Genética familiar influencia 10% dos diagnósticos de câncer de mama: conheça os fatores de risco e formas de se prevenir

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Genética familiar influencia 10% dos diagnósticos de câncer de mama: conheça os fatores de risco e formas de se prevenir
Cecília Pereira e Marcelle Thimoti, ginecologistas. Foto: Reprodução.

O Outubro Rosa é conhecido com o mês de prevenção ao câncer de mama e, pensando nisso, o MUNDO NEGRO conversou com Cecília Pereira, ginecologista e mastologista e Marcelle Thimoti, ginecologista, para que elas nos expliquem o que realmente são fatores de risco e os cuidados que cada uma de nós devemos ter em relação a esta doença.

Genética Familiar

Uma das grandes preocupações de quem tem casos de câncer na família, é a probabilidade de desenvolver a doença também. Mas a doutora Cecília Pereira, do grupo Ifé Medicina, do Rio de Janeiro, explica que a maioria dos casos positivos para a doença não tem ligação com o histórico familiar.

“Do total dos diagnósticos de câncer de mama, os casos ligados à genética familiar correspondem a 10%. Uma coisa curiosa é que a maioria das pacientes chegam com esse discurso ‘ah, não tenho nenhum histórico familiar’, ou uma paciente muito preocupada porque tem um histórico familiar positivo, de uma avó que teve câncer com 70 anos, ou uma tia avó, e isso não aumenta o risco, na verdade”, explica Cecília.

Mas quais são, então, os fatores genéticos para os quais devemos olhar com atenção? “Quando a gente fala em genética familiar, estamos falando em parentes de primeiro grau: mãe, irmã, filhas. Esse risco também aumenta quando alguém da sua família teve câncer de mama enquanto ainda estava menstruando, ou histórico de câncer de mama em homens da sua família, você também tem um risco mais aumentado”, explica Marcelle Timothi.

Em alguns casos, como na síndrome de BRCA 1 e 2, as pacientes têm cerca de 70% de chance de vir a desenvolver o câncer. Por isso, em alguns casos, é recomendada a mastectomia preventiva, como forma de não esperar que a doença se desenvolva.

Grande parte dos fatores associados ao risco de desenvolver câncer de mama são relacionados aos nossos hábitos do dia-a-dia. ” A grande maioria dos fatores de risco estão nas nossas mãos, então a prevenção está nas nossas mãos e tem a ver com diminuição do uso de industrializados, comer coisas mais naturais, praticar atividade física, diminuir o uso de tabaco e de álcool”, detalha Cecília.

Prevenção

A porta de entrada para a prevenção e o diagnóstico de câncer de mama é a consulta com a ginecologista ou mastologista e o exame adequado para rastreio da doença é a mamografia.  “Ela é indicada para todas as mulheres a partir dos 40 anos e deve ser feita uma vez ao ano. Os outros exames como ecografia, ressonância, a gente pede de forma individualizada de acordo com a paciente, se ela tem queixa, histórico familiar ou outra condição”, diz Marcelle.

Apesar de ser considerado um pouco desconfortável, não há necessidade de temer o exame e nem o diagnóstico. “Para aquelas mulheres que têm dúvida, que têm medo e estão há muito tempo sem ir ao ginecologista , eu digo que não tenham medo. Vão e façam o exame porque o diagnóstico precoce é muito eficiente e dá chances muito altas no tratamento do câncer de mama”, alerta Marcelle.

E atenção! Apesar de muito difundido como uma forma de prevenção, o autoexame das mamas não pode ser considerado um exame que elimina ou confirma a presença da doença. “Autoexame não é um exame de rastreamento para o câncer de mama, é uma prática para você se conhecer, para você saber qual é o seu normal, para caso alguma coisa nova apareça, acender o sinal de alerta”, lembra Cecília.

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