Em Amor de Mãe, Tiago é apreendido em camburão pela polícia, que resolve “dar uma lição” na criança

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Mais uma vez, ontem, a novela Amor de Mãe foi certeira ao mostrar para rede nacional os retratos sombrios que crianças, em sua maioria pretas, sofrem nas favelas do Rio. No episódio, Tiago (Pedro Guilherme Rodrigues) está desaparecido. O menino se perdeu de Sandro (Humberto Carrão) durante um arrastão na praia e sumiu, deixando Vitória (Taís Araujo) desesperada! Ela e o filho mais velho saem em busca do menino, perguntando sobre ele para as pessoas que estavam no local, mas ninguém parece saber dele.

O que a advogada não sabe é que Tiago foi capturado pela polícia, como suspeito de fazer parte do arrastão. Mesmo sem prova alguma contra a criança, o policial o mantém dentro de um camburão. “Ver a injustiça, o racismo, o abuso mexe com a gente, mesmo na ficção. Recebi muitas mensagens durante o capítulo de hoje e me envolvi com as emoções que essas cenas despertaram em vocês. É duro, sim, é real demais, mas profundamente necessário expor o que acontece todos os dias há décadas nas cidades do nosso país”, disse Taís pelo Instagram.

Aflito, Tiago chama por Vitória e afirma que não fez nada de errado: “Eu quero a minha mãe! Eu não fiz nada! Me solta, me deixa ir embora!” A cena continua com o menino sendo levado para um lugar desconhecido e os policiais falando que iam “dar uma lição” no menino e em outras crianças pretas apreendidas junto com ele no camburão.

 

Qualquer semelhança com a realidade não é mera ficção

Jenifer Cilene Gomes, 11 anos, Kauan Peixoto, 12 anos, Kauan Rozário, 11 anos, Kauê Ribeiro dos Santos, 12 anos, e Ágatha Félix, 8 anos. Cinco crianças moradoras de favelas do Rio de Janeiro, mortas em 2019, que ilustram um dado sombrio para adultos e crianças: São apenas alguns dos 1.249 pessoas vítimas de “autos de resistências”, mortes em que policiais estejam envolvidos, segundo o próprio Instituto de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, que divulga dados e relatórios sobre violência pública. Segundo a OAB/RJ, apenas 3,7% viram processos, os outros 96,3% nem chegam a isso, o que retrata a impunidade das mortes registradas como Autos de Resistência. Segundo o próprio ISP, os números de “Autos de Resistência” aumentaram 127% nos últimos quatro anos.

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