“Eu queria que a educação gerasse emprego para outros jovens negros”, diz Cleber Guedes, CEO do Programadores do Amanhã

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“Eu queria que a educação gerasse emprego para outros jovens negros”, diz Cleber Guedes, CEO do Programadores do Amanhã
Foto: Arquivo Pessoal.

Por Rodolfo Gomes

Cleber Guedes nasceu em Santo André, parte do triângulo Paulista. Criado por sua mãe, segundo filho de 4 irmãos, viveu durante toda sua infância em Santo André, região metropolitana de São Paulo, na divisa com as cidades de Mauá e São Paulo,  e tem a rua como sua segunda família. “A família da rua foi muito importante para o meu desenvolvimento”, contou.

Durante sua adolescência fez parte de um coletivo na Zona Leste chamado QZL. Esse coletivo era composto por diversos jovens, e as pautas eram sempre muito políticas. “Chegamos a fazer reunião com Ministro da Justiça da época para falar sobre o abuso de polícia”, contou.

Cleber teve seus amigos da rua como referência. Um deles, o Luizinho, desde pequeno era muito empreendedor, e lhe mostrava o quanto trabalhar era importante.

Na quinta série, Cleber começou a trabalhar em um Lava- rápido e lá ficou durante um ano e meio. Depois que saiu, resolveu empreender junto com esse seu amigo. “Pegamos 50 reais cada um e compramos DVD´s no centro de São Paulo, que vendíamos a 3 por 10 reais. Depois desse dia, percebemos que tínhamos lucrado e ficamos muito orgulhosos”, contou.

Aos 16 anos, ele começou a trabalhar como jovem aprendiz em uma grande rede de lojas de departamento. Lá, ganhou um curso de Gestão e Negócios no SENAC, e em uma das aulas conheceu o case do David, o Camelô. “Eu me conectei com a história dele, e pude perceber o quanto era possível empreender tendo vontade e oportunidade”, disse.

Durante este período que trabalhava no supermercado, com o salário que já era pouco, Cleber resolveu fazer um curso técnico de administração. Já próximo ao alistamento militar, ele acabou saindo da empresa e começou a pensar em empreender. Com todos os aprendizados do curso técnico, pensou em unir algo que gostasse ao conhecimento adquirido.

Foi então que começou a correr atrás para abrir uma loja de suplementos. “Lembro que eu chegava nos bancos e os gerentes me perguntavam se eu sabia o que era uma conta PJ”, comentou. 

Depois de muita tentativa e erro, ele conseguiu abrir a conta e deu início à sua primeira jornada de empreendedor, que durou cerca de 1 ano mais ou menos.

Após fechar a loja, Cleber ainda tinha muita vontade de empreender, sentia que precisava ter seu próprio dinheiro. Neste período, participou de um concurso de Ideias de Negócios e o plano de negócio que havia apresentado tinha como objetivo unir os marketplaces com os sócios. “Eu sempre tive ideias, mas nunca tive dinheiro, logo pensei que seria incrível unir pessoas que tinham ideias com pessoas que tinham dinheiro”, contou.

Essa foi sua primeira ideia de startup, e através dela, resolveu ir em um evento na Vila Madalena com o blazer emprestado do tio, para poder mergulhar nesse ecossistema empreendedor. “Lá encontrei duas pessoas que acreditavam na mesma coisa que eu, e nós acabamos marcando uma nova reunião”. 

Essa reunião lhe abriu uma oportunidade de trabalho, que permitiu ao Cleber fazer parte daquele time, em um ano de muito aprendizado, conhecendo o ecossistema de startups por dentro. Lhe rendeu também uma vaga em uma grande aceleradora de startups, na qual ficou por 3 anos, contribuindo com a aceleração de mais de 100 startups. Foi lá que Cleber teve a oportunidade de fazer viagens internacionais, incluindo um curso na Stanford University. 

Em 2019, saiu dessa aceleradora e foi para outra empresa, que apoiava empresas mais estruturadas. “Lá eu aprendi em grande escala, foi praticamente um MBA na prática”, contou.

Mas em junho de 2020, com a pandemia, vieram muitos questionamentos sobre propósito. 

“Eu pude perceber que eu estava em uma bolha, falando sobre investimento e inovação, e quando conversava com meus amigos ninguém sabia o que eu fazia. Eu queria mudar o mundo, e ao mesmo tempo percebi que não estava nesse caminho”, desabafou.

“Eu queria que a educação assim como foi pra mim, gerasse emprego para outros jovens negros”, comentou.

Hoje, Cleber sente que voltou às suas origens e está cada vez mais próximo do seu propósito de mudar o Brasil através da Educação. 

Aos 25 anos, é CEO no Programadores do Amanhã. Um programa social que, desde 2019, tem como objetivo qualificar, fortalecer e dar protagonismo a jovens negros e negras, para que construam carreira na área de tecnologia. Fornecendo também todo apoio psicológico.

Quando perguntamos sobre sua maior referência de homem preto, Cleber conta que atualmente é cada uma das pessoas que assim como ele querem empreender para mudar o mundo “Eu adoro poder conversar com pessoas negras que assim como eu que querem empreender, afinal, minha vida toda eu já passei apoiando o homem branco”. Concluiu.

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