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Da plantação à mesa: um olhar sobre a cadeia produtiva a partir da experiência no campo

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Foto: Divulgação

por Nara Rodrigues

Em junho deste ano, tive a honra de participar do projeto Feira Preta Cria Gastronomia, realizado em Cachoeira, na Bahia, a convite do Instituto Feira Preta e do Instituto Assaí. Estive ali como especialista, mas sobretudo como agricultora familiar que vive na pele os desafios e as possibilidades de transformar a terra em alimento e o alimento em sustento digno. Compartilhei erros, acertos e estratégias que tenho utilizado para transformar minha produção agrícola em produtos valorizados, nutritivos e desejados — caminhos que me levaram à tão sonhada autonomia financeira por meio do trabalho no campo.

Esse percurso, no entanto, não foi linear. Como muitos pequenos produtores, comecei com mais vontade do que estrutura. Cresci entre os pés de cacau, e quando pude, investi todo meu capital na compra da terra. Tinha certeza de que seria um bom negócio. Mas a falta de planejamento e a ausência de visitas a outros produtores para entender os desafios da cadeia produtiva foram erros importantes que comprometeram o início da jornada.

Por outro lado, acertei ao manter o hábito de registrar tudo: gastos, ganhos e o lucro real das vendas. Isso me deu clareza para perceber que a venda de amêndoas de cacau e frutas frescas, sozinha, não sustentaria o sonho — sequer cobria os custos de manter um funcionário fixo. Era preciso reorganizar a produção e o modelo de negócio.

Comecei então a buscar formações gratuitas e a adaptar o ritmo da roça à minha própria força de trabalho. Passei a contratar mão de obra apenas nas épocas de colheita, pagando por diárias. O valor era mais alto, mas o custo total, menor e pontual. Ainda assim, outro desafio persistia: a perda de alimentos frescos — frutas, ervas, sementes — que estragavam no campo por falta de compradores e pela desvalorização dos ingredientes regionais.

Foi aí que encontrei um novo rumo. Resgatei meus conhecimentos prévios em produção de geleias, desidratação de frutas e fabricação de chocolates. Comecei com pequenos equipamentos que já possuía, e mais tarde, passei a alugar maquinário para aumentar a produtividade sem elevar o custo fixo com pessoal. Aos poucos, fui transformando os excedentes em produtos prontos para consumo e levando essa nova linha de produção para as feiras locais.

Desse esforço nasceu a Mimos da Mata, meu microempreendimento individual. Hoje, produzimos e comercializamos chocolates artesanais, doces, plantas medicinais, manteigas e óleos vegetais — todos elaborados com matéria-prima cultivada em minha terra, respeitando os ciclos naturais e os saberes da agricultura familiar.

Com o tempo, a rede de apoio também cresceu. Hoje, contamos com três colaboradoras eventuais, uma colaboradora fixa na produção dos Mimos e um colaborador responsável pelo trabalho na terra. Também contamos com o apoio do coletivo Mulheres Pretas do Chocolate, além de amigos e amigas que se somam a nós nessa caminhada. Cada pessoa que escolhe comprar nossos produtos ajuda a financiar esse projeto que é, ao mesmo tempo, pessoal, coletivo e ancestral.

O caminho da roça até a mesa passa por muitas mãos, decisões e aprendizados. Aprendi que agregar valor à produção local é mais do que uma estratégia econômica: é um ato de resistência, um resgate cultural e um compromisso com a sustentabilidade. Quando respeitamos os tempos da terra, dos frutos e da nossa própria força, conseguimos criar alimentos que nutrem de verdade — o corpo, a memória e os territórios.

Síntese: aprendizados e dicas práticas para quem quer empreender no campo

A experiência me ensinou que alguns elementos são fundamentais para transformar a produção agrícola em um negócio sustentável e próspero. Abaixo, compartilho algumas dicas que podem ajudar outras pessoas nesse caminho:

1. Identificação e gestão dos recursos disponíveis

Antes de investir, olhe ao redor: o que sua terra oferece? Que equipamentos você já tem? Que saberes você domina? Começar com o que está disponível reduz riscos e acelera resultados.

2. Criatividade é essencial

Transformar frutas que iriam se perder em doces e geleias, usar ervas para chás ou cosméticos, vender kits ou presentes temáticos… tudo isso é forma de dar valor à produção. Criar, experimentar e inovar é parte do processo.

3. Planejamento de negócios

Registrar todos os custos, lucros e formas de venda permite entender onde o negócio realmente dá retorno. Um plano simples, com metas e estratégias, já faz grande diferença.

4. Avaliação constante dos resultados

Mensalmente, compare o que foi previsto com o que foi alcançado. Essa prática ajuda a tomar decisões melhores, corrigir rotas e enxergar oportunidades.

5. Corte de gastos com inteligência

Nem sempre contratar mais gente é a solução. Às vezes, terceirizar tarefas pontuais ou alugar equipamentos pode reduzir custos e aumentar a produtividade.

6. Propaganda boca a boca funciona — e muito!

Clientes satisfeitos são os melhores divulgadores. Incentive feedbacks, conte sua história, esteja presente nas feiras, nas redes sociais e onde seu público está. Quem conhece sua trajetória passa a valorizar muito mais seus produtos.

Seja no campo ou na cidade, produzir com consciência e propósito é uma forma poderosa de transformar vidas. A terra ensina, e quem escuta com o coração aprende a cultivar não só alimentos, mas também autonomia, dignidade e futuro.

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Texto: Nara Rodrigues[@mimosdamata]. Filha de agricultores, produtora de cacau, chocolateira criadora do chocolate Roxo e empreendedora do ramo da gastronomia em Ilhéus (BA). Farmacêutica especializada em planta medicinal, mulher preta, mãe,  Livre,  apaixonada por natureza. É fundadora da Mimos da Mata, negócio que produz  chocolate sem leite ou aditivos e com alta concentração de cacau, geleias artesanais ricas em fibras, frutas e plantas medicinais desidratadas, óleos e manteigas prensadas a frio, cosméticos e produtos de limpeza naturais e biodegradáveis que vem ganhando cada vez mais espaço no mercado e fortalecendo a sua comunidade. Na Mimos da Mata, Nara é protagonista em todos os processos do negócio, do manejo dos pés de cacau à embalagem dos produtos, passando pela gestão.  

Esse conteúdo é fruto de uma parceria entre Mundo Negro e Feira Preta.

Elisama Santos anuncia novo projeto que estreia em setembro, marcando nova fase da carreira como comunicadora

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Foto: Carolina Pires

Elisama Santos, escritora e psicanalista especializada em saúde mental, que se tornou referência em aprendizado sobre escuta, afeto e transformação, agora dá um novo passo em sua trajetória se consolidando também na carreira de comunicadora.

A grande novidade da vez é o projeto ‘Aquela História’, que estreia em menos de um mês. Serão episódios mensais, veiculados no canal dela no YouTube e no Spotify. Elisama já gravou dois episódios e se prepara para gravar mais um na próxima semana.

Ainda sem muitos detalhes revelados, a ideia nasce da paixão da escritora por conversas e narrativas: “Amo uma boa conversa e confio no potencial que todos temos de contar boas histórias. Por ser uma escritora, as pessoas muitas vezes me falam que as histórias delas dariam um livro. Resolvi juntar a paixão pela conversa e pelas histórias em um único projeto”.

Autora de oito livros, ela começou sua caminhada na literatura com “Tudo eu – confissões de uma mãe sincera” (2016), lançou os best-sellers “Educação não violenta” (2019), “Por que Gritamos” (2020) e “Conversas Corajosas” (2021), e hoje é uma das escritoras negras que mais vende no Brasil, chegando à marca de 200 mil exemplares vendidos.

Elisama também já esteve à frente de programas no GNT, apresentou o videocast Tá com tempo e participou dos podcasts Vai passar e Café com Cuscuz. Em seu canal no YouTube, compartilha reflexões em quadros como Chá de Coragem e Cozinha e Fala.

A leitura como liberdade

Antes de se tornar referência em comunicação não violenta, Elisama chegou a exercer a advocacia por cinco anos, após se formar em Direito pela Universidade Católica de Salvador. A maternidade, no entanto, transformou sua vida e carreira. Com o nascimento do filho Miguel, hoje com 13 anos, mergulhou nos estudos sobre educação e comunicação, até encontrar na psicanálise seu verdadeiro caminho. Hoje, também é mãe de Helena, de 11 anos.

Filha de pais evangélicos, Elisama conta que encontrou nos livros o espaço de liberdade que não tinha em casa, já que seu pai não permitia que ela e a irmã assistissem à TV. “A leitura era meu único lugar de liberdade além do meu pensamento. Meus pais não tinham tempo de ler os meus livros, não chegavam na minha velocidade de leitura, então os livros eram onde eu podia tudo. Hoje, a escrita continua sendo meu lugar de liberdade, onde ‘corro solta’. Creio que, por isso, os meus textos sejam tão viscerais”, afirma.

Esse mergulho no universo das palavras resultou em uma produção literária diversa, que inclui títulos como Mesmo Rio (2022), Vamos Conversar (2023), o infantil O Primeiro Mergulho (2024) e o recém-lançado Ensaios de Despedida (2025).

Inspirada pela comunicadora norte-americana Oprah Winfrey, Elisama sonha em popularizar conversas sobre saúde mental, relacionamentos e afetos. “Eu sempre brinco que a meta é a Oprah (risos). Sonho em continuar escrevendo e em ampliar meu alcance para popularizar temas que não chegam a todos os lugares. Quero que os relacionamentos, a saúde mental, o amor e tantos outros temas fluam em conversas de bar, com naturalidade. Brinco que a meta é a Oprah, porque ela conseguiu isso. Ela fez com que homens negros conversassem sobre os seus sentimentos e de suas esposas, que mulheres questionassem seu papel no mundo, que crianças negras sonhassem com futuros nunca antes imaginados por elas. Isso é lindo e extremamente potente. É nesse lugar que quero chegar”, finaliza.

Urias anuncia “Deus”, primeiro single do álbum CARRANCA, em parceria com Criolo

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O Mundo Negro recebeu com exclusividade o primeiro single do novo álbum de Urias, intitulado CARRANCA, que chega às plataformas no dia 26 de agosto. A faixa “DEUS”, feita em parceria com o rapper Criolo, marca o início de um projeto profundo e engajado, que combina crítica histórica, ancestralidade e inovação musical.

Com produção de Nave Beatz e Rodrigo Gorky, a música une o universo do hip-hop com uma pesquisa sonora intensa, partindo de um sample de canto folclórico negro brasileiro arranjado por José Prates e eternizado na voz de Inezita Barroso em 1954. A faixa reflete sobre o apagamento religioso dos povos africanos durante a colonização:

“O verso ‘Levaram Deus’ é justamente sobre isso… estou falando desse Deus que foi tirado dos povos da África e apagado da memória, quando fomos trazidos para o Brasil. Por isso eu falo ‘eu não amo nunca mais’ — é uma expressão de raiva diante da colonização e uma busca por liberdade”, explica Urias.

A parceria com Criolo reforça a força do single, e o rapper comenta:

“Para mim, é uma alegria ser convidado para colaborar com uma artista tão especial e interessante, então fica o meu sentimento de gratidão pelo convite. Espero que todos possam escutar essa faixa, que foi feita com muito carinho.”

O lançamento de “DEUS” marca não apenas o início do novo álbum, mas também a continuidade da trajetória de Urias de unir música, pesquisa e resistência cultural em cada projeto.

Letra completa de “DEUS”, recebida com exclusividade pelo Mundo Negro:

Autores: Urias, Criolo, Nave, Gorky, Giovani Cidreira

Eu cheguei, não vi ninguém na entrada
Mentiram pra mim:
Eram sete instrumentos, sete dias, sete pragas
Não me esqueci do tom de azul da noite
Bicho terreno, eu procurei o sol
Ainda ouço o estalo do quebrar das asas
Me lembro bem…
Que me roubaram demais

Levaram Deus
E é por isso que eu não amo nunca mais
Levaram Deus
E é por isso que eu não amo nunca mais

Sete vidas tem a gata
Cê não vai ver uma
Minha bunda bate no teu olho (eu escolho)
Tem inveja nessa casa, eu faço uma quizumba
Esse brilho cega o seu olho (eu que escolho)

Vaidades vêm (vêm)
Os placo vão (vão)
Você é quem? (quem?)
Na multidão

Rezar pra Deus (Deus)
Seu Deus é quem? (quem?)
Você matou — e disse amém

Levaram Deus
E é por isso que eu não amo nunca mais
Levaram Deus
E é por isso que eu não amo nunca mais

Os meus joelhos dobrados cantam
Homem nenhum quis ouvir
Por isso eu me orgulho
Eu rio, eu vento, eu faço…
Deixar de existir (oooh)

Levaram Deus
E é por isso que eu não amo nunca mais
Levaram Deus
E é por isso que eu não amo nunca mais
Levaram Deus
E é por isso que eu não amo nunca mais

Créditos da capa

Direção de Arte e Styling: @bornalongaroad
Fotografia: @fernando__mendes
Set Design: @anaarietti
Maquiagem: @giumaquiadora
Cabelo de Urias: @rafaellaschlin
Nail Artist: @cyshimi
Produção: @beltrame_mgmt e @mataderosprojects
Lightning Design: @egianezzi e @paulocardone
Assistente de Styling: @malucatelli
Assistentes de Set Design: @majmajuu e @navajo.lucas
Assistente de Maquiagem: Luana Nascimento
Assistente de Produção: @mariatellian
Camareira: Michele Gouveia
Management de Urias: @mataderosprojects
Produção Executiva de Urias: @erikafiocchi

Filmes e séries para celebrar o Dia do Folclore Brasileiro

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Wesley Guimarães como Saci em Cidade Invisível (Foto: Divulgação/Netflix)

Celebrado em 22 de agosto, o Dia do Folclore Brasileiro é um convite para revisitar figuras que atravessam gerações e fazem parte da identidade cultural do nosso país. O Mundo Negro selecionou produções audiovisuais que fazem esse resgate, disponíveis nas plataformas de streamings.

Entre os destaques está “Cidade Invisível”, série da Netflix criada por Carlos Saldanha que transporta grandes figuras como Saci (Wesley Guimarães), Iara (Jessica Córes), Boiuna (Zahy Tentehar), Cuca (Alessandra Negrini), entre outros. A produção entra um cenário contemporâneo, misturando fantasia, mistério policial e reflexões sobre meio ambiente e violência urbana.

Jessica Córes como Iara em Cidade Invisível (Foto: Alisson Louback/Netflix © 2021)

Voltada para o público infantil, a animação pernambucana “Além da Lenda”, disponível na Telecine, conta como outros seres místicos internacionais pretendem roubar um livro sagrados que reúne todas as lendas do Brasil.

Além da Vida (Crédito: Divulgação)

Já o curta-metragem “Sacis”, dirigido por Bruno Bennec, apresenta uma releitura moderna da clássica figura do menino de uma perna, travesso e cheio de mistérios. O filme segue Rodolfo, um garoto de 12 anos que, ao tentar capturar um Saci, acaba liberando perigos maiores e precisa da ajuda do próprio Saci para resgatar sua irmã, vítima do feitiço da Cuca.

Outra animação imperdível é “Iara” que fez parte da premiada série para crianças “Juro que Vi”. A obra resgata a história da sereia amazônica, trazendo reflexões sobre preservação da natureza e respeito às culturas tradicionais. As animações foram feitas pela MultiRio em conjunto com os alunos da rede municipal do Rio de Janeiro.

Nina Silva defende eficiência da liderança feminina no mercado: “São as que mais sabem administrar orçamento”

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Foto: Divulgação

Não é emoção, é método. Para Nina Silva, cofundadora do Movimento Black Money e CEO da fintech D’Black Bank, a liderança feminina que o mercado insiste em chamar de emocional é, na prática, calibração de risco orientada a retorno. “Não é uma liderança emocionada, é uma liderança que consegue equilibrar o emocional e o racional”, afirma, ao defender que mulheres operam eficiência na escassez e multiplicam recursos com disciplina. As declarações foram feitas no Fin4She Summit 2025.

Nina parte da vida real das finanças domésticas para a lógica empresarial: “Mulheres são as que mais sabem administrar orçamento, principalmente na escassez… E o render mais é você conseguir multiplicar recursos.” Essa racionalidade tem impacto macro. Hoje, mulheres já respondem por praticamente metade das chefias de domicílio no Brasil, o que indica responsabilidade direta sobre orçamento e decisões financeiras do lar, um treino cotidiano de governança que o mercado costuma subestimar.

O debate sobre risco também muda de patamar. “Somos nós que tomamos risco, sim… Tomamos riscos controlados. Tomamos riscos mais estratégicos.” O ponto central não é evitar risco, é escolher assimetrias com tese, horizonte e execução, mirando ROI de forma consistente. O movimento dos dados ajuda a explicar por que essa visão ganha tração: a participação feminina no mercado de capitais cresce de forma contínua, com mais de 1 milhão de mulheres no Tesouro Direto e avanço das investidoras em renda variável, ainda que elas representem cerca de um quarto dos CPFs na Bolsa.

A lente racial adiciona densidade ao argumento. Mulheres negras somam cerca de 28% da população brasileira, o maior grupo demográfico do país, o que torna a capacidade de “fazer render” um ativo econômico e de gestão com efeitos multiplicadores sobre renda e mobilidade.

No empreendedorismo, a fotografia recente aponta mais presença e maturidade. As métricas da B3 e de entidades do mercado mostram crescimento do público feminino investidor, e estudos setoriais indicam que a atividade empreendedora se mantém alta, com recomposição de qualidade e ampliação do acesso a informação e produtos financeiros. Em linguagem de portfólio, é a transição de impulso para processo.

Quem é a executiva por trás do diagnóstico não é detalhe. Nina Silva é cofundadora e CEO do Movimento Black Money, além de liderar a D’Black Bank, com atuação reconhecida em inovação e inclusão financeira. Sua trajetória, com presença em fóruns globais, traduz o que ela prega no palco: método, dados e execução a serviço de eficiência de capital e criação de valor.

O recado ao mercado é direto. Se risco não é roleta, mas engenharia de retorno, ampliar a presença de mulheres nas mesas de decisão não é só equidade, é estratégia. Lideranças que equilibram racional e emocional calibram melhor o risco, protegem caixa, priorizam o que importa e entregam ROI com consistência. É assim que estereótipos cedem lugar à performance.

“Não é exagero dizer que a gastronomia feita por pessoas negras carrega ancestralidade e técnica, criando um diferencial único.” Silvia Nascimento, fundadora do Guia Black Chefs

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Foto: Silvia Nascimento

A gastronomia urbana vai muito além de pratos saborosos: ela carrega identidade cultural, diversidade e criatividade. Nascida do ritmo das cidades, mistura sabores de rua, tendências contemporâneas e a riqueza da culinária afro-brasileira, transformando cada prato em uma experiência única.

Para falar sobre esse cenário e o protagonismo negro na gastronomia, a Academia Assaí conversou com Silvia Nascimento, editora-chefe do Guia Black Chefs, que promove a visibilidade de estabelecimentos gastronômicos liderados por pessoas pretas no Brasil.

Silvia destaca o compromisso histórico dos chefs negros em preservar a tradição e a técnica dos pratos ancestrais:

“Eu acredito que as pessoas negras são as que têm mais compromisso, realmente, em ser fiel às receitas, à maneira que é feita, à maneira que é servida. Mais do que as outras pessoas que, às vezes, vêm a questão de mais um ponto de vista folclórico do que de um ponto de vista de manter a proporção, a técnica do se fazer pratos ancestrais.”

Ao mesmo tempo, a editora reforça que tradição e inovação podem caminhar juntas. Um exemplo citado é a adaptação da coxinha de acarajé, que mantém o sabor e a essência do prato original, mas em uma roupagem que agrada novos paladares:

“Foi uma maneira de inovar, de você manter a tradição de um ingrediente tão importante numa outra roupagem que, às vezes, vai atender outros tipos de paladar.”

Silvia também enfatiza a importância da profissionalização e da educação para que os afroempreendedores consigam assumir o protagonismo no setor, não apenas na cozinha, mas também na gestão de seus negócios:

“A ideia seria oferecer acesso real a conhecimento — não só em técnicas culinárias, mas em precificação, marketing, logística e liderança — junto com linhas de crédito acessíveis e desburocratizadas, adaptadas à realidade de empreendedores que muitas vezes começam de forma informal.”

O futuro da gastronomia urbana passa pela resistência dos pratos afro-brasileiros, pela valorização da ancestralidade e pelo reconhecimento de pessoas negras como líderes e inovadores no setor.

Para ler a entrevista completa com Silvia Nascimento e conhecer mais sobre o protagonismo negro na gastronomia urbana, acesse: Gastronomia urbana: protagonismo negro, inclusão e inovação – Academia Assaí

‘Fluxo’: a nova newsletter do Mundo Negro com o essencial da semana em cultura, estilo e gastronomia

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Foto: reprodução

O Fluxo é a nova newsletter semanal do Mundo Negro no Substack. Criamos esse formato para transformar nossa expertise editorial em uma curadoria direta, precisa e sem ruído. A cada semana, você recebe no seu e-mail uma seleção do que realmente merece atenção agora, de filmes e livros a moda, gastronomia e experiências culturais.

A proposta é simples: condensar o essencial da semana em três blocos. Um Top 5 com links para nossas matérias, um Destaque da Semana que aprofunda um tema em poucas linhas e um bloco de Serviço que informa onde assistir, quando visitar e como acessar. A ideia é oferecer qualidade de apuração em vez de excesso de informação.

O Fluxo nasce do mesmo compromisso que já guia o Mundo Negro em todos os nossos projetos editoriais, como a Powerlist Mulheres Negras Mudam Histórias e o Guia Black Chefs. Agora, essa experiência também se concentra em um formato prático, pensado para caber na rotina e enriquecer o repertório cultural do leitor.

“Com o Fluxo, entregamos ao leitor a experiência que ele já reconhece no site, agora em um formato direto, sem excesso e com serviço. Curadoria séria, feita para quem acompanha cultura com atenção, da mesma forma que acompanha notícias de negócios”, afirma Silvia Nascimento, head de conteúdo do Mundo Negro.

A assinatura é gratuita. Basta acessar nosso Substack, clique aqui, confirmar o e-mail e começar a receber a curadoria semanal. Se fizer sentido para você, compartilhe também com quem valoriza boas referências.

Pequena África é foco do Mapa Empreendedor que valoriza diversidade e inovação

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Empreendimento Barão de Copa (Foto: Reprodução/Instagram/@baraodecopa

O Grupo L’Oréal no Brasil lançou um catálogo inédito que reúne mais de 180 empreendedores da região da Pequena África, no Rio de Janeiro. O território, símbolo da herança afro-brasileira e um dos principais polos culturais e econômicos da cidade, agora ganha uma ferramenta para ampliar a visibilidade e as oportunidades de seus negócios.

O Mapa Empreendedor Pequena África foi desenvolvido pelo CIEDS (Centro Integrado de Estudos e Programas de Desenvolvimento Sustentável) e busca conectar empreendedores locais com potenciais clientes, fornecedores e investidores. Em parceria com o SEBRAE, a iniciativa também prevê capacitação e consultorias personalizadas para fortalecer os negócios da região.

O levantamento mostra que mais de 70% dos empreendimentos são liderados por mulheres e que 69% de seus fundadores se autodeclaram pretos ou pardos. Além disso, 70% das empresas oferecem produtos ou serviços voltados diretamente para a população negra ou para a promoção da equidade racial. Entre os segmentos mapeados estão gastronomia, artesanato, saúde e produção de eventos.

Para Flavia Bitencourt, gerente de Compras do Grupo L’Oréal no Brasil, a proposta é fortalecer o ecossistema de negócios da região e ampliar as oportunidades de contratação e parcerias.

“O catálogo é mais do que uma lista de negócios. É uma vitrine de histórias, talentos e iniciativas que merecem ser vistas e valorizadas. Queremos que essa rede cresça e se fortaleça, gerando impacto real para a comunidade”, afirma Helen Pedroso, diretora de Responsabilidade Corporativa e Direitos Humanos do Grupo.

De acordo com Vandré Brilhante, presidente do CIEDS, o grande legado do projeto é valorizar quem vive e empreende na Pequena África: “Nosso objetivo é garantir que a identidade e a memória da Pequena África sejam preservadas e fortalecidas, transformando-as em ativos que gerem renda e promovam a inclusão de seus moradores nos processos de desenvolvimento.”

Conexão e capacitação

O lançamento oficial do catálogo aconteceu na quarta-feira (20), na sede da L’Oréal, também localizada na Região Portuária do Rio de Janeiro. O encontro reuniu grandes empresas e os empreendedores mapeados para fomentar parcerias e impulsionar o desenvolvimento socioeconômico local.

O SEBRAE também deu início a uma nova etapa do projeto, oferecendo consultorias e trilhas formativas específicas a partir do diagnóstico realizado no Mapa Empreendedor Pequena África.

“Desenvolver o potencial econômico sustentável da Pequena África por meio de iniciativas para a valorização do empreendedorismo local é fundamental para a construção de um Brasil mais justo e produtivo”, destaca Sergio Malta, diretor de Desenvolvimento do Sebrae Rio.

Veja o Mapa aqui!

CEO da Target pede demissão após retirar programas de diversidade e sofrer boicote da comunidade negra

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Fotos: Fornecido por Jamal Harrison Bryant/Group La e The Walt Disney Company via Getty Images

Após 11 anos no comando da varejista Target, o CEO Brian Cornell pediu demissão e deixará o cargo em 1º de fevereiro de 2026. A decisão acontece em um momento de grande queda nas vendas e fortes reações à decisão da empresa de encerrar parte dos programas de diversidade, equidade e inclusão (DEI).

Embora Cornell tenha revitalizado a companhia desde 2014, modernizando lojas e fortalecendo o e-commerce para competir com a Amazon, os últimos três anos foram marcados por dificuldades. Mas 2025, em especial, trouxe uma forte turbulência para os negócios.

O principal ponto de desgaste foi a decisão da empresa de reduzir seus programas de diversidade e inclusão, medida que surpreendeu e revoltou clientes, ativistas e até mesmo membros da família fundadora. Anne e Lucy Dayton, filhas de um dos cofundadores, classificaram a medida como “uma traição”. A própria empresa reconheceu que a decisão foi prejudicial às vendas.

“As pessoas reavaliaram a situação e começaram a dirigir quilômetros extras para ir a outros lugares. Sentimos que era uma traição gritante”, disse Jamal Bryant, reverendo que liderou um boicote contra a Target, à CNN.

O movimento começou como um “jejum de 40 dias”, batizado de #TargetFast. Em 2020, em meio aos protestos após a morte de George Floyd, a empresa havia prometido investir 2 bilhões de dólares em empreendedores negros. Para Bryant, o recuo da Target foi um desrespeito com uma comunidade que movimenta aproximadamente 12 milhões de dólares por dia nas lojas da rede. “Quando percebemos que nosso gasto diário tem esse peso, entendemos também o poder de escolha que temos”, disse na época ao The Guardian.

Embora outras corporações também tenham recuado em políticas de DEI, a Target foi especialmente cobrada por ter construído sua imagem em torno da valorização da diversidade. A reversão, somada a um cenário de tarifas elevadas e queda no consumo, ampliou a pressão sobre a marca.

Cornell será substituído por Michael Fiddelke, atual diretor de operações, que iniciou sua trajetória na Target como estagiário há duas décadas. A escolha, segundo a empresa, veio após avaliação de candidatos internos e externos.

União Africana apoia campanha por mapa-múndi que represente o tamanho real da África

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Crédito: The New York Times

A União Africana (UA) declarou apoio a uma campanha que pede o fim do uso do mapa-múndi de Mercator, do século XVI, ainda adotado por governos e instituições internacionais. O movimento defende a substituição pelo mapa Equal Earth, que mostra com mais precisão as dimensões da África.

A projeção criada por Gerardus Mercator foi pensada para a navegação, mas distorce o tamanho dos continentes. Regiões próximas aos polos, como a Groenlândia e a América do Norte, aparecem maiores, enquanto África e América do Sul são representadas de forma reduzida.

“Pode parecer apenas um mapa, mas, na realidade, não é”, disse a vice-presidente da Comissão da UA, Selma Malika Haddadi, à Reuters. Para ela, a projeção de Mercator reforçou a visão equivocada de que a África seria “marginal”. Com 30,37 milhões de km² (11,73 milhões de milhas quadradas), o continente é o segundo maior do mundo em território e abriga mais de um bilhão de pessoas. “Tais estereótipos influenciam a mídia, a educação e as políticas”, completou.

Crédito: The New York Times

A crítica ao Mercator não é nova, mas ganhou novo fôlego com a campanha “Correct The Map” (Corrija o Mapa, traduzido em português), liderada pelas organizações Africa No Filter e Speak Up Africa. A iniciativa incentiva escolas, empresas e organismos internacionais a adotarem a Equal Earth, lançada em 2018 para refletir de forma mais justa o tamanho dos países.

“O tamanho atual do mapa da África está errado. É a mais longa campanha de desinformação e desinformação do mundo, e ela simplesmente precisa acabar”, afirmou Moky Makura, diretor executivo da Africa No Filter. Já Fara Ndiaye, cofundadora do Speak Up Africa, ressaltou o impacto simbólico da distorção: “Estamos trabalhando ativamente para promover um currículo em que a projeção da Equal Earth seja o padrão principal em todas as salas de aula (africanas)”.

Para Haddadi, o apoio da União Africana à campanha está alinhado à luta por reparações históricas para “reivindicar o lugar legítimo da África no cenário global”, disse, acrescentando que a UA discutirá ações conjuntas com seus 55 Estados-membros.

A projeção de Mercator segue sendo usada em larga escala, especialmente em escolas e empresas de tecnologias. No caso do Google Maps, a versão para desktop passou, em 2018, a exibir o globo em 3D, mas ainda permite que usuários voltem ao modelo antigo de Mercator se desejarem.

O Banco Mundial informou que já utiliza a Equal Earth ou a Winkel-Tripel em mapas estáticos e que está eliminando gradualmente o Mercator em ambientes digitais. A campanha também enviou uma solicitação ao órgão geoespacial da ONU (UN-GGIM), que deverá ser avaliada por especialistas.

O movimento recebeu apoio além da União Africana. Dorbrene O’Marde, vice-presidente da Comissão de Reparações da Comunidade do Caribe (CARICOM), endossou a Equal Earth como símbolo de resistência e rejeição à “ideologia de poder e dominação” do mapa de Mercator.

Fonte: CNN

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