Documentário ”Nossos Mortos Têm Voz” é contemplado em concurso e passará a ser exibido na TV Câmara

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No ano em que completam 15 anos da maior chacina da Baixada Fluminense, o documentário “Nossos Mortos Têm Voz” é selecionado para estar entre os 30 documentários de todo o país que terão o direito de serem exibidos na TV Câmara. No dia 31 de março de 2005 policiais do Estado do Rio de Janeiro assassinaram 29 pessoas em Nova Iguaçu e Queimados. O documentário traz à tona o depoimento de mães e familiares de vítimas da violência do Estado na Baixada Fluminense com as histórias atravessadas por essas perdas.

A produção resgata a memória das vidas interrompidas com uma visão crítica sobre a atuação do Estado através das polícias na região, aborda a atuação dos grupos de extermínio a partir da década de 50 e das milícias mais recentemente, sobretudo, no que diz respeito à violência de agentes de Estado contra jovens negros. Além do território brasileiro, o título que tem a produção e a direção de Fernando Sousa e Gabriel Barbosa, da Quiprocó Filmes, também já foi exibida em aproximadamente outros 10 países – entre eles: Argentina, Paris e Estados Unidos.

A obra volta à tona no contexto do dia internacional dos desaparecimentos forçados

A ONU declarou, no ano de 2011, 30 de agosto o Dia Internacional das Vítimas de Desaparecimentos Forçados. Este ano o tema é especialmente importante para o Brasil, por duas razões: o estabelecimento da Comissão da Verdade e a proposta do novo Código Penal, em discussão no Congresso, que pela primeira vez cria legislação específica para enfrentar desaparecimentos forçados. O desaparecimento forçado de pessoas é definido pela ONU como a privação de liberdade executada por agentes do Estado ou por pessoas e grupos agindo com sua cumplicidade, seguida da recusa em reconhecer que o fato aconteceu e da negação em informar o paradeiro ou destino da pessoa. Quando praticado de modo sistemático contra um segmento específico da população (movimentos políticos, membros de uma religião ou etnia) é um crime contra a humanidade, que não pode ser anistiado. Os tratados internacionais proíbem os desaparecimentos forçados em qualquer circunstância, mesmo durante guerras*.

Aproximadamente 60% do total de pessoas desaparecidas no estado ocorrem na Baixada Fluminense.

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