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De James Brown ao afrofuturismo: Documentário “We Want the Funk!” celebra o funk como voz da cultura negra

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Foto: Reprodução

O que é o funk?” Essa é a provocação central de “We Want the Funk!”, novo documentário da série Independent Lens, da PBS, disponível gratuitamente no site e no aplicativo da plataforma, em inglês. Dirigido por Stanley Nelson (vencedor do Emmy e da Medalha Nacional de Humanidades) e Nicole London, o filme mergulha na história do gênero musical que mistura R&B, jazz, gospel e blues, destacando seu papel como expressão de identidade e resistência negra.

O documentário traça a evolução do funk desde os anos 1950 e 1960, quando a música pop era dominada por artistas brancos e a Motown vendia um soul “palatável” ao público branco. E mostra como a ascensão do movimento Black Power e as lutas por direitos civis, colaboraram para que o gênero ganhasse força como voz de orgulho negro.

Um marco foi “Say It Loud, I’m Black and I’m Proud”, de James Brown (1968). No filme, o trombonista Fred Wesley relembra como Brown levou crianças ao estúdio para gritar o refrão, criando um hino atemporal. “Até o dia da minha morte, será a música mais significativa para mim”, diz o DJ Donnie Simpson. “Ela me ensinou o orgulho negro”.

A dificuldade em definir o funk é um tema recorrente no documentário. Em depoimento, Todd Boyd, professor da Universidade do Sul da Califórnia, resume: “É funky. Mas não sei descrever. Quando você ouve, sabe o que é — e, mais importante, sabe quando sente”. George Clinton, líder do Parliament-Funkadelic e um dos grandes nomes do funk, concorda: “É uma atitude. Funk é tudo o que precisa ser, no momento em que precisa ser.” Seu hit de 1976, “Give Up the Funk (Tear the Roof Off the Sucker)”, inclusive, inspirou o título do filme.

Funk, rock e afrofuturismo

O filme também mostra como o funk influenciou — e foi influenciado — por outros gêneros. O guitarrista Carlos Alomar revela que os riffs de “Fame”, hit que compôs com David Bowie, foram inspirados no funk. Clinton, por sua vez, admite que “Fame” o levou a criar “Give Up the Funk”.

Além disso, o documentário explora a conexão do Parliament-Funkadelic com o afrofuturismo — uma estética que mistura ficção científica e cultura negra. Clinton brinca que, se um dia encontrar alienígenas, só quer ter certeza de uma coisa: “Que eles saibam dançar.”

Para Nelson, o funk não é uma moda passageira, como a disco. “Depois que você lança o funk, ele não volta mais. Não dá para guardá-lo de volta na caixa.”

Com depoimentos de Questlove (The Roots), David Byrne (Talking Heads), Marcus Miller e outros, “We Want the Funk!” é tanto uma celebração quanto uma reflexão sobre um gênero que, mesmo sem definição clara, continua vivo — e essencial.

Assista: Disponível no app da PBS e no YouTube (Independent Lens).

Quinta Brunson defende imperfeições de Janine em ‘Abbott Elementary’: ‘Personagens negros têm direito a uma jornada’

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Foto: Reprodução

Em uma entrevista no podcast Good Hang, da amiga Amy Poehler, a criadora e estrela de Abbott Elementary, Quinta Brunson, falou sobre a complexidade de receber críticas — especialmente de mulheres negras — em relação à sua personagem, Janine Teagues. Na conversa, a criadora da série destacou que “só colocar mulheres negras na tela como super-heroínas ou figuras impecáveis, estamos criando outro tipo de pressão, outra gaiola”.

“Ela é uma personagem negra. O público negro tem tão poucos personagens representativos na tela, e a identidade da mulher negra por si só já é um tema delicado. Então, quando muitas mulheres viram Janine não se comportando como elas esperavam, isso foi difícil — e eu entendo”, disse. “Mas acho importante termos personagens que sejam mais realistas do que a melhor representação de nós mesmos. Acho que isso cria camadas para nós, não apenas na TV, mas também aos olhos do público”, continuou.

Brunson explicou que, embora compreenda a frustração de parte do público, a imperfeição de Janine é proposital. “Ela é insegura, comete erros, muda de ideia — e isso é intencional. Se a gente só colocar mulheres negras na tela como super-heroínas ou figuras impecáveis, estamos criando outro tipo de pressão, outra gaiola”, explicou. A roteirista destacou que, embora Abbott Elementary não tenha sido criado como “um manifesto sobre representatividade”, a própria existência de Janine — uma professora comum, cheia de dúvidas e aprendizado — já é política e pontuou: “Personagens negros têm direito a uma jornada, não a um destino pronto. Janine vai mudar, vai crescer, vai falhar — e é isso que a torna real.”

A autora também comentou sobre a relação direta (e às vezes agressiva) que fãs estabelecem com criadores de séries. “Já recebi mensagens do tipo: ‘Por que você fez isso com o Gregory?’ ou ‘Janine não deveria ser assim’. E olha, eu respeito a paixão, mas acha mesmo que eu não pensei nisso? Que não há uma razão para ela ser como é?”

Em seu relato, Brunson contou que uma fã a abordou pessoalmente para repetir críticas que havia enviado por DM no Instagram. “Ela veio até mim numa balada e disse: ‘Você ignorou minha mensagem, então vou dizer na sua cara: não gosto do que está fazendo com a série’. É… intenso”, destacou.

Para Brunson, porém, o incômodo de algumas espectadoras é parte do processo. “Se estão discutindo, é porque se importam. E eu prefiro uma personagem que provoque debate a uma que passe batida.”

Festa literária idealizada por Elisa Lucinda homenageia Nêgo Bispo e recebe grandes nomes da literatura

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Fotos: Vitor Nogueira e Guilherme Fagundes

Com idealização e direção artística da escritora e atriz capixaba Elisa Lucinda, a Festa Internacional da Palavra reúne grandes nomes da literatura nacional, aliando arte, oralidade e resistência cultural em um evento que atravessa gêneros, gerações e território. Com programação gratuita, a segunda edição promete transformar Itaúnas, no Espírito Santo, em um polo de literatura entre os dias 21 e 24 de maio.

Este ano, a Festa homenageia dois grandes nomes da literatura e da luta pelos direitos culturais no Brasil: Nêgo Bispo e Bernadette Lyra. Antonio Bispo dos Santos, conhecido como Nêgo Bispo, foi filósofo, poeta, escritor, professor e líder quilombola, deixando um legado de resistência e pensamento crítico sobre identidade, terra e ancestralidade. Já Bernadette Lyra, uma das escritoras mais importantes do Espírito Santo, é reconhecida por sua vasta contribuição à literatura brasileira, explorando os gêneros de ficção e narrativa histórica.

Ao longo de quatro dias, escritores, poetas, artistas, educadores e leitores se reúnem para debates, oficinas criativas, lançamentos de livros e apresentações musicais. “Ler amplia nossos recursos para interpretar melhor a vida. Nos dá repertório. Nosso lema deste ano é: Ler a vida! A Festa da Palavra leva esse nome porque ali ela é a protagonista. Tão sutil, tão intensa, tão banal, tão discreta, tão densa… a palavra nos une e tem um grande potencial antibélico”, diz Elisa Lucinda.

A Festa Internacional da Palavra visa explorar a pluralidade de vozes e a inclusão cultural, dando protagonismo às narrativas decoloniais, indígenas, afro-brasileiras e quilombolas, trazendo autores que ressignificam a literatura e reafirmam a força da oralidade como um dos pilares da identidade nacional.  

Com curadoria da escritora e dramaturga Guiomar de Grammont e Lívia Corbellari, o evento conta com participações de destaque, começando pela escritora, roteirista e ativista social cubana Teresa Cárdenas. Entre os escritores e poetas nacionais, estão nomes como a pedagoga Kiusam de Oliveira, o quadrinista Estevão Ribeiro, a escritora Marília Cafe, o jornalista e ex-deputado federal Jean Wyllys, a poeta e cronista Ediphôn Souza, a jornalista Livia Corbellari, o curador Saulo Ribeiro, a articuladora política Selma Dealdina Mbaye, a atriz e poeta Elisa Lucinda, o ganhador de dois prêmios Jabuti Itamar Vieira Junior, o poeta popular Arquimino dos Santos, a atriz Ingrid Carrafa, a roteirista e jornalista Eliana Alves Cruz, a homenageada da edição Bernadette Lyra, a atriz e poeta Suely Bispo, a autora Guiomar de Grammont, a escritora de literatura de cordel capixaba Katia Bobbio.

Também marcam presença o secretário de formação cultural, livro e leitura do MinC Fabiano Piúba, a deputada estadual do ES Camila Valadão, e o professor e slammer João Martins, além do dançarino e poeta Marceu Rosário, a escritora e jornalista Aline Dias, o professor e pesquisador Jeferson Gonçalves, a escritora e contadora de histórias Lilian MenenguciNando RodriguesJuane VaillantGeovana Pires e muitos outros artistas locais.

No campo do pensamento e ativismo, destacam-se e o escritor, pensador e ativista indígena Ailton Krenak, a pensadora e ativista indígena Yakui Tupinambá, o filósofo Renato Nogueira, a pesquisadora e filha do Nêgo Bispo Joana Maria, e a pesquisadora ambiental Marta Tristão. Já na música, o evento recebe a cantora e compositora Sandra Sá, a cantora Bia Ferreira, e o cantor Chico César.

A Festa também dialoga diretamente com a juventude e a educação, incentivando a formação de leitores críticos e conscientes. “Precisamos que nossas crianças e jovens tenham acesso às obras que reflitam suas realidades e heranças culturais. Quando um jovem negro, indígena ou quilombola se vê na literatura, ele entende que seu lugar no mundo também pode ser escrito, contado e celebrado”, completa Lucinda.

O evento é um ponto de encontro entre passado e futuro, ancestralidade e contemporaneidade, ampliando o alcance da literatura e seu papel como força transformadora. “Estou feliz por fazer, na vila de Itaúnas, esse movimento de literatura viva e, com isso, levar várias pessoas para tamanha beleza natural — uma vez que a vila é um parque ecológico. Será uma festa que encantará muitos através da literatura oral. Uma festa formadora de leitores, para melhor lermos a vida”, defende Lucinda.

Meninos e homens jovens negros e a relação com a pornografia: Quais os impactos para as suas vidas? 

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Foto: Freepik

Texto: Luciano Ramos

Para quem acompanha os meus textos aqui no site Mundo Negro e nas minhas redes sociais, já sabe do diálogo que eu faço acerca das masculinidades e os elementos de validação social a que os meninos são submetidos, o tempo todo, para alcançar o reconhecimento. Desde muito cedo, os meninos precisam performar uma masculinidade que eles nem tiveram a chance de dizer se acreditam ou não. E no caso dos meninos negros, isso se torna, ainda mais compulsório. Já que eles aprendem, precocemente, por meio do racismo, que homem negro não é homem. Ser reconhecido como homem significa cumprir com alguns estereótipos. E um deles é o acesso a pornografia.  

Em geral, segundo as pesquisas, o primeiro contato dos meninos com a pornografia é entre 09 e 13 anos. A relação de meninos e homens jovens negros e o consumo da pornografia é um tema que envolve diversas dimensões incluindo questões de raça, gênero, sexualidade e representações midiáticas. Vale ressaltar que há uma carência de estudos específicos focados exclusivamente nesse grupo racial, algumas pesquisas oferecem insights relevantes. 

Alguns estudos apontam que a pornografia mainstream frequentemente perpetua estereótipos raciais, especialmente em conteúdos classificados como “interraciais”. Nessas produções, os homens negros são frequentemente retratados de maneira hipersexualizada e associados a estereótipos de virilidade exacerbada. Além disso, eles são colocados em cena numa perspectiva agressiva e violenta, fortalecendo a ideia de desumanização destes indivíduos, impactando a autoimagem e as relações interpessoais dos jovens negros. O consumo de pornografia irá influenciar a maneiro como jovens negros percebem e constroem as suas masculinidades. Ao internalizar padrões irreais e estereotipados, eles, certamente, enfrentarão conflitos com suas reais identidades e as expectativas impostas pela sociedade. 

É impossível não entrar na polêmica de como os filmes pornográficos, também, moldam as relações afetivas sexuais e os desejos dos homens negros, em relação às mulheres brancas, em detrimento das mulheres negras. Aqui não há uma crítica, há uma constatação. Os filmes pornográficos interraciais que colocam a mulher branca na posição de submissão e de fragilidade criam nos homens negros uma espécie de fetiche de algo que eles precisam vivenciar.

Vale lembrar que masculinidade, tal como temos experimentado, até agora, é poder. Ainda que num aspecto ilusório o homem negro busca o exercício da masculinidade ideal (se você, ainda, não leu meus artigos aqui, te convido a ler e entender bem o que eu quero dizer), ou seja, sentir-se poderoso, em alguma medida. Logo, a experiência sexual interracial lhe dá essa falsa sensação. Como os desejos e os afetos são construções sociais, esse desejo se molda, também, por meio dos filmes pornográficos. 

A promoção de discussões abertas e educativas sobre sexualidade, raça e mídia é fundamental para a desconstrução de estereótipos e fomento de uma compreensão mais saudável e realista da sexualidade entre meninos e homens jovens negros.

Marcas milionárias estão explorando criadores de conteúdo em troca de produtos e pagamentos insignificantes

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Maju Santos, uma jovem creator alagoana de 19 anos, tem um número expressivo no TikTok, onde seus vídeos somam mais de 2 milhões de visualizações. O foco dos seus vídeos são seus belos e longos cachos. A beleza do seu cabelo é frequentemente associada por ela mesma ao uso dos produtos da linha Tô de Cachos, da Salon Line. Além de não receber nenhum real por esse trabalho, Maju ainda foi humilhada pela marca com uma DM com palavras grosseiras.

Em seu fraco pedido de desculpas, a milionária marca usou a visibilidade do caso para divulgar o projeto Migs, que seleciona perfis de jovens criadores com base no que considera ser potencial de influência. Esses jovens acessam uma plataforma fechada, assistem a vídeos e, ocasionalmente, recebem kits de produtos — a critério exclusivo da marca. Em troca, cedem sua imagem, voz e conteúdos produzidos sem remuneração, mesmo que os materiais sejam usados em campanhas publicitárias em larga escala.

Esse tipo de atividade é nomeado pelo mercado como UGC Creator. A sigla UGC vem do inglês User-Generated Content, que significa “conteúdo gerado pelo usuário”.

“Originalmente, o termo UGC surgiu para descrever conteúdos espontâneos, criados por consumidores reais que compartilhavam suas experiências genuínas e impressões sobre produtos de uma marca. Eram depoimentos autênticos, nascidos da satisfação ou insatisfação com a compra”, explica Gleidstone Silva, estrategista de conteúdo, creator e fundador do Nossa Pele Negra.

Ele aponta várias problemáticas nessa prática, que muitos ainda acreditam ser vantajosa para as marcas. “É preciso alertar para um cenário preocupante que se instalou no mercado brasileiro. O modelo de UGC Creator que muitas marcas têm adotado, aliado ao surgimento de diversas plataformas de ‘brand lovers’, está comprometendo severamente a cadeia da creator economy. Ao oferecer apenas produtos em troca de conteúdo, essas iniciativas precarizam o trabalho dos influenciadores que dependem da criação de conteúdo para sua subsistência”, diz o publicitário, que complementa: “É fundamental que as marcas compreendam que investir em parcerias remuneradas com criadores autênticos não é um custo, mas sim um investimento estratégico que gera valor para ambos os lados e para o consumidor final”.

Aldine Paiva, Especialista em Influência & Mentor de Criadores de Conteúdo, traz constatações com alguns números que comprovam o fator exploratório das marcas, que acreditam que não devem investir em creators com poucos seguidores. “E esse tipo de engajamento (gerado por UGC) é o engajamento que é mais precioso. Porque a gente está falando de nano e micro influenciadores, que são os influenciadores que têm as maiores taxas de engajamento. Quanto menor a sua base, maior a sua taxa de engajamento. Um nano e um micro influenciador às vezes consegue ter 14%, 15%. Eu já rodei campanha com influenciadora que entregou no relatório final 14% de taxa de engajamento. Isso é altíssimo. Um engajamento de 2% já é um engajamento alto. Uma celebridade aí que tenha seus 3 milhões a 5 milhões às vezes tem 0,10, 0,20, 0,3% de engajamento. Então, para a marca fazer o uso de pessoas que têm um engajamento tão alto e uma relação tão próxima com a comunidade é algo que só favorece a elas — principalmente porque elas estão dando um shampoo em troca desse trabalho”.

Para Luciellen Assis, designer de moda e criadora de conteúdo desde 2013, marcas não devem ser vistas com valor afetivo. “Eu acredito que quem está entrando no mercado de influenciadores precisa entender que marca não tem coração. É só um CNPJ que precisa de lucro e ganha muito com publicidade gratuita. Quanto mais você trabalha de graça, menos eles querem pagar. É massa ter algum relacionamento e criar conteúdo orgânico se você gosta do produto sim (até porque, inclusive na publicidade paga, é importante gostar de verdade do que é divulgado), mas tudo tem que ser feito com cautela. Entenda que sua imagem é cara e eles precisam pagar por ela”.

Dá para produzir conteúdos de beleza sem ser explorado pelas marcas

Criar conteúdo pela internet é um trabalho que precisa ser reconhecido como qualquer outro. Comprar os produtos, usar, resenhar, gravar, editar, postar esse conteúdo — tudo isso demanda tempo e também dinheiro. Mesmo que o produto seja um recebido, o creator ainda investiu tempo para entregar algo com qualidade, além de engajar com seus seguidores sobre o produto.

Esse engajamento é fundamental para se destacar na internet, e gerar renda com esse trabalho tem sido o sonho de cada vez mais jovens. “Criação de conteúdo hoje no Brasil está num lugar que é ser o novo jogador de futebol, é ser a nova modelo, é um lugar onde você consegue ter mobilidade social, você consegue ajudar você, você consegue ajudar sua família, comprar sua casa própria — e aqui estou falando de nano e micro influenciadores, que são esses que são os mais impactados por UGC”, ilustra Aldine.

Uma dica é falar sobre temas e encaixar vários produtos, ao invés de se fixar em um só.

“Para os jovens criadores de conteúdo que almejam construir parcerias sólidas e duradouras com marcas de beleza, o caminho mais promissor reside na autenticidade e na genuinidade. Em vez de replicar formatos publicitários tradicionais disfarçados de UGC, o ideal é focar em compartilhar suas reais percepções sobre os produtos. Como aquele item específico se encaixa na sua rotina de cuidados com a pele ou cabelo? Quais foram os resultados práticos que você observou? Como tem sido a experiência de uso no seu dia a dia? Ao construir narrativas honestas e transparentes, esses jovens criadores se conectam de forma muito mais profunda com sua audiência, estabelecendo uma relação de confiança que é altamente valorizada pelas marcas”, ensina Gleidstone, que diz que as empresas possuem agências e profissionais dedicados à busca de criadores autênticos, que conseguem conversar de maneira verdadeira com seus seguidores e gerar um impacto real.

“O único jeito dessa pessoa que quer entrar no mercado e produzir conteúdo de beleza é produzir um conteúdo que tenha várias marcas. Eu sempre falo isso para as pessoas e para os criadores que eu agencio ou que eu tenho a chance de orientar por qualquer via que seja. Você está produzindo conteúdo sobre skin care, não usa uma marca só: usa a base de uma marca, o pincel de outra, o corretivo de outra, o finalizador de outra, a água termal de outra — e no final você tem um tutorial onde de fato está ensinando para sua base uma técnica que você realmente acredita e que você realmente usa, sem ficar refém de uma marca, sem aquilo virar uma publi gratuita”, finaliza Paiva.

Mulher que agrediu creator durante a SPFW atua como neurologista em hospitais renomados em São Paulo

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Foto: Reprodução/Instagram

A mulher loira que aparece gritando, empurrando e dando tapas no creator Raphael Fonsec durante o desfile do estilista Walério Araújo na São Paulo Fashion Week (SPFW), na noite de quinta-feira (10), é uma médica neurologista que atua em hospitais renomados em São Paulo, como o Santa Catarina – Paulista, Rede D’or São Luiz, A Beneficência Portuguesa e Oswaldo Cruz.

No perfil do Instagram, a Dra. Juliana Dias se apresenta como uma profissional que realiza “atendimento humanizado”. Após o vídeo da agressão viralizar nas redes sociais, a médica restringiu sua página apenas a seguidores. 

Em uma das publicações mais recentes, ela aparece vestida com o jaleco do Hospital Santa Catarina – Paulista. Procurada pelo Mundo Negro, a instituição se pronunciou sobre o caso e afirma que “não compactua com qualquer tipo de discriminação e se solidariza com o jovem envolvido no episódio ocorrido durante um evento em São Paulo”.

“A conduta atribuída à médica, cadastrada no corpo clínico da instituição, está sendo apurada internamente. Reforçamos nosso compromisso com o respeito à diversidade e tratamento digno a todas as pessoas”, completa. 

O estilista Walério Araújo e a SPFW não se pronunciaram sobre o ocorrido. A equipe deles foram procuradas pelo Mundo Negro e não responderam nossas perguntas até o encerramento desse texto.

https://www.instagram.com/p/DIT8PTIt0hT/

Entenda o caso

Fonsec compartilhou um vídeo em suas redes sociais mostrando o momento em que é empurrado e confrontado pela médica. Nas redes, ele descreveu a situação como “humilhação e ameaça” e afirmou que o casal o hostilizou por estar impedindo a visão do desfile. 

“O desfile estava lotado, tinha gente sentada no chão. Eu fiquei em pé, assim como outras pessoas. Um casal, que estava sentado na última fileira, pediu para duas mulheres brancas se sentarem, e elas aceitaram. Depois, a mulher me disse: ‘Querido, você consegue sentar, por favor, para a gente assistir?’ Eu respondi que não. Ela insistiu, dizendo que eu estava atrapalhando. Virei de costas, porque achei um absurdo ela, sentada, exigir que eu me sentasse”, relatou. 

Segundo ele, a situação escalou quando a mulher o tocou no braço dele. O marido dela então teria se aproximado e feito ameaças: “Ele chegou perto do meu ouvido e falou: ‘Você vai sentar agora, senão vai ver o que acontece com você. Quer um escândalo aqui?’ Fiquei com medo, porque se eu reagisse, ele poderia me bater. O desfile já tinha começado, e eu só queria assistir”. É possível então ver a mulher empurrando Raphael, que estava encostado em uma pilastra. Ele afirmou que, após a discussão, o casal voltou a assistir ao desfile como se nada tivesse acontecido.

Raphael Fonsec também questionou a seletividade dos convidados do evento: “Quem são essas pessoas que estão sendo colocadas ali? Corpos como o meu são nitidamente hostilizados. Eu estava em um espaço que não me favorece, e quem não podia errar era eu”, pontuou.

Após críticas à Lady Gaga, Bielo Pereira recebe ataques gordofóbicos e transfóbicos nas redes sociais

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Foto: Reprodução/Instagram

A comunicadora Bielo Pereira teve sua participação no show de Lady Gaga em Copacabana, marcado para 3 de maio, cancelada pela Deezer após fazer comentários negativos sobre a cantora. A plataforma de streaming encerrou a parceria com a influenciadora, que vem enfrentando ataques preconceituosos nas redes sociais.

A polêmica começou quando Bielo, em uma interação com uma fã que elogiava Gaga durante o programa Pra Variar, na Dia TV, respondeu: “Meu amor, eu estou aqui pela diversidade, se você quer gostar de coisa ruim, problema é seu”. Em um tom debochado, ela ainda afirmou que, mesmo não gostando da artista, compareceria ao show: “Eu estarei lá, porque eu vou poder”. As declarações irritaram os fãs da cantora, que pressionaram a Deezer.

Em nota publicada no X (antigo Twitter), a empresa anunciou o fim da colaboração com Bielo. A Deezer também pediu respeito à influenciadora: “Entretanto, também pedimos respeito à criadora – falas preconceituosas e que a desmerecem não devem ser reproduzidas”. Bielo se desculpou publicamente pelos comentários. Eu me sinto na necessidade de vir aqui pedir desculpas. Parte importante do meu trabalho é dar a minha opinião, mas a forma foi equivocada”, disse. Ela reconheceu a importância de Lady Gaga para a cultura pop e a comunidade LGBTQIA+”, afirmou.

Nas redes, usuários dividiram-se entre críticas às falas de Bielo e a defesa de sua imagem. “Fui olhar o Instagram da Bielo, e só dá comentário gordofóbico e transfóbico comemorando q ela perdeu a parceria pro vip da Gaga. Tipo… A galera realmente acha que tá abalando”, escreveu uma pessoa no X.

Outros destacaram o tratamento desigual recebido pela comunicadora. “Esse caso da Bielo só me faz refletir o quanto travestis negras gordas, que conquistaram uma migalha de acesso a oportunidades que SEMPRE foram negadas a nós, ñ podem NUNCA errar”, publicou uma usuária.

A apresentadora Giovana Heliodoro, amiga de Bielo, questionou a reação desproporcional: “Vocês queriam fazer justiça, pronto, acabou. Agora, se acharem no direito de julgar o corpo dos outros, ameaçar a vida de alguém e ser racista… que justiça é essa?”.

A Deezer informou que os ingressos destinados a Bielo serão redistribuídos em uma dinâmica para fãs.

Erika Januza é confirmada como nova integrante do “Saia Justa” no GNT

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Foto: Globo/Marcio Farias

A atriz e apresentadora Erika Januza foi anunciada como nova integrante do “Saia Justa”, programa do GNT que discute temas da atualidade a partir de perspectivas femininas. No dia 30 de abril, ela se junta a Eliana, que segue no comando da atração, além de Bela Gil e Tati Machado — esta última participará até o início de sua licença-maternidade. A artista chega após o anúncio da saída da jornalista Rita Batista da atração.

Em publicações em suas redes sociais e no perfil do GNT, Erika celebrou a novidade: “Gente, tô aqui para dividir uma coisa com vocês, que é muito mais do que dizer que é um sonho realizado, porque tem coisas que às vezes a gente nem ousa sonhar, e esse é um deles. Fazer parte do sofá do ‘Saia Justa’ é algo incrível. Estou muito emocionada, muito feliz, porque é um sofá onde já sentaram tantas mulheres maravilhosas, potentes, fortes”, disse.

E completou: “É um programa que faz parte das nossas vidas há tanto tempo. Sei da importância que ele tem, entre aquele sofá e aquelas mulheres. Fazer parte desse time, desse legado, para mim é muito importante. Espero poder trocar muito, aprender muito e que a gente seja muito feliz nessa temporada.”

A nova formação reforça o DNA do programa, que busca trazer vozes femininas plurais para debater temas contemporâneos com leveza e troca. Natural de Contagem (MG), Erika Januza iniciou sua carreira na TV em 2012, como protagonista da série “Subúrbia”. Desde então, atuou em novelas como “Em Família”, “Sol Nascente”, “O Outro Lado do Paraíso” e “Amor de Mãe”, além da série “Arcanjo Renegado”. Recentemente, apresentou no GNT o “Rainhas Além da Avenida”, onde entrevistava rainhas de bateria do Carnaval com um olhar sensível às histórias por trás da fantasia.

A nova temporada do “Saia Justa” estreia em 30 de abril, indo ao ar toda quarta-feira, às 22h30, no GNT e no Globoplay.

Ne-Yo defende relacionamento poliamoroso e diz que parceiras não podem ter outros homens

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Foto: Reprodução

Em entrevista ao The Angie Martinez Show, do Power 105.1, o cantor Ne-Yo, detalhou como funciona seu relacionamento poliamoroso com quatro mulheres. O astro de “So Sick” afirmou que a “brutal honestidade” é a base da dinâmica, mas deixou claro que suas parceiras não têm permissão para se relacionar com outros homens — mesmo que ele possa sair com várias pessoas.

Em conversa com Martinez, o cantor contou que a pergunta que mais fazem a ele é se as esposas podem ter outros relacionamentos: “A pergunta que mais me fazem é: ‘Elas podem namorar outras pessoas além de mim?’ É essa pergunta que eu ouço o tempo todo, e vou responder agora: não. E vou te dizer por quê. Não, elas não podem. Olha só, quando fiquei com essas mulheres, eu não pedi exclusividade a elas. Não exigi exclusividade. Elas que me ofereceram. Elas vieram até mim e disseram: ‘Quero ser exclusiva sua, só sua'”, revelou.

Em fevereiro deste ano, Ne-Yo assumiu o relacionamento com Brionna Williams, uma de suas bailarinas e a quarta esposa do cantor, que também namora Bella e Phoenix Feather, modelos que trabalham na plataforma OnlyFans, e Arielle Hill. Na entrevista, ele ainda reforçou: “Não estou forçando ninguém a ficar aqui”, disse. “Se, por qualquer motivo, você decidir que isso não é mais para você, a porta nunca está trancada. Você tem permissão para seguir seu caminho. Não quero que ninguém pense que estou manipulando essas mulheres a fazer algo que não querem. Todos que estão aqui vieram por escolha própria. Elas tomaram a decisão”.

Polêmica com os filhos

Ne-Yo admitiu ter conversado abertamente com seus filhos sobre seus múltiplos relacionamentos. “Já disse a eles: ‘Essa é a namorada do papai, e aquela também, e aquela também. E ela vai fazer cereal para vocês, lavar suas roupas. É família, é comunidade.'”

A declaração provocou a ira de Bagnerise, sua ex-esposa, que respondeu em redes sociais: “E eu não disse para você, seu idiota, não fazer essa merda na frente dos meus filhos?”.

Apesar das críticas, o cantor segue compartilhando imagens com suas parceiras nas redes sociais, onde elas aparentam estar satisfeitas com o arranjo. Enquanto isso, fãs e críticos ainda se adaptam ao “novo Ne-Yo”.

Raphael Fonsec relata humilhação e agressão em desfile na SPFW: ‘Corpos como o meu são hostilizados’

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Foto: Reprodução/Instagram

Na noite de quinta-feira (10), o comunicador Raphael Fonsec foi agredido por uma mulher durante o desfile do estilista Walério Araújo no São Paulo Fashion Week (SPFW). O caso aconteceu na Sala JK Iguatemi, localizada no shopping Iguatemi, no bairro da Vila Olímpia (Zona Oeste de São Paulo), onde o jovem foi empurrado e ameaçado por um casal.

Fonseca compartilhou um vídeo em suas redes sociais mostrando o momento em que é empurrado e confrontado por uma mulher loira. Nas redes, ele descreveu a situação como “humilhação e ameaça” e afirmou que o casal o hostilizou por estar impedindo a visão do desfile: “O desfile estava lotado, tinha gente sentada no chão. Eu fiquei em pé, assim como outras pessoas. Um casal, que estava sentado na última fileira, pediu para duas mulheres brancas se sentarem, e elas aceitaram. Depois, a mulher me disse: ‘Querido, você consegue sentar, por favor, para a gente assistir?’ Eu respondi que não. Ela insistiu, dizendo que eu estava atrapalhando. Virei de costas, porque achei um absurdo ela, sentada, exigir que eu me sentasse.”

Segundo ele, a situação escalou quando a mulher o tocou no braço dele. O marido dela então teria se aproximado e feito ameaças: “Ele chegou perto do meu ouvido e falou: ‘Você vai sentar agora, senão vai ver o que acontece com você. Quer um escândalo aqui?’ Fiquei com medo, porque se eu reagisse, ele poderia me bater. O desfile já tinha começado, e eu só queria assistir“. É possível então ver a mulher empurrando Raphael, que estava encostado em uma pilastra. Ele afirmou que, após a discussão, o casal voltou a assistir ao desfile como se nada tivesse acontecido.

Raphael Fonsec também questionou a seletividade dos convidados do evento: “Quem são essas pessoas que estão sendo colocadas ali? Corpos como o meu são nitidamente hostilizados. Eu estava em um espaço que não me favorece, e quem não podia errar era eu”, pontuou.

Na legenda do vídeo, o comunicador escreveu: “FUI HUMILHADO E AMEAÇADO NA SPFW 59” e pediu que perfis ligados ao evento fossem marcados para que o caso tivesse uma “resolução justa”. O SPFW e a produção do desfile de Walério Araújo ainda não se pronunciaram sobre o ocorrido.

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