: “Meu coração está tremendo, mas tremendo de feliz. Estou muito feliz com o dia de hoje, a justiça de hoje”. Maurice, irmão de Moïse, destacou que a sentença foi uma resposta após dois anos de espera. “Moïse não era um bêbado, não era um drogado. Ele era um trabalhador que veio da África, do Congo, para buscar uma vida melhor no Brasil e foi morto como uma cobra. Isso não pode acontecer”, disse.

O promotor Bruno Bezerra também se mostrou satisfeito com o resultado. “O veredicto reflete o tipo de sociedade que queremos para o nosso estado e para o Brasil, onde questões como essa não precisam se resolver com brutalidade. A vida de Moïse foi perdida de forma banal, sem qualquer necessidade”, afirmou. A defesa dos réus não se manifestou à imprensa, mas confirmou que irá recorrer da decisão.

Empresário de Claudia Leitte é acusado de racismo e agressões em camarote durante Carnaval de Salvador

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Foto: Reprodução

O empresário Fábio Almeida, representante de artistas como Claudia Leitte e Carlinhos Brown, foi expulso duas vezes do Camarote Salvador, em Ondina, na capital baiana, durante a terça-feira de Carnaval (4), após se envolver em brigas e proferir ofensas racistas contra funcionários do local. As informações foram divulgadas pela colunista do Metrópoles, Fábia Oliveira, e confirmadas por testemunhas e registros policiais.

A primeira confusão ocorreu na área VIP do camarote, quando Almeida se desentendeu com Ana Raquel, diretora de jornalismo da Rede Bahia. Insatisfeito com uma matéria veiculada sobre Claudia Leitte, o empresário teria partido para cima da jornalista, proferindo ofensas e apertando sua mão com força, além de apontar o dedo em seu rosto. Ana Raquel confirmou o ocorrido a pessoas próximas, e outra jornalista, que também foi abordada de forma agressiva, estaria preparando uma denúncia.

Horas depois, Almeida se envolveu em um novo conflito, desta vez com seguranças do camarote. O motivo foi a tentativa de seu agenciado, o DJ Felipe Poeta, de sair do local com brindes pelo portão destinado aos artistas. Ao ser informado de que a ação não era permitida, o empresário iniciou uma discussão com um dos seguranças, proferindo ofensas racistas, como “preto arrogante” e “preto sujo”, e agredindo o funcionário com tapas no peito. Testemunhas relataram que o segurança revidou com um soco no rosto de Almeida, que foi contido e expulso do local.

No entanto, o empresário conseguiu retornar ao camarote pela entrada de convidados e, já dentro do espaço, repetiu o comportamento agressivo. Desta vez, ele teria direcionado ofensas racistas a outro funcionário, que havia assumido o posto do colega agredido. Novamente, Almeida deu um tapa no peito do segurança e foi atingido por um soco no rosto, caindo ao chão. Ele foi expulso pela segunda vez e, segundo testemunhas, parecia embriagado e descontrolado.

Um dos funcionários agredidos registrou um boletim de ocorrência por injúria racial contra o empresário, com base no artigo 140, parágrafo 3º, do Código Penal. A denúncia também foi formalizada na Secretaria Municipal da Reparação (Semur). O outro funcionário, no entanto, preferiu não prestar queixa.

Exposição no IMS Poços de Caldas celebra vida e luta de Laudelina de Campos Mello, pioneira na defesa das trabalhadoras domésticas

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Acervo Sindicato das Trabalhadoras Domésticas de Campinas.

No próximo sábado, 22 de março, a exposição Dignidade e Luta: Laudelina de Campos Mello, dedicada à trajetória de uma das mais importantes militantes pelos direitos das trabalhadoras domésticas no Brasil será inaugurada no Instituto Moreira Salles (IMS) de Poços de Caldas, Minas Gerais, terra natal de Laudelina. Ela foi pioneira na organização de sindicatos para a categoria e na luta contra a exploração do trabalho doméstico, que ainda carrega resquícios do sistema escravocrata brasileiro.

A mostra reúne fotografias, matérias de imprensa, documentos e objetos pessoais de Laudelina, além de obras de 41 artistas de diferentes gerações e regiões do país, como Rosana Paulino, Bispo do Rosário, Heitor dos Prazeres, Emicida, Arjan Martins, Madalena Santos Reinbolt, Maria Auxiliadora e Dayane Tropicaos. As obras dialogam com o tema do trabalho doméstico, conectando o legado de Laudelina às lutas contemporâneas. A curadoria é de Raquel Barreto e Renata Sampaio, com assistência de Phelipe Rezende.

Laudelina iniciou sua militância aos 16 anos, em uma Poços de Caldas segregada, onde a comunidade negra enfrentava barreiras para acessar espaços públicos e culturais. Ao longo de sua vida, fundou duas associações de trabalhadoras domésticas, em Santos (1936) e Campinas (1961), que posteriormente se tornaram sindicatos. Integrante da Frente Negra Brasileira, maior organização negra do século XX, ela foi uma das responsáveis pela criação do departamento doméstico da instituição. Também participou da Organização Feminina Auxiliar de Guerra durante a Segunda Guerra Mundial e foi filiada ao Partido Comunista e ao Partido dos Trabalhadores.

A exposição destaca o papel de Laudelina como líder cultural e política. Ela organizava bailes, picnics e eventos culturais para a população negra e, em especial, para as trabalhadoras domésticas, criando espaços de resistência e fortalecimento comunitário em uma época marcada por profundas desigualdades sociais e raciais. Laudelina entendia o trabalho doméstico como uma extensão da escravidão, um sistema que continuava a marginalizar e explorar mulheres negras, e defendia a importância da organização coletiva para a conquista de direitos.

A mostra também aborda como o trabalho doméstico, apesar de ter sido reconhecido formalmente com a PEC das Domésticas em 2013, ainda é uma área de grande vulnerabilidade, evidenciando o legado de discriminação e desigualdade que Laudelina enfrentou e ajudou a transformar. Em depoimento à pesquisadora Elisabete Pinto, cuja dissertação de mestrado foi referência para a exposição, Laudelina rebateu a ideia de que as trabalhadoras domésticas “não traziam economia para o país”: “Nós trazemos a economia. Eles saem para trabalhar, principalmente a classe média, e então passam a escravizar a empregada doméstica”.

Serviço
Exposição: Dignidade e Luta: Laudelina de Campos Mello
Abertura: 22 de março (sábado)
Local: IMS Poços – Rua Teresópolis, 90, Poços de Caldas, MG
Informações: (35) 3722-2776
Entrada gratuita

‘Não quero que as pessoas estacionem na dor’, diz Lázaro Ramos sobre mensagem de seu novo livro ‘Na Nossa Pele’

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Foto: Antonio Netto e Rafael Reis

Em entrevista ao Mundo Negro, o ator, diretor e escritor Lázaro Ramos falou sobre o lançamento de seu mais recente livro, Na Nossa Pele, obra que entrelaça memórias pessoais com reflexões sobre arte, identidade negra e justiça social. O livro, que será lançado oficialmente no dia 18 de março, homenageia sua mãe, Célia Maria do Sacramento, falecida quando ele tinha 18 anos, é descrito por ele como uma forma de resgatar a história dela e de outras figuras negras que influenciaram sua trajetória.

“Escrever um livro foi também para me lembrar tudo o que minha mãe era. Não só a trajetória mais sofrida”, contou o escritor ao relatar como sua mãe é uma das figuras centrais na sua formação, influenciando não apenas seu humor e jeito de ser, mas também sua visão de mundo. “Esse livro é uma maneira de eu dizer sim à minha mãe, dizer sim a ela com tudo o que ela me ofereceu e com tudo o que ela era. É uma maneira de olhar com mais generosidade para essa mulher. Foi bem curativo”, revelou.

O livro também aborda temas como emancipação, mobilidade social e a importância de olhar para as gerações mais velhas. Ramos enfatizou a necessidade de valorizar os saberes dos mais velhos, mesmo quando eles não vêm em discursos estruturados. “Uma coisa que a gente precisa fazer é não transformar os mais velhos em ultrapassados, eles são desse tempo também. Eu falo para o meu pai ‘você é de agora, vamos juntos aqui’. Meus mais velhos têm muito saberes que adquiri com eles, e isso tem sido muito importante na minha trajetória. Valorizar a trajetória deles. Às vezes os meus mais velhos não tem um discurso estruturado, acadêmico, mas têm tantos saberes, tanto aprendizado, que para mim só poderia vir a partir deles. Eu escuto de um outro lugar”, disse.

“Eu quero que as pessoas saiam fortalecidas. Nesse livro eu falo sobre as coisas dolorosas, mas não é para parar por aí. É para gente encontrar caminhos. É para ter consciência dos desafios, mas é para gente encontrar caminhos. Quero que as pessoas sintam que tem algumas estratégias que já foram experimentadas e que também sejam úteis para elas. Não é um livro de diagnóstico, é um livro de apontar caminho”, descreve Lázaro Ramos sobre seu objeto com a escrita de Na Nossa Pele.

Luta contra o racismo e a arte

Ramos também discutiu a importância da luta antirracista e o papel da arte nesse processo. Para ele, a arte tem o poder de sensibilizar e abrir portas, embora não seja suficiente para resolver todas as questões estruturais. “Nosso trabalho no Bando de Teatro Olodum, por exemplo, sempre buscou valorizar nossa identidade e nossa estética. A arte não vai ser capaz de resolver tudo. Tem coisa que quem vai resolver é a política pública, o judiciário, mas a arte abre portas e sensibiliza, com certeza. E informa.”, explicou.

Questionado sobre a necessidade de equilibrar amor e firmeza na luta antirracista, o ator destacou: “É preciso se posicionar. Tem algumas coisas que amor não vai bastar. O que vai bastar é posicionamento, é o limite, é a lei. Amor a quem oferece amor e justiça a quem oferece justiça”, pontuou. “Não existe uma fórmula. Cada situação requer uma inteligência e uma sabedoria da gente para saber como vai enfrentar. Olha o que é a vida de uma pessoa preta, até esse trabalho a mais ela precisa ter”, concluiu o escritor.

Sobre o futuro, o ator falou do desejo de ver a população negra vivendo de forma plena, com acesso a direitos básicos como educação e lazer. “Sonho que a gente consiga ter uma vida plena, que a gente não tenha nosso tempo roubado pelo racismo, que a gente consiga desenvolver os nossos e as nossas crianças, tendo acesso a direitos. Que nossos mais velhos tenham saúde e descanso. Que a gente consiga ter uma ocupação na política. Sonho que a gente consiga ter pautas coletivas, mas que a gente consiga respeitar nossa individualidade. Enfim, estou cheio de sonhos”.

Na Nossa Pele, lançado pelo selo Objetiva, do grupo Companhia das Letras, chega às livrarias como uma obra que, segundo o autor, não se limita a diagnosticar problemas, mas também aponta caminhos para a superação. “Não quero que as pessoas estacionem na dor. Quero que encontrem estratégias para seguir em frente”, concluiu Ramos.

Exposição gratuita no Recife destaca papel das mulheres negras na luta por novos imaginários sociais

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Foto: Obra Amor de Yabás - Priscila Ferraz

A partir do próximo dia 13 de março, o Museu da Abolição, no Recife, recebe a exposição “Reflexos da Dignidade, Mulheres Negras e Bem Viver”, uma iniciativa do Coletivo Blogueiras Negras em parceria com o Mandume Cultural. A mostra, que tem apoio do programa Aliança Negra Pelo Fim da Violência, do Fundo Elas+, reúne obras de cinco artistas brasileiras e propõe uma reflexão sobre a interseção entre arte, comunicação e movimentos sociais, com foco no enfrentamento ao racismo, ao sexismo e a outras formas de opressão.

A exposição é resultado de três anos de trabalho no projeto Aliança Negra: A Outra Face da Violência, desenvolvido pelo coletivo. A iniciativa partiu de uma pesquisa com 10 organizações sociais e buscou fortalecer parcerias estratégicas para enfrentar a violência racial não apenas em suas expressões mais evidentes, mas também nos campos simbólico, imagético e discursivo.

A pesquisa que embasa a exposição, intitulada “Imaginando o Futuro: Artes, Comunicação e Movimentos Sociais na Re-Criação de Imaginários”, foi conduzida pela jornalista e pesquisadora pernambucana Mariana Reis. O estudo propõe uma reflexão sobre como transformar a estrutura social para que, em vez da violência racial, floresçam o cuidado e o bem viver para a população negra.

“Nessa exposição, uma cartografia se desenvolve a partir da arte e da identidade, que deságua no desejo pelo bem viver e reforça a relevância da arte na construção de novas percepções de memória, cuidado, dignidade e afeto para a população negra. Algo que jamais poderá ser realizado sem as mulheres negras”, destaca Wellington Silva, curador da mostra.

“Enfrentar a violência racial exige ir além de suas expressões mais evidentes. É preciso desafiá-la também nos campos simbólico, imagético e discursivo”, afirma Lays Araujo, Mobilizadora Estratégica do Blogueiras Negras.

Com curadoria de Wellington Silva, especialista em economia criativa e pesquisador de memória negra, e cocuradoria dos historiadores Isabelle Ferreira (UFPE/UFF), Samuel Santana (UFPE) e do diretor de arte Sandir Costa (UFRPE), a mostra apresenta 13 obras visuais de artistas como Maiana Oliveira (Bahia), Mavinus (Pernambuco), Priscila Ferraz (Pernambuco), Yane Mendes (Pernambuco) e a Coletiva Presentes Futuras (Brasil). Além das obras contemporâneas, a exposição inclui peças do Acervo de Cultura Material Africana do Museu da Abolição, instalações e outros conteúdos que ampliam o olhar do público sobre as temáticas apresentadas.

A exposição, que ficará em cartaz até 13 de maio, terá uma série de atividades paralelas ao longo do período.

Serviço
O quê: Exposição “Reflexos da Dignidade, Mulheres Negras e Bem Viver”
Quando: Abertura em 13 de março de 2025, às 19h
Onde: Museu da Abolição – Rua Benfica, 1150, Madalena, Recife/PE
Entrada: Gratuita

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