Livro revisita o legado da abolição da escravidão no Brasil e propõe reflexões sobre desigualdade racial, democracia e participação da população negra na construção do país.
O escritor, professor e ativista Helio Santos lança no Rio de Janeiro o livro “14 de Maio: Lições de Resistência ao Racismo”, no dia 6 de agosto (quinta-feira), às 19h, na Livraria da Travessa, com mediação da jornalista Maju Coutinho.
O evento acontece na unidade localizada em Ipanema, e marca a chegada da obra ao público carioca após o lançamento em São Paulo.
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Publicado pelo selo Zahar, o ensaio memorialístico reúne reflexões de Hélio Santos sobre os impactos históricos da escravidão no Brasil e os caminhos para enfrentar as desigualdades raciais que permanecem estruturando a sociedade brasileira.
O título faz referência ao dia seguinte à assinatura da Lei Áurea, em 13 de maio de 1888. Para o autor, o 14 de maio simboliza o período posterior à abolição formal da escravidão, marcado pela ausência de políticas de inclusão para a população negra recém-liberta e seus descendentes.
Ao longo de sua trajetória, o professor esteve à frente de importantes iniciativas relacionadas à equidade racial. Foi presidente-fundador do Conselho de Desenvolvimento e Participação da Comunidade Negra do Estado de São Paulo, integrou a Comissão de Notáveis durante o processo da Constituinte de 1985 e coordenou o Grupo de Trabalho Interministerial de Valorização da População Negra.
“O movimento negro não é identitário: nossa pauta é afirmativa e reparatória”
Em entrevista ao Mundo Negro, Helio Santos também refletiu sobre o atual cenário de retrocessos nos debates sobre diversidade e inclusão, além das tentativas de deslegitimar políticas afirmativas no Brasil e no mundo.
Questionado sobre as críticas que apontam que a pauta da diversidade estaria perdendo espaço e sobre o uso do termo “identitário” para desqualificar movimentos por equidade, o pesquisador destacou que marcadores sociais como raça, gênero e geração fazem parte da realidade das sociedades e precisam ser considerados na construção de políticas públicas.
Para ele, a defesa da diversidade racial não representa uma disputa ideológica, mas uma estratégia de desenvolvimento e reparação histórica.
“Nós, do movimento negro, não defendemos ‘pautas identitárias’, termo impreciso, vago e malicioso. Defendemos, e continuaremos a defender, pautas afirmativas reparatórias. A diversidade racial é instrumento básico para o desenvolvimento do Brasil, até porque somos maioria.”
O escritor também ressalta que os avanços conquistados pelas políticas afirmativas fazem parte de uma construção histórica do movimento negro.
“O movimento negro não é identitário: nossa pauta, repito, é afirmativa e reparatória.”
Serviço
Lançamento do livro “14 de Maio: Lições de Resistência ao Racismo” – Helio Santos
Data: 6 de agosto (quinta-feira)
Horário: 19h
Local: Livraria da Travessa, R. Visc. de Pirajá, 572- Ipanema, Rio de Janeiro – RJ
Mediação: Maju Coutinho
Editora: Zahar
Número de páginas: 160
Preço: R$ 64,90 | E-book: 29,90
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