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Uma nova pesquisa realizada por cientistas da Stanford Medicine revelou que uma molécula produzida pelo cromossomo X em cada célula feminina pode gerar anticorpos que atacam os próprios tecidos da mulher, contribuindo para o desenvolvimento de doenças autoimunes. Esse achado é particularmente relevante para a saúde das mulheres negras, que enfrentam uma prevalência desproporcional dessas doenças.
Nos Estados Unidos, entre 24 e 50 milhões de pessoas são afetadas por algum tipo de doença autoimune, sendo quatro em cada cinco dessas pessoas mulheres. Doenças como artrite reumatoide, esclerose múltipla, esclerodermia e fibromialgia apresentam uma proporção desigual entre os sexos, com o lúpus, por exemplo, afetando nove mulheres para cada homem e a síndrome de Sjogren afetando dezenove mulheres para cada homem. Howard Chang, professor de dermatologia e genética, destacou a predominância de pacientes mulheres com essas condições em sua prática clínica, especialmente devido às manifestações cutâneas dessas doenças.
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Além dos fatores biológicos, fatores psicossociais também desempenham um papel significativo
O médico norte-americano, especialista em trauma e estresse, Dr. Gabor Mate, afirmou que raiva reprimida frequentemente se manifesta como doenças autoimunes, o que pode também justificar a prevalência do desenvolvimento em mulheres, considerando o modelo social em que vivemos. Entre as mulheres negras, essas questões são ainda mais graves, já que enfrentam maiores níveis de estresse e depressão. Pesquisas da Universidade de Pittsburgh em 2022 revelaram que mulheres negras que suprimem sua raiva têm 70% mais chances de desenvolver aterosclerose carotídea, um fator de risco para ataques cardíacos. Outros estudos correlacionaram o auto-silenciamento com condições como síndrome do intestino irritável, síndrome da fadiga crônica e câncer.
Em suma, a ciência sugere que o auto-silenciamento e a repressão emocional, frequentemente incentivados pela cultura machista e racista em que vivemos, têm implicações graves na saúde das mulheres, especialmente das mulheres negras. Combater esses comportamentos pode ser uma questão de vida ou morte para nós.
A pesquisa sugere que a molécula chamada Xist, produzida pelo segundo cromossomo X, desempenha um papel crucial ao se unir a proteínas para evitar a ativação dupla de genes, o que poderia ser letal. Este RNA específico do cromossomo X é apontado como um fator chave para o viés feminino nas doenças autoimunes, possivelmente ligado a uma hipervigilância imunológica evolutiva para aumentar as chances de gravidez.
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