O engenheiro responsável pelo sucesso de um dos projetos científicos mais ambiciosos da história é um homem negro. Aos 62 anos, Gregory Robinson se tornou o rosto principal do Projeto Espacial James Webb. Nesta última semana, muito se falou sobre o fascínio e a grandiosidade das imagens inéditas divulgadas pela NASA. Os registros, descritos como históricos para a ciência, revelaram novas possibilidades de pesquisa sobre a origem do espaço.

O Telescópio James Webb é capaz de registrar fenômenos que ocorrem a mais de 13 bilhões de anos-luz. Em termos de análise, ele pode observar as primeiras estrelas e galáxias que se formaram no universo, marcando, segundo a NASA, o alvorecer de uma nova era na astronomia.

O Telescópio Espacial James Webb produziu a imagem infravermelha mais profunda e nítida do universo distante até hoje. Foto: NASA, 2022.

Gregory Robinson foi escolhido para assumir o projeto espacial em 2018. À época, as peças do telescópio Webb e seus instrumentos estavam completos, mas precisavam ser montados e testados. A pesquisa, financiada pelo governo americano e com o apoio de centenas de pesquisadores pelo mundo, vinha sofrendo uma enorme pressão, afinal de contas, o projeto teve início em 2002 e por conta de diversos problemas, demorou décadas até conseguir sair do papel.

Ainda no início, o projeto tinha uma previsão de orçamento de até US$ 3,5 bilhões para um lançamento em 2010. Porém, quando quando o momento chegou, a data de lançamento mudou para 2014 e os custos estimados aumentaram para US$ 5,1 bilhões. Com perspectivas irreais, o projeto seguiu em atrasos até 2018, quando foi orçado em US$ 8 bilhões. Em março daquele ano, Gregory assumiu a liderança do Webb com o objetivo de, finalmente, colocar o telescópio no espaço.

Dentro da NASA, Gregory é uma raridade: um homem negro entre os gerentes de alto nível da agência. “Certamente as pessoas me veem nesse papel como uma inspiração”, disse ele ao The New York Times. “É sobre reconhecer que elas também podem estar lá”. De acordo com o profissional, muitos engenheiros negros trabalham dentro da NASA nos dias atuais, mas o número deveria ser maior. “Certamente não existem tantos quanto deveria haver e a maioria não ocupa posições de alto nível. Temos muitas coisas para tentar melhorar”, destaca ele.

Gregory Robinson. Foto: Shuran Huang para o The New York Times.

Gregory começou a trabalhar na NASA em 1989 e, ao longo dos anos, precisou estudar profundamente o processo em torno das vibrações espaciais e os contínuos testes de manutenção das máquinas no espaço. Quando Robinson assumiu o cargo de diretor do programa, a eficiência do cronograma de Webb – uma medida que analisa o ritmo de trabalho comparado ao que havia sido planejado – era de apenas 55%, um número relativamente baixo para os padrões de engenharia. Em poucos meses, após a liderança de Gregory, a eficiência do projeto chegou a 95%, com melhores comunicações e melhores resultados.

Registro espacial da formação de estrelas NGC 3324, conhecida como Nebulosa Carina. Foto: NASA.

Quando o James Webb finalmente foi lançado, em dezembro de 2021, tudo ocorreu sem problemas, marcando a era de sucesso do projeto espacial. Hoje, acompanhamos novas descobertas e novas imagens, que marcam uma evolução impressionante para a ciência contemporânea. “Um momento histórico para a ciência e a tecnologia, para astronomia, exploração espacial e para toda a humanidade”, destacou com entusiasmo, ao citar o projeto Webb, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden.

*Com informações do The New York Times.

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