Nesta semana, a história de Guilherme, de apenas 09 anos, chamou atenção da mídia e da internet. Em Belo Horizonte, a criança escreveu uma carta perguntando se ele seria mais amado pelo pai caso tivesse nascido branco. “Papai eu tenho muito prazer de ser seu filho. Eu espero que você guarde esta cartinha com muito amor e carinho. Vou te fazer uma pergunta. Se eu fosse branco, você e toda minha família iam gostar mais de mim?”, escreveu o menino.

Em reportagem da jornalista Caroline Caetano, para o G1, o pai de Guilherme, Gustavo Bregunci revela que ficou em choque com o questionamento do filho. Ele conta que juntamente com sua esposa Karina, adotaram Guilherme com 1 ano de 2 meses, e que com o decorrer da criação, sempre foram muito transparentes sobre a expressão das emoções. “Quando li a carta foi de embrulhar o estômago, uma sensação de me sentir impotente por não preencher todas essas lacunas que ele tem”, contou o pai.

Gustavo revela ainda que ao longo dos últimos tempos, com o retorno das aulas presenciais, Guilherme passou a falar mais sobre sua cor, após ser questionado e atacado por colegas de classe, principalmente, por ser o único garoto negro da classe. “Desde que as aulas presenciais voltaram, ano passado, ele já vinha levantando essa questão de cor da pele, que era o único com pele escura, era ‘diferente’. Na nossa casa todo mundo é ‘diferente’, os meus caçulas são crianças especiais”, contou Gustavo.

Ao ler a carta de Guilherme, o pai prontamente respondeu:

“Meu amado filho, ser seu pai é motivo de orgulho pra mim. O papai adora receber suas cartinhas diárias. Saiba que guardo todas com carinho muito especial. O papai te ama muito porque você é exatamente do jeito que você é. Amo seu cabelo, amo seus olhos, amo seu nariz, amo sua boca, amo sua boca, amo sua cor. Amo TUDO em você”, destacou.

Bregunci compartilhou a carta do filho através de suas redes sociais e ressaltou: “Me culpei por não conseguir mostrar a ele que nosso amor nos basta, por não protegê-lo, por não deixar uma criança de 9 anos forte o suficiente pra encarar o racismo“.

Reforçando como o racismo estrutural tem atingido a relação com seu filho, Gustavo enfatizou a forma como a sociedade acaba anulando os sentimentos de amor construídos pela família: “Ele me disse que tinha recebido minha carta de volta e tinha ficado emocionado com a minha resposta. A sociedade vem fazendo um estrago com esse racismo estrutural, anular emocionalmente uma criança dessa forma é cruel demais”, disse.

Foto: Arquivo Pessoal / Divulgação

Eu estava com muita dúvida com a minha pele, se eu podia me juntar aos brancos ou aos pretos, mas meu pai me disse que isso não tem importância. Meu pai é branco, minha mãe é branca, meus irmãos são brancos, eu sou negro e faço parte da minha família”, finalizou Guilherme em entrevista ao programa MG1, da TV Globo.

Com informações do G1.

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