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8 séries que exploram a adolescência com protagonismo negro

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Foto: HBO

Para além de abordagem sobre a misoginia, a recém lançada minissérie “Adolescência”, da Netflix, trouxe um olhar sensível e diverso sobre essa etapa da vida, incluindo a perspectiva das vivências de jovens negros. Inspirado por essa produção que tem levado os telespectadores a refletir sobre diferentes temas que giram em torno dos adolescentes, o Mundo Negro selecionou algumas séries que colocam adolescentes negros no centro da narrativa, abordando questões como identidade, pertencimento, família, saúde mental, desigualdade, entre outros temas.

Veja a lista completa abaixo: 

Bel-Air 

O reboot de ‘Um Maluco no Pedaço’ é uma versão dramática com pouco tom de humor. O personagem principal ainda é Will (Jabari Banks), que vê sua vida mudar completamente, após se envolver numa briga com um criminoso de seu bairro. O adolescente é obrigado a abandonar sua vida na Filadélfia para fugir dos problemas e passa a viver com os tios e primos em uma mansão em Bel Air. A série tem três temporadas, todas disponíveis no Disney+.

Da Ponte pra Lá 

Malu (Gabz), uma jovem preta e periférica, se infiltra na escola mais exclusiva da alta sociedade paulistana em busca de uma resposta: Quem matou o seu melhor amigo Ícaro (Victor Liam), um jovem trans e negro? Ela não acredita em caso de suicídio, como insistem as autoridades. Agora, os novos colegas de Malu, que é rapper e filha do maior traficante da cidade, membros das famílias mais poderosas do Brasil, se tornarão cúmplices, amigos, amantes e suspeitos. A produção tem uma temporada, disponível na Max.

Euphoria 

Estrelado por Zendaya, a série se destaca por sua abordagem realista sobre as dificuldades da adolescência. A trama gira em torno de Rue Bennett, uma jovem que luta contra o vício em drogas enquanto tenta encontrar seu lugar no mundo. Ao longo dos episódios, a série explora temas como saúde mental, identidade sexual, relacionamentos abusivos e a pressão das redes sociais. As duas temporadas estão disponíveis na Max.

Olhos que Condenam 

Dirigida por Ava DuVernay, a minissérie baseada em uma história real, retrata o caso dos Cinco do Central Park, um grupo de adolescentes negros e latinos que foram injustamente acusados e condenados pelo estupro de uma mulher branca em Nova York, no final da década de 80. Com uma abordagem intensa e emocional, denuncia o racismo estrutural e o impacto da injustiça na vida de jovens negras e latinas nos EUA. Disponível na Netflix.

Sangue e Água 

A trama da produção sul-africana segue Puleng Khumalo (Ama Qamata), uma adolescente de 16 anos que suspeita que sua irmã mais velha, sequestrada ao nascer, pode estar viva e estudando em um colégio de elite na Cidade do Cabo. Determinada a descobrir a verdade, ela se infiltra em uma escola e se aproxima de uma uma nadadora popular que pode ser sua irmã. Conforme investiga, Puleng se vê envolvida em segredos familiares, crimes e intrigas no mundo dos ricos e poderosos da África do Sul. A série tem quatro temporadas disponíveis, todas disponíveis na Netflix. 

This is Us 

A série acompanha a família Pearson ao longo de diferentes décadas. Um dos personagens centrais é o Randall (Sterling K. Brown), sendo o filho negro adotado por Jack e Rebecca. O drama explora a vivência dele e dos irmãos na adolescência, em paralelo com o vínculo dele e da esposa Rebecca com suas filhas, Tess, Annie, e Deja, que também passam por desafios enquanto jovens. A família se vê em conflitos que giram em torno de buscas por pertencimento, identidade, racismo, sexualidade, adoção, luto, saúde mental, entre outros temas. As seis temporadas estão disponíveis na Disney+ e no Prime Video. 

Toda Família Tem 

A série brasileira protagonizada por Pedro Ottoni, acompanha o Pê, um jovem que vê sua vida mudar quando retorna com a família para a casa da avó Geni no Rio de Janeiro, deixando para trás seu estilo de vida confortável. Enquanto se adapta às confusões da Família Silva, ele enfrenta seus próprios dilemas e inquietações em busca de autoconhecimento. A comédia explora temas como relacionamentos, redes sociais, educação, entre outros. Com uma temporada, a produção está disponível no Prime Video. 

Todo Mundo Odeia o Chris 

A comédia baseada na adolescência do comediante Chris Rock, acompanha Chris (Tyler James Williams), um garoto negro crescendo no Brooklyn dos anos 1980, lidando com os desafios da época em uma escola de crianças brancas, a família, o trabalho, amizade e relacionamentos. Com humor ácido, a narração sarcástica do Chris Rock aborda críticas sociais sobre racismo e desigualdade. As quatro temporadas estão disponíveis na Globoplay, Paramount+ e Prime Video. 

Quem era o príncipe de Osu, na África Ocidental, que Klimt imortalizou em tela perdida?

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Um retrato há muito considerado perdido do pintor austríaco Gustav Klimt (1862-1918) reapareceu após 85 anos e está sendo oferecido por € 15 milhões (cerca de R$ 80 milhões) na principal feira de arte de Maastricht, na Holanda, a TEFAF. A pintura, que mostra o príncipe William Nii Nortey Dowuona, da região de Osu, onde atualmente fica Gana, foi descoberta por acaso após um casal de colecionadores levá-la — suja e em uma moldura inadequada — à galeria vienense Wienerroither & Kohlbacher, especializada em Klimt.

O príncipe William Nii Nortey Dowuona era um nobre do povo Osu, no atual Gana (então Costa do Ouro, região que foi colônia britânica), e sobrinho do rei Osu, sendo enviado à Áustria em 1897 como líder de uma delegação. Sua vida após o retorno à África permanece um mistério, sem registros detalhados sobre seu destino.

A expedição que Dowuona integrou foi organizada pelo diretor do Zoológico de Viena, que realizou uma exposição que incluía não apenas animais, mas também pessoas de diferentes culturas — uma prática comum na época, mas reconhecidamente racista. Além de Klimt, o pintor Franz Matsch também o retratou — uma tela hoje exposta no Museu Nacional de História e Arte de Luxemburgo.

Retrato do príncipe William Nii Nortey Dowuona feito por Franz Matsch, exposto no Museu Nacional de História e Arte de Luxemburgo.

O retrato que sumiu por 85 anos

A pintura de Klimt, no entanto, desapareceu após ser exibida pela última vez em 1938. Por décadas, historiadores da arte acreditaram que ela poderia ter sido destruída ou permanecido em uma coleção privada desconhecida. Até que, recentemente, um casal de colecionadores levou uma tela suja e em mau estado para a galeria Wienerroither & Kohlbacher, em Viena, especializada na obra do artista.

“Ela estava tão descaracterizada que não parecia ser um Klimt”, disse Alois Wienerroither, diretor da galeria, à DW. Mas após uma minuciosa limpeza, revelou-se não apenas uma obra autêntica do mestre austríaco, mas também um elo perdido em sua transição artística — ainda com traços realistas, mas já com o fundo floral que marcaria seu estilo posterior.

Por que essa pintura é tão especial?

Além de seu valor histórico, o retrato do príncipe Dowuona é uma raridade na obra de Klimt, conhecido sobretudo por seus retratos femininos e dourados, como “O Beijo” e “A Dama de Dourado”. A tela recém-redescoberta mostra um momento de intercâmbio cultural pouco documentado, em que um nobre africano foi imortalizado por um dos maiores nomes da arte europeia.

“É uma peça-chave para entender a evolução de Klimt”, afirma Wienerroither. “E também uma janela para uma história que muitos não conhecem.”

Por que eles têm medo de crianças pretas felizes?

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Foto: Arquivo pessoal

Sou mãe de uma menina preta de 5 anos, e cada dia é um ato de resistência. Criar uma criança negra nesta sociedade não é tarefa para os fracos. Não somos passivos expectadores de uma história que nos foi imposta; somos seus protagonistas reescritos, linha por linha, respiro por respiro.

Sei que criar uma criança não é responsabilidade de apenas duas pessoas. Como nos ensina a sabedoria africana, “é preciso uma aldeia inteira para educar uma criança”. Nossa aldeia é construída com consciência, com escolhas políticas que desafiam a cada segundo a estrutura racista que tenta nos reduzir.

Escolhemos uma escola que não é apenas um espaço educacional, mas um território de acolhimento e transformação. Um lugar onde minha filha não precisa “se adequar”, mas onde ela simplesmente existe em sua potência plena. Onde educadores compreendem que sua presença não é uma concessão, mas um direito.

Educação positiva não é romantismo, é revolução. Recusamos veementemente qualquer método que traduza disciplina como violência. Nossos “não” são explicados, nossos limites são construídos com diálogo. Não esperamos milagres sentados em um engradado de cerveja. Construímos futuro com as próprias mãos, com intencionalidade.

E adivinhem? Esse posicionamento incomoda. E muito.

Incomoda porque quebramos o ciclo de violências institucionais. Incomoda porque nossa filha não será mais um número estatístico de evasão escolar, de violência racial, de sub-representação. Incomoda porque estamos criando uma geração que não vai pedir permissão para existir.

Este artigo não é apenas meu. É de todas as mães e pais que escolhem criar seus filhos negros como ato político de resistência. Que se reconhecem no direito de sonhar, de questionar, de existir em plenitude.

Para todas as mães e pais que estão nessa jornada: sintam-se compreendidos, fortalecidos. Nossa revolução não pede licença. Ela simplesmente acontece.

Crianças pretas em modo revolução

Quando uma criança negra tem acesso a educação de qualidade, alimentação adequada, prática esportiva, desenvolvimento de pensamento crítico e liderança, e cresce em um ambiente de educação positiva sem violência, isso não deveria ser excepcional. No entanto, em nossa sociedade estruturalmente racista, tal realidade é frequentemente vista com estranheza ou como uma ameaça à ordem estabelecida. O lugar socialmente designado para o negro na sociedade brasileira não é o da excelência, do protagonismo ou do sucesso, mas sim o da subalternidade. Quando nos recusamos a ocupar esse lugar, o sistema reage.

Educar crianças negras para o pensamento crítico e a autoconfiança transcende o ambiente familiar; é um posicionamento político que desafia estruturas seculares de subordinação. bell hooks, Lélia Gonzalez e Conceição Evaristo nos ensinam que essa educação representa uma ruptura direta com os ciclos de opressão.

Quando uma criança negra ocupa espaços tradicionalmente reservados à população branca — seja em escolas de qualidade, cursos de idiomas ou atividades esportivas — ela não está “tirando” lugar de ninguém. Simplesmente está exercendo um direito que sempre lhe foi negado.

Estudos indicam que a presença de alunos negros em escolas particulares no Brasil é significativamente baixa. O Censo Escolar de 2020 revelou que, em média, alunos negros correspondem a apenas 10% do corpo estudantil nas instituições privadas de ensino. Além disso, constatou-se que, quanto mais alta a mensalidade e melhor a colocação da escola no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), menor é o percentual de estudantes pretos e pardos matriculados. Em São Paulo, escolas de elite apresentam entre 0,3% e 6% de alunos negros, abaixo da média nacional de 12% em escolas privadas.

Quando educamos crianças negras para questionarem as estruturas sociais, reconhecerem a própria história para além das narrativas eurocêntricas e desenvolverem autoestima elevada, estamos criando indivíduos capazes de romper com ciclos de opressão. Essa ruptura provoca ressentimento em uma sociedade estruturada sobre a premissa da subordinação negra.

Por que dividir privilégios é tão difícil? Porque o privilégio branco se sustenta na invisibilidade de suas vantagens. Quando essa estrutura é questionada pela presença de crianças negras bem-educadas, articuladas e seguras, a reação social é de estranhamento e resistência.

O mito da meritocracia serve como escudo para defender desigualdades históricas. As famílias negras que criam seus filhos com consciência racial, autoestima elevada e ferramentas para enfrentar o racismo realizam um trabalho revolucionário. A presença de crianças negras ocupando espaços com naturalidade, liderando, expressando-se artisticamente e desenvolvendo pensamento crítico representa uma contestação viva às narrativas de inferioridade racial.

O caminho para a equidade racial passa pelo desconforto de quem sempre teve privilégios e agora precisa aprender a dividir. Cada criança negra que cresce com direitos plenos, sem traumas de rejeição, é uma semente de transformação.

Nosso desafio é não recuar. Garantir que crianças negras tenham infâncias livres, saudáveis e potentes é uma revolução silenciosa que ressignifica o futuro. E essa revolução não pede permissão.

Estudo liga discriminação racial e estresse crônico ao agravamento do câncer de mama em mulheres negras

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Foto: Freepik

Um estudo publicado na revista JAMA (Journal of the American Medical Association) em fevereiro associa a discriminação racial a impactos diretos na capacidade do organismo de combater o câncer e no crescimento de tumores. A pesquisa, realizada nos Estados Unidos, aponta que o estresse e o preconceito estão ligados ao aumento da inflamação e ao desenvolvimento de tumores mais agressivos, especialmente no câncer de mama.

Fatores como falta de apoio social e condições de vida desfavoráveis, incluindo morar em áreas de menor infraestrutura, também elevam os níveis de inflamação e enfraquecem o sistema imunológico. De acordo com os dados, mulheres negras são as mais impactadas, apresentando alterações genéticas e imunológicas que podem dificultar o tratamento do câncer.

O estudo acompanhou 121 mulheres ao longo de uma década, sendo 56 negras e 65 brancas. Os pesquisadores analisaram tecidos saudáveis e tumorais, além de exames de sangue. A coleta de dados foi realizada entre fevereiro de 2012 e setembro de 2023, com a análise final concluída em abril de 2024, em dois hospitais de Baltimore, Maryland.

Segundo o Daniel Musse, oncologista do Grupo D’Or, apesar do número limitado de participantes, ele destaca a relevância do estudo. “Cuidar da saúde mental e do bem-estar físico pode ajudar a reduzir riscos associados ao câncer”, diz. O médico ressalta que apenas 10% a 15% dos casos da doença são atribuídos a fatores genéticos, e que o aumento dos diagnósticos está relacionado a mudanças no estilo de vida e a fatores ambientais.

Para a Ana Amélia Viana, oncologista da Rede D’Or e integrante do Comitê de Diversidade da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), “o racismo estrutural determina barreiras de acesso à saúde e isso explica uma parte dos piores resultados de mortalidade nas mulheres negras [nos Estados Unidos]”, diz.

Viana destaca que estudos como esse são fundamentais para compreender os mecanismos por trás dessas desigualdades. “O resultado mostra novamente uma desvantagem da mulher negra”, afirma.

O levantamento também aponta que o apoio social pode fortalecer o sistema imunológico e contribuir para o enfrentamento da doença, enquanto a discriminação racial estimula a liberação de substâncias inflamatórias, como a IL-6 e a MMP12, que agravam o quadro clínico.

Para Musse, o estresse crônico é um fator preocupante, uma vez que a inflamação está diretamente associada ao desenvolvimento de tumores. “Um exemplo disso é a obesidade, que eleva o risco de câncer justamente por aumentar a inflamação”, explica.

Fonte: Folha de São Paulo

‘Mesmo que eu não seja indicado’: Will Smith faz alusão ao banimento do Oscar em música nova

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Foto: Reprodução

Em seu primeiro álbum solo em 20 anos, “Based on a True Story”, Will Smith faz referências ao banimento de 10 anos imposto pela Academia de Hollywood após o tapa em Chris Rock no Oscar 2022. Na faixa “You Lookin’ for Me?”, o astro canta: “Levei muito, estou de volta no topo / Vocês vão ter que se acostumar / Não paro, meu som ainda tá quente / Mesmo que eu não seja indicado.” – um verso que sugere sua exclusão temporária das premiações, mas não de sua relevância na cultura pop.

Apesar da proibição de comparecer a eventos da Academia até 2032, Smith segue elegível para indicações ao Oscar. O trecho, porém, reforça a ironia de sua situação: mesmo após o escândalo, ele estrelou o sucesso “Bad Boys: Ride or Die” (2024), que arrecadou mais de US$ 400 milhões, e mantém projetos no cinema.

O álbum evita confrontar diretamente a polêmica, mas a abre com a provocação “Will Smith está cancelado” na introdução “Int. Barbershop — Day”, onde vozes anônimas criticam o ato. Em outro momento, um verso resgata a frase dita por Will no palco no momento em que ele dá um tapa em Chris Rock“É melhor manter o nome da esposa dele fora da sua boca”.

A Academia não exigiu a devolução do Oscar de Melhor Ator conquistado pelo artista por seu papel em “King Richard” (2022), mas Smith renunciou voluntariamente à sua filiação. Desde então, o astro limitou-se a breves comentários sobre o episódio, como no documentário “Will Smith: The Slap, The Tears and The Redemption” (2023), onde admitiu ter “falhado”.

Com produção de DJ Jazzy Jeff e participações como a de B. Simone“Based on a True Story” marca o retorno de Smith à música após duas décadas.

Sete gerações: Mulheres negras podem levar até 184 anos para comprar casa própria, aponta estudo

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Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Um estudo inédito da ONG Habitat para a Humanidade Brasil revela que mulheres negras podem demorar até 184 anos — o equivalente a sete gerações — para conseguir comprar uma casa própria no país, mesmo em favelas. O dado integra a campanha “Sem moradia digna, não há futuro”, que denuncia como a falta de acesso à habitação adequada reforça desigualdades de gênero e raça, mantendo ciclos de pobreza e violência.

O levantamento “Sem moradia digna, não há justiça de gênero”, baseado em dados coletados ao longo de cinco anos, mostra que 62,6% dos lares em situação de déficit habitacional — que chega a 6,2 milhões de domicílios — são chefiados por mulheres. Outros 26,5 milhões enfrentam inadequações, como falta de infraestrutura ou insegurança fundiária, segundo a Fundação João Pinheiro.

Com salários menores e jornadas sobrecarregadas por trabalhos mal remunerados e cuidados não pagos, as mulheres destinam, em média, 30% da renda ao aluguel. Em um cenário considerado “favorável” pelo estudo — sem imprevistos, lazer ou gastos extras —, uma mulher negra com renda média de R$ 2.745,76 (RAIS 2023) teria apenas R$ 31,62 mensais para economizar. Nesse ritmo, levaria 184 anos para adquirir um imóvel de R$ 69.828,57 (valor médio em favelas).

Mesmo com o auxílio do Bolsa Família (R$ 750), o tempo cairia para 28 anos — ainda uma realidade distante para mães solo, que representam grande parte dessa população. “Sem moradia digna, as mulheres pagam um preço alto: saúde, tempo de vida e a chance de sonhar”, afirma Raquel Ludermir, gerente de Incidência Política da Habitat Brasil.

Racismo estrutural e falta de saneamento
O relatório destaca que a população negra é a mais afetada pela precariedade habitacional:

  • Pessoas negras sem banheiro em casa são 5 vezes mais numerosas que as brancas;
  • Nas regiões Norte e Nordeste, a falta de água, esgoto e coleta de lixo atinge principalmente mulheres negras, maioria nessas áreas;
  • Apenas metade dos brasileiros com três ou mais banheiros em casa são negros.

“O direito à moradia é historicamente negado à população negra, e as ocupações são fruto do racismo estrutural”, diz o texto.

Conexão com violência e saúde
A pesquisa também relaciona a falta de moradia digna a riscos como violência doméstica, problemas de saúde mental e física — especialmente em crianças — e dificuldade de acesso a serviços básicos. A ONG alerta que propostas de corte de benefícios sociais agravam a feminização da pobreza e defende políticas públicas intersetoriais. “Ter o básico precisa ser um direito desta geração — não da oitava. Não há futuro sem dignidade no presente”, conclui Ludermir.

Juliana Oliveira, ex-assistente do SBT, acusa Otávio Mesquita de estupro em vídeo de 2016

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Foto: Reprodução

⚠ Alerta de Gatilho: Este conteúdo aborda temas sensíveis, como violência sexual.

A ex-assistente de palco do programa The Noite, do SBT, Juliana Oliveira, ingressou com uma representação criminal ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP) acusando o apresentador Otávio Mesquita de estupro. O caso teria ocorrido durante uma gravação em 2016 e foi registrado em vídeo, que circula nas redes sociais.

Nas imagens, durante uma participação no programa de Danilo Gentili, Mesquita aparece vestido de Batman, segurando uma corda, e desce ao palco. Ele abraça Juliana, que tenta se soltar, e ambos caem em um sofá. O apresentador continua a agarrá-la enquanto ela demonstra desconforto e chega a dizer: “Ele não para”. O vídeo mostra quando Otávio Mesquita segura Juliana e faz movimentos que simulam uma relação sexual. O advogado de Juliana, Dr. Hédio Silva Jr., afirmou que a vítima inicialmente considerou o ocorrido como assédio, mas depois entendeu a gravidade. Silva Jr. afirmou que a jurisprudência atual reconhece como estupro atos libidinosos sem penetração, como os exibidos no vídeo. Nele, Mesquita toca os seios de Juliana e simula relações sexuais enquanto ela reage com tapas e chutes.

Em vídeo nas redes sociais, Mesquita disse estar “muito triste” com a acusação e afirmou que a cena foi uma “brincadeira combinada” com a produção. “Tudo foi ao ar há quase 10 anos. Como seria possível um estupro com minha ex-mulher e meu filho na plateia?”, questionou. O apresentador admitiu que, “vendo com o olhar atual”, não repetiria a cena, mas negou qualquer crime. “A distância entre o que aconteceu e um estupro é gigantesca.” Ele informou que acionou advogados para defender sua honra.

Silva Jr. destacou que o vídeo é prova suficiente para ação penal. “Ele é agressor, confesso”, disse, citando trechos em que Mesquita comenta ter tocado no corpo de Juliana. O advogado também levantou a questão racial: “Aquilo está na internet há anos. Se fosse uma mulher branca, teria havido repercussão”, afirmou o advogado em entrevista ao portal Terra. Ao Splash do Uol, o advogado reforçou: “Quase quatro minutos de agressão. Ela saiu com a noção de que foi violentada, mas não entendia a gravidade”.

Juliana está afastada de São Paulo e das redes sociais por orientação jurídica, mas fará um pronunciamento em breve. Ela teria buscado apoio do SBT no fim de 2024, sem resposta.

A ex-assistente de palco trabalhou como repórter no Chega Mais em 2024, antes do programa ser cancelado. Ela foi demitida do SBT em fevereiro deste ano. O MP-SP ainda não se pronunciou sobre a representação.

OBS.:  Violência contra a mulher é crime! Se você está em situação de risco, ligue imediatamente para o 190. Para denunciar e buscar apoio, entre em contato com a Central de Atendimento à Mulher pelo número 180. Além disso, delegacias especializadas da mulher podem oferecer orientação e acolhimento. Lembre-se, você não está sozinha e há ajuda disponível 24 horas por dia.

Ator e músico Bida Nascimento, filho de Léa Garcia e Abdias do Nascimento, morre no Rio aos 71 anos

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Foto: Reprodução

Morreu na última quinta-feira (27) o ator e músico Abdias Nascimento Filho, conhecido como Bida Nascimento, aos 71 anos. Filho da atriz Léa Garcia e do escritor, político e ativista Abdias do Nascimento, ele estava internado no Hospital Badim, no Maracanã, Zona Norte do Rio de Janeiro, desde fevereiro, após sofrer um acidente vascular cerebral (AVC).

A informação foi confirmada pelo Retiro dos Artistas, instituição em Jacarepaguá onde Bida vivia. “Hoje nos despedimos com imenso pesar de Bida Nascimento, um artista talentoso e ser humano incrível que iluminou o Retiro dos Artistas com sua música e seu coração generoso”, dizia a nota.

Após o AVC, Bida perdeu a visão e enfrentou complicações, como uma infecção urinária e um sangramento intestinal. No dia 16, seu irmão fez um apelo por doações de sangue para ajudá-lo. A causa oficial da morte não foi divulgada.

O Ministério da Cultura emitiu uma nota de pesar, destacando sua contribuição para as artes e a luta contra o racismo. “Bida colaborou tanto para a música como para o teatro, ressaltando em seu trabalho questões sociais e culturais”, afirmou o texto.

Bida deixa um filho. Nesta quinta, administradores da página de Léa Garcia, que morreu em agosto de 2023, homenagearam o músico nas redes sociais.

EXCLUSIVO| ‘Cartas pela Paz’ ganha trailer inédito com o olhar das crianças sobre a segurança pública nas favelas

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Cartaz Cartas pela Paz/crédito:Hebert Amorim (@artedeft)

Como as crianças negras e periféricas observam a política de segurança pública de onde moram? O Mundo Negro recebeu com exclusividade o trailer do documentário “Cartas pela Paz”, que acompanha a rotina de cinco meninas e meninos que reivindicam o direito de brincar e estudar, em meio às operações policiais no Rio de Janeiro. Através de correspondências e desenhos endereçados ao Supremo Tribunal Federal (STF), eles pedem pelo direito de viver sem medo. 

O curta-metragem em formato de filme-carta, é um dos selecionados para o Festival É Tudo Verdade, onde fará sua estreia em sessões em São Paulo (4 e 8/04) e no Rio de Janeiro (7 e 10/04).

“A ideia do filme surgiu após a publicação de uma reportagem sobre a iniciativa de moradores do Complexo da Maré que recolheram 1.500 cartas de moradores e enviaram ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro pedindo que as operações policiais respeitassem os termos da Constituição Brasileira. Além disso, o filme também chega para jogar luz na ADPF 635, conhecida como a ADPF das Favelas, que foi criada  em 2019 e também luta pela regulamentação das operações policiais. É sabido que esse tipo de ação está em um crescente e, infelizmente, o uso de força letal nessas intervenções é uma realidade. Milhares de pessoas enfrentam todos os dias situações em que põem à prova suas próprias vidas. Elas merecem paz. Segurança é direito, mas medo não”, explica Mariana Reade, uma das diretoras do filme.

Luiz Fernando, de 14 anos, Kamile, de 11 anos, e Davi, Myllena e Thalles, de 10 anos, representam tantas outras crianças que vivem em meio à insegurança. No documentário, os protagonistas compartilham experiências que já vivenciaram, parentes que perderam em operações e quais são seus sonhos para o futuro. Durante a leitura de suas cartas, eles visitam o Cais do Valongo e o Instituto Pretos Novos, ambos pontos importantes do Rio de Janeiro, para conhecer mais sobre ancestralidade e entender o racismo que permeia a sociedade há séculos.

“Cartas Pela Paz” terá quatro sessões no Festival É Tudo Verdade, que este ano comemora sua 30ª edição. Além disso, ele também é um festival que qualifica para o Oscar. A produção que ganhar o prêmio de melhor curta na mostra competitiva está automaticamente qualificada para concorrer a estatueta de melhor curta documentário, sendo o “Cartas pela Paz” um dos concorrentes. Em São Paulo, o curta será exibido nos dias 4 e 8 de abril no Cinesesc, às 15h e na Cinemateca, às 14h30, respectivamente. Já no Rio de Janeiro, a produção estará em cartaz nos dias 7 e 10 de abril, no Estação Net Botafogo, às 18h30, com a presença dos protagonistas e seus familiares, e no Estação Net Rio, às 16h, respectivamente.

O curta é uma coprodução da Amana Cine, Jac Produções e Piloto Filmes, financiado pela RioFilme.

Sobre a ADPF

A estreia de “Cartas pela Paz” acontece em paralelo com a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, também conhecida como “ADPF das Favelas”, uma ação protocolada na Suprema Corte em 2019. Seu objetivo é regulamentar as operações policiais nas favelas do Rio de Janeiro, garantindo a conformidade com a Constituição Brasileira, o respeito aos direitos fundamentais e a redução da violência e da mortalidade nessas intervenções. O julgamento teve início em 5 de fevereiro, com um voto parcialmente favorável do Ministro Relator e,  após uma pausa, a Arguição continuará a ser votada a partir desta semana.   

Serviço

Estreia “Cartas pela Paz”

São Paulo:

04/04 – 15:00 – Cinesesc (Rua Augusta, 2075 – Cerqueira César)

08/04 – 14:30 – Cinemateca (Largo Senador Raul Cardoso, 207 – Vila Clementino)

Rio de Janeiro:

07/04 – 18:30  – Estação Net Botafogo (Rua Voluntários da Pátria, 88 – Botafogo)

10/04 – 16h – Estação Net Rio (Rua Voluntários da Pátria, 35 – Botafogo)

Halle Bailey e Regé-Jean Page estrelarão comédia romântica “Italianna” para a Universal

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Foto: Reprodução

A Universal Pictures escalou a cantora e atriz Halle Bailey e Regé-Jean Page para protagonizar “Italianna”, uma nova comédia romântica dirigida por Kat Coiro. As informações foram confirmadas por fontes do estúdio nesta quinta-feira (27) e publicadas pelo portal Deadline.

“A mamãe está trabalhando. Estou animada para gravar esse!”, comemorou a intérprete de Ariel no live-action de ‘A Pequena Sereia’ ao comemorar a novidade em seus stories do Instagram. Esse é o primeiro longa da atriz depois que ela deu à luz ao filho, Halo, há dois anos, fruto de seu relacionamento com o youtuber DDG.

O roteiro do filme, também estrelado pelo astro de “Bridgerton”, é assinado por Ryan Engle, baseado em uma ideia original desenvolvida por ele e Kristin Engle. Os detalhes da trama permanecem sob wraps, mas o projeto já está em fase de pré-produção.

Will Packer e Johanna Byer produzirão o filme através do acordo de primeira visão da Will Packer Productions com a Universal. A supervisão pelo estúdio ficará a cargo do vice-presidente executivo Erik Baiers e da diretora de desenvolvimento Jacqueline Garell.

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