“Eu sou uma mulher preta que veio da periferia. Imagina quantas meninas da comunidade podem se espelhar em mim?”, diz Brunna Gonçalves

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“Eu sou uma mulher preta que veio da periferia. Imagina quantas meninas da comunidade podem se espelhar em mim?”, diz Brunna Gonçalves
Foto: Vinícius Mochizuki/gshow

A bailarina Brunna Gonçalves tem muita consciência de seu papel de representatividade para outras mulheres e meninas negras. Em entrevista ao gshow, a artista, que fez um ensaio todo voltado para a temática da Copa do Mundo, falou sobre como percebe que pode fazer a diferença na vida dessas pessoas.

“Eu sou uma mulher preta, que veio da periferia. Imagina quantas meninas da comunidade podem se espelhar em mim? Quero ser referência porque me sinto muito orgulhosa de ter vindo de onde eu vim e, agora, poder influenciar tanta gente” disse Bruna, que vem de uma família humilde da Baixada Fluminense.

Com um ensaio todo inspirado nas cores do Brasil e na chamada “Brazilcore”, Brunna reafirmou que o estilo – que agora tem feito parte do look de modelos e influenciadoras – sempre esteve presente nas periferias. “O Brazilcore é uma realidade nas comunidades e sinto muito orgulho por estar vestindo a camisa de onde eu vim, mostrando a minha origem. Acho importante poder dar mais força à nossa voz”, disse ela, que também falou sobre os novos rumos na carreira, e da decisão de sair do balé de sua esposa, Ludmilla.

“Sentei com a Ludmilla, conversamos e, embora ela ame que eu dance, ela entendeu e falou: ‘vai aproveitar esse momento que você está vivendo, te dou total apoio’. Continuo acompanhando ela nos shows, mas sem dançar. O que não quer dizer que, um dia, eu não possa participar de um show importante, por exemplo.”

Além da representatividade racial, Brunna também falou da responsabilidade e do peso que ela e Ludmilla têm na comunidade LGBT. “Somos um casal lésbico com duas mulheres pretas. Desde que a gente assumiu [o relacionamento], recebi vários relatos de pessoas dizendo o quanto a gente ajudou a normalizar um relacionamento homoafetivo, como isso ajudou vários pais e mães a aceitarem os seus filhos. É uma responsabilidade enorme e a gente sabe a importância de mostrar que amor é amor, que é um relacionamento como qualquer outro, que é leve, respeitoso.”

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