Conflito racial cotidiano é abordado de forma concisa e tensa no curta “Preto no Branco”

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Conflito racial cotidiano é abordado de forma concisa e tensa no curta “Preto no Branco”
Imagem: Valter Rege

Um garoto negro sai correndo de dentro de um shopping e esbarra com uma mulher branca que, imediatamente, sente falta da bolsa que carregava. Avisa a polícia que passava na rua e convicta aponta o culpado: o jovem de 20 anos que tem nome de cantor famoso, Roberto Carlos, que é preso de forma truculenta pela dupla de investigadores. Parece com cenas cotidianas que algum amigo seu ou você mesmo já passou? Pois é. Esse é o plot inicial do curta-metragem “Preto no Branco“, dirigido por Valter Rege.

Maria Bopp (A bloguerinha do fim do mundo) interpreta Isabella, a moça de classe média assustada, mas notoriamente racista. Bopp é boa atriz e consegue fazer de forma competente com que a gente sinta antipatia por sua personagem, que age com a arrogância típica da classe média, até mesmo se oferecendo para ajudar a investigar gangues junto com a polícia.

Imagem: Divulgação

Um acerto do curta é não revelar em plano aberto toda a movimentação na frente do shopping, fazendo com que possamos, ainda que haja identificação com o acusado, ter dúvida sobre o que, de fato, ocorreu. Uma escolha bem-vinda é a dualidade entre o acusado e o policial preto vivio por Taiguara Nazareth (Presença de Anita). Roberto Carlos e o policial têm a mesma cor, mas estão em lado opostos. Mesmo que o agente policial emule o preconceito de seu parceiro branco, em determinada passagem ele precisa confrontar a realidade de que mesmo com distintivo, não pertence totalmente àquela instituição e que, para quem acusa, a diferença é inexistente entre investigador e investigado.

Outro acerto é a atuação de Marcos Oliveira nos momentos de interrogatório na delegacia. Não sei se por escolha do diretor, mas o ator diz o texto de forma mais teatral, como se recitasse um manifesto ao público. Pode gerar estranheza perto do comedimento das outras atuações, mas se o espectador tentar entender como proposta narrativa proposital, o artifício ganha força.

O curta termina oferecendo recompensa pelos quinze minutos. É prazeroso ver Roberto Carlos agir com consciência diante do que ocorre na resolução e a escolha musical para acompanhar os passos finais antes do crédito final casa tão bem como como a canção inicial, ambas composições do rapper Rincón Sapiência.

“Preto no Branco” está disponível de forma gratuita na Wolo TV.

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