Com dois gols de Pépé, Costa do Marfim vence Curaçao por 2 a 0 e vai ao mata-mata da Copa do Mundo pela primeira vez na história.
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Nicolas Pépé marcou os dois gols da vitória da Costa do Marfim sobre Curaçao por 2 a 0, na quinta-feira (25), no Lincoln Financial Field, em Filadélfia, e conduziu os Elefantes a um feito inédito: a primeira classificação da seleção africana para o mata-mata de uma Copa do Mundo, alcançada após três participações consecutivas encerradas ainda na fase de grupos. A equipe comandada por Emerse Faé terminou o Grupo E com seis pontos, em segundo lugar, atrás da Alemanha no critério de confronto direto, enquanto Curaçao, com 160 mil habitantes e estreante no torneio, encerrou sua participação em último lugar com um ponto.
Yan Diomandé foi o autor da jogada que abriu o placar aos seis minutos, quando aproveitou uma perda de bola da defesa adversária, avançou pela esquerda e cruzou rasteiro para Pépé aparecer na segunda trave e completar de esquerda, no gol mais rápido da história da seleção marfinense em Copas do Mundo. Curaçao chegou a assustar com chegadas perigosas por Tahith Chong e Sherel Floranus, sendo que um chute de Floranus flertou com a trave no início do segundo tempo e Leandro Bacuna invadiu a área e chutou para fora nos minutos finais da primeira etapa, mas o goleiro Yahia Fofana fez o necessário para manter a vantagem.
Ibrahim Sangaré, do Nottingham Forest, foi quem definiu o resultado aos 18 minutos da segunda etapa ao encontrar Pépé com passe em profundidade dentro da área, e o atacante finalizou no canto direito de Eloy Room para ampliar para 2 a 0, placar que a Costa do Marfim administrou com substituições e controle de posse até o apito final.
Contratado pelo Arsenal em 2019 por 80 milhões de euros, valor que o tornou o jogador africano mais caro da história do futebol até então, Pépé atravessou anos de baixo rendimento na Inglaterra antes de reencontrar o futebol no Villarreal, onde na temporada 2025/26 somou oito gols e oito assistências em 36 partidas de La Liga, e chegou a esta Copa tendo ficado no banco na derrota por 2 a 1 para a Alemanha, dois jogos após ser titular na estreia contra o Equador. “Foi uma das melhores noites da minha carreira. No primeiro gol, só precisei empurrar a bola depois de uma jogada brilhante do Yan. No segundo, o Ibra deu um passe magnífico, e tudo o que precisei fazer foi manter o foco e marcar. Gostaria de dedicar esta atuação aos rapazes”, disse Pépé a jornalistas após o apito final. Faé referendou a avaliação em coletiva: “Nico é um jogador de primeira classe. Ele tem a habilidade e a experiência para nos ajudar a vencer partidas em competições como esta.”
Campeã africana em 2024, a Costa do Marfim nunca havia passado da fase de grupos em suas três participações anteriores em Mundiais, o que torna a classificação ainda mais expressiva diante de um histórico que inclui gerações com nomes como Didier Drogba e Yaya Touré, dois dos maiores jogadores africanos de todos os tempos, sem conseguir o feito. O país entra agora para o grupo de oito seleções africanas a avançar além dessa etapa em Copas do Mundo, ao lado de Marrocos, Camarões, Nigéria, Senegal, Gana, Argélia e África do Sul.
Antes do confronto entre Alemanha e Costa do Marfim, na rodada anterior, o ex-jogador alemão Bastian Schweinsteiger, campeão mundial em 2014 e hoje comentarista da emissora pública ARD, havia descrito o estilo de jogo africano durante a transmissão como “um pouco não ortodoxo, às vezes um pouco selvagem e não tão tático”, declarações que repercutiram na imprensa internacional e levaram críticos a apontar que os termos reproduzem estereótipos historicamente associados a visões coloniais sobre povos africanos. O jornalista negro alemão Philipp Awounou, em coluna publicada na revista Spiegel, contextualizou que palavras como “selvagem” e “imprevisível” estiveram vinculadas, muito antes do futebol, a estigmas raciais aplicados a populações africanas.
Questionado sobre as declarações na coletiva pós-jogo, Faé respondeu com irritação contida ao afirmar que ficou muito decepcionado ao ouvir os comentários e que, dada a experiência de Schweinsteiger no futebol, considerava estranho esse tipo de declaração. “Posso classificá-los, sem rodeios, como racistas”, disse o treinador, que também insinuou que o ex-jogador poderia estar em busca de visibilidade ao lembrar que Schweinsteiger foi uma estrela mundial que acabou sendo um pouco esquecido. Até o momento, o comentarista não emitiu pedido de desculpas público e não sofreu nenhuma punição da emissora.
Classificada para os 16 avos de final, a Costa do Marfim aguarda o segundo colocado do Grupo I, que reúne França, Noruega, Senegal e Iraque, para o duelo marcado para a terça-feira (30), às 14h (horário de Brasília), em Dallas, em confronto que pode se tornar ainda mais emblemático caso a França, país onde Pépé e vários titulares da seleção marfinense nasceram, confirme a segunda posição no grupo.
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